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sábado, 25 de julho de 2020

25 de Julho - Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha!


O local de nascimento de Tereza de Benguela é desconhecido. Ela pode ter nascido em algum país do continente africano ou no Brasil, mas sua vida faz parte da história pouco contada do Brasil.
Tereza viveu no século XVIII e foi casada com José Piolho, que chefiava o Quilombo do Piolho até ser assassinado por soldados do Estado. O Quilombo do Piolho também era conhecido como Quilombo do Quariterê (a atual fronteira entre Mato Grosso e Bolívia). Esse quilombo foi o maior do Mato Grosso.
Com a morte de José Piolho, Tereza se tornou a líder do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas.
O Quilombo do Quariterê abrigava mais de 100 pessoas, com destacada presença de negros e indígenas. Tereza navegava com barcos imponentes pelos rios do pantanal. E todos a chamavam de “Rainha Tereza”.
O Quilombo, território de difícil acesso, foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as ações da comunidade, que vivia do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos.
Tereza comandou a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo, mantendo um sistema de defesa com armas trocadas com os brancos ou roubadas das vilas próximas. Os objetos de ferro utilizados contra a comunidade negra que lá se refugiava eram transformados em instrumentos de trabalho, visto que dominavam o uso da forja.
“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entrava os deputados, sendo o de maior autoridade, tipo por conselheiro, José Piolho, escravo da herança do defunto Antônio Pacheco de Morais, Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executava à risca, sem apelação nem agravo.” - Anal de Vila Bela do ano de 1770
Não se tem registros de como Tereza morreu. Uma versão é que ela se suicidou depois de ser capturada por bandeirantes a mando da capitania do Mato Grosso, por volta de 1770, e outra afirma que Tereza foi assassinada e teve a cabeça exposta no centro do Quilombo.
O Quilombo resistiu até 1770, quando foi destruído pelas forças de Luís Pinto de Sousa Coutinho. A população na época era de 79 negros e 30 índios.
Em homenagem a Tereza de Benguela, o dia 25 de julho é oficialmente no Brasil o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data comemorativa foi instituída pela Lei n° 12.987/2014.
Além da data comemorativa, a rainha Tereza foi homenageada nos versos da escola de samba Unidos do Viradouro, com o enredo da agremiação de 1994, cujo título é ‘Tereza de Benguela – Uma Rainha Negra no Pantanal’.
Fonte: Biblioteca da CECULT - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

sábado, 25 de julho de 2015

A Tereza de Benguela e a todas as mulheres Afro-Latino-Americanas e Caribenhas!

"Rainha Tereza" administrou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro José Piolho, pelo menos desde 1730.

Em 25 de julho de 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, aconteceu o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, com o objetivo de criar uma agenda positiva na luta das mulheres Negras contra o machismo, o sexismo e o racismo, visto que o feminismo das mulheres brancas não as contemplava.  

Deste encontro, surgiu o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, ou simplemente, Dia Internacional da Mulher Negra, um dia especial de reflexão contra os tipos peculiares de violência e discriminação que atingem a mulher Negra nesta parte do continente.
No Brasil, a data ainda celebra Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII, no Vale do Guaporé, Mato Grosso. Por sua administração forte no Quilombo do Quariterê, era chamada por todos de "Rainha Tereza".

A importância da figura de Tereza de Benguela está na valorização cívica de mulheres Negras, em um panteão quase todo formado por homens brancos, considerados os "heróis da Pátria". Sua presença é mais um ponto para a autoestima Negra e sua percepção enquanto sujeito histórico. Como alguém que age e interfere na História, que não fica assistindo passivamente à espera de uma salvação vinda do homem branco.