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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Muhammad Ali: Uma vida

 


"Flutue como uma borboleta, pique como uma abelha. As mãos não podem atingir o que os olhos não veem".

"Eu sou o maior. Eu disse isso antes mesmo de saber que era".

"Muhammad Ali: Uma vida" é a biografia que eu mais queria há muito tempo. Conta a trajetória do maior boxeador de todos os tempos, reverenciado pelos outros grandes lutadores, a exemplo de Mike Tyson, que era um de seus maiores fãs.

Tyson dizia que "o que Ali fez fora dos ringues foi maior do que o que fez dentro deles". Isso é verdade. Ali conseguiu fama sendo um lutador implacável, mas se notabilizou pelos seus posicionamentos contundentes contra o racismo e pelo empoderamento Negro. Chegou a perder seus títulos no boxe por ter se recusado a servir o exército estadunidense na guerra do Vietnã, afirmando que seu verdadeiro inimigo estava na América.

Ao se converter ao Islamismo, rejeitou seu "nome de escravo" Cassius Marcellus Clay Jr., assim como Malcolm X tinha feito, por exemplo.

Em suas quase 800 páginas, o livro se divide em três partes, cobrindo tudo de mais importante sobre a vida de Ali, baseada em extensa pesquisa em entrevistas , documentos e gravações do FBI. Sim, aquela agência que perseguiu diversas personalidades Negras dos anos 60/70, como Angela Davis, Martin Luther King Jr., Malcolm X e os Panteras Negras.

Muhammad Ali foi um homem muito forte. Para além do físico. É uma das minhas maiores inspirações.


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

"Você é meu inimigo!"

 


Em 1967, Muhammad Ali se recusou a lutar na Guerra do Vietnã, por motivos religiosos e por não concordar com ela. Sua postura corajosa teve como consequência a prisão, perda dos seus títulos de campeão de boxe e banimento do esporte por mais de três anos, o que atrapalhou momentaneamente sua carreira, mas ajudou a imortalizá-lo como defensor dos direitos civis e da luta antirracista. 

"Eu não vou esquivar. Eu não estou queimando nenhuma bandeira. Não estou fugindo para o Canadá. Eu fico bem aqui. Você quer me mandar para a cadeia? 

Ok, vá em frente. Estou preso há 400 anos.

 Eu poderia ficar lá por mais 4 ou 5, mas não vou viajar 10.000 milhas para ajudar a matar outras pessoas pobres. 

Se eu quiser morrer, vou morrer aqui mesmo, agora, lutando contra você. Você é meu inimigo, não um chinês, um vietcongue, um japonês. 

Você é meu inimigo quando quero liberdade. Você é meu inimigo quando quero justiça. Você é meu inimigo quando quero igualdade. 

Você quer que eu vá a algum lugar e lute por você? Você nem mesmo vai me defender aqui na América, nem meus direitos ou minhas crenças religiosas. 

Você não vai me defender nem aqui, na minha casa."

Ali venceu muitas lutas, mas sua maior vitória foi fora dos ringues.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Sugestão de filme: Ali

 


Assisti novamente o filme "Ali", cinebiografia do campeão mundial de boxe Muhammad Ali, interpretado por Will Smith. 

Nascido Cassius Marcellus Clay, Ali foi um dos maiores ícones Negros dos anos 1960/70 dos EUA, ao lado de nomes como Malcolm X, Martin Luther King Jr., Angela Davis e o Partido dos Panteras Negras. 

Em determinado momento, o filme reproduz a famosa recusa de Muhammad Ali a lutar na Guerra do Vietnã, em 1967, o que lhe custou uma multa, cinco anos de prisão e a perda do seu título (que só foi recuperado anos depois):


"Eu não estou fugindo do recrutamento. Não estou queimando bandeira alguma. Não estou fugindo pro Canadá. Estou bem aqui. Querem me mandar pra cadeia? Tudo bem, façam isso. Estou na cadeia há 400 anos, posso muito bem ficar mais 4 ou 5, mas não vou viajar 16 mil quilômetros pra ajudar a matar outros pobres.

Se eu quiser morrer, vou morrer bem aqui, agora, lutando contra vocês. 

Vocês são meus inimigos! Não é nenhum chinês, nenhum vietcongue, nenhum japonês.

Vocês se opõem a mim quando quero justiça. Vocês se opõem a mim quando quero liberdade. Vocês se opõe a mim quando quero igualdade. Vocês querem que eu vá pra algum lugar e lute por vocês?

Vocês não lutam por mim aqui nos Estados Unidos, pelos meus direitos e minhas crenças religiosas. Vocês não lutam por mim nem mesmo aqui em casa!"

"Ali" está disponível na HBO Max e no Amazon Prime Vídeo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X

 



Estreou na Netflix o documentário "Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X". Inspirado no livro de Randy Roberts e Johnny Smith, de 2016, o filme aborda a relativamente curta, porém intensa relação entre estes dois dos maiores ícones Negros de todos os tempos.
Nas palavras do ativista Dr. Cornel West:

"Você não é amado. Isso é ser negro em um mundo de supremacia branca. Não é amado, não é cuidado, é abandonado. É visto como menos bonito, menos moral, menos inteligente... e ainda dizem para sempre ter medo. Malcolm X? Muhammad Ali? Sem chance!

Muhammad Ali e Malcolm X foram os dois Negros mais livres do século XX. Por outro lado, há um outro fardo. Há um custo tremendo em ser uma pessoa livre e amorosa."
Cada minuto desse filme vale a pena!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Dica de Filme: Uma Noite em Miami

 


"Uma Noite em Miami" é sobre um encontro fictício entre Muhammad Ali (que ainda se chamava Cassius Clay na época), Malcolm X, o cantor Sam Cooke e o ator e jogador da NFL Jim Brown, após mais uma luta vitoriosa de Ali. Nesta noite, os amigos discutem a importância de cada um na luta pelos direitos civis e na revolução cultural dos anos 1960.

Inspirado na peça de mesmo nome escrita por Kemp Powers (que é o roteirista do filme) e dirigido por Regina King, Uma Noite em Miami estreou esta semana no Amazon Prime Vídeo.



sábado, 4 de junho de 2016

Lenda do boxe, Muhammad Ali morre aos 74 anos



Morreu neste sábado o ex-pugilista Muhammad Ali, aos 74 anos, vítima de problemas respiratórios. A lenda do boxe também lutava contra o mal de Parkinson desde o início dos anos 80, pouco tempo após a sua aposentadoria, em 1981.
Na última quinta-feira, seu porta-voz, Bob Gunnell, comunicou que Ali estava internado em um hospital de Scottsdale, no Arizona. 


O enterro será em sua cidade natal, em Louisville, mas os demais detalhes não foram revelados pelos familiares.

MAIS DO QUE UM ATLETA
Nascido Cassius Marcellus Clay Jr., em Louisville, no Kentucky, em 17 de janeiro de 1942, Ali mudou seu nome após converter-se ao islamismo, e escreveu uma história de lutas não só dentro dos ringues.
Campeão olímpico em 1960, nos Jogos de Roma, ele conquistou o título dos pesos pesados em 64, após vencer Sonny Liston. A revanche contra Liston aconteceu em maio do ano seguinte e terminou com um polêmico nocaute, e com a provocação de Ali, que ficou parado ao lado do rival e disse: "Levante-se e lute", emendando ainda um palavrão.
Em 1967, Ali se recusou a servir o exército norte-americano na Guerra do Vietnã. "Por que me pedem para por um uniforme e viajar 10.000 milhas para jogar bombas e atirar em pessoas morenas no Vietnã, enquanto as pessoas chamadas de negras em Louisville são tratadas como cães e lhes negam direitos básicos?", questionou ao ser interrogado pelo exército.
Por isso, foi banido do boxe por três anos, sentenciado a cinco anos de prisão e uma multa de US$ 10 mil. Em liberdade enquanto o caso era julgado, ele só voltou aos ringues em 1970, quando nocauteou Jerry Quarry no terceiro round.
No ano seguinte, travou com Joe Frazier a "Luta do Século", a qual perdeu após 15 rounds, na sua primeira derrota como profissional. Também em 1971, a Suprema Corte dos Estados Unidos retirou as acusações de insubmissão, encerrando o imbróglio judicial.
Em janeiro de 1974, Ali teve sua revanche contra Frazier no Madison Square Garden, em Nova York, vencendo por decisão dos árbitros após 12 rounds.
Em 30 de outubro do mesmo ano, aconteceu a famosa luta contra George Foreman, no Zaire, quando Ali recuperou o cinturão dos pesos pesados nocauteando o adversário no oitavo round.
Ali vs. Foreman no Zaire. Luta icônica que rendeu um filme.

Outra briga de Ali foi contra o racismo, relacionando-se diretamente com líderes da causa, como Martin Luther King e Malcolm X. Em sua biografia, ele conta que certa vez negaram lhe servir em um restaurante, mesmo apresentando-se como campeão olímpico, apenas por ser negro. Irritado, atirou a medalha de ouro no Rio Ohio. Em 1996, foi homenageado na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Atlanta. Além de carregar a tocha olímpica, recebeu uma réplica da medalha que ganhou em 1960.
Em 1999, foi eleito "O Desportista do Século" pela revista americana Sports Illustrated. Este foi apenas um dos diversos prêmios que ganhou em reconhecimento aos seus feitos. Em seus 21 anos de carreira profissional foram 56 vitórias, sendo 37 por nocaute, e apenas cinco derrotas.
FRASES DA LENDA


Algumas frases que marcaram a vida de Muhammad Ali:

- Eu odiava cada minuto dos treinos, mas dizia para mim mesmo: Não desista! Sofra agora e viva o resto de sua vida como um campeão. 


- Aquele que não tem coragem suficiente para aceitar os riscos, não irá conquistar nada na vida. 



- Impossível é apenas uma grande palavra usada por gente fraca, que prefere viver no mundo como está em vez de usar o poder que tem para mudá-lo. Impossível não é um fato, é uma opinião. Impossível não é uma declaração, é um desafio. Impossível é hipotético. Impossível é temporário. 



- Quanto mais nós ajudamos os outros, mas nós ajudamos a nós mesmos.

Fonte: ESPN

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Pelos que se foram... Pelos que ainda estão aqui




E mais um aviso aos desavisados. Não sou como muitos dos "afro-oportunistas de 20 de Novembro", que vomitam piadas e brincadeiras racistas o ano todo, mas querem bancar os "politicamente corretos", "conscientes" etc. quando lhes convém. Muito menos como os pseudo-injustiçados que se sentem prejudicados pelas cotas, pelo Bolsa-Família, pelo Minha Casa, Minha Vida, por todas as ações afirmativas quesão NOSSAS conquistas, e não um beneplácito do PT, e ficam falando de "consciência humana", já que nunca sentiram na pele a "Sombra do Véu" (W.E.B. DuBois), o racismo que só quem é Negro de verdade sabe, sem precisar passar por escola nenhuma.
Quem me conhece sabe que eu sou isso aqui, "amo minha raça/luto pela cor/ o que quer que eu faça, é por nós/ por amor!" (Racionais MC's). Vivo, estudo e trabalho pra defender meu povo contra as injustiças, preconceitos, hipocrisias e o "apartheid disfarçado todo dia" (Adão Negro). É uma missão que abraço com muito orgulho, pois sei da minha importância enquanto professor e formador de opinião, ensinando com os livros e com os exemplos.
Falo e vou continuar falando, exaltando minha cor, denunciando quando houver necessidade e quem não quiser ler, poupe-me do trabalho, e exclua-me de suas redes sociais e do seu convívio. Garanto que gente assim não me fará a menor falta.
Minha amiga Joice C. Neres falou algo que eu não tinha pensado, ao falar sobre o feriado nacional de "Tiradentes", que em NADA acrescentou de fato para a história do país, mas é um feriado nacional, incontestável. Somos um país laico com dezenas de feriados cristãos, igualmente incontestáveis. Então, por que só o Dia da Consciência Negra depende da "boa vontade" dos governos de cada estado?
Por que tudo que se refere ao Negro precisa ter uma justificativa? Três séculos de escravidão e cinco séculos de racismo não são motivos suficientes?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Muhammad Ali completa 70 anos hoje

O Mito completa 70 anos nesta terça-feira
Nascido Cassius Marcellus Clay Jr., ou simplesmente "Cassius Clay", em Louisville, no Kentucky em 17 de janeiro de 1942, esta grande lenda do boxe se tornou um dos maiores ícones Negros dos Estados Unidos, ao defender os direitos civis das populações Negras, juntamente com Martin Luther King Jr., na década de 1960.
Após se converter ao Islã, Cassius Clay muda seu nome para Muhammad Ali. Além de ficar famoso por ser campeão mundial de boxe, outro fato célebre em sua vida foi quando se recusou a lutar no Vietnã, pois não havia nada contra os vietcongues e preferia se concentrar na luta contra o racismo dentro de seu próprio país.
No início da década de 1980, Muhammad Ali descobriu que tinha Parkinson, uma doença degenerativa incurável que o aflige até hoje. Ali esteve nas telas dos cinemas no famoso documentário Quando Éramos Reis, que mostra a promoção de uma luta sua contra George Foreman no Zaire; e no filme Ali, interpretado por Will Smith.
Parabéns ao grande mito do boxe, que sempre soube aliar esporte, marketing pessoal e a luta em prol da igualdade de direitos entre Negros e brancos nos Estados Unidos e, por que não, no resto do mundo!