terça-feira, 14 de novembro de 2017

As definições de Mulher-Maravilha foram atualizadas!


Auto-intitulada Josie Panterona , artista de Trinidad e Tobago é uma premiada cosplayer, modelo e designer de moda, com um vasto portfólio, que transita entre animes, quadrinhos, séries, desenhos animados e videogames, entre outros. Escolhi aqui o maior ícone entre as super-heroínas para mostrar que a mulher Negra pode se fantasiar e ficar linda, usando o personagem que quiser, mesmo que ela geralmente tenha sido retratada com uma etnia diferente. Num universo com pequena representatividade Negra na cultura pop, se comparada à representação branca, as criações de Josie são um reforço a mais na autoestima das meninas Negras de várias partes do mundo.
Fontes: panterona.com e facebook.com/PanteronaCosplay





terça-feira, 7 de novembro de 2017

Sugestão de Filme: Les Bleus - Uma Outra História da França (1996 - 2016)



Documentário interessante pra analisarmos a relação entre a seleção da França e as tensões raciais entre Negros, brancos e árabes no país, no período de 20 anos, entre 1996 e 2016. 
Mostra o quanto os políticos se "apropriaram" do sucesso dos jogadores Negros ou de origem africana (como Zidane, por exemplo), mas viraram as costas, quando deixou de ser conveniente. Vai da hipocrisia da união do povo francês durante as Copas do Mundo, à "culpa" atribuída aos jogadores Negros, nos eventuais fracassos. 
Nunca foi só futebol. Racismo, intolerância religiosa, xenofobia e outras formas de preconceito estão presentes, e o futebol é só um pano de fundo. 

"Les Bleus" está disponível na Netflix.

domingo, 29 de outubro de 2017

Lewis Hamilton é Tetra Campeão Mundial de Fórmula 1!


Não foi do jeito que ele queria. No sábado, Lewis Hamilton deixou bem claro que gostaria de conquistar o tetracampeonato na Fórmula 1 vencendo o GP do México. Largando na terceira colocação, o inglês partiu para cima do pole Sebastian Vettel, mas acabou tomando um toque do piloto da Ferrari. Com isso, os dois tiveram que ir ao box, voltando à pista no final do grid. O alemão ainda conseguiu fazer uma prova de recuperação, recebendo a quadriculada em quarto, porém não foi o suficiente para levar a decisão do título ao Brasil. Mesmo em nono, o britânico garantiu o título mundial, visto que encerrou a prova mexicana com 56 pontos de vantagem na liderança do campeonato.


Em seu Facebook, Hamilton escreveu:

"Quando criança, eu sempre sonhei em estar na Fórmula 1. Eu nunca perdi de vista esse sonho, mesmo quando as pessoas disseram que seria impossível. Eu estou aqui agora com 4 Campeonatos do Mundo e sou prova de que, se você seguir seus sonhos com tudo o que você tem, eles podem se tornar realidade. Sou muito grato a todas as 1.500 pessoas na minha equipe, porque todos têm o sonho de fazer o melhor carro de F1 e fazer incansavelmente esse sonho se tornar realidade. Meus fãs, #TeamLH, eu não estaria aqui sem vocês. Vocês me levaram através da adversidade e compartilharam minha alegria em momentos como esses. Verdadeiramente, obrigado. Estamos todos nos erguendo juntos e estou muito entusiasmado com o que o nosso futuro nos trará. # LH4 🏆 # StillWeRise #TeamLH Mercedes-AMG Petronas Motorsport"

Fontes: Globo Esporte/ Facebook

domingo, 15 de outubro de 2017

Somália sofre o pior atentado de sua história

Bandeira da Somália


Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times , o ex-ministro de Segurança Interna Abdirizak Omar Mohamed disse que foram confirmadas 237 mortes. Já um senador entrevistado pela "Associated Press" fala em 231 vítimas. Estima-se que existam mais de 300 feridos.
[Atualização: o número de mortos já ultrapassa 280 pessoas]

Além disso, as autoridades descobriram que o atentado foi realizado com dois caminhões-bomba, e não um, como havia sido divulgado anteriormente.

Os médicos ainda lutam para salvar os mais de 200 feridos no atentado, muitos deles queimados além da possibilidade de reconhecimento. As autoridades locais ainda temem que o balanço da explosão continue se agravando, mas, segundo a "Associated Press", oficiais não estão autorizados a conversar com repórteres.
Civis em destroços após atentado com carros bombas na Somália
O local da explosão ficou completamente destruído.

O ataque ocorreu em frente ao hotel Safari, que fica perto de ministérios do governo somali e em uma rua bastante movimentada de Mogadíscio. O prédio foi amplamente destruído pela explosão. "Em nossos 10 anos de experiência em primeiros socorros em Mogadíscio, nunca tínhamos visto algo assim", diz uma mensagem postada no Twitter pelo serviço de ambulâncias da capital.

O presidente Mohamed Abdullahi Mohamed declarou três dias de luto e se juntou às milhares de pessoas que responderam aos apelos desesperados dos hospitais por doações de sangue. "Estou implorando ao povo somali para que doem", afirmou o mandatário.

Segundo o diretor do Hospital Medina, Mohamed Yusuf, citado pela "AP", o local está sobrecarregado de mortos e feridos. "Recebemos pessoas cujos membros foram arrancados pela bomba. É realmente horrível, nunca tínhamos visto algo assim", acrescentou.

De acordo com o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, pelo menos quatro voluntários estão entre as vítimas. "O balanço pode aumentar porque ainda há muitos voluntários desaparecidos", diz um comunicado da entidade.

 A explosão ainda não foi reivindicada, mas o governo culpa o grupo fundamentalista islâmico somali Al Shabab, que vem aumentando suas ações no centro e no sul do país nos últimos meses. A milícia está em guerra contra o Exército e os mais de 20 mil homens enviados pela União Africana, que contam com o apoio de drones dos Estados Unidos.

O atentado ocorreu dois dias depois de um encontro em Mogadíscio entre o presidente da Somália e expoentes do comando dos EUA na África. Além disso, três dias atrás, o governo perdeu dois membros de seu alto escalão, o ministro da Defesa Abdirashid Abdullahi Mohamed e o chefe das Forças Armadas Ahmed Jimale.

Situado no Chifre da África, o país é um dos mais vulneráveis do mundo por causa da pobreza disseminada, da atuação de milícias terroristas e da instabilidade política. Em março passado, o governo somali chegou a declarar estado de calamidade nacional por causa da fome.

Fontes: Terra/Reuters

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Por que os atletas Negros brasileiros não se posicionam contra o racismo?

Colin Kaepernick (dir.) ex-jogador do San Francisco 49ers, iniciou uma onda de protestos contra o racismo e a violência policial que se espalhou pelos EUA.

Por Gill Nguni

Para os amantes dos esportes, principalmente pra quem acompanha as ligas estadunidenses, com destaque para a NBA e a NFL (liga de basquete e de futebol americano, respectivamente), é impossível passar incólume pelos protestos que tomaram conta do país, desde que Colin Kaepernick, então quarterback do San Francisco 49ers, ajoelhou pela primeira vez durante a execução do hino nacional dos Estados Unidos. Começou como uma manifestação solitária e silenciosa contra o racismo e violência policial que afeta muito mais as populações Negras do que as brancas ou de outras etnias, tanto lá quanto aqui, mas acabou se espalhando pelo país como um furacão. 

Em tempos de um abertamente racista Donald Trump como presidente, Kaepernick despertou sentimentos diversos na população. Teve uma forte reação dos mais conservadores, sofreu boicotes de patrocinadores, não teve seu contrato renovado com o 49ers nem conseguiu outro time na liga, mas, em contrapartida, viu as vendas de sua camisa dispararem (como pode ser visto AQUI) e recebe até hoje, mais de um ano depois, a adesão de demais atletas e personalidades Negras do país, como a tenista Serena Williams, astros da NBA como LeBron James e Stephen Curry e bandas como o Prophets of Rage (composta por músicos do Rage Against The Machine, Cypress Hill e Public Enemy), além do apoio de vários jogadores e instituições da própria NFL. A eleição de Trump à Casa Branca, com suas declarações lamentáveis, contribuiu para o aumento das tensões raciais nos EUA, cada vez mais violentas.

Voltando ao questionamento do título, por que é tão incomum ver manifestações públicas de repúdio de atletas Negros ao racismo no Brasil? Por que personalidades dos esportes, como Pelé, Neymar, Daniel Alves, Gabriel Jesus, William, entre outros, não se posicionam? Aqui, os atletas só se manifestam quando eles próprios são as vítimas e, até mesmo nestes casos, a manifestação é tímida, logo abafada pela imprensa. Não é raro acontecer um caso de racismo nos estádios de futebol, mas não tem muito alarde nem repercussão. Assim como nos EUA, a violência policial também é mais incisiva nos bairros periféricos e contra as populações Negras. O encarceramento em massa, as parcialidades da justiça e o biotipo suspeito têm a mesma cor, aqui ou lá.
O caso Aranha (ex-goleiro do Santos) foi o último de grande repercussão no Brasil, em 2014. O Grêmio foi excluído da Copa do Brasil, após insultos racistas de sua torcida ao goleiro, mas nada mudou na maneira como o país lida com o racismo.


Uma hipótese levantada e que eu prontamente discordo é de que "o racismo nos Estados Unidos é escancarado e o do Brasil é velado". Não tem nada de "velado" na maneira como o racismo nos atinge. Muito pelo contrário, é alardeado aos quatro ventos por "personalidades" da TV, do entretenimento e da política, incluindo aspirantes ao cargo de presidente da República. É explícito na ausência de pessoas Negras na mídia, no jornalismo, nos programas de esportes e nos cargos de chefia de grandes empresas. 

Outras pessoas dizem que a formação dos atletas estadunidenses, normalmente oriundos de faculdades, influencia em seu posicionamento, por possuírem uma "bagagem cultural" maior que a maioria dos atletas brasileiros, de origem humilde e com baixa escolaridade. Esta afirmação soa até preconceituosa e elitista, por achar que apenas as pessoas de nível superior sabem se expressar com coerência. O racismo não escolhe escolaridade nem classe social. Nenhum Negro está isento de ser uma vítima, sendo famoso ou anônimo, professor ou analfabeto. Artistas de diversas áreas e moradores de comunidades quilombolas nem sempre possuem nível superior, mas se manifestam de maneira contundente contra o racismo e o verdadeiro genocídio do povo Negro, comparável às mais terríveis zonas de guerra do Oriente Médio ou do Leste Europeu.

Não falta escolaridade. Falta coragem. Muitos atletas Negros têm medo de perder os privilégios dos patrocinadores, temem represálias ou, em casos mais extremos, até gostam de se sentir "diferentes" dos demais, passando batidos pelo que acontece e pelo que veem diariamente nos noticiários, levando a vida como se não tivessem nada com isso. Até que o racismo os encontre num restaurante chique, num condomínio, numa concessionária ou na porta giratória de algum banco.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

ALERJ aprova lei contra o racismo: punição pode chegar a interromper jogo

A campanha de conscientização da CBF é exibida em todos os jogos do Campeonato Brasileiro.

O futebol deu um novo passo contra o racismo. Nesta quinta-feira, no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi aprovado o Projeto de Lei que prevê multas aos clubes em caso de discriminação por parte de torcedores nos estádios da cidade e do estado.
Caso os clubes não tomem providências em relação às atitudes racistas dos torcedores, as punições são variadas: advertência, multas de R$ 155 a R$ 155 mil e até mesmo a interrupção das partidas. O texto, de autoria do deputado licenciado e atual secretário estadual de Esporte, Lazer e Juventude, Thiago Pampolha, e dos deputados Jânio Mendes e Luiz Martins (ambos do PDT), recebeu emendas e segue para sanção do Governador Luiz Fernando Pezão.
Após a sanção, o secretário irá promover uma reunião com dirigentes de clubes e torcidas organizadas para debater o tema e trabalhar em conjunto, com ações preventivas e de conscientização.
Fontes: Globo Esporte.com/ SuperVasco.com

sábado, 2 de setembro de 2017

A luta de três irmãs que tentam manter vivo idioma que só elas sabem falar

Katrina Esau conseguiu criar forma escrita do N|uu para poder ensiná-lo aos mais jovens

Katrina Esau luta para salvar a vida de sua língua materna.
A idosa sul-africana, de 84 anos, é apenas uma de três pessoas no mundo capazes de falar fluentemente o N|uu, uma das línguas faladas pela comunidade San, também conhecida como Bushmen. Todas as pessoas pertencem à mesma família.
O N|uu é considerado a língua original do sul da África, mas está em uma lista da ONU de idiomas considerados "sob risco de extinção".

"Quando era pequena, só falava N|uu e ouvia um monte de gente falando-a também. Mas agora isso mudou", diz Esau, que vive na cidade de Upington, na província sul-africana de Northern Cape.
Por séculos, os San circularam livremente pela região vivendo da caça e da coleta de vegetais. Hoje, porém, as práticas desapareceram. Seus descendentes dizem que a língua é uma das últimas ligações entre eles e a história de seu povo.
Em uma pequena casa de madeira, Esau dá aulas de N|uu. Ensina para crianças da comunidade os 112 sons da língua, incluindo os 45 "estalos" (cliques).
"Não quero que o idioma desapareça quando eu morrer", diz a idosa, que começou a dar aulas de N|uu há 10 anos.
"Quero passar o máximo que puder, mas tenho plena noção de que não há muito tempo".
As irmãs Hanna Koper, Katrina Esau e Griet Seekoei são as últimas falantes no mundo de N||uu.
Em Upington, as pessoas hoje em dia falam principalmente o afrikaans, o idioma que evoluiu do holandês levado à África do Sul pelos colonizadores do país europeu, no século 17.
"O homem branco nos batia se nos visse falando nossa língua. Abandonamos o N|uu e aprendemos a falar afrikaans, embora não sejamos brancos. Isso afetou nossa identidade", diz Esau.
As outras únicas pessoas que falam o idioma são as irmãs de Esau, Hanna Koper e Griet Seekoei, ambas com mais de 90 anos.
Assim como muitas línguas africanas, o N|uu foi transmitido de forma oral, mas essa tradição ameaça sua sobrevivência.
Até bem recentemente, não havia forma escrita da língua.
Criançcas de Upington falam principalmente o idioma de origem europeia afrikaans, mas Esau espera mudar isso.

Isso fez com que Esau precisasse da ajuda de linguistas. Sheena Shah, da Escola de Estudos Orientais e Africanos (Soas), em Londres, e Matthias Brezinger, do Centro para a Diversidade Linguística Africana, em Cidade do Cabo (África do Sul), a ajudaram a criar um alfabeto e regras básicas de gramática para fins didáticos.
"Essas comunidades veem a língua como uma importante marca de sua identidade", diz Shah.
"Quando analisamos línguas africanas, aprendemos que elas comunicam diferentes perspectivas de vida, relacionamentos, espiritualidade e humanidade", acrescenta Brezinger.
"Há uma riqueza de conhecimento passado de geração para geração em comunidades indígenas e sobre a qual o Ocidente sabe muito pouco. Quando essas línguas morrem, esse conhecimento único se perde".

Desaparecimento

O N|uu não é a única língua sob o risco de desparecer na África do Sul. Na cidade de Springbok, também na província de Northern Cape, falantes do Nama fazem lobby junto ao governo para que a língua ganhe status oficial no país.
Dança tradicional em Springbok
Image captionFalantes do Nama querem que a língua se torne o 12o idioma oficial da África do Sul
Apesar de amplamente falado na África do Sul ao longo da história, o Nama não é reconhecido como uma das 11 línguas oficiais da chamada "Nação do Arco-Íris".
"É muito triste que nossas crianças não possam aprender Nama e que jamais poderão se comunicar com os mais velhos em sua própria língua", diz Maria Damara, de 95 anos, uma das poucas pessoas que falam Nama na cidade.
"Qual será o futuro de nossa cultura?"

As línguas mais faladas da África do Sul (em percentual da população)
  • Zulu: 22.7%, Xhosa: 16%, Afrikaans: 13.5%, Inglês, 9.6%, Setswana, 8%, Sesotho: 7.6%
  • O país tem ONZE línguas oficiais.
  • O inglês é a linguagem comum mais falada e é usada oficialmente e nos negócios
Fonte: SA.info/Censo de 2011

O líder comunitário Wiela Beker, de 56 anos, concorda:
"Se você não tem uma língua, você não tem coisa alguma. Estou conversando em inglês com você, mas não sou inglês. Quero falar Nama porque isso é o que sou."
"A não ser que façamos alguma coisa, nossa cultura vai morrer. Lutamos por nossa cultura quando lutamos por nossa língua", diz ele.
Beker diz que, sem a ajuda do governo, não vai demorar muito para que o Nama se encontre na mesma situação do N|uu - à beira da extinção.
Fonte: BBC Brasil