terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ícones Negros: Angela Davis


Angela Yvonne Davis, nasceu no dia 26 de janeiro de 1944 (hoje ela completa 67 anos), em Birmingham, Alabama, Estados Unidos. É uma ativista política que sempre lutou pelos direitos das pessoas negras, sobretudo, das mulheres. Angela Davis ganhou notoriedade por ter sido acusada de fornecer as armas usadas pelos militantes dos Panteras Negras, no protestos realizados na Assembléia Legislativa, em Marin County, estado da Califórnia, em 7 de agosto de 1970.
Desde pequena Ângela revelou um alto grau de inteligência, e após a destacar-se já no colegial conseguindo uma bolsa de estudo para estudar Literatura Francesa, em Nova Iorque, ficando hospedada na casa de um pastor branco progressista, em 1959. Em 1960, foi até Frankfurt, Alemanha, onde ficou dois anos, sendo aluna dos reconhecidos professores Theodor Adoro e Oscar Negt. Depois, entre 1963 a 1964, ela foi privilegiada com aulas em Paris, na escola de Sorbonne, onde cursou Literatura.
No retorno aos Estados Unidos, Davis ainda continuou estudando, entrando na conceituada Universidade Brandeis, no estado de Massachusetts, para fazer Filosofia. Terminado o curso ela retornou à Alemanha para fazer pesquisa de Mestrado na Universidade de Califórnia, em San Diego, conseguindo o feito em 1968.
Por influência de um professor, Herbert Marcuse, Angela filiou-se ao Partido Comunista dos Estados Unidos. Sim, até lá existia a legenda, entretanto seus militantes eram perseguidos, devido ao clima da Guerra Fria com a União Soviética. O ano era 1969, e ela acabou sendo discriminada na universidade, controlada por anti-comunista, sendo arbitrariamente proibida de ministrar aulas.
A atitude deixou Ângela, revoltada, o que acabou aumentando sua ligação com a militância política, onde passou a atuar no SNCC Student Nonviolent Coordinating Committee (Comitê Conjunto de Não Violência dos Estudantes). Depois se tornou simpatizante do grupo político e social de combate ao racismo, os Panteras Negras. O grupo foi uma opção atraente para ela, pois não tinha uma abordagem machista junto às militantes, diferente de outras organizações afro-americanas. Além disso, os Blacks Panthers, tinha uma ideologia de esquerda, a mesma que a dela.


Mas os Panteras Negras estavam se tornando um grupo muito forte e ramificado nos Estados Unidos, principalmente na sua postura contra a violência policial, onde defendiam pessoas negras de policiais racistas e outros grupos armados. Pressionados por setores conservadores e pelo então governador Ronald Reagan, a Assembléia Legislativa da Califórnia, discutia em agosto de 1970 a aprovação da lei Mulford – que proibiram que os cidadãos pudessem portar armas nas ruas. O projeto era direcionado sob medida para desarmar os Panteras Negras.
Os líderes do grupo, Bob Seale e Huey Newton, decidiram ir pacificamente até o prédio da Assembléia californiana e discutir com os deputados estaduais o projeto de lei, expondo seus pontos de vista, e iriam propor emendas ou o seu veto. No comando de 29 militantes, Bob tomou um caminho errado nos corredores do local, e acabou entrando no plenário. Imediatamente favoráveis à proibição, aproveitaram da ocasião para acusá-los de tentar intimidar o Poder Legislativo, pois estavam portando armas naquele local. Todos foram detidos, por seis meses.
O FBI que tinha como diretor o anticomunista e segregacionista Edgard Hoover, enxergou na ocasião uma chance de desqualificar e desmantelar os Panteras Negras. Acusaram a organização de ser subversiva ao Governo Norte-Americano, e acusaram Angela Davis, de ser uma das mentoras da invasão ao plenário da Assembléia da Califórnia. Ela ainda tentou se esconder, até que fosse provada sua inocência, mas foi capturada pelo FBI e teve que amargar 17 meses na prisão.
Porém neste momento, Angela Davis já tinha se tornado uma grande liderança feminina negra e aproximadamente 30 minutos após sua detenção na Casa das Mulheres de Detenção, em Nova Iorque, cerca de 300 pessoas foram ao local, prestar-lhe solidariedade e pressionar as autoridades por sua liberdade. Dentro da cela, as outras mulheres lá detidas, também se manifestaram em apoio a ela, numa atitude que assustou inclusive o FBI, devido à sua popularidade.


Imediatamente foi criado um Movimento Internacional pela Libertação de Ângela Davis e outros líderes dos Black Panthers. Personalidades como o cantor John Lennon, o líder cubano Fidel Castro, os intelectuais Jean Paul Sartre e Jean Genet e inclusive o famoso maestro Leonard Bernstein, que fazia apresentações com a finalidade de arrecadar fundos para financiar o pagamento dos advogados dos acusados. E mesmo Davis, de dentro da cela, conseguiu, com contribuições de militantes, formar uma biblioteca jurídica que usou para ajudar a formular sua defesa nos tribunais.
Seu julgamento foi um dos maiores e mais emocionantes dos Estados Unidos, onde obteve finalmente a sentença de inocência diante da falta de provas do FBI, em junho de 1972. E isso aconteceu mesmo com um júri composto inteiramente por brancos, sendo sete homens e apenas duas mulheres. No mesmo ano foi recebida pelo alto comando do Kremlin, União Soviética, que também participou da campanha internacional pela libertação dela. Em 1980, fez um ato inédito e audacioso – candidatou-se à vice-presidente dos Estados Unidos pelo Partido Comunista.



Atualmente, Angela Davis é professora do Departamento de História da Universidade da Califórnia, a mesma que um dia vetou sua entrada. Continua sua militância política de combate ao racismo e na defesa dos direitos das mulheres. Já veio ao Brasil várias vezes, convidada por organizações não-governamentais de mulheres negras.
Além disso,  é autora dos livros: Women, Race and Class (Mulheres, Classe e Raça) – sobre o movimento feminista; If They Come in The Morning: Voice Of Resistence (Quando Vier o Amanhecer: Vozes da Resistência) – que traz uma análise marxista da opressão racial dos Estados Unidos e  Blues Legacies And Black Feminism (O legado do Blues e o Feminismo Negro) – que retrata a contribuição das mulheres negras do inicio do século 20 para o feminismo, principalmente através de cantoras como Billie Holiday e Bessie Smith.

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