terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Serena Williams é eleita a melhor tenista de 2014


A tenista dos Estados Unidos Serena Williams, vencedora de 18 Grand Slams na carreira e considerada a tenista número 1 do mundo pela Associação Feminina de Tênis, foi eleita a Melhor Tenista de 2014. Mais um título para coroar uma carreira perfeita !

domingo, 21 de dezembro de 2014

4 Anos de Ufanisi


"Abra os ouvidos aos ancestrais e você entenderá a linguagem dos espíritos." (Provérbio africano)

4 anos já...
Sempre me passo na data, o aniversário do blog foi dia 14, data da postagem anterior, mas não importa.
Só gostaria de agradecer sempre a todas as pessoas que o acompanham, se interessam ou mandam sugestões. O único objetivo do UFANISI é ser mais uma arma na luta pela valorização e empoderamento Negro e contra o racismo. Nossa história contada por nós mesmos. Sempre seguindo a filosofia Ubuntu, "eu sou porque nós somos", continuaremos lutando e crescendo juntos, saudando Mandela, minha principal inspiração ao criar este blog.
Prosperidade !!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Paquistanesa é a mais jovem a ser laureada com o Prêmio Nobel da Paz


No dia 10 de dezembro, a paquistanesa de 17 anos, Malala Yousafzai, se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz.
Malala ficou famosa pela defesa dos direitos humanos, e, principalmente por defender o acesso das mulheres à educação no nordeste do Paquistão, onde o talibã proíbe que as meninas frequentem as escolas.
Por causa de sua militância, a garota sofreu uma tentativa de homicídio quando entrava no ônibus escolar, na província de Khyber Pakhtunkhwa, sua terra natal. Um homem aproximou-se, a chamou pelo nome e deflagrou três tiros, deixando-a em estado grave. Este ataque acabou mobilizando seu país e o resto do mundo por uma educação mais igualitária, mesmo que isto ainda seja um sonho distante.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Um ano sem Madiba


O tempo passa rápido... de repente, já faz um ano desde que o último grande líder Negro, ou melhor, o último grande líder mundial se foi. Mas, como diz o personagem V no filme V de Vingança, "Ideias são à prova de balas". O homem se foi, mas suas ideias permanecerão conosco para sempre.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Agradecer


Hoje, 20 de Novembro de 2014, eu só quero agradecer. Costumamos reclamar, protestar e reivindicar, mas, no calor da batalha, muitas vezes, esquecemos de agradecer às pessoas que possibilitaram que chegássemos até aqui.

Em primeiro lugar, sempre agradeço à minha mãe Maristela e ao meu pai Gilson, por nunca terem nos deixado faltar nada, apesar das grandes dificuldades que enfrentamos várias vezes. Por eu nunca ter passado um ano sequer fora da escola, ou deixado de estudar pra ajudar em casa, como eles tiveram de fazer. Eles me ensinaram que eu devia me esforçar pra ser sempre o melhor que eu pudesse, pois a vida é ainda mais difícil pra nós Negros. Me disseram que eu não podia sair de casa sem camisa ou sem identidade, nem ficar na rua até muito tarde. Que eu deveria evitar entrar em lojas, se não tivesse intenção de comprar, pois os olhares dos seguranças são bastante seletivos.

Agradeço aos que se foram e aos que ainda estão aqui:

Zumbi, Dandara, Ganga Zumba, e por extensão, a todos os quilombos brasileiros. Pessoas que não se submeteram ao poder patriarcal da colonização e resistiram enquanto puderam por uma vida justa e digna. Contra o jugo da escravidão, que transformava reis em prisioneiros.

Malcolm X, Martin Luther King Jr. e todo o Partido dos Panteras Negras, que, mesmo por meios diferentes, muitas vezes, até mesmo antagônicos, denunciaram a violenta segregação racial dos Estados Unidos e buscaram alternativas para que isso não mais ocorresse.

Luísa Mahin, ex-escravizada africana, mãe do abolicionista Luiz Gama e que participou ativamente de vários levantes de escravizados no Brasil do século XIX, como a Revolta dos Malês e a Sabinada, ambas em Salvador, e Maria Felipa, que lutou pela independência do Brasil na Bahia.

Nelson Mandela, uma das minhas maiores referências. O homem que sacrificou a juventude pelo ideal de ver uma África do Sul unida contra o Apartheid.

Abdias do Nascimento, Stuart Hall, Frantz Fanon, William DuBois, Amadou Hampaté Bâ, Elisa Lucinda, Bell Hooks, Angela Davis e toda a intelectualidade Negra mundial, que nos serve de ponto de partida para que tenhamos os elementos  teóricos necessários.

Bob Marley, Tupac Shakur, Racionais MC's, Ilê Aiyê e todas as pessoas que usam a música como manifesto político contra o racismo e as desigualdades sociais.

Mãe Menininha do Gantois, Mãe Stella de Oxóssi, Tia Ciata e todas as Ialorixás do Brasil, mulheres de muita força e coragem, que sustentam a tradição das religiões de matrizes africanas, apesar de todo o racismo travestido de Cristianismo.

Finalmente, a todos os espíritos ancestrais, por permitirem que nos encontremos com nossa própria história todos os dias, e por nos motivar a sair da cama, mesmo sabendo das adversidades que encontraremos pelo caminho. 

Se não fosse pela luta de cada um(a) de vocês, eu não sei se estaria aqui pra escrever isso.

Gill Nguni


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Jogadores Negros podem boicotar a Copa do Mundo da Rússia em 2018

Yaya Touré, jogador da Costa do Marfim e do Manchester City-ING 

Quem primeiro levantou essa bola foi o melhor jogador africano da atualidade, o marfinense Yaya Touré. Vítima de racismo em visita à Rússia para partida pela Liga dos Campeões contra o CSKA Moscou há um ano, o meio-campista do Manchester City falou sobre um boicote de jogadores negros à Copa do Mundo na Rússia, em 2018.


“É um problema real aqui, algo que acontece o tempo todo, e é claro que eles precisam resolver o problema antes da Copa do Mundo. Caso contrário, se não tivermos confiança para ir à Copa do Mundo na Rússia, nós não iremos”, disse Touré em outubro de 2013. Um ano depois, depois de ir a Moscou mais uma vez e de ter lançado sua conta no Twitter, foi alvo de insultos virtuais na rede social.  O jogo foi disputado sem torcida.

Clubes russos têm sido punidos pela Uefa por conta do comportamento de seus torcedores racistas. O CSKA jogou duas partidas com portões fechados nesta Liga dos Campeões. Muito pouco quando se sabe que o racismo no país não será intimidado por punições tão brandas. A Federação do país se cala para o problema mesmo quando a cada rodada do campeonato nacional um novo caso apareça.

O mais recente teve como protagonista o técnico do Rostov, o ucraniano Igor Gamula, que para negar a contratação de um jogador camaronês soltou que “a equipe já contava com jogadores negros suficientes” e que por conta disso “já estava preocupado com o ebola”. A repercussão foi imediata e cinco jogadores negros do clube disseram que não jogariam mais no clube se Gamula não fosse punido.

A federação até puniu Gamula depois de ele pedir desculpas. Ele foi suspenso por cinco jogos do Rostov, uma punição branda e que veio com outra declaração infeliz do técnico. “A imprensa estrangeira simplesmente não entende o humor russo”.  Humor. Os jogadores africanos, infelizmente, não seguiram com a ameaça e entraram em campo no último jogo da equipe no Campeonato Russo.

Fifa Tokyo Sexwale anti racismo Boicote de negros à Copa de 2018? Racismo na Rússia faz Fifa demonstrar temor

A Fifa jura que luta contra o racismo, que não tolera o preconceito, mas faz muito pouco contra federações que são tão coniventes com os racistas. Dentro da entidade, o comitê de luta contra o racismo, está atento. Tokyo Sexwale, sul-africano que lutou com Nelson Mandela contra o apartheid, é consultor da Fifa e apesar de não apoiar um boicote de negros à Copa da Rússia, faz alerta sobre as consequências da não-ação da Rússia contra o racismo.

“A federação russa precisa ser mais séria na luta contra o racismo. A África do Sul foi banida da Fifa durante o apartheid”, lembrou Sexwale, considerando coerente se a Rússia passasse pela mesma sanção. “Há certas partes em Moscou em que se você é da minha cor não é seguro andar. As pessoas estão com medo de ir para Moscou”, completou Sexwale. Ele não defende um boicote à Copa da Rússia, mas diz que se o país seguir fazendo vistas grossas para o problema, o tema não será deixado de lado.
“É um fracasso a Rússia não tomar uma atitude contra o racismo. Poderíamos estar falando algo diferente sobre a Copa do Mundo de 2018, mas se o país não age contra o problema, mais pessoas vão dizer que não vão para a Rússia”, completou Sexwale.

Vladimir Putin, o presidente do país, não faz qualquer sinal de que o país vai lutar contra o preconceito. Basta citar os protestos contra a homofobia que antecederam os Jogos de Inverno em Sochi neste ano. Até atletas do calibre de Yelena Isinbayeva se mostraram tolerantes à lei antigay na Rússia.  Apesar dos protestos de estrangeiros, os Jogos aconteceram sem qualquer ameaça de boicote. O mesmo deve acontecer em 2018, apesar das críticas internacionais.

Seria revolucionário se jogadores negros dessem as costas para a Copa do Mundo de 2018. A Rússia, país que mais apresenta casos de racismo relacionados ao futebol, mereceria um ato dessa magnitude. Mas por falta de união entre atletas, complacência com o sistema e acordos com patrocinadores é difícil imaginar uma ação conjunta neste sentido.


Leia a matéria completa em: Boicote de negros à Copa de 2018? Racismo na Rússia faz Fifa demonstrar temor - Geledés 
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domingo, 9 de novembro de 2014

Ensino da cultura Negra ainda sofre resistência nas escolas


Hoje com 19 anos, Michael Sodré é mais um estudante tenso com as provas do vestibular. Nos primeiros anos do colégio, no entanto, o motivo de tensão era outro. Único garoto negro em sua sala de aula, em um famoso colégio de elite na zona sul do Rio de Janeiro, o menino era alvo frequente de bullying por parte dos colegas.
"Chamavam ele de Bombril por causa do cabelo", disse a mãe adotiva, Celina Sodré. Em uma conversa dura com a coordenadora da escola, o diálogo acabou em uma recomendação insólita:
"Ela simplesmente me disse que a solução do problema era que meu filho fosse estudar na escola pública, porque ai ele saberia onde era o seu lugar".
Cenas de bullying por parte dos colegas e racismo por parte do próprio sistema se reproduzem em escolas de todo o Brasil. Mais de um século após o fim da escravidão, o país que mais recebeu trabalhadores negros ainda trata esses cidadãos como se fossem subalternos, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
A lei 10.639, promulgada em 2003, foi criada justamente com o intuito de valorizar as raízes africanas do país e superar o racismo.
"É preciso superar a visão do negro apenas como escravo. É assim que ele geralmente aparece nos livros escolares", conta Rafael Ferreira da Silva, Coordenador do Núcleo de Educação Étnico-Racial da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
A prefeitura paulistana fez neste ano um levantamento inédito na rede de ensino da cidade para ver o alcance da aplicação da lei.
"O levantamento mostrou que há avanços. Mais da metade das escolas trabalham o tema. Mas na maior parte dos casos, é geralmente iniciativa isolada de um professor que gosta do tema. E também há o problema da descontinuidade. Se o professor deixa a escola, muitas vezes o assunto deixa de ser abordado", disse.

Mitos aceitos e mitos ocultos

"Discutir África não é coisa fácil nas escolas", diz Stela Guedes Caputo, pesquisadora do tema e professora na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).
Além dos casos concretos de preconceito registrados em sala de aula, ela diz que quando a lei é cumprida, há casos em que "pais se reúnem com os filhos e vão à escola questionar e criticar professores que querem discutir a história da África".
Stela também questiona a ausência de elementos de origem afro nos livros escolares. A questão se torna especialmente delicada quando se tratam de personagens ligados às religiões afro-brasileiras.
Nesse caso, a ocultação desse capítulo da cultura nacional não é apenas prerrogativa das escolas. Em muitos casos, as próprias crianças escondem a religiosidade para não sofrerem preconceito por parte dos colegas.
"Os mitos que as crianças aprendem nos terreiros de candomblé não são aceitos na escola, os itans (os mitos da cultura iorubá), as histórias africanas que conhecem, são das mais belas criações literárias humanas e elas precisam escondê-las. Seu conhecimento é negado. Porque na escola é tão comum mitos gregos, romanos e outros, e mitos africanos são demonizados?", questiona.

Avanço

Livro Minas de Quilombos
Editais do MEC exigem que livros didáticos tenham conteúdo sobre a história afro-brasileira
Professora de formação, Macaé Maria Evaristo do Santos conta que há mais de dez anos, quando ainda dava aula em um colégio de Belo Horizonte (MG), a visiblidade da cultura afro-brasileira era bem menor.
"Uma vez cheguei em uma sala do Ensino Médio e perguntei aos alunos quantos haviam lido um livro com personagens negros. Alguns levantaram a mão. Depois de mais de dez anos de escolaridade, eles citaram a Tia Nastácia, o Saci Pererê, o Negrinho do Pastoreio… Nem Zumbi dos Palmares fazia parte do repertório", conta.
Macaé hoje é Secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (MEC). Uma década após a promulgação da lei, ela ainda vê desafios, mas comemora os resultados.
"Essa é uma temática que vai ganhando relevância. Antes só se falava nisso no Dia da Consciência Negra. Aos poucos vai se integrando no projeto pedagógico das escolas", diz.
A secretária conta que em 2012, o curso mais solicitado pelos diretores de escolas do país na Rede Nacional de Formação Continuada do MEC foi justamente o que capacita professores para o ensino de cultura afro-brasileira.
Na última década, os editais para o desenvolvimento de livros didáticos financiados pelo MEC também exigem esse conteúdo.
Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A negação do preconceito


O Brasil é um país racista. Que ninguém esqueça disso.

Combate ao racismo no Brasil esbarra na negação do preconceito
Brasília – Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) em 1988, em ocasião do centenário da Abolição da Escravatura, questionou aos entrevistados: “Você tem preconceito?” e “Você conhece alguém que tem preconceito?”. Em resposta à primeira pergunta, 96% da população disse não; à segunda, 99% dos pesquisados responderam sim. Conclusão: “todo brasileiro se sente uma ilha de democracia racial, cercada de racistas por todos os lados”. A frase, atribuída à antropóloga Lilia Schwarcz, 57 anos, dá a dimensão do desafio no enfrentamento da discriminação em razão da cor da pele. Racismo, portanto, é o tema a ser abordado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), na semana entre 3 e 9 de novembro, como parte da campanha do Mês da Consciência Negra.
“O conceito de raça vem sendo questionado desde o pós-guerra, e há hoje um entendimento de que a única raça existente é a raça humana. No entanto, sociologicamente, as pessoas ainda são diferenciadas pelo fenótipo e pela origem. Em função disso, as pessoas são discriminadas. Inclusive, algumas ideias que imaginávamos já superadas, como a de superioridade física de um grupo a outro, persistem e são externadas pela população”, explica o professor Ivair Augusto dos Santos, do Centro de Convivência Negra (CCN), da Universidade de Brasília (UnB).
Na opinião da coordenadora de projetos do Centro de Referência do Negro (Cernegro), Lucimar Martins, não há democracia racial do país. “Essa falácia de que o Brasil é uma democracia racial cai por terra quando a Constituição Federal é promulgada, em 1988. O próprio texto criminaliza o racismo. Como poderíamos criminalizar o racismo caso ele não existisse?”, questiona.
Segundo ela, uma das formas de sensibilizar a população é dar destaque às atitudes racistas para poder combatê-las. “É importante focar na discriminação racial, que é a materialização do racismo, o próprio ato de discriminar. É preciso partir da premissa que o racismo é uma realidade para poder enfrentar a questão”.
Racismo e racismo institucional – O conceito de racismo é entendido não somente como a conduta discriminatória em razão da cor da pele, mas também em decorrência de raça, religião, etnia ou procedência nacional. “Hoje o conceito de racismo foi desdobrado e chegou-se ao chamado racismo institucional. É o caso de servidores que, investidos de cargo público, atendem de forma diferenciada um negro ou um homossexual, por exemplo. Estamos falando das consequências desse racismo nos órgãos públicos, de como essa prática é utilizada para excluir pessoas e negar direitos”, argumenta a Lucimar Martins.
Campanha – Durante o mês de novembro, MPT realiza a campanha Mês da Consciência Negra para a efetivação da igualdade racial no Brasil. Ao todo serão abordados quatro temas: raça e racismo (3 a 9), violência contra negros (10 a 16), discriminação no ambiente de trabalho (17 e 23) e cotas raciais (24 e 30). A campanha, que conta com o apoio do Grupo Nacional de Direitos Humanos (GNDH), será divulgada nas redes sociais, TV aberta e rádio.
Fonte: Ministério Público do Trabalho

sábado, 1 de novembro de 2014

Mês da Consciência Negra. Onde está a sua?

Pela valorização das populações Negras

Começamos novembro e, a partir de hoje, várias ações serão realizadas em homenagem a Zumbi, um dos maiores líderes do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, que foi assassinado em 20 de novembro de 1695.

É um período necessário de reflexões, em que as temáticas em prol das populações Negras entram em evidência, mais do que no decorrer do ano. É o único feriado dedicado a um mártir Negro no Brasil, repleto de feriados católicos ou "cívicos". Mesmo assim, ainda alvo de controvérsias, pois vários estados o tratam como um mero ponto facultativo, e outros fingem que esta data não existe.

É um movimento necessário para que possamos denunciar com mais força o racismo e o sexismo a que as populações Negras são submetidas, desde sua chegada nada amistosa à colônia portuguesa na América até os dias tenebrosos do século XXI.

O Novembro Negro é um ato político, para mostrar a todas as pessoas, independentemente da cor de sua pele ou classe social, que muitas coisas ainda estão erradas no mundo inteiro, apesar dos avanços que conquistamos nas últimas décadas. Que ainda não chegamos ao topo da escada, mas já começamos a subir os degraus.

Convém lembrar, como faço todo ano, que a Consciência Negra não se restringe ao mês de novembro. Muitas ações são realizadas o ano inteiro, mas convergem para este período pela carga simbólica que ele carrega. E que o principal foco das celebrações do Novembro Negro pelo país é a luta contra o racismo, nas suas mais variadas formas. O racismo é um problema social, pertence a todos nós.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ministra participa de pré-lançamento da novela angolana WINDECK nesta segunda (03/11), na Bahia

"Windeck" é um passo importante para o protagonismo Negro na teledramaturgia.

Evento no Forte da Capoeira, em Salvador, fará parte da programação de abertura do Novembro Negro. Produzido em Angola, folhetim entra na grade da TVE Bahia a partir de 10/11

Ministra participa de pré-lançamento da novela angolana WINDECK nesta segunda (03/11), na Bahia
Convite
A ministra Luiza Bairros (Igualdade Racial) participa nesta segunda, 03/11, do pré-lançamento de Windeck, primeira novela africana a ser exibida no Brasil. A estreia da teledramaturgia na TV Brasil e afiliadas será no dia 10 de novembro, às 23h, mas o evento de apresentação da obra angolana aos baianos será na abertura do Novembro Negro, a partir das 19h, no Forte da Capoeira, Largo de Santo Antonio Além do Carmo, em Salvador.
A telenovela chega à TV pública brasileira com o apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir/PR), numa conjugação de esforços com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), gestora da TV Brasil, para ações de comunicação pública, produção e difusão de conteúdo audiovisual com o objetivo de dar visibilidade a representações positivas da pessoa negra.
A parceria entre a Seppir/PR e a EBC foi firmada no âmbito da Década Internacional dos Afrodescendentes, declarada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ser celebrada entre janeiro de 2015 e dezembro de 2024.
A ministra da Seppir/PR, Luiza Bairros, destaca que “a veiculação de uma novela angolana no Brasil é um marco importante para o fortalecimento da identidade dos afro-brasileiros e para o estreitamento das relações culturais entre os dois países. Estamos certas de que o contato com representações do cotidiano angolano, através da teledramaturgia, possibilitará a reafirmação de vínculos históricos e a aproximação cultural entre Brasil e Angola”.
A novela - Produzida em 2012 pela Semba Comunicação, a teledramaturgia foi escrita por Miguel Crespo, Coréon Dú, Isilda Hurst, Joana Jorge e Andreia Vicente, e teve direção de Sérgio Graciano. A obra já foi exibida pela TPA (Angola) e pela RTP1 (Portugal) recebendo boas críticas e aceitação do público. Em 2013, esteve entre as quatro telenovelas indicadas ao Emmy Internacional (duas brasileiras e uma canadense), vencido por Lado a Lado, da TV Globo
Fonte: Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Marvel anuncia filme solo e ator que interpretará o Pantera Negra nos cinemas


O ator Chadwick Boseman vai interpretar o herói Pantera Negra nos cinemas no filme produzido pela Marvel Studios. O anúncio foi feito durante um evento para promover os próximos lançamentos da chamada Fase 3 do Universo Cinematográfico da Marvel, onde também foram anunciadas as datas de estreia de Capitão América 3: Guerra CivilDoutor EstranhoGuardiões da Galáxia 2Thor: RagnarokOs Vingadores: Guerra Infinita - Parte 1Captain MarvelInumanos e Os Vingadores: Guerra Infinita - Parte 2.


O filme solo do Pantera Negra estreia dia 3 de novembro de 2017. Entretanto, a primeira aparição do personagem em um longa-metragem da Marvel será em Capitão América 3: Guerra Civil, que terá o embate entre o Capitão América e o Homem de Ferro e será lançado dia 5 de maio de 2016. 
Com Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, Robert Downey Jr.Chris Evans e Boseman presentes no evento, o ator que interpreta Tony Stark fez uma brincadeira e pediu para o novato escolher um lado na Guerra Civil. Em resposta, Boseman disse que "o Pantera Negra é auto-suficiente".
Os principais trabalhos de Boseman nos cinemas foram na cinebiografia James Brown, onde sua atuação como o lendário cantor de funk music tem rendido elogios e apostas para o Oscar 2015, e em 42: A História de uma Lenda, onde interpretou o jogador de baseball Jackie Robinson.



Criado por Stan Lee e Jack Kirby, o personagem Pantera Negra fez sua primeira aparição na revista "Fantastic Four #52", de 1966. Ele foi o primeiro super-herói negro a alcançar notoriedade entre os fãs de quadrinhos. O Pantera Negra é o alter-ego de T'Challa, príncipe do país africano fictício de Wakanda. Quando criança, tomou uma poção sagrada que lhe conferiu poderes como força, agilidade e sentidos sobre-humanos. Entretanto, quando seu pai, o rei T'Chaka, foi assassinado por exploradores de Vibranium (metal de propriedades únicas do universo Marvel) que usurparam seu trono, o Pantera Negra iniciou uma jornada de vingança e redenção para recobrar o lugar que era seu por direito.

Fonte: Adorocinema

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Progresso


Enquanto a sociedade não reconhecer que temos problemas, jamais poderemos solucioná-los.

Fonte: Malcolm X Brasil

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A barriga deles está cheia, mas nós temos fome


"A barriga deles está cheia, mas nós temos fome
Uma multidão com fome é uma multidão com raiva
A chuva cai, mas a sujeira permanece
Uma panela cozinhando, mas a comida não é suficiente."
(Bob Marley)


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

As Origens do Jazz

Como a trilha sonora do século 20 dominou o mundo

Fabio Marton | 19/09/2014 12h55
Hoje pode ser coisa de aficionados e intelectuais, mas, até perder seu trono para o pop e o rock’n’roll nos anos 60, o jazz foi a música mais popular do mundo. De Los Angeles até Moscou, o jazz passou por cima de todas as tradições locais, roubando o espaço até da venerável música clássica. E, mesmo onde o nacionalismo impediu que ele afogasse as tradições, como no Brasil e no resto da América Latina, deixou uma marca indelével. Como um estilo nascido em humildes origens, de negros pobres numa das regiões mais pobres dos Estados Unidos, se tornou a música do mundo?
Pai pobre, pai rico
O jazz surgiu em Nova Orleans, sul dos EUA, no início do século 20. A cidade “tinha um balanço especial entre as culturas branca e negra e entre as músicas clássica e popular, que parecem ter sido características ideais para o surgimento do Jazz”, afirma o historiador Mervyn Cooke, da Universidade de Cambridge, autor de The Chronicle of Jazz (sem tradução), em entrevista a AVENTURAS NA HISTÓRIA.
Mas não era só esse balanço que estava em questão. Ele também existia em Havana, Salvador e Rio de Janeiro, que deram origem a outros ritmos. Certas coisas boas nascem da adversidade. Algo que diferenciava Nova Orleans é que estava situada num país protestante e segregacionista, onde os conflitos raciais eram exacerbados. Logo após a Guerra Civil e a subsequente abolição da escravidão, foram criados os Black Codes, leis que restringiam os direitos dos negros. Essas leis proibiram os tambores africanos – que sobreviveriam no Brasil e em Cuba. Em vez disso, o mesmo ritmo africano teve de se adaptar a instrumentos europeus. Nas igrejas segregadas dos negros surgiram os spirituals, canções africanas sem a percussão, que deram origem ao blues, sua versão secular. E, de forma impressionante, o ritmo dos tambores foi transferido para o piano. Era o ragtime, uma marcha com acompanhamento politônico, feito com outra mão ou um segundo pianista, um ritmo tipicamente africano adaptado ao instrumento. O ragtime era tocado pelos negros e mestiços mais abastados, que tinham a educação musical formal. Os pobres ficavam com os blues.
Mas foram necessárias outras condições peculiares. Nova Orleans tem festivais de rua, herança de sua colonização francesa e católica (a região foi comprada de Napoleão em 1803). Os protestantes que fundaram os EUA não celebravam o Carnaval, ali chamado Mardi Gras. Outra tradição única de Nova Orleans é o uso de música em velórios.
Nos tempos da colonização francesa e escravidão, usavam-se bandas marciais nessas ocasiões, que tocavam marchas. Quando os negros foram libertados, tomaram parte na celebração com os mesmos instrumentos, o que ficou conhecido como as brass bands. Nessas ocasiões, os adeptos do blues e do ragtime se encontravam. Alguns seguiam a partitura, e os que não sabiam se viravam. Era o nascimento do improviso, uma das características definidoras do jazz. “Havia muitos estilos de música que misturavam tradições ocidentais e africanas, mas o jazz dominou, porque era o mais flexível de todos”, afirma Ted Gioia, autor de diversos livros sobre o jazz.
Um impulso da guerra
O jazz nasceu em Nova Orleans, mas poderia ter continuado a ser uma especialidade regional, como o gumbo e o jambalaya, pratos típicos da cidade. Foi a Primeira Guerra que abriu caminho para a dominação global.
Primeiro, o jazz fincou os pés na Europa. Músicos do exército norteamericano apresentaram o som aos ouvidos europeus. Segundo, uma contingência de guerra levou ao fechamento de Storyville, o bairro da luz vermelha de Nova Orleans. Uma base militar foi aberta na cidade, e, pelos regulamentos do Exército, os prostíbulos tiveram de sair. Isso fez com que muitos músicos, desempregados, tivessem de se mudar, se estabelecendo em Chicago, que se tornaria a nova capital do jazz. Mas, talvez, o mais importante é a mudança de atitude surgida no pós-guerra. O trauma do confronto quebrou uma secular cultura de estabilidade. As pessoas não queriam mais viver como seus pais, sob inabaláveis valores morais que não se alteravam entre as gerações. Nos EUA e na Europa, os anos 20 foram uma época de hedonismo, e sua trilha sonora foi o jazz.
“O jazz é ideal para dançar, e foi associado com danças novas e na moda, e daí encampado por consumidores joviais”, afirma Mervyn Cooke. A dança do jazz era nova. E isso tem a ver com sua origem. “Na música europeia, as partes de um compasso são divididas de forma proporcional. A música africana é naturalmente assimétrica”, diz Hermilson Nascimento, professor do Departamento de Música do Instituto de Artes da Unicamp. Isso quer dizer que, com a música europeia, pode-se dançar valsa, um passo para lá, outro para cá. Com uma música africana e seu ritmo sincopado, com divisões assimétricas, a dança é mais livre – e nunca antes havia sido experimentada.
Reações tradicionalistas
Na década de 30, o jazz passou a ser associado a tudo o que era novo. “O avant-garde cultural o saudava como a música da era da máquina, a música do futuro, a força revitalizadora da selva primitiva, e assim por diante”, escreveu o historiador britânico Eric Hobsbawm em A História Social do Jazz. Fundado em 1931, o Hot Club de France revelou Django Reinhardt, o primeiro grande nome do jazz europeu. Por toda a Europa, artistas norte-americanos passaram a fazer turnês, atraindo multidões.
Na Alemanha nazista, o jazz foi proibido em 1933 – não só Hitler se opunha ao modernismo em geral e considerava os negros inferiores, mas muitos artistas brancos do jazz eram judeus. Na União Soviética, Stalin tinha ideias similares a respeito da arte moderna, tida por burguesa e incompreensível para o povo. O “realismo soviético” foi aplicado à música, e o jazz foi perseguido nos anos 30 e 40. Na época, o Brasil vivia a ditadura nacionalista de Vargas, tentando construir uma identidade não europeia. O jazz também estava estabelecido por aqui, dando origem a um ritmo híbrido, a música de gafieira. Mas o samba foi “purificado” das influências externas meio que por decreto – o primeiro desfile das escolas de samba, em 1932, proibia instrumentos de sopro. Críticos e a propaganda governamental só valorizavam o “autêntico”.
O jazz não roubaria o lugar da música nativa, como na Europa, mas brasileiros continuariam a ouvir e aderir, mesmo sob patrulha nacionalista. Nos anos 50, não faltou quem criticasse a bossa nova por suas supostas similaridades com o cool jazz – talvez por isso ela tenha se tornado o maior sucesso de exportação da cultura do Brasil.
A vitória dos EUA na Segunda Guerra colocou o país em sua atual posição de domínio sobre a cultura do Ocidente. O jazz foi vendido como a música da liberdade, e Louis Armstrong fez concertos patrocinados pela CIA. Nem precisava. O jazz já havia vencido sozinho.

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SAIBA MAIS
Livros
História Social do Jazz, Eric Hobsbawm, Paz e Terra, 2010
The Chronicle of Jazz, Mervyn Cooke, Abbeville Press, 1998

Fonte: Aventuras na História

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Novo uniforme do Vasco ressalta, mais uma vez, sua luta contra o racismo

Texto na parte de dentro da nova camisa vascaína mostra o início da trajetória antirracista do Clube, há 90 anos. Foto: SuperVasco.com/Umbro Brasil

A histórica luta do Vasco contra o racismo é um dos destaques do novo uniforme do clube confeccionado pela Umbro e lançado nesta quinta-feira. A camisa traz um texto em homenagem aos 90 anos do título carioca invicto, que culminou com a saída dos times considerados grandes à época (Flamengo, Fluminense, Botafogo e América) da Liga Metropolitana de Desportos (LMDT, organizadora do campeonato), e a posterior criação da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Athleticos), com a exclusão do Cruzmaltino. 

O texto ressalta a condição imposta ao Vasco da Gama para ser aceito na Associação: a demissão de 12 atletas do elenco, "coincidentemente", todos Negros ou operários. O presidente vascaíno José Augusto Prestes enviou, então, uma carta em resposta à referida Associação, que ficou conhecida como "Resposta Histórica". Este documento "manifestava sua total indignação à discriminação racial e mostrava que seria um ato pouco digno condenar a carreira dos jovens jogadores que trouxeram tantas alegrias e vitórias ao Clube e que, deste modo, seria mais honroso não se associar à AMEA".

Outra foto mostra a Cruz de Malta mesclada a uma imagem em que uma pessoa possui metade do rosto Negra e a outra metade, branca.  Em tempos de casos recorrentes de racismo no futebol e discursos de ódio vindos até mesmo de candidatos à Presidência da República, é sempre bom ver ações de marketing nesta área, reforçando que somos diferentes, mas precisamos ser respeitados e ter os mesmos direitos.

Negros e brancos lado a lado. Foto: SuperVasco.com/ Umbro Brasil

Já imaginou?


"São capazes de imaginar o que pode acontecer, o que certamente aconteceria, se todos os povos de descendência africana compreendessem algum dia que possuem vínculos de sangue, se compreendessem que todos possuem um objetivo comum e que não terão a menor dificuldade em alcançá-lo se se unirem?" - MALCOLM X
Trecho da autobiografia de Malcolm X, p.342

Fonte: Página Malcolm X Brasil no Facebook.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Onde estão os candidatos Negros na política brasileira?

Em 2013, somente 55 (10,7%) dos 513 deputados federais eram Negros. Já no Senado, o número era ainda menor. Apenas três (3,7%) em 81 parlamentares
Já vinha pensando em escrever sobre isso há alguns dias e hoje, coincidentemente, vi esse gráfico e um artigo sobre o assunto no Portal Geledés. São perguntas recorrentes: onde estão os Negros e Negras na política brasileira? Por que nossa representatividade é tão pequena, se somos maioria da população no país?

O Brasil do século XXI ainda carrega o fétido ranço do colonialismo. Mesmo que a Constituição assegure direitos iguais a todos os cidadãos, na prática, ainda é extremamente difícil ver Negros e Negras ocupando cargos de chefia em grandes empresas, times de futebol ou em cargos políticos. A eterna "Sombra do Véu", metáfora utilizada brilhantemente por DuBois para representar o racismo, em The Souls of Black Folk ("As Almas da Gente Negra"), ainda impede a ascensão de pessoas Negras aos cargos majoritários, relegando-as ao papel de coadjuvantes. Há dois anos atrás, por exemplo, entre todos os candidatos à prefeitura de Salvador, Hamilton Assis, do PSOL, era o único Negro encabeçando a chapa. Todas as demais candidaturas, oportunamente, tinham um branco como titular e um (a) Negro(a) como vice. Por que não o contrário?

Estamos há poucas semanas das eleições e o mesmo pode ser observado nas campanhas ao Governo, Senado, Presidência e Câmara. Faltam candidatos Negros, assim, com N maiúsculo, que comprem a briga e defendam a nossa causa na luta contra o racismo e contra a falta de oportunidade das populações Negras em diversos aspectos da sociedade.

Desde que comecei a votar, sempre optei pelos candidatos e candidatas Negr@s que tivessem propostas neste sentido, pelo menos para vereador e deputado. Ainda espero poder fazer isso nas eleições pro Executivo, mas, infelizmente, não será nessas eleições. Não tem nenhum candidato Negro a presidente nem a governador da Bahia, meu Estado. Para o Senado, novamente, só Hamilton Assis, do PSOL. 

Os Estados Unidos da Ku Klux Klan e da Jim Crow já elegeram Barack Obama duas vezes. Até quando vão falar por nós aqui no Brasil?

Veja também: Parlamento branco comprova que mentira cívica' não foi desfeita

As inconveniências do "politicamente correto"


Quem reclama do "politicamente correto", na verdade, só quer um argumento pra continuar sendo racista, machista, sexista, homofóbico, bairrista ou intolerante religioso. Deve ser difícil contar piadas ou emitir opiniões sem precisar ridicularizar ninguém, né?
Gill Nguni

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Há 44 anos, morria Jimi Hendrix


Em 18 de setembro de 1970, Jimi Hendrix, aos 27 anos, morre em decorrência de uma asfixia, após uma mistura excessiva e perigosa de vinho e remédios.
Jimi teve seu auge no Festival de Woodstock, ocorrido em 1969, e sua versão do Hino Nacional dos Estados Unidos na guitarra foi um dos momentos mais marcantes do evento.
Hendrix é considerado um dos maiores guitarristas da história do Rock 'N Roll e seu legado permanece vivo até hoje, tanto na música quanto na influência a diversos guitarristas e bandas que continuam surgindo no mundo inteiro.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Grêmio é excluído da Copa do Brasil por unanimidade, após atos racistas da torcida

Aranha, goleiro do Santos, alvo de injúrias racistas pode ter iniciado um movimento histórico

Os cinco auditores do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) decidiram, por unanimidade, excluir o Grêmio da Copa do Brasil, após manifestações racistas de setores de sua torcida contra o goleiro Aranha, do Santos, no jogo de ida pelas oitavas-de-final da competição.

Do ponto de vista técnico, isso não fez tanta diferença, já que o Grêmio perdeu em casa por 2x0, e seria bem difícil reverter esse placar fora de casa. O que interessa aqui é que a decisão do STJD é histórica. O Grêmio foi excluído do campeonato como punição por racismo, não por ter perdido o jogo, e isso tem um significado simbólico muito grande. Tem um impacto negativo na marca do clube, o que pode envolver perda de patrocínios, já que nenhum anunciante quer sua empresa vinculada a algo ruim, além da pecha de "time racista" que o time já carrega.

É público e notório que uma parcela significativa de torcedores dos times gaúchos, principalmente do Grêmio, tem comportamentos xenófobos e racistas. Não são poucos os casos de ofensas a Negros e a nordestinos que se tem notícia, tanto que seus estádios estão na mira do Ministério Público atualmente.
Além da exclusão do campeonato, o clube ainda foi condenado a pagar uma multa de R$ 50.000,00, os torcedores identificados não podem frequentar estádios pelos próximos dois anos e o árbitro da partida também deverá ser punido, já que não registrou nada do ocorrido, mesmo com a insistência do arqueiro santista.

Sejamos sinceros, o racismo não vai acabar depois desta punição, mas o bom é que agora, finalmente o tribunal se posicionou e abriu um precedente importante. A decisão ainda cabe recurso, mas, se confirmada, vai fazer com que o próprio torcedor vigie a pessoa que está do seu lado, como faz quando alguém invade ou atira objetos no campo. Além disso, os outros clubes ficarão mais atentos e podem denunciar, se notarem casos semelhantes acontecendo, isso pode influenciar na reeducação dos torcedores preconceituosos.

Convém salientar que não bastam punições no âmbito esportivo. Racismo é crime inafiançável e deve ser tratado como tal pela justiça comum. As pessoas foram identificadas, logo, precisam ser indiciadas e responder criminalmente.

No mais, parabéns ao STJD por, finalmente, tomar uma decisão exemplar contra um grande clube, coisa que este tribunal está devendo há muito tempo. E parabéns ao goleiro Aranha, por não recuar.
Racismo não é piada, não é mal-entendido, não é "força de expressão". Racismo é crime.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Museu da Memória Afro contará a história dos negros no Brasil


O desafio de contar a história do negro no país pode ser vencido com a implementação do Museu Nacional da Memória Afrodescendente, em Brasília, prevista para dentro de três ou quatro anos. O museu será construído às margens do Lago Paranoá, em área de 65 mil metros quadrados cedida pelo governo do Distrito Federal. A Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, reuniu nesta quarta-feira, 27, pesquisadores e especialistas para discutir o assunto.
Na abertura do evento, a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, Macaé Maria Evaristo dos Santos, defendeu a importância da preservação da memória brasileira.
“Precisamos trabalhar numa luta constante pela garantia do direito à memória e tradição. O museu poderá contribuir para a garantia do ensino da história e da cultura dos africanos e dos afrodescendentes, conforme determina a legislação”, ressaltou.
De acordo com o presidente da Fundação Cultural Palmares, Hilton Cobra, falta um órgão que tenha capacidade de expressar a relevância da negritude, em nível nacional. “Não existe uma nação rica e desenvolvida sem a preservação de suas matrizes culturais”, afirmou.
Segundo os organizadores do seminário, é necessário reunir vestígios e conhecimentos e construir um museu que seja capaz não apenas de relembrar, mas de atualizar o passado à luz dos desafios do presente. Assim, o museu não deverá ser apenas uma sede de visitação pública, mas, acima de tudo, um centro de referência que inclua finalidades educativas, culturais, científicas e recreativas.
Participaram também do evento a ministra da Cultura, Marta Suplicy, a ministra chefe da secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Barros, e o secretário chefe da Casa Civil do Distrito Federal, Swedenberger Barbosa.
Fonte: Planeta Universitario/ Portal Geledés



Leia a matéria completa em: Museu da memória afro contará a história dos negros no Brasil - Portal Geledés 
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