quarta-feira, 16 de maio de 2018

Vídeos, filmes e documentários para debater o racismo


O YouTube possibilita o acesso fácil a todo tipo de material. Alguém teve a brilhante ideia de compilar diversos vídeos que abordam a questão racial e o debate acerca do racismo e das desigualdades sociais advindas dele, mas, como alguns vídeos saíram do ar, eu fui testando um por um e substituindo por outros de temática semelhante, sempre que possível. Minha lista acabou ficando maior que a original. O interessante é que outros vídeos que não estão aqui aparecem como relacionados pela temática, tornando esta lista infinitamente maior.
Confira a lista abaixo:

O Xadrez das Cores: o preconceito e o desafio da acolhida da diversidade
https://www.youtube.com/watch?v=CGIBoGzNMR0

Chacinas nas periferias
https://www.youtube.com/watch?v=53rQggrAouI


Raça Humana
https://www.youtube.com/watch?v=y_dbLLBPXLo


Ninguém nasce assim
https://www.youtube.com/watch?v=6H_xfUCLWBY


Racismo Camuflado no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=zJVPM18bjFY


Negro lá, negro cá
https://www.youtube.com/watch?v=xPC16-Srbu4


Vidas de Carolina
https://www.youtube.com/watch?v=AkeYwVc2JL0


Eu não sou seu Negro
https://www.youtube.com/watch?v=Nt1qqzVhhBM

Negros dizeres
https://www.youtube.com/watch?v=yjYtLxiVQ7M


Quanto Vale ou É Por Quilo
https://www.youtube.com/watch?v=fZhaZdCqrHg

Mulher negra
https://www.youtube.com/watch?v=WDgGLJ3TPQU


Vista Minha Pele
https://www.youtube.com/watch?v=JIvjTmQgXOA

Negro Eu, Negro Você
https://www.youtube.com/watch?v=lpT17VJpnX0


A realidade de trabalhadoras domésticas negras e indígenas
https://www.youtube.com/watch?v=s4UsjpFg2Vg


Espelho, Espelho Meu!
https://www.youtube.com/watch?v=44SzV2HSNmQ


Open Arms, Closed Doors
https://www.youtube.com/watch?v=uXqpOFBXjBs


Boa Esperança - minidoc
https://www.youtube.com/watch?v=3NuVBNeQw0I


Memórias do cativeiro
https://www.youtube.com/watch?v=_Hxhf_7wzk0


Quilombo São José da Serra
https://www.youtube.com/watch?v=f0asl1-SpP4


Introdução ao pensamento de Frantz Fanon
https://www.youtube.com/watch?v=mVFWJPXscm0


Invernada dos Negros 
https://www.youtube.com/watch?v=TCyu-Tb6D1o


A Negação do Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=PrrR2jgSf9M

Sua cor bate na minha
https://www.youtube.com/watch?v=gm-WjcZwgvg


História da Resistência Negra no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=68AApIpKuKc


Jongos, Calangos e Folias: Música Negra, Memória e Poesia
https://www.youtube.com/watch?v=DB_AHH3xXYQ

Raça e Racismo no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=RFYQ6axQSho

Relações Étnico-Raciais - Dr. Kabengele Munanga
https://www.youtube.com/watch?v=7FxJOLf6HCA


quinta-feira, 10 de maio de 2018

Essa é a América, não seja pego desprevenido!


Eu já conhecia o ator Donald Glover, que interpretará o jovem Lando Calrissian, no spin-off de Star Wars sobre Han Solo, ainda este mês nos cinemas. Confesso que só fui apresentado ao seu alter ego Childish Gambino com a divulgação do bombástico This is America.

Fico impressionado com o alcance das críticas à violência policial e ao racismo nos Estados Unidos, feitas por artistas consagrados, assim como Lemonade, de Beyoncè e o ato de ajoelhar-se durante a execução do Hino Nacional dos EUA por Colin Kaepernick, enquanto atuava pelo San Francisco 49ers na NFL, e o quanto elas trazem reflexões necessárias, por mais que sejam extremamente conhecidas e debatidas por nós Negrxs. Além disso, a semelhança entre a realidade norte-americana e a nossa faz com que nos identifiquemos com sua mensagem.

This is America, dirigido por Hiro Murai e coreografado por Sherrie Silver, especialista em danças africanas, é cheio de referências e uma das primeiras (e mais óbvias) é ao personagem Jim Crow (uma representação grosseira de pessoas Negras, criada por um pseudo comediante e que deu origem ao famigerado "black face"), quando Gambino atira no homem que está tocando violão. O bom da arte é poder interpretá-la da maneira que ela chega aos nossos sentidos, pois, a cada vez que assistimos ao clipe, novas informações aparecem, quando prestamos atenção aos detalhes. As cenas de violência explícita são feitas para chocar, como se a realidade lhe acertasse um soco no estômago. O fato de ser gravado inteiramente em um galpão é o contraste aos clipes mega produzidos, com carrões, cordões de ouro, piscinas e garrafas de champanhe.
Criado por Thomas D. Rice, Jim Crow foi a gênese do "black face" e deu nome às leis de segregação racial nos EUA, entre o século XIX e a segunda metade do século XX.


Outra referência mais explícita está na roupa dos estudantes que dançam ao seu redor, lembrando o massacre de Soweto, África do Sul, em 1976. Além disso, o coral assassinado faz menção à chacina ocorrida na igreja de Charleston, uma das mais tradicionais igrejas Negras dos EUA, em 2015.
Levante de Soweto, na África do Sul, pode ter servido de inspiração para o figurino das crianças que dançam no clipe.

Há várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. Enquanto Childish Gambino e as crianças dançam no centro da tela, incontáveis cenas de violência e tumulto se desenvolvem em segundo plano. Podemos fazer várias leituras disso, inclusive autocríticas. A sequência simboliza o tratamento dado pela mídia ao Negro, como mero entretenimento, enquanto a violência explode e nós somos mortos nas periferias. 

A dança pode simbolizar também uma crítica à "geração tombamento" ("I'm so pretty", ou seja, "eu sou muito bonito"), que preza muito pela beleza estética, mas, muitas vezes, é ausente de conteúdo. Lógico que é importante nos reconhecermos como pessoas bonitas, agradáveis e desejáveis, já que toda a estrutura racista ocidental foi criada para nos tentar fazer acreditar no contrário disso. Só que não podemos esquecer que os colonizadores brancos também nos consideravam "burros" e monopolizaram praticamente todo o conhecimento teórico por séculos, enquanto o direito à alfabetização era negado aos escravizados, ou extremamente precário, quando a escravidão acabou e enquanto as leis de segregação racial vigoraram no país. Estudar é a nossa primeira arma no enfrentamento ao racismo. A mesma crítica vale para grande parte dos artistas de Hip Hop que pregam a ostentação ("Eu tô usando Gucci" e "notas de cem, notas de cem", por exemplo), ao invés do empoderamento real da população Negra.

This is America parte do ponto de vista dos Estados Unidos, mas poderia ser em qualquer quebrada do Brasil. Quando ele diz "não seja pego desprevenido" e "homem Negro, consiga o seu dinheiro", Childish Gambino nos alerta para a necessidade de estar atento à nossa comunidade, aos perigos internos e externos e , ao mesmo tempo, correr atrás da nossa sobrevivência. Fique ligado e permaneça vivo!

sábado, 5 de maio de 2018

Racionais MC's - Negro Drama



Negro drama
Entre o sucesso e a lama
Dinheiro, problemas
Inveja, luxo, fama
Negro drama
Cabelo crespo e a pele escura
A ferida, a chaga
À procura da cura
Negro drama
Tenta ver e não vê nada
A não ser uma estrela longe, meio ofuscada
Sente o drama,o  preço, a cobrança
No amor, no ódio,a insana vingança
Negro drama
Eu sei quem trama e quem tá comigo
O trauma que eu carrego pra não ser mais um preto fodido
O drama da cadeia e favela
Túmulo, sangue, sirene, choros e vela
Passageiro do Brasil, São Paulo, agonia 
Que sobrevivem em meio às honras e covardias
Periferias, vielas e cortiços
Você deve tá pensando o que você tem a ver com isso
Desde o início, por ouro e prata
Olha quem morre, então, veja você quem mata
Recebe o mérito, a farda que pratica o mal
Me ver
Pobre, preso ou morto já é cultural
Histórias, registros, escritos
Não é conto nem fábula
Lenda ou mito
Não foi sempre dito que preto não tem vez?
Então, olha o castelo, irmão
Foi você quem fez, cuzão
Eu sou irmão dos meus trutas de batalha
Eu era a carne, agora sou a própria navalha
Tin, tin, um brinde pra mim
Sou exemplo de vitórias
Trajetos e glórias, glorias
O dinheiro tira um homem da miséria
Mas não pode arrancar de dentro dele a favela
São poucos
Que entram em campo pra vencer
A alma guarda
O que a mente tenta esquecer
Olho pra trás, vejo a estrada que eu trilhei
Mó cota

Quem teve lado a lado
E quem só fico na bota


Entre as frases, fases e várias etapas
Do quem é quem
Dos mano e das mina fraca
Negro drama de estilo
Pra ser e se for
Tem que ser
Se temer é milho
Entre o gatilho e a tempestade
Sempre a provar
Que sou homem e não um covarde
Que Deus me guarde
Pois eu sei que ele não é neutro
Vigia os ricos, mas ama os que vêm do gueto
Eu visto preto por dentro e por fora
Guerreiro
Poeta entre o tempo e a memória, ora!
Nessa história, vejo o dólar
E vários quilates
Falo pro mano pra que não morra e também não mate
O tic-tac não espera, veja o ponteiro
Essa estrada é venenosa e cheia de morteiro
Pesadelo
É um elogio
Pra quem vive na guerra, a paz nunca existiu
Num clima quente, a minha gente sua frio
Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil
Um fuzil
Negro drama
Daria um filme:
Uma negra e uma criança nos braços
Solitária na floresta de concreto e aço
Veja

Olha outra vez o rosto na multidão
A multidão é um monstro sem rosto e coração
Em São Paulo, terra de arranha-céu
A garoa rasga a carne. é a Torre de Babel
Família brasileira, dois contra o mundo
Mãe solteira de um promissor vagabundo
Luz, câmera e ação: gravando!
A cena vai
Um bastardo
Mais um filho pardo, sem pai
Ei, Senhor de engenho
Eu sei bem quem você é
Sozinho, cê num guenta
Sozinho, cê num entra a pé
Cê disse que era bom e a favela te ouviu
Lá também tem
Whisky, Red Bull, tênis Nike e fuzil
Admito
Seus carro é bonito
É, eu não sei fazê
Internet, videocassete, os carro loco
Atrasado eu tô um pouco, sim
Tô, eu acho
Só que tem que
Seu jogo é sujo e eu não me encaixo
Eu sou problema de montão
De carnaval a carnaval
Eu vim da selva, sou leão
Sou demais pro seu quintal
Problema com escola, eu tenho mil, mil fitas
Inacreditável, mas seu filho me imita
No meio de vocês, ele é o mais esperto
Ginga e fala gíria
Gíria não, dialeto
Esse não é mais seu
Ó, subiu
Entrei pelo seu rádio, tomei, cê nem viu
Nós é isso ou aquilo
O quê?
Cê não dizia?
Seu filho quer ser preto?
Ahhh, que ironia!
Cola o pôster do 2Pac aí
Que tal? Que cê diz?
Sente o negro drama, vai
Tenta ser feliz
Ei bacana, quem te fez tão bom assim?
O que cê deu, o que cê faz,
O que cê fez por mim?
Eu recebi seu tic, quer dizer kit
De esgoto a céu aberto e parede madeirite
De vergonha eu não morri
To firmão, eis-me aqui
Você, não
Cê não passa quando o mar vermelho abrir
Eu sou o mano, homem duro
Do gueto, Brown
Obá
Aquele louco que não pode errar

Aquele que você odeia amar nesse instante
Pele parda,ouço funk
E de onde vem os diamantes?
Da lama!
Valeu mãe
 Negro drama!

terça-feira, 17 de abril de 2018

Descanse em Paz, D. Ivone Lara!

😢

Faleceu hoje uma das maiores sambistas do país, Dona Ivone Lara, aos 97 anos recém completados. Ela estava internada no Centro de Tratamento e Terapia Intensiva da Coordenação de Emergência Regional (CER), no Leblon, na Zona Sul do Rio.
Dona Ivone estava internada desde a última sexta-feira (13) com um quadro de anemia aguda. Nesta segunda-feira (16), ela teve uma parada cardíaca. A cantora chegou a precisar de transfusão de sangue.
Considerada a "Rainha do samba", Dona Ivone nasceu no dia 13 de abril de 1921 e compôs o samba "Nasci para sofrer", que se tornou o hino da Império Serrano, escola onde desfilou na ala das baianas.
Entres os sucessos estão "Sonho meu", que entrou nas paradas de sucesso com Maria Bethania e Gal Costa, "Acreditar", "Tendência" e "Mas Quem Disse que Eu Te Esqueço".


quarta-feira, 4 de abril de 2018

50 anos de morte de Martin Luther King Jr.





"Nossas vidas começam a acabar no dia em que nos silenciamos sobre as coisas que importam." (Martin Luther King Jr.)

Em tempos de crescimento exponencial das ideias fascistas em pleno século XXI, convém sempre guardar esta frase do Reverendo King, assassinado em 04 de abril de 1968, há exatos 50 anos atrás. Martin Luther King morreu defendendo o que acreditava, uma sociedade mais justa e menos desigual, mas o mundo não está muito diferente hoje do que era em 1968.
Tempos difíceis em que um homem Negro é atingido por mais de 20 tiros, em pleno quintal de casa, porque a polícia "confundiu" seu celular com uma arma. Tempos em que precisamos defender a honra e provar nossa inocência, até depois da morte. Tempos em que cinco jovens são alvejados por 111 tiros, em que pessoas são condenadas e presas sem provas...
Não tá fácil. Mas nunca foi fácil mesmo.
Sigamos sobrevivendo e incomodando!

terça-feira, 3 de abril de 2018

Vá em paz, Winnie!



Ontem, dia 02 de abril de 2018, Nomzamo Winifred Zanyiwe Madikizela, a ex-guerrilheira, militante anti-apartheid e pela luta a favor da libertação da África do Sul, Winnie Mandela, faleceu, aos 81 anos. 
Winnie foi a maior companheira de Rolihlahla "Nelson" Mandela, durante as mais de duas décadas em que ele esteve preso, e quem segurou a onda do lado de fora dos muros das prisões. Ela também foi perseguida e presa várias vezes, embora não tenha passado tanto tempo quanto o seu companheiro na cadeia.
Cometemos o erro (sim, me incluo e faço um "mea culpa") de não falar tanto quanto deveríamos sobre as heroínas Negras, muitas vezes relegando-as ao posto de "esposas". Elas estão na linha de frente de todas as batalhas, participando ativamente de todos os protestos e enfrentando balas (que podem ou não ser de borracha), gás lacrimogêneo e a ira da "opinião pública".
Dandara de Palmares e Winnie Mandela são exemplos disso, frutos de uma educação machista e elitista a qual fomos submetidos desde a infância. 
Assim como Nelson, Winnie cumpriu brilhantemente seu propósito aqui na Terra e já pode descansar em paz, finalmente.

quinta-feira, 15 de março de 2018

'Tudo aponta para possível envolvimento de policiais', afirma coordenador criminal do MPF no Rio sobre Marielle

Vereadora foi morta a tiros quando saía de evento no Rio de Janeiro.
O coordenador criminal do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, o procurador José Maria Panoeiro, disse à BBC Brasil que uma análise inicial do assassinato da vereadora carioca do PSOL Marielle Franco aponta para o possível envolvimento de policiais ou agentes milicianos no crime.
Milícias são formadas principalmente por policiais militares, mas também por policiais civis, bombeiros e mesmo integrantes das Forças Armadas, explicou.
Marielle foi morta ao ter seu carro alvejado por pelo menos nove tiros, no Centro do Rio, após ela deixar um evento no bairro da Lapa. O motorista Anderson Pedro Gomes também acabou atingido e morreu, enquanto uma assessora que estava no carro teve ferimentos leves e sobreviveu.
Para Panoeiro, as informações de que o carro foi perseguido por outro, de onde partiram os disparos, e o fato de ela ter morrido com quatro tiros na cabeça tornam pouco prováveis as hipóteses de uma ação de traficantes ou assaltantes.
"A forma de organização do crime, o fato de a assessora não ter sido alvejada diretamente e o fato de o motorista ter levado um tiro por trás denota um certo grau de planejamento (da ação) que leva a colocar policiais como suspeitos da prática do delito", afirmou.
Ele disse, porém, que outras hipóteses também precisam ser investigadas.
"Dentro de uma análise inicial soa pouco provável que, por exemplo, traficantes de drogas de uma determinada comunidade saíssem armados para seguir o carro de uma vereadora que sai de um evento à noite na Lapa. Mas não deve ser descartada essa hipótese porque, quando você investiga, você não descarta nenhuma possibilidade", ressaltou.

Juíza Patrícia

Na sua avaliação, o caso lembra o da juíza Patrícia Acioli, morta em 2011 com 21 tiros na porta de sua casa em Niterói (RJ). Ela era titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo e atuava em diversos processos em que os réus eram PMs do município, o que levou à prisão cerca de 60 policiais ligados a milícias e a grupos de extermínio. Onze policiais militares foram condenados pelo seu assassinato.
O procurador considera que "o ponto de partida" para as investigações do assassinato da vereadora é o fato de Marielle ter denunciado a violência policial. Segundo ele, sua atuação na defesa da igualdade de gênero e racial não levaria a uma execução. Quatro dias antes do assassinato, a vereadora denunciou supostos abusos de agentes do 41º Batalhão da Polícia Militar na favela de Acari, na zona norte do Rio.
"O que ela fez que é diferente e poderia incomodar as atuações expostas? É a questão da violência policial. Dos elementos que se apresentam, tudo aponta para possível envolvimento de policiais ou milicianos no crime", reforçou.
Protesto no RioDireito de imagemREUTERS
Image captionAssassinato gerou protestos em diversas cidades do país
Apesar de ver indícios do envolvimento de policiais, Panoeiro manifestou confiança de que a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro tenham independência para investigar o caso, assim como foi feito no caso de Acioli. Embora a segurança do Rio de Janeiro esteja sob intervenção federal militar, as autoridades estaduais continuam responsáveis pelas investigações dos crimes.
"A gente não pode generalizar. Ainda que tenha policiais envolvidos, não significa que toda a polícia está envolvida", disse Panoeiro.
No início desta tarde, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também manifestou essa confiança por meio de nota, mas ao mesmo tempo instaurou procedimento para eventual "federalização" do caso. Ou seja, a PGR agora vai acompanhar o desenrolar das investigações para avaliar a possibilidade de pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que retire o caso das autoridades estaduais e passe a apuração para o Ministério Público Federal.
Esse procedimento costuma ser adotado em crimes contra os direitos humanos e quando as autoridades estaduais falham no seu papel de investigação. Recentemente, por exemplo, foi federalizada a investigação da chacina de dez trabalhadores rurais em Pau D'Arco, no Pará, devido a envolvimento de policiais no crime.

Pedido do presidente

A nota da Procuradoria Geral da República (PGR) destaca que "a vereadora (Marielle) se notabilizou por ser defensora de direitos humanos e por dar voz às vítimas de violência no Estado". Informa ainda que "o Ministério Público está unido e mobilizado em torno do assunto" e que foram destacados três procuradores para se reunir com o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussen, e acompanhar o início das investigações. Entre eles está o secretário de Direitos Humanos da PGR, André de Carvalho Ramos.
Soldado no RioDireito de imagemAFP
Image captionMarielle Franco fez diversas críticas a ação de policiais e militares no Rio
Independentemente da federalização do caso, o presidente Michel Temer solicitou ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que coloque a Polícia Federal à disposição para ajudar na investigação.
A BBC Brasil procurou a Secretaria de Segurança do Rio para comentar as suspeitas de envolvimento de policiais no assassinato da vereadora. Em nota, o órgão afirmou que "o Secretário de Estado de Segurança, Richard Nunes, determinou à Divisão de Homicídios ampla investigação sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora que a acompanhava".
Já a Polícia Civil disse em um comunicado que "a investigação está sob sigilo e não descarta nenhuma possibilidade sobre a motivação do crime".
O chefe de Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, se reuniu, nesta manhã, com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), e os delegados Fábio Cardoso e Giniton Lages, que estão assumindo as titularidades da Divisão de Homicídios e da Delegacia de Homicídios da Capital (DH/Capital), respectivamente.
Fonte: BBC Brasil