sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Ankh e Wedjat - Símbolos de Kemet



O Ankh (ou Cruz Ansata) é um antigo hieróglifo em forma de cruz, com um laço oval no topo, significando a palavra "vida", e simbolizando a vida eterna e a chave para o pós-morte. Frequentemente segurado por deuses como Ísis e Osíris, representa seu poder de conceder a vida.. É um símbolo de proteção, fertilidade, e conexão entre o mundo físico e espiritual.
Significado e Simbolismo
  • Vida e Imortalidade: 
    A principal representação do Ankh é a própria "vida", simbolizando a existência terrena e a vida após a morte, oferecendo imortalidade. 
  • Chave: 
    Conhecido como "Chave da Vida" ou "Chave do Nilo", simboliza a abertura dos portais para o além. 
  • União de Elementos: 
    A parte oval pode representar o feminino (útero) e a haste o masculino, ou o mundo espiritual e material. 
  • Sustentação da Vida: 
    Deuses o oferecem aos faraós para simbolizar o poder de dar e sustentar a vida, o ar e a água. 



O Olho de Hórus (ou Wedjat) é um antigo símbolo kemético de proteção, poder, saúde e restauração, representando o olho do deus falcão Hórus. Usado como amuleto, ele afasta o mal, traz boa sorte, sabedoria, intuição e força interior, sendo associado à superação de adversidades e renovação, pois na mitologia foi restaurado após uma batalha entre Hórus e seu tio Set. 

Significado e origem
  • Origem Mitológica: Surgiu da batalha entre Hórus e Set. Hórus perdeu um olho, que foi restaurado pelo deus Thoth, simbolizando cura e totalidade.
  • Proteção: Acreditava-se que protegia contra doenças, inveja e o mau-olhado, servindo como um escudo protetor.
  • Saúde e Cura: Usado em rituais médicos e como amuleto para garantir a saúde e a restauração física e espiritual.

 E hoje, tatuei os dois símbolos, um em cada braço:





quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Muhammad Ali: Uma vida

 


"Flutue como uma borboleta, pique como uma abelha. As mãos não podem atingir o que os olhos não veem".

"Eu sou o maior. Eu disse isso antes mesmo de saber que era".

"Muhammad Ali: Uma vida" é a biografia que eu mais queria há muito tempo. Conta a trajetória do maior boxeador de todos os tempos, reverenciado pelos outros grandes lutadores, a exemplo de Mike Tyson, que era um de seus maiores fãs.

Tyson dizia que "o que Ali fez fora dos ringues foi maior do que o que fez dentro deles". Isso é verdade. Ali conseguiu fama sendo um lutador implacável, mas se notabilizou pelos seus posicionamentos contundentes contra o racismo e pelo empoderamento Negro. Chegou a perder seus títulos no boxe por ter se recusado a servir o exército estadunidense na guerra do Vietnã, afirmando que seu verdadeiro inimigo estava na América.

Ao se converter ao Islamismo, rejeitou seu "nome de escravo" Cassius Marcellus Clay Jr., assim como Malcolm X tinha feito, por exemplo.

Em suas quase 800 páginas, o livro se divide em três partes, cobrindo tudo de mais importante sobre a vida de Ali, baseada em extensa pesquisa em entrevistas , documentos e gravações do FBI. Sim, aquela agência que perseguiu diversas personalidades Negras dos anos 60/70, como Angela Davis, Martin Luther King Jr., Malcolm X e os Panteras Negras.

Muhammad Ali foi um homem muito forte. Para além do físico. É uma das minhas maiores inspirações.


segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Ganhadores, a greve Negra na Bahia, de João José Reis




Em Ganhadores , o historiador João José Reis reconstitui a história dos negros de ganho, ou ganhadores, protagonistas de uma insólita greve que paralisou o transporte na capital baiana durante vários dias em 1857.

Esses trabalhadores escravizados, libertos ou livres, todos africanos ou seus descendentes, se organizavam em grupos de trabalho e percorriam a cidade de cima a baixo fazendo todo tipo de serviço, sobretudo o carrego de pessoas e objetos ou a venda de alimentos e outras mercadorias. Em 1857, porém, a Câmara Municipal baixou uma postura impondo-lhes medidas que combinavam arrocho fiscal e controle policial. Mas os ganhadores, que já viviam dia e noite sob a vigilância e a violência de autoridades, senhores e “cidadãos de bem”, não se deixariam abater. O resultado foi a primeira mobilização grevista no Brasil a paralisar todo um setor vital da economia urbana.

Baseado em ampla investigação em documentos escritos, impressos e iconográficos, Ganhadores é um livro revelador e essencial para se compreender a intrincada rede de relações sociais, econômicas e culturais que estruturava a sociedade baiana do século XIX, ancorada na instituição da escravidão e caracterizada por um sistema de controle baseado numa economia de favores e domínio paternalista.
Se o episódio de resistência aqui narrado trata mais especificamente da Bahia do século XIX, ele tem muito a dizer sobre as relações e opressões sociais e raciais no Brasil de hoje.

domingo, 19 de outubro de 2025

Marrocos é campeão da Copa do Mundo Sub-20

 


Marrocos conquistou a primeira taça da Copa do Mundo Sub-20, neste domingo. No estádio Nacional Julio Martínez Prádanos, em Santiago, a seleção africana derrotou a Argentina por 2 a 0, com dois gols de Zabiri. Maiores vencedores do torneio, os sul-americanos perderam a chance de se isolar com sete títulos. 

A estrela da final foi Yassir Zabiri. O atacante de 20 anos foi para o jogo empatado na artilharia do torneio com outros três atletas, mas se isolou na liderança ao marcar duas vezes contra a Argentina. Ele abriu o placar aos 11 minutos com um golaço de falta e ampliou aos 28.

Fonte: GE

terça-feira, 7 de outubro de 2025

"Malês", um filme necessário

 

Fiquei feliz em ver que Antônio Pitanga finalmente conseguiu. Há anos, eu acompanhava as notícias sobre as dificuldades de financiamento que ele enfrentou pra realizar esse filme.

"Malês" conta a história da Revolta dos Malês, ocorrida entre 24 e 25 de janeiro de 1835, em Salvador. Foi o maior levante de escravizados da história do Brasil e um dos maiores da América, mesmo sem ter acontecido plenamente como planejado.

Os Malês eram Negros muçulmanos vindos, principalmente, da Nigéria e que tinham uma grande organização e sentimento próprio de identidade, a ponto de arrecadar dinheiro para comprar a alforria dos que ainda estavam escravizados. Eram alfabetizados, falavam árabe e o Islã era a base de tudo, apesar de recorrerem a outras nacionalidades africanas que também se encontravam por aqui.

Antônio Pitanga, diretor do filme, é Pacífico Licutan, um dos mentores intelectuais do movimento. Seus filhos Camila e Rocco também atuam e o historiador João José Reis, autor de "Rebelião Escrava no Brasil", o livro mais completo sobre o assunto, é creditado como responsável pela revisão histórica do filme.

"Malês" é forte e necessário como tem de ser. Ao assistir, você vai entender por que deu tanto trabalho pra que ele saísse.

O livro de João José Reis serviu como base teórica para o filme.


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Morre Assata Shakur aos 78 anos


 A ativista política, ex-Pantera Negra, escritora, uma das principais referências na luta pelos direitos civis e contra o racismo, além de tia e madrinha de Tupac Shakur, faleceu hoje em Cuba.

Seu legado permanecerá vivo para sempre!

Rest In Power, sister!

Sugestões de leitura

 

Dois clássicos!

"Como a Europa subdesenvolveu a África", do historiador e líder teórico do pan-africanismo Walter Rodney, detalha o impacto da escravidão e do colonialismo na história da África. Escrita em 1972 e publicada agora pela primeira vez em língua portuguesa, a obra, considerada uma obra-prima da economia política, argumenta que o inabalável “subdesenvolvimento” africano não é um fenômeno natural, e sim um produto da exploração imperial do continente, prática que continua até hoje. Um dos principais argumentos ao longo do livro é o de que a África desenvolveu a Europa na mesma proporção em que a Europa deliberadamente subdesenvolveu o continente africano.

Rodney detalha as formas de exploração econômica de diversos povos e regiões, primeiro como fornecedores de mão de obra escravizada e, depois, como mão de obra assalariada extremamente subvalorizada. Além disso, aborda como se deu a intervenção direta do modo de produção capitalista nas práticas econômicas típicas de cada povo e região, na divisão sexual do trabalho tradicional dos povos africanos e na educação formal durante o colonialismo.



Em "A nova era do império", o sociólogo britânico Kehinde Andrews reconstrói a história do Ocidente para demonstrar que racismo, xenofobia e afetos correlatos não são fenômenos regressivos ou anacrônicos. Pelo contrário, longe de significarem o retorno a um passado que a modernidade teria há tempos enterrado, eles seguem presentes, como substrato da sensibilidade cotidiana e cimento de nossa estrutura social.

Assolada por uma crise de representatividade sem precedentes, desprovida de utopias que possam conter o avanço predatório do capitalismo e sob a ameaça iminente da emergência climática, a civilização ocidental procura uma saída que não pode mais ser oferecida por nenhuma de suas (des)ilusões de progresso. “É a chance de recusar a próxima atualização de sistema do imperialismo, destruir o hard drive e criar uma estrutura inteiramente nova para o sistema político e econômico mundial.”