quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sugestão de leitura: Amkoullel, o menino fula


"Na África, cada ancião que morre é uma biblioteca que se queima". Esta frase do escritor tradicionalista africano, Amadou Hampâté Bâ, nascido em Bandiagara (atual Mali), por volta de 1900, expressa bem o valor que a ancestralidade possui para as comunidades africanas, apesar de boa parte disso ter se perdido, à medida que a colonização europeia avançou no continente.

Neste livro, Bâ procura desfazer o senso comum a respeito da ideia de África como um lugar monocultural. Aborda as diferenças étnicas entre os vários povos das regiões por onde passou e, por se tratar de uma autobiografia, traça um paralelo entre sua vida e as transformações culturais, políticas e econômicas, decorrentes da presença cada vez maior dos homens brancos, que impregnaram as culturas tradicionais com seus valores e julgamentos.

A oralidade (transmissão de conhecimentos de geração para geração, através de histórias ou exemplos), o respeito aos mais velhos e à família, a honra e o poder da palavra como elemento criador do universo, símbolo de caráter e principal pilar religioso, muito embora o autor tenha sido criado sob as leis do Islamismo, tecem-se de tal maneira que narrador e narrativa se fundem. O leitor mais atento perceberá a diferença entre esta autobiografia e as demais, logo na primeira página. Não irei estragar a surpresa.

Resumindo sem floreios: Este é o melhor livro que já li na minha vida, lado a lado com a autobiografia de meu ídolo máximo, Nelson Mandela.


Título: Amkoullel, o menino fula
Autor: Amadou Hampâté Bâ
Editora: Casa das Áfricas/Pallas Athena
Páginas: 376
Tamanho: 16 x 23 cm





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