Mostrando postagens com marcador Kwame Nkrumah. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Kwame Nkrumah. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Kwame Nkrumah e o Panafricanismo

 


"Não é somente a unidade que pode nos fundir em uma força efetiva, capaz de criar nosso próprio progresso e fazer nossa valiosa contribuição para a paz mundial? Que Estado africano independente reivindicará que sua estrutura financeira e instituições bancárias estão totalmente ligadas ao seu desenvolvimento nacional? Quem afirmará que seus recursos materiais e energias humanas estão disponíveis para suas próprias aspirações nacionais? Estamos aprendendo rapidamente que a independência política não é suficiente para nos livrar das consequências do domínio colonial. Temos estado muito ocupados cuidando de nossos Estados separados para entender completamente a necessidade básica de união, enraizada em um objetivo comum, em um planejamento comum e em um esforço comum."

Kwame Nkrumah, presidente de Gana, em discurso na Organização da Unidade Africana, 1963.


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Revolução Africana: Uma antologia do pensamento marxista

 


"O racismo se apresenta enquanto um elemento indispensável para o sistema da divisão da sociedade em classes. Ao mesmo tempo, uma luta abstratamente anticapitalista não será capaz de mobilizar o povo Negro trabalhador para a vitória contra a opressão. Para tanto, é necessário que a luta contra o racismo seja parte da luta contra o capitalismo ".

Revolução Africana é uma antologia de artigos escritos por alguns dos autores apontados como os representantes mais radicais do pensamento marxista africano, ao longo de 30 anos de luta pela independência e contra o imperialismo. Entre eles estão Frantz Fanon, Kwame Nkrumah, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Agostinho Neto, Samir Amin e Thomas Sankara.

O livro trata de temas como o racismo na sociedade de classes, a mentalidade colonial, a idealização do passado africano e a opressão patriarcal no continente, entre outros temas. Essa coletânea oferece ao público algumas perspectivas teóricas que dizem respeito não apenas à Revolução Africana, mas também à própria luta contra o racismo no Brasil atual.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Calendário Negro: Há 60 anos, Gana tornava-se independente da Grã-Bretanha


Kwane Nkrumah sobressai-se entre os líderes africanos que no século XX enfrentaram determinadamente a escravatura colonial das potências europeias, luta pela qual sofreu perseguição e cárcere, e se converteu em um dirigente venerado em Gana e em todo o continente.
Quando se acercava a metade do século e depois do holocausto que significou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Reino Unido, uma das potências vencedoras contra o fascismo alemão, se empenhava em manter seu vetusto império colonial em solo africano.
Os povos do continente tinham dado sua contribuição à vitória. Milhares de seus filhos combateram palmo a palmo junto aos soldados dos exércitos vitoriosos, mas as metrópoles europeias que reclamavam liberdades para seus povos as negavam aos africanos.
A percepção no continente era diametralmente oposta à das autoridades coloniais. Os homens que regressavam do front traziam ideias reivindicativas e nesse contexto surgiram líderes que conduziriam a seus povos na luta pela independência.

GANA NA HISTÓRIA

Quase de imediato os portugueses extraíram ouro em grandes quantidades e por isso o território recebeu o nome de Costa do Ouro. O interesse mostrado por esse metal abriria as portas a uma exploração que se prolongaria durante quase cinco séculos.No século XV, os navegantes portugueses foram os primeiros europeus a chegar a África. Alguns traficantes chegaram à costa de Gana e estabeleceram fábricas comerciais criando-se os contatos iniciais entre a população autóctone e os estrangeiros.
Posteriormente, os europeus puseram sua atenção no comércio de especiarias e marfim; ainda que sem deixar de lado esse negócio, inclinaram-se pela venda de escravos, mais lucrativa.
Os navegantes portugueses no século XV também tinham chegado ao Brasil, que se converteu em sua única colônia na América, onde os africanos eram vendidos aos donos de plantações agrícolas para trabalhar no sistema escravista.
Dinamarqueses, franceses, holandeses e britânicos também assentaram seus pontos comerciais, protegidos por fortins contra os rivais europeus ou as sublevações da população autóctone.
O castelo de Elmira, construído pelos portugueses, servia ao mesmo tempo de armazem de escravos à espera de seu transporte a América. Na medida em que as potências europeias estabeleciam novas colônias nesse território e no Caribe, intensificava-se o comércio de escravos.
O comércio prolongou-se durante os séculos seguintes, em que milhões de africanos -homens e mulheres- foram arrancados violentamente das áreas ocidentais do continente, num tráfico desumano e atroz.


REINO UNIDO

Em 1821, Reino Unido impôs seu poderio naval e apoderou-se de toda a costa. Duas décadas mais tarde, em 1844, subscreveu um tratado com o rei dos ashantis, a tribo que tinha resistido com mais vigor à penetração europeia. Os acordos assinados com as metrópoles eram papéis inservíveis, pois foram esboçados com total desfaçatez.
Tanto o era que uns trinta anos depois, em 1874, Londres estabeleceu formalmente ali sua colônia da Costa do Ouro e mais tarde ocupou, violando o convênio, o reino dos ashantis e impôs no norte do país o Protetorado Britânico.
A ocupação britânica reforçou a opressão colonial, tal como sucedia nas demais posses. Eram pisoteados os direitos dos nativos, que viam partir para a metrópole suas riquezas enquanto sumiam numa contínua pobreza.
Em 1922, após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), depois da derrota de Alemanha, a parte ocidental de sua colônia do Togo passou às mãos britânicas e sua administração recaiu na Costa do Ouro.
Os domínios germânicos na África foram repartidos entre Reino Unido e França, o que significou o fim da presença colonial da Alemanha no continente.
Seguiram longos anos de exploração com ênfase especial no monocultivo do cacau, sob o controle de capitais britânicos e outros europeus. O país padecia um marcado atraso econômico, educacional e sanitário, com um alto índice de mortalidade.
Essa situação provocava o descontentamento popular e, alarmados, os colonialistas admitiram, em 1946, aos africanos no governo da Costa do Ouro, ainda que sem o resultado que esperavam.



KWAME NKRUMAH

Nkrumah (1909-1972) foi o homem que sintetizou as aspirações libertárias do povo e sua posição anticolonialista era conhecida entre os grupos partidários da independência.
Em 1947, fundou o Partido Convenção Unidade da Costa do Ouro, que tinha como objetivo canalizar a luta contra o domínio do Reino Unido e conseguir para seu país uma vida política independente.
A resposta das autoridades foi mandá-lo às masmorras coloniais. Seu encarceramento provocou irados protestos. Depois, nada seria igual para a coroa britânica, obstinada em manter um sistema repudiado na África e no mundo.
Após sua prisão em 1949, Nkrumah, à frente dos elementos mais progressistas do agrupamento constituiu o Partido Popular da Convenção e iniciou uma aberta oposição ao predomínio colonial. Durante 1950 e 1951, desenvolveu-se uma intensa campanha de resistência cívica, conhecida como ação positiva.
Nkrumah foi novamente encarcerado. Seu partido lutava pela unidade nacional e a luta contra a opressão. Numerosas manifestações públicas foram duramente reprimidas pelas tropas britânicas deixando saldos elevados de vítimas.
Os colonialistas viram-se obrigados a ceder. A pressão popular forçou a celebração de eleições gerais para uma Assembleia Legislativa. Do cárcere, Nkrumah obteve o triunfo de seu Partido por significativa maioria e libertado formou o governo. Em 1952, converteu-se em primeiro-ministro.
A parte ocidental do Togo, administrada desde 1922 pela Costa de Ouro, pediu a união ao país. Quando em 1957, se obteve a independência, o Estado adotou o nome ancestral de Gana. Ao proclamar-se a República, Nkrumah foi eleito presidente. Seu legado de luta não é esquecido em seu país nem na África.

Fonte: Pravda