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domingo, 2 de fevereiro de 2025

2 de fevereiro, dia da rainha!

 


No dia 2 de fevereiro, celebramos Yemanjá, "a mãe cujos filhos são peixes", divindade dos povos Iorubá (Nigéria). Senhora dos mares, protetora dos pescadores, deusa da fertilidade e da prosperidade. Mãe dos Orixás.

Em Salvador, o culto a Yemanjá se destaca por não ser associado sincreticamente a nenhuma santa católica, como ainda acontece com outras divindades do Candomblé. Mãe Stella de Oxóssi sempre dizia que "santo é santo e orixá é orixá", ressaltando que o sincretismo foi importante durante a escravidão para a manutenção das religiões de matrizes africanas, que foram proibidas por séculos, pudessem continuar existindo, mas que hoje não é mais necessário.

É muito bom ver as praias cheias nesta data, mas ainda espero ver o respeito às religiões afro-brasileiras e indígenas no decorrer do ano.

Importante também preservar a origem Negra e Africana de Yemanjá, pra que a imagem dela sobreviva ao epistemicídio e ao embranquecimento, como já aconteceu com outras figuras históricas, mitológicas e religiosas pelo mundo.

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Obaluaê tem as feridas transformadas em pipoca por Iansã

 


Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás.

Obaluaê não podia entrar na festa, devido a sua medonha aparência.

Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro.

Ogum, ao perceber a angústia do orixá, cobriu-o com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar os festejos.

Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava,  compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia.

Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão.

O xirê estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas equedes.

Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam sua pestilência.

Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaê pularam para o alto, transformadas em uma chuva de pipocas que se espalharam brancas pelo barracão.

Obaluaê, o deus das doenças, transformou-se num jovem belo e encantador.

Obaluaê e Iansã Igbalê tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.


(Reginaldo Prandi, Mitologia dos Orixás, p. 206-207)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Iemanjá dá à luz as estrelas, as nuvens e os Orixás

 


Iemanjá vivia no Orum.

Ali ela vivia, ali dormia, ali se alimentava.

Um dia, Olodumaré decidiu que Iemanjá precisava ter uma família, ter com quem comer, conversar, viver.

Então, o estômago de Iemanjá cresceu e cresceu e dele nasceram todas as estrelas.

Mas as estrelas foram se fixar na abóbada celeste.

Iemanjá continuava solitária.

Então, de sua barriga crescida nasceram as nuvens.

Mas as nuvens perambulavam pelo céu até se precipitarem em chuva sobre a terra.

Iemanjá continuava solitária.

De seu estômago, então, nasceram os Orixás, nasceram Xangô, Oiá, Ogum, Ossaim, Obaluaê e os Ibejis.

Eles fizeram companhia a Iemanjá.

(PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. Companhia das Letras, p. 385-386)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Iemanjá ajuda Olodumaré na criação do mundo.

 


Olodumare-Olofim vivia só no Infinito, cercado apenas de fogo, chamas e vapores, onde quase nem podia caminhar.

Cansado de não ter com quem falar, cansado de não ter com quem brigar, decidiu por fim àquela situação. Libertou as suas forças e a violência delas fez jorrar uma tormenta de águas.

As águas debateram-se com rochas que nasciam e abriram no chão profundas e grandes cavidades, fazendo-se os mares e oceanos, em cujas profundezas Olocum foi habitar.

Do que sobrou da inundação, se fez a terra.

Na superfície do mar, junto à terra, ali tomou seu reino Iemanjá, com suas algas e estrelas-do-mar, peixes, corais, madrepérolas.

Ali nasceu Iemanjá em prata e azul, coroada pelo arco-íris de Oxumarê.

Olodumaré e Iemanjá, mãe dos Orixás, dominaram o fogo do fundo da Terra e o entregaram ao poder de Aganju, o mestre dos vulcões, por onde ainda respira o fogo aprisionado.

O fogo que se consumia na superfície do mundo, eles apagaram e, com suas cinzas, Orixá Ocô fertilizou os campos, propiciando o nascimento de ervas, frutos, árvores, florestas que foram dados aos cuidados de Ossaim.

Nos lugares onde as cinzas foram escassas, nasceram pântanos, e nos pântanos, a peste que foi doada pela mãe dos Orixás ao filho Omulu.

Iemanjá encantou-se com a Terra e a enfeitou com rios, cascatas e lagoas. Assim surgiu Oxum, dona das águas doces.

Quando tudo estava feito e cada natureza se encontrava na posse de um dos filhos de Iemanjá, Obatalá, respondendo diretamente às ordens de Olorum, criou o ser humano. 

E o ser humano povoou a Terra.

E os Orixás pelos humanos foram celebrados.

(PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás, p. 380-381)

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Sugestão de filme: Aníkúlápó



Estreou recentemente na Netflix o filme nigeriano Aníkúlápó.

Depois de ser assassinado por ter um caso com a rainha Arolake (Bimbo Ademoye),  o viajante Saro (Kunle Remi) encontra um pássaro místico com o poder de lhe conceder uma segunda chance. Além de o reviver, o Akala ainda lhe concede o dom de trazer outras pessoas de volta à vida.

Situado a maior parte do tempo em Oyó, na atual Nigéria, o filme explora muitos elementos da tradição Yorubá, principalmente a relação dos africanos com a morte enquanto rito de passagem. Inclusive, Yorubá é o idioma predominante nele. Por mais que a morte tenha um significado diferente para nós no Ocidente, isso não significa que as pessoas não sofrem quando um ente querido parte.

Muitos elementos são familiares aos afrobrasileiros, principalmente aos adeptos das religiões de matrizes africanas, já que boa parte da nossa ancestralidade vem daquela região da África. A exuberância dos trajes e colares sempre me chamam a atenção, dá vontade de ter todos!

Aníkúlápó é dirigido por Kunle Afolayan 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Iemanjá irrita-se com a sujeira que os homens lançam ao mar

 



"Logo no princípio do mundo, Iemanjá já teve motivos para desgostar da humanidade.

Pois desde cedo, os homens e as mulheres jogavam no mar tudo que a eles não servia. 

Os seres humanos sujavam suas águas com lixo, com tudo o que não mais prestava, velho ou estragado.

Até mesmo cuspiam em Iemanjá, quando não faziam coisa muito pior.


Iemanjá foi queixar-se a Olodumaré.

Assim não dava pra continuar.

Olodumaré ouviu seus reclamos e deu-lhe o dom de devolver à praia tudo que os humanos jogassem de ruim em suas águas. 

Desde então, as ondas surgiram no mar.

As ondas trazem para a terra o que não é do mar."

(PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás,p. 392)

sábado, 28 de dezembro de 2019

Mãe Ana de Xangô é a nova Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá



Hoje, 28 de dezembro de 2019, 7° dia das obrigações fúnebres de um ano de Mãe Stella de Oxossi, aproximadamente 08:30 da manhã, no barracão de festas do Opô Afonjá, deu-se início ao jogo sucessório da nova Iyalorixá deste Axé.

A imprensa televisiva e as mídias eletrônicas, já fizeram às vezes de informar ao público a nova Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, portanto, acredito que a maioria já saiba o resultado. Mas, ainda que muito cansado das seis noites anteriores, eu não poderia deixar de escrever estas linhas e ressaltar algumas informações vistas aos meus olhos e entendimento da existência enérgica de Xangô.

A sexta Iyalorixá da casa (6. Número de Xangô); Afonjá. Qualidade do Xangô da nova mãe de santo, e por fim, Ana, primeiro nome de Ana Verônica Bispo dos Santos, ou seja, Afonjá de Eugênia Anna dos Santos, Iyá Obá Biyi, ou Mãe Anninha, fundadora desta casa, se faz presente materializado em nossa nova mãe. Mãe Ana (Anninha) de Xangô, Obá Gerè/ Guêrê*.

A cosmologia mais uma vez em exercício.

Salve Afonjá... Vida longa a Mãe Ana de Xangô.

Kabiêsi!

Obá Abiodun, Adriano de Azevedo Santos Filho.

Fonte: Facebook do Ilê Axé Opô Afonjá

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Que Ogum nos proteja!


2019 será regido por Ogum, o Orixá da Metalurgia, da Guerra e Protetor dos Caminhos.
Nunca precisamos tanto dele quanto agora!
No Brasil do ódio institucionalizado e do Estado Fundamentalista Cristão, travestido de "laico", em que pessoas comemoram a morte de uma Ialorixá e atacam locais sagrados para as religiões de matrizes africanas, simplesmente por não concordarem com elas. No país em que as terras ancestrais de indígenas e quilombolas são entregues pelo governo a fazendeiros e empresas multinacionais, precisaremos da coragem de Ogum pra encarar todos eles sem esmorecer. 
Xangô, o Orixá da Justiça e regente de 2018, nos mostrou quem são nossos adversários. Ogum nos ajudará a combatê-los!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Mãe Stella de Oxóssi partiu para o Orum


Principal ialorixá do Brasil, autora de vários livros, doutora honoris causa das duas principais universidades da Bahia (UFBA e UNEB) e membro da Academia de Letras da Bahia, Mãe Stella de Oxóssi faleceu justamente no dia consagrado ao seu orixá, a última quinta-feira de 2018.

Em momentos como esse, convém sempre lembrar da frase de Amadou Hampaté Bâ, que dizia que "cada ancião que morre é uma biblioteca inteira que se queima".

Ao mesmo tempo, também é conveniente ressaltar que, na tradição do Candomblé e de grande parte das  religiões ancestrais africanas, a morte é só uma passagem para uma nova vida. Nosso corpo físico é efêmero, mas o Axé, energia sagrada que propicia a vida, é eterno.

Grande guardiã das tradições, Mãe Stella já causou "polêmica" diversas vezes, por se mostrar veementemente contrária ao sincretismo religioso, tão forte na Bahia: "Santo é santo; Orixá é Orixá!"

Vá em paz, Mãe! Aproveite a viagem!

Kolofé!
Okê Arô!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Ano Novo, Tattoo Nova!


Abaixo do mapa da África, que eu já tinha, tatuei, na semana passada, os Oxês de Xangô e um raio, seu elemento. Faz tempo que ela estava nos meus planos e, quando eu soube que ele seria o Orixá regente de 2018 (junto com Exú), decidi que tinha chegado a hora.
Kawó-Kabièsilè!



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Olodum - 30 anos de "Faraó, Divindade do Egito"



Em 2017, "Faraó", como é mais conhecida uma das mais famosas músicas do Olodum e do samba-reggae, completa 30 anos. A união entre mitologia africana e a batida dos tambores é a principal marca dos blocos afro baianos, como Ilê Aiyê, Malê Debalê, Cortejo Afro, Muzenza, Filhos de Gandhi, além do próprio Olodum, entre vários outros.
Segue a música:




Faraó, Divindade do Egito

Deuses!
Divindade infinita do universo
Predominante
Esquema Mitológico
A ênfase do espírito original, Shu
Formará, no Éden, um ovo cósmico

A Emersão!
Nem Osíris sabe como aconteceu
A Emersão!
Nem Osíris sabe como aconteceu

A Ordem 
Ou submissão do olho seu
Transformou-se
Na verdadeira humanidade

Epopeia!
Do código de Geb
E Nut
Gerou as estrelas

Osíris!
Proclamou matrimônio com Ísis
E o mau Set
Irado, o assassinou
E impera

Hórus, levando avante
A vingança do pai
Derrotando o império
Do mau Set
Ao grito da vitória
Que nos satisfaz

Cadê?
Tutancâmon
Hei, Gizé!
Akhaenaton
Hei, Gizé!
Tutancâmon
Hei, Gizé!
Akhaenaton

Eu falei Faraó

Êeeh, Faraó!
Eu clamo Olodum, Pelourinho

Êeeh, Faraó!
Pirâmide, a base do Egito

Êeeh, Faraó!
Eu clamo Olodum, Pelourinho
Êeeh, Faraó...


Que Mara Mara
Maravilha êh!
Egito, Egito, êh!


Que Mara Mara
Maravilha, êh!
Egito, Egito êh!
Faraó ó ó ó ó!
Faraó ó ó ó ó!

Pelourinho, uma pequena comunidade
Que porém o Olodum unira
Em laço de confraternidade
Despertai-vos
Para cultura egípcia no Brasil
Em vez de cabelos trançados
Veremos turbantes de Tutancâmon

E nas cabeças
Enchem-se de liberdade
O povo negro pede igualdade
Deixando de lado as separações


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Acontece


De vez em quando, simplesmente, acontece. 
Sem esperar, sem planejar. 
Sem ir muito longe. 
O destino se encarrega de realizar conexões que pareciam impossíveis!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Ao Som dos Atabaques: Costumes Negros e as Leis Republicanas em Salvador-BA (1890-1939)



Hoje é um dia simbólico pra mim. Há 5 anos atrás, no dia 05 de abril de 2011, defendi minha Dissertação de Mestrado em História Regional e Local pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB - Campus V, em Santo Antônio de Jesus-BA), na Linha de Pesquisa Estudos Sobre Trajetórias das Populações Afro-brasileiras.

Como eu disse na época, agradeço aos Orixás e a todos os espíritos ancestrais que possibilitaram que, no dia 13 de maio de 2009, exatamente 121 anos depois da abolição oficial da escravidão no Brasil, em que aos Negros era vedado o direito à educação e era proibido até mesmo saber ler e escrever, eu tivesse a minha primeira aula em um curso de pós-graduação de uma Universidade pública. Não conquistei nada disso sozinho. Tenho plena consciência da luta de muitas pessoas que vieram antes de mim para tornar este fato possível. Sei também do papel da minha família, dos meus amigos, professores e das minhas orientadoras Nancy Assis, desde a graduação, e Isabel Reis, em todas as etapas do processo.

Tenho orgulho de reafirmar minha condição de COTISTA, assim, com todas as letras maiúsculas, pra provar que o abismo que separa brancos e Negros no Brasil é motivado simplesmente pelas oportunidades historicamente desiguais.

Falando sobre a dissertação, o presente estudo se propõe a analisar algumas medidas governamentais e jurídicas tomadas desde o final do século XIX até as primeiras décadas do século XX e perceber até que ponto, explícita ou implicitamente, estas leis buscaram exercer certo controle sobre as práticas culturais majoritariamente negras em Salvador – a exemplo do Candomblé e da Capoeira –, com o intuito de levar à frente os ideais de “modernização” e de “exclusão dos indesejáveis”, agora que esta parcela da população não se encontrava mais sob o controle e a perseguição de senhores, feitores e capitães-do-mato. Jornais e documentos policiais, como portarias e processos-crime, também são utilizados, com o intuito de verificar a aplicação das leis republicanas (ou sua violação) no cotidiano da cidade, principalmente no que se refere aos costumes mais comuns às populações negras.


Compartilhando conhecimentos, espero que este trabalho seja útil a quem ler. Isso é Ubuntu.

Ao Som dos Atabaques. Costumes Negros e as Leis Republicanas em Salvador (1890-1939)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Duppy - Canções de Uma Roma Negra

Capa do álbum Canções de Uma Roma Negra, da banda baiana Duppy.
Uma amiga minha já havia me falado dessa banda há tempos (por sinal, muito obrigado, Camila), mas só conheci a Duppy de verdade no Palco do Rock, evento voltado às mais variadas vertentes do Rock And Roll e que acontece em pleno carnaval de Salvador, só que em um local mais distante dos trios elétricos.

A Duppy é uma banda difícil de rotular, até porque rótulos são desnecessários, na maioria das vezes. Seu som varia do Metal ao Reggae e Ragga, sempre misturando com elementos regionais e contando com a inconfudível presença dos atabaques. O que me chamou mais atenção na banda, além da evidente competência dos músicos, foi o conteúdo de suas letras, grande parte delas abordando os Orixás e a tradicional fé soteropolitana no Sagrado. 

É inspirador ouvir Atotô, Patuá, Xirê Ogum, Festa de Caboclo e foi especial poder gritar Kawó-Kabièsilè num festival de Rock!

Segue abaixo a minha música favorita, que ouço quase todo dia. Canto pra Odoyá é uma amostra do que os caras podem fazer:

Canto para Odoyá

Nas pedras do mar, Aiucá, Janaína
Teu pai Olokun chamou, vem cá
Teu abebé brilhou minha Deusa do mar
Neste sol sagrado, salgado, saudações a ti yá

Igbá! igbá! igbá yê!
Vou no Rio Vermelho, te levo um espelho
Tua beleza é de admirar

Igbá! igbá! igbá yê!
Vou pular as ondas, sem delongas
Meus pedidos vou jogar

E quando o mar me cerca
O arco-íris navega sobre as flores no barco a vela
Tem água de cheiro e de beber
Tem pescador, tem marinheiro
É fevereiro, se queres saber

Ô, dai-me licença aê
Oi, dai-me licença
Alodê, Iemanjá
Ô, dai-me licença

Ô, dai-me licença aê
Oi, dai-me licença
Alodê, Iemanjá

Ô, dai-me licença aê, Aiucá
Dai-me licença aê, Janaína 
Dai-me licença aê, Aiucá

É minha mãe Iemanjá!
É tua mãe Iemanjá!
Nossa mãe Iemanjá!


Você pode ouvir ou baixar o som da Duppy nas seguintes plataformas:

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Lenda das Sereias - Marisa Monte



Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Ynaê
Janaina e Yemanjá
São rainhas do mar

Mar, misterioso mar
Que vem do horizonte
É o berço das sereias
Lendário e fascinante

Olha o canto da sereia
Ialaó, oquê, ialoá
Em noite de lua cheia
Ouço a sereia cantar

E o luar sorrindo
Então se encanta
Com as doces melodias
Os madrigais vão despertar

Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz, ela semeia

Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz, ela semeia

Toda a corte engalanada
Transformando o mar em flor
Vê o Império enamorado
Chegar à morada do amor

Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Ynaê
Janaina e Yemanjá
São rainhas do mar






Eu também fui prestar minha solitária homenagem.

Uma pequena homenagem do Ufanisi à Rainha do Mar. Odoyá!
Sobre a tradicional festa do Rio Vermelho, escrevi em 2012 aqui mesmo. Veja o link abaixo:

Odoyá, Iemanjá!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Oiá liberta Xangô da prisão usando o raio

04 de dezembro, dia de Iansã!

Faziam festas pra Xangô em Tákua Tulempe.
As mulheres eram loucas por ele, e os homens o invejavam.
Eram festas de hipocrisia.
Em um desses festejos, prenderam Xangô e o trancaram num calabouço.
Xangô tinha uma gamela onde via tudo que acontecia,
mas havia deixado sua gamela na casa de Oiá.
Passaram-se alguns dias e Xangô não voltava pra casa.
Foi quando Oiá olhou para a gamela de Xangô e viu que ele estava preso.
Da prisão, Xangô sentiu que alguém mexia na gamela e pensou:
"Ninguém além de Oiá sabe usá-la".
Xangô, então, lançou muitos trovões,
para que Oiá ouvisse e o encontrasse.
Oiá recebeu a mensagem, acendeu sua fogueira
e começou  a cantar seus encantamentos.
Oiá pronunciou algumas palavras
E cruzou seus braços em direção ao céu.
Nesse momento, o número sete se formou no céu.
Um raio partiu as grades da prisão e Xangô foi libertado.
Ao sair, Xangô viu Oiá, que vinha pelo céu num redemoinho
e levou Xangô para longe da terra Tákua.
Oiá libertou Xangô com o raio.
Oiá libertou Xangô com o vento.
Oiá libertou Xangô.

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Cia. das Letras, 2001, p. 306.





quinta-feira, 18 de junho de 2015

O silêncio que incomoda


Repercutiu muito nas últimas semanas a foto da performance de uma transexual durante a Parada LGBT de São Paulo. Na imagem, ela aparecia crucificada, tal qual Jesus Cristo, simbolizando toda a violência gratuita e o ódio dos "detentores da fé" que, desde aquela época, condenavam à morte qualquer ato considerado um "desvio de caráter" ou uma deturpação da religião tida como "verdadeira".

O problema é que muitas pessoas não entenderam a intervenção artística (ou não se esforçaram para tal) e a foto gerou um tsunami de indignação entre os cristãos, principalmente dos evangélicos, o que não deixa de ser paradoxal, já que a maioria deste segmento religioso é avessa à veneração de imagens sacras.

Ironicamente, não se ouve o mesmo barulho das pessoas que - legitimamente - defendiam o respeito à sua religiosidade, no caso da menina carioca de 11 anos, candomblecista, que foi covardemente agredida a pedradas, pelo simples fato de estar vestida de branco e com trajes litúrgicos de sua religião. Segundo testemunhas, o ataque teria partido de evangélicos, o que não seria a primeira vez. Casos como esse se repetem dia após dia, e não há nenhuma "revolta" ou histeria coletiva pelo respeito às religiões de matrizes africanas. Inclusive, a própria garota, ainda abalada pelos acontecimentos, foi hostilizada novamente enquanto saía da perícia aos gritos de "demônia" e "vai queimar no inferno".

O que passa pela cabeça de alguém que acha que tentar destruir a religião alheia, incluindo nesta empreitada, machucar ou matar seus adeptos, o tornará uma pessoa melhor?
Quando os fundamentalistas cristãos vão deixar de ver outras denominações religiosas como "concorrência"?

Por que tudo que é diferente do que a moral seletiva do Cristianismo prega é visto como algo "diabólico"?

Vivemos em um momento perigoso no Brasil. Desde a Câmara dos Deputados, onde o presidente passou a realizar cultos evangélicos e vários dessa bancada se dedicam diariamente a legislar contra tudo que vá de encontro ao seu livro sagrado, até as simples atividades cotidianas, em que é difícil terminar o dia sem ouvir uma pregação de alguém na rua, no ônibus, no metrô ou até na porta de sua casa, dizendo que você deve viver da maneira que a religião dele obriga.

Tenho a grande impressão de que Jesus, revolucionário como era, seria apedrejado e crucificado novamente, se tentasse defender suas ideias no Brasil do século XXI.

Katia Marinho abraça a neta, que não quer mais usar roupas brancas fora do barracão Foto: Guilherme Pinto / Extra


domingo, 29 de março de 2015

Parabéns, Salvador! 466 anos!


Neste 29 de Março, data oficial da primeira capital do Brasil, minha homenagem à "Cidade da Baía" é uma das músicas que mais a representam:

É D'OXUM
(Vevé Calazans/Gerônimo)

Nessa cidade, todo mundo é d'Oxum
Homem, menino, menina, mulher
Toda essa gente irradia magia
Presente na água doce
Presente na água salgada
E toda cidade brilha...

Seja tenente ou filho de pescador
Ou importante desembargador
Se der presente, é tudo uma coisa só
A força que mora n'água
Não faz distinção de cor
E toda cidade é d'Oxum

É d'Oxum... é d'Oxum...

Eu vou navegar
Eu vou navegar nas ondas do mar
Eu vou navegar...


terça-feira, 8 de julho de 2014

Cinema nigeriano traz primeiro filme retratando Orixás como super-heróis

A humanidade caminha para a autodestruição e somente um super-herói com poderes divinos pode salvá-la. O enredo que poderia ser visto em qualquer filme do Thor, Hércules ou até Cavaleiros do Zodíaco, terá uma versão africana com os orixás como protagonistas.
Tô muito ansioso pra assistir esse filme, desde que soube de sua existência. Acredito que isso possa contribuir um pouco para que o preconceito religioso diminua um pouco, ou pelo menos, fomentar o debate.
Oya - Rise of the Suporishas (algo como Oyá - A Ascensão dos Super-Orixás), escrito e dirigido por Nosa Igbnedion, traz a história de Oyá (ou Iansã), senhora dos raios e trovões no panteão iorubano, e sua saga na luta contra a destruição da humanidade por forças malignas.
O enredo é mitológico, como o é a cosmogonia africana, semelhante à greco-romana e a nórdica, por exemplo. É um tema que sempre abordo em sala de aula, justamente porque Thor, Zeus, Hércules, Athena e até mesmo Hades e Loki, considerados "vilões" na mitologia europeia, não são tão "demonizados" quanto os deuses africanos. 
Quando comecei a ler sobre o assunto, sempre pensei nos Orixás como super-heróis, por causa dos atributos de cada um. Como fã de quadrinhos, minha associação entre Oyá e Tempestade, dos X-Men, foi imediata. Espero muito por esse filme !!

Veja o trailer:




quinta-feira, 26 de junho de 2014

Que sejamos livres

Foto: Marina Silva/ Facebook do Ministério da Justiça

Que sejamos livres pra acreditar, cultuar, rezar, orar, louvar, benzer e até mesmo duvidar de tudo isso. Mas que nossas convicções pessoais não interfiram nem desrespeitem os direitos dos outros.