quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Governo da Bahia promove campanha contra o racismo


Barrado no restaurante. Preso por cinco anos sem passar por audiência. Só pode ser filha de ladrão ou prostituta. Acusada de roubo que era inocente. Menina bastarda. Deve ser viciado. Imaginou os personagens enquanto lia? Quantos deles eram brancos? E negros? A Bahia é o estado com maior população negra do Brasil, reconhecido pela música e gastronomia, cultura fortemente influenciada pelos povos africanos.
Apesar da representatividade da cultura negra estar presente em cada canto do estado, os registros de preconceito contra a raça seguem em ascensão. Desde a fundação, em 2013, o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, da Sepromi, registrou 603 queixas, sendo 348 por racismo, 187 por intolerância e 66 casos correlatos. Ao longo de seis anos, estes números saltaram de 14 em 2013 para 141 casos em 2018.
Como pode ver, os relatos de racismo são ainda – e infelizmente – tão frequentes que o Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial – Sepromi, lançou mais uma campanha de conscientização para que a população levante a voz contra a discriminação racial.
Em um vídeo incômodo, forte e muito franco, a campanha coloca em pauta um crime que muitos não enxergam ou não querem debater. Uma ferida que precisa ser reconhecida e discutida por todos.
Criadas pela Objectiva sob o tema “Todas as vozes contra o racismo, todas as leis contra os racistas”, as peças circulam em mídias on e off de todo o estado.
É hora de levantar a voz contra a intolerância e abafar o grito contra os negros. A Sepromi tem um canal direto para qualquer cidadão denunciar um ato racista. Ligue: 71 3117-7448.

domingo, 3 de novembro de 2019

Lewis Hamilton Hexacampeão Mundial de Fórmula 1



Homenagem do Ufanisi! ao primeiro (e até agora, único) piloto Negro da Fórmula Um, Lewis Hamilton, pelo seu sexto título mundial. Apenas Michael Schumacher conseguiu tal feito. O ex-piloto alemão possui 7 títulos e conquistar o sétimo título é o último degrau que falta para que Hamilton torne-se o maior piloto da história!

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Transcrição da aula sobre racismo estrutural do professor Roger Machado

Roger, do Bahia e Marcão, do Fluminense, vestindo a camisa do Observatório Contra a Discriminação Racial no Futebol.


A entrevista que o treinador do Bahia, Roger Machado, concedeu após a derrota da sua equipe para o Fluminense repercutiu muito mais que o resultado da partida, principalmente, porque não é comum alguém expor as obviedades do "racismo à brasileira" assim, ao vivo. Aproveitando o Dia do Professor, segue a transcrição que fiz da sua resposta sobre a campanha do Observatório Contra a Discriminação Racial no Futebol, e que acabou se tornando uma verdadeira aula sobre o racismo institucional no futebol e na sociedade como um todo:




Não deveria chamar atenção e ter uma repercussão grande dois treinadores Negros estarem se enfrentando na área técnica, depois de terem tido uma passagem como protagonistas dentro do campo. Pra mim, isso é a prova de que existe um preconceito, porque é algo que chama atenção, à medida em que a gente tem mais de 50% da população Negra e a proporcionalidade que se representa não é igual.

Eu acho que a gente tem que refletir e se questionar: se não há preconceito no Brasil, por que é que os Negros “conseguem” ter um nível de escolaridade menor que o dos brancos?
Por que  70% da população carcerária é Negra? Por que  quem mais morrem são os jovens Negros no Brasil? Por que  os menores salários entre os brancos e Negros são pros Negros? Entre as mulheres brancas e Negras, são pras Negras?  Entre as mulheres, por que quem mais morrem são as mulheres Negras?

Há diversos tipos de preconceito. Nas conquistas pelas mulheres, por exemplo, hoje, nós vemos mulheres no esporte, como você [falando com a jornalista do Fox Sports], mas quantas mulheres Negras têm comentando esporte? Então, nós temos que nos perguntar: Se não há preconceito no Brasil, qual é a resposta que tem relacionada a isso?



Pra mim, nós vivemos um preconceito estrutural. Institucionalizado. E quando eu respondo pras pessoas que eu nunca sofri preconceito diretamente, a ofensa, a injúria, ela é só um sintoma dessa grande causa social que nós temos. Porque a responsabilidade é de todos nós, mas a culpa desse atraso, depois de 388 anos de escravidão é do Estado. Porque é através dele que essas políticas públicas que, nos últimos 15 anos, foram institucionalizadas e resgataram a autoestima dessas populações, que, ao longo de muitos anos, tiveram negado o acesso a assistências básicas, elas estão sendo retiradas nesse momento.

Na verdade, esses casos que estão havendo agora de aumento de feminicídio , homofobia, os casos diretos de preconceito racial, como eu disse, é um sintoma, porque a estrutura social é racista. Ela sempre foi racista. Porque nós temos um sistema de crenças e regras que é estabelecido pelo poder. E o poder é o poder do Estado, é o poder das comunicações, é o poder da igreja.

Quando esses poderes não enxergam ou não querem aceitar  e assumir que o racismo existiu e que precisa haver uma correção nesse curso, muitas vezes dizem que nós estamos nos “vitimando” ou que há um “racismo reverso”. Mas a bem da verdade é que 10 milhões de indivíduos foram escravizados. Mais de 25 gerações. Isso passou pelo Brasil Colônia, pelo Império e só mascarou no Brasil República. E a gente precisa falar sobre isso. Nós precisamos sair da fase da negação.

Nós negamos: “não, eu não falo sobre isso porque não existe racismo no Brasil”, em cima do mito da democracia racial. Negar e silenciar é confirmar o racismo. E a minha posição, que eu ocupo hoje, como  um Negro na elite do futebol brasileiro é pra confirmar isso. O maior preconceito que eu senti não foi o de “injúria racial”. Eu sinto que há preconceito quando eu vou no restaurante e só tem eu de Negro. Na faculdade que eu fiz, só tinha eu de Negro. E isso é a prova pra mim.
Mas, mesmo assim, rapidamente, quando a gente fala disso, ainda tentam dizer: “não há racismo, ta vendo? Você tá aqui. Você é a prova de que não há racismo”. Não, eu sou a prova de que há racismo porque eu tô aqui.

(Roger Machado, técnico do Bahia, em 12 de outubro de 2019)

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Fluminense x Bahia: Os dois únicos clubes com técnicos Negros no Campeonato Brasileiro

Roger Machado, treinador do Bahia

A partida do próximo sábado, entre Fluminense e Bahia, no Maracanã, vai colocar frente a frente, os dois únicos técnicos negros da Série A do Brasileiro. Isto porque, até semana passada, antes de Marcão ser efetivado como treinador do Tricolor carioca, Roger Machado era, até então, o único entre os 20 que comandam times da elite do futebol brasileiro. Se estendermos o leque até a Série B, o panorama fica ainda pior: incluímos Hemerson Maria, do Botafogo-SP, na lista, mas contabilizamos apenas três treinadores negros entre os 40 times das duas primeiras divisões do futebol nacional.
Tal número deveria causar espanto no meio do futebol. Afinal, segundo dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) 2018, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 55,8% da população brasileira se autodeclara preto ou pardo. Num país em que a maioria dos jogadores é negra, a maioria das grandes estrelas da história do nosso futebol também é negra, temos pouquíssimos treinadores negros. A estatística, de longe, não é refletida entre os técnicos no Brasil.
Resultado de imagem para Marcão Fluminense
Marcão, técnico efetivado pelo Fluminense.
O número de treinadores negros no futebol brasileiro é tão baixo que é possível lembrar da maioria dos que passaram pelos grandes centros do futebol nacional nos últimos anos num pequeno exercício de memória. Além dos três citados acima, temos Cristóvão Borges, Jair Ventura, Sérgio Soares, Joel Santana, Givanildo de Oliveira, Jayme de Almeida e Andrade… Os dois últimos chegaram a conquistar títulos importantes pelo Flamengo, mas não tiveram sequência na carreira. Além do cargo de treinador, também vemos poucos negros nos cargos diretivos dos clubes brasileiros. O ex-jogador Tinga teve passagem como gerente de futebol do Cruzeiro, mas foi a exceção em meio àregra.
A régua para medir a capacidade dos técnicos negros no futebol parece ser sempre colocada um pouco acima em relação aos demais. Deslizes não são permitidos, falhas ficam marcadas e mais oportunidades não são dadas. Afinal, por que tantos e tantos técnicos de qualidade questionável se revezam na dança das cadeiras dos clubes das Séries A e B, e os técnicos negros, muitas vezes pouco testados, não entram nesse jogo?
Mais do que constatar que essa é mais uma das faces do racismo velado da sociedade brasileira, que muitas vezes não vê o negro como uma pessoa capaz de exercer cargos de comando ou trabalhos que exigem mais do intelecto, é preciso combater o preconceito e este racismo desde a base. E não só no futebol, que apenas reflete todos os problemas que temos no nosso país.
Fonte: Observatório da Discriminação Racial no Futebol

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Brasil vira inimigo dos X-Men em novo quadrinho da série

Mapa de nações inimigas dos mutantes do X-Men


Em uma nova série de quadrinhos dos X-Men, o Brasil aparece como um dos países que rejeitaram ter relações diplomáticas com os mutantes. Em "House of X", escrita por Jonathan Hickman, uma nação soberana para pessoas com super poderes é criada: a ilha de Krakoa. No entanto, nem todos os outros países aceitam o fato — um deles é o Brasil.
O assunto é abordado no quinto número da nova série, recém-lançado nos Estados Unidos. Uma das páginas da publicação traz a lista de nações que rejeitaram ter relações diplomáticas com o país mutante. No caso do Brasil, no campo do motivo alegado para a decisão consta apenas "política".Na história, esses países são considerados adversários:
"Mais de cem nações aceitaram o acordo comercial com Krakoa. E, enquanto as negociações continuam com o resto das nações do mundo, algumas rejeitaram a abertura de Krakoa. As nações que rejeitaram o tratado comercial são consideradas adversárias naturais".
Ao todo, a lista conta com 14 países de cinco continentes, Ásia, Europa, África, América do Sul e Central. Alguns dos listados são o Irã, Coréia do Norte, Rússia e Venezuela. Esses dois últimos também são apontados por não concordarem com Krakoa no âmbito político. Já com os estados asiáticos, as divergências são ideológicas.
Pra quem não sabe ou não lembra, os X-Men são uma raça de super-herois rejeitados, temidos e discriminados, devido a uma mutação genética que lhes confere poderes. A história dos X-Men é frequentemente utilizada como metáfora para a abordagem de temas como o racismo e a homofobia, por exemplo.
Fonte: Extra
Lista das nações que rejeitaram ter relações comerciais com Krakoa, em
"Mais de 100 nações aceitaram manter acordos comerciais com Krakoa. E, enquanto as negociações seguem em andamento com a maioria dos países, alguns rejeitaram as tratativas krakoanas. As nações que se recusaram a manter acordos comerciais com Krakoa serão consideradas naturalmente adversárias."

sábado, 14 de setembro de 2019

Iorubá torna-se Patrimônio Imaterial de Salvador



O vereador Edvaldo Brito (PSD) conseguiu que o seu projeto tornando a língua Iorubá patrimônio imaterial de Salvador fosse reapresentado no plenário e votado em regime de urgência urgentíssima, na sessão de quarta-feira (11). Foi feita apenas uma pequena alteração no texto, com menção a uma lei municipal, e a aprovação foi por unanimidade. 

Esse foi um dos frutos do acordo feito entre o Legislativo e o Executivo municipal, por meio da procuradora Luciana Hart, para resolver alternativas aos vetos do prefeito a projeto de vereadores. 

Brito comemorou, destacando que isso foi possível graças à democracia e ao respeito entre os representantes do povo e os poderes constituídos, tendo à frente o presidente da Casa, vereador Geraldo Junior (SD), que coordenou o processo. 

“Agora é aguardar a promulgação da lei para que seja marcada uma grande festa. Vamos convidar os segmentos envolvidos com a língua Iorubá, a exemplo do povo de religião de matriz africana, dos compositores, cozinheiras, enfim, todos que diariamente utilizam termos como Ogum, Oxum, caruru, vatapá, axé, entre infinitos outros, que fazem desta terra um lugar único, de uma riqueza cultural maravilhosa nesse nosso grande e plural Brasil”, comemorou Brito.

Fonte: Câmara Municipal de Salvador

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Aos 38 anos, Samuel Eto'o anuncia aposentadoria do futebol


O atacante Samuel Eto'o, que fez história com as camisas de Barcelona e Inter de Milão, anunciou sua aposentadoria nesta sexta-feira (6).
O camaronês de 38 anos estava no Qatar SC e encerra uma brilhante carreira de 22 anos, que começou no Real Madrid em 1997. Como era menor de idade, teve que jogar apenas pela segunda equipe, o Real Castilla, antes de ser emprestado para o Leganés.
Eto'o ainda passou pelo Espanyol antes de chegar ao Mallorca, aonde ganhou destaque mundial em 2000. Quatro anos depois, foi contratado pelo Barcelona e deixou o Mallorca com 70 gols em 163 partidas e um título da Copa do Rei na temporada 2002/2003.
Foi na Catalunha que Eto'o viveu seu melhor momento na carreira. Entre 2004 e 2009, o atacante foi peça fundamental de uma equipe histórica que venceu três títulos de La Liga, uma Copa do Rei , duas Supercopas da Espanha e, acima de tudo, duas conquistas da Champions League, tendo sido eleito o melhor em campo em 2005/2006 contra o Arsenal e marcado na final de 2008/2009 contra o Manchester United.
Em 2005, foi eleito o terceiro melhor jogador do ano pela Fifa. Para a temporada 2009/2010, o Barcelona contratou Zlatan Ibrahimovic da Inter de Milão por 46 milhões de euros e o atacante.
Na Itália sob o comando de José Mourinho, Eto'o continuou brilhando e foi peça chave da equipe que venceu a tríplice coroa em sua primeira temporada. Jogando até de meia esquerda, Eto'o venceu a Copa da Itália, o Campeonato Italiano e a Champions em seu primeiro ano no clube, aonde ainda venceria o Mundial de Clubes em 2010.