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quinta-feira, 16 de maio de 2019

Racionais MC's - Homem Na Estrada



Um homem na estrada recomeça sua vida
Sua finalidade: A sua liberdade
Que foi perdida, subtraída
E quer provar a si mesmo que realmente mudou
Que se recuperou e quer viver em paz
Não olhar para trás, dizer ao crime: Nunca mais!
Pois sua infância não foi um mar de rosas, não
Na FEBEM, lembranças dolorosas, então

Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim
Muitos morreram sim, sonhando alto assim
Me digam quem é feliz, quem não se desespera
Vendo nascer seu filho no berço da miséria
Um lugar onde só tinham como atração
O bar e o candomblé pra se tomar a bênção
Esse é o palco da história que por mim será contada
Um homem na estrada
Equilibrado num barranco, um cômodo mal acabado e sujo
Porém, seu único lar, seu bem e seu refúgio
Um cheiro horrível de esgoto no quintal
Por cima ou por baixo, se chover será fatal

Um pedaço do inferno, aqui é onde eu estou
Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou
Numerou os barracos, fez uma pá de perguntas
Logo depois esqueceram, filha da puta!
Acharam uma mina morta e estuprada
Deviam estar com muita raiva (Mano, quanta paulada!)
Estava irreconhecível, o rosto desfigurado
Deu meia noite e o corpo ainda estava lá
Coberto com lençol, ressecado pelo Sol, jogado
O IML estava só dez horas atrasado

Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim
Quero que meu filho nem se lembre daqui
Tenha uma vida segura, não quero que ele cresça
Com um oitão na cintura e uma PT na cabeça
E o resto da madrugada sem dormir, ele pensa
O que fazer para sair dessa situação?
Desempregado então, com má reputação
Viveu na detenção, ninguém confia não
E a vida desse homem para sempre foi danificada
Um homem na estrada
Um homem na estrada
Amanhece mais um dia e tudo é exatamente igual
Calor insuportável, 28 graus
Faltou água, já é rotina, monotonia
Não tem prazo pra voltar, há! - Já fazem cinco dias
São dez horas, a rua está agitada
Uma ambulância foi chamada com extrema urgência
Loucura, violência, exagerado
Estourou a própria mãe, estava embriagado
Mas bem antes da ressaca ele foi julgado
Arrastado pela rua o pobre do elemento
Um inevitável linchamento, imaginem só!
Ele ficou bem feio, não tiveram dó
Os ricos fazem campanha contra as drogas
E falam sobre o poder destrutivo dela
Por outro lado promovem e ganham muito dinheiro
Com o álcool que é vendido na favela
Empapuçado ele sai, vai dar um rolê
Não acredita no que vê, não daquela maneira
Crianças, gatos, cachorros disputam palmo a palmo
Seu café da manhã na lateral da feira
Molecada sem futuro, eu já consigo ver
Só vão na escola pra comer, apenas nada mais
Como é que vão aprender sem incentivo de alguém
Sem orgulho e sem respeito, sem saúde e sem paz
Um mano meu tava ganhando um dinheiro
Tinha comprado um carro, até Rolex tinha!
Foi fuzilado a queima roupa no colégio
Abastecendo a playboyzada de farinha
Ficou famoso, virou notícia
Rendeu dinheiro aos jornais, ham!, cartaz à policia
Vinte anos de idade, alcançou os primeiros lugares
Superstar do Notícias Populares!
Uma semana depois chegou o crack
Gente rica por trás, diretoria
Aqui, periferia, miséria de sobra
Um salário por dia garante a mão-de-obra
A clientela tem grana e compra bem
Tudo em casa, costa quente de sócio
A playboyzada muito louca até os ossos
Vender droga por aqui, grande negócio

Sim, ganhar dinheiro ficar rico, enfim
Quero um futuro melhor, não quero morrer assim
Num necrotério qualquer, um indigente sem nome e sem nada
O homem na estrada
Assaltos na redondeza levantaram suspeitas
Logo acusaram a favela para variar
E o boato que corre é que esse homem está
Com o seu nome lá na lista dos suspeitos, pregada na parede do bar
A noite chega e o clima estranho no ar
E ele sem desconfiar de nada, vai dormir tranquilamente
Mas na calada caguetaram seus antecedentes
Como se fosse uma doença incurável
No seu braço a tatuagem, DVC, uma passagem, 157 na lei
Do seu lado não tem mais ninguém
A Justiça Criminal é implacável

Tiram sua liberdade, família e moral
Mesmo longe do sistema carcerário
Te chamarão para sempre de ex-presidiário
Não confio na polícia, raça do caralho!!!
Se eles me acham baleado na calçada
Chutam minha cara e cospem em mim é
Eu sangraria até a morte (já era, um abraço!)
Por isso a minha segurança eu mesmo faço
É madrugada, parece estar tudo normal
Mas esse homem desperta, pressentindo o mal
Muito cachorro latindo ele acorda ouvindo
Barulho de carro e passos no quintal
A vizinhança está calada e insegura
Premeditando o final que já conhecem bem
Na madrugada da favela não existem leis
Talvez a lei do silêncio, a lei do cão talvez
Vão invadir o seu barraco, é a polícia!
Vieram pra arregaçar, cheios de ódio e malícia
Filhos da puta, comedores de carniça!
Já deram minha sentença e eu nem tava na treta
Não são poucos e já vieram muito loucos
Matar na crocodilagem, não vão perder viagem
Quinze caras lá fora, diversos calibres
E eu apenas com uma treze tiros automática
Sou eu mesmo e eu, meu Deus e o meu Orixá
No primeiro barulho, eu vou atirar
Se eles me pegam, meu filho fica sem ninguém
E o que eles querem: Mais um pretinho na FEBEM
Sim, ganhar dinheiro ficar rico, enfim
A gente sonha a vida inteira e só acorda no fim
Minha verdade foi outra, não dá mais tempo pra nada
Bang! Bang! Bang!
Homem mulato aparentando
Entre vinte e cinco e trinta anos
É encontrado morto na estrada do
M'Boi Mirim sem número
Tudo indica ter sido acerto de contas entre quadrilhas rivais
Segundo a polícia, a vitima tinha vasta ficha criminal


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Racionais MC's - Racistas Otários


Racistas otários, nos deixem em paz
Pois as famílias pobres não aguentam mais
Pois todos sabem e elas temem
A indiferença por gente carente que se tem
E eles veem
Por toda autoridade o preconceito eterno
E de repente o nosso espaço se transforma
Num verdadeiro inferno e reclamar direitos
De que forma?
Se somos meros cidadãos
E eles o sistema
E a nossa desinformação é o maior problema
Mas mesmo assim enfim
Queremos ser iguais
Racistas otários, nos deixem em paz
Racistas otários, nos deixem em paz!
Justiça
Em nome disso, eles são pagos
Mas a noção que se tem
É limitada e eu sei
Que a lei
É implacável com os oprimidos
Tornam bandidos os que eram pessoas de bem
Pois já é tão claro que é mais fácil dizer
Que eles são os certos e o culpado é você
Se existe ou não a culpa
Ninguém se preocupa
Pois em todo caso haverá sempre uma desculpa
O abuso é demais
Pra eles tanto faz
Não passará de simples fotos nos jornais
Pois gente negra e carente
Não muito influente
E pouco frequente nas colunas sociais


Então eu digo meu rapaz
Esteja constante ou abrirão o seu bolso
E jogarão um flagrante num presídio qualquer
Será um irmão a mais
Racistas otários, nos deixem em paz



Racistas otários, nos deixem em paz!
Então a velha história outra vez se repete
Por um sistema falido
Como marionetes, nós somos movidos
E há muito tempo tem sido assim
Nos empurram à incerteza e ao crime enfim
Porque aí sim, certamente estão se preparando
Com carros e armas nos esperando
E os poderosos me seguram observando
O rotineiro Holocausto urbano

O sistema é racista, cruel
Levam cada vez mais
Irmãos aos bancos dos réus
Os sociólogos preferem ser imparciais
E dizem ser financeiro o nosso dilema
Mas se analisarmos bem mais, você descobre
Que negro e branco pobre se parecem
Mas não são iguais
Crianças vão nascendo
Em condições bem precárias
Se desenvolvendo sem a paz necessária

São filhos de pais sofridos
E por esse mesmo motivo
Nível de informação é um tanto reduzido
Não...
É um absurdo
São pessoas assim que se fodem com tudo
E que no dia a dia vive tensa e insegura
E sofre as covardias, humilhações, torturas
A conclusão é sua... KL Jay

Porém direi para vocês irmãos
Nossos motivos pra lutar ainda são os mesmos
O preconceito e desprezo ainda são iguais
Nós somos negros também temos nossos ideais
Racistas otários, nos deixem em paz
Racistas otários, nos deixem em paz!
Os poderosos são covardes, desleais
Espancam negros nas ruas por motivos banais
E nossos ancestrais
Por igualdade lutaram
Se rebelaram, morreram
E hoje o que fazemos?
Assistimos a tudo de braços cruzados
Até parece que nem somos nós os prejudicados
Enquanto você, sossegado, foge da questão
Eles circulam na rua com uma descrição
Que é parecida com a sua
Cabelo, cor e feição
Será que eles veem em nós um marginal padrão?

50 anos agora se completam
Da lei antirracismo na Constituição
Infalível na teoria
Inútil no dia a dia
Então que fodam-se eles com sua demagogia
No meu pais o preconceito é eficaz
Te cumprimentam na frente
E te dão um tiro por trás
"O Brasil é um pais de clima tropical
Onde as raças se misturam naturalmente
E não há preconceito racial..."
Nossos motivos pra lutar ainda são os mesmos
O preconceito e o desprezo ainda são iguais
Nós somos negros, também temos nossos ideais
Racistas otários, nos deixem em paz!


sábado, 5 de maio de 2018

Racionais MC's - Negro Drama



Negro drama
Entre o sucesso e a lama
Dinheiro, problemas
Inveja, luxo, fama
Negro drama
Cabelo crespo e a pele escura
A ferida, a chaga
À procura da cura
Negro drama
Tenta ver e não vê nada
A não ser uma estrela longe, meio ofuscada
Sente o drama,o  preço, a cobrança
No amor, no ódio,a insana vingança
Negro drama
Eu sei quem trama e quem tá comigo
O trauma que eu carrego pra não ser mais um preto fodido
O drama da cadeia e favela
Túmulo, sangue, sirene, choros e vela
Passageiro do Brasil, São Paulo, agonia 
Que sobrevivem em meio às honras e covardias
Periferias, vielas e cortiços
Você deve tá pensando o que você tem a ver com isso
Desde o início, por ouro e prata
Olha quem morre, então, veja você quem mata
Recebe o mérito, a farda que pratica o mal
Me ver
Pobre, preso ou morto já é cultural
Histórias, registros, escritos
Não é conto nem fábula
Lenda ou mito
Não foi sempre dito que preto não tem vez?
Então, olha o castelo, irmão
Foi você quem fez, cuzão
Eu sou irmão dos meus trutas de batalha
Eu era a carne, agora sou a própria navalha
Tin, tin, um brinde pra mim
Sou exemplo de vitórias
Trajetos e glórias, glorias
O dinheiro tira um homem da miséria
Mas não pode arrancar de dentro dele a favela
São poucos
Que entram em campo pra vencer
A alma guarda
O que a mente tenta esquecer
Olho pra trás, vejo a estrada que eu trilhei
Mó cota

Quem teve lado a lado
E quem só fico na bota


Entre as frases, fases e várias etapas
Do quem é quem
Dos mano e das mina fraca
Negro drama de estilo
Pra ser e se for
Tem que ser
Se temer é milho
Entre o gatilho e a tempestade
Sempre a provar
Que sou homem e não um covarde
Que Deus me guarde
Pois eu sei que ele não é neutro
Vigia os ricos, mas ama os que vêm do gueto
Eu visto preto por dentro e por fora
Guerreiro
Poeta entre o tempo e a memória, ora!
Nessa história, vejo o dólar
E vários quilates
Falo pro mano pra que não morra e também não mate
O tic-tac não espera, veja o ponteiro
Essa estrada é venenosa e cheia de morteiro
Pesadelo
É um elogio
Pra quem vive na guerra, a paz nunca existiu
Num clima quente, a minha gente sua frio
Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil
Um fuzil
Negro drama
Daria um filme:
Uma negra e uma criança nos braços
Solitária na floresta de concreto e aço
Veja

Olha outra vez o rosto na multidão
A multidão é um monstro sem rosto e coração
Em São Paulo, terra de arranha-céu
A garoa rasga a carne. é a Torre de Babel
Família brasileira, dois contra o mundo
Mãe solteira de um promissor vagabundo
Luz, câmera e ação: gravando!
A cena vai
Um bastardo
Mais um filho pardo, sem pai
Ei, Senhor de engenho
Eu sei bem quem você é
Sozinho, cê num guenta
Sozinho, cê num entra a pé
Cê disse que era bom e a favela te ouviu
Lá também tem
Whisky, Red Bull, tênis Nike e fuzil
Admito
Seus carro é bonito
É, eu não sei fazê
Internet, videocassete, os carro loco
Atrasado eu tô um pouco, sim
Tô, eu acho
Só que tem que
Seu jogo é sujo e eu não me encaixo
Eu sou problema de montão
De carnaval a carnaval
Eu vim da selva, sou leão
Sou demais pro seu quintal
Problema com escola, eu tenho mil, mil fitas
Inacreditável, mas seu filho me imita
No meio de vocês, ele é o mais esperto
Ginga e fala gíria
Gíria não, dialeto
Esse não é mais seu
Ó, subiu
Entrei pelo seu rádio, tomei, cê nem viu
Nós é isso ou aquilo
O quê?
Cê não dizia?
Seu filho quer ser preto?
Ahhh, que ironia!
Cola o pôster do 2Pac aí
Que tal? Que cê diz?
Sente o negro drama, vai
Tenta ser feliz
Ei bacana, quem te fez tão bom assim?
O que cê deu, o que cê faz,
O que cê fez por mim?
Eu recebi seu tic, quer dizer kit
De esgoto a céu aberto e parede madeirite
De vergonha eu não morri
To firmão, eis-me aqui
Você, não
Cê não passa quando o mar vermelho abrir
Eu sou o mano, homem duro
Do gueto, Brown
Obá
Aquele louco que não pode errar

Aquele que você odeia amar nesse instante
Pele parda,ouço funk
E de onde vem os diamantes?
Da lama!
Valeu mãe
 Negro drama!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Roteirista de Dear White People agradece ao boicote em massa

Repercussão negativa do trailer da série produzida pela Netflix faz milhões de usuários do serviço de streaming cancelarem suas assinaturas.

A série Dear Wihite People ainda nem estreou é já gerou polêmica ao liberar seu primeiro trailer. Baseada no filme de mesmo nome (no Brasil conhecido como Cara Gente Branca) a adaptação produzida pela Netflix conta a história de um grupo de estudantes negros que enfrentam diariamente o preconceito racial dentro de uma universidade predominada por alunos brancos. Estes satirizam os negros através da prática da blackface, na qual pessoas brancas pintam seus rostos de preto como forma deboche.
Na semana passada, foi liberado oprimeiro teaser e em questões de minutos já choveram críticas negativas. Muitos usuários cancelaram suas assinaturas do Netflix como forma de protesto a uma série que promove o genocídio aos brancos.
No YouTube, o teaser já passa dos 4 milhões de visualizações, e mais de 380 mil usuários o marcaram com um "não gostei". Segundo o IMDB (Internet Movie Database), a série recebeu a nota 6,3, que se comparada com as demais é uma nota bem inferior.
Justin Simien, diretor do filme e roteirista da adaptação para a Internet, usou sua página no Facebook para agradecer e responder a todos que cancelaram suas assinaturas por considerarem Dear White People como uma série anti-brancos:
“Obrigado por me ajudarem a fazer o teaser da série se tornar o vídeo mais visto na história da Netflix!”
“A igualdade se sente como opressão aos privilegiados e, portanto, três palavras benignas devem enviá-los em uma luta por sua própria existência, mas eles não estão em perigo real. Qual é o meu papel como artista? Criar histórias. Histórias nos ensinam empatia. Eles nos colocam nas peles de outras pessoas. Todo o nosso conceito de realidade é baseado em histórias. Então conte a sua história. Diga a verdade inconveniente. É a única coisa que nos salvou”., declarou.
Dear White People tem co-produção da Lionsgate Television (a mesma das premiadas Orange Is The New Black e Mad Men: Inventando Verdades) e estreia no dia 28 de Abril na Netflix. Serão 10 episódios com a atriz Logan Browning, interpretando a protagonista Samantha White, e o ator Brandon P. Bell, repetindo o personagem Troy Fairbanks do filme.
Fonte: Blasting News

sábado, 14 de março de 2015

Mais Amor


That's my way, and I go
Esse é meu caminho, e nele eu vou
Eu gosto de pensar que a luz do sol
Vai iluminar o meu amanhecer.

Mas, se na manhã, o sol não surgir
Por trás das nuvens cinzas, tudo vai mudar
A chuva passará e o tempo vai abrir
E a luz de um novo dia sempre vai estar

Pra clarear você
Pra iluminar você
Pra proteger, pra inspirar
E alimentar você...

(Edi Rock & Seu Jorge)




terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Contra nós, ninguém será!



"Desde os tempos do nosso tatatataravô
Que eles vêm disseminando a discórdia entre os irmãos
Técnica avançada de colonizador,
Colocar um contra o outro, pra depois tocar o terror..."


Abrem-se os caminhos, de Edi Rock (Racionais MC's), Alexandre Carlo (Natiruts) e Marcelo Falcão (O Rappa)




quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Agradecer


Hoje, 20 de Novembro de 2014, eu só quero agradecer. Costumamos reclamar, protestar e reivindicar, mas, no calor da batalha, muitas vezes, esquecemos de agradecer às pessoas que possibilitaram que chegássemos até aqui.

Em primeiro lugar, sempre agradeço à minha mãe Maristela e ao meu pai Gilson, por nunca terem nos deixado faltar nada, apesar das grandes dificuldades que enfrentamos várias vezes. Por eu nunca ter passado um ano sequer fora da escola, ou deixado de estudar pra ajudar em casa, como eles tiveram de fazer. Eles me ensinaram que eu devia me esforçar pra ser sempre o melhor que eu pudesse, pois a vida é ainda mais difícil pra nós Negros. Me disseram que eu não podia sair de casa sem camisa ou sem identidade, nem ficar na rua até muito tarde. Que eu deveria evitar entrar em lojas, se não tivesse intenção de comprar, pois os olhares dos seguranças são bastante seletivos.

Agradeço aos que se foram e aos que ainda estão aqui:

Zumbi, Dandara, Ganga Zumba, e por extensão, a todos os quilombos brasileiros. Pessoas que não se submeteram ao poder patriarcal da colonização e resistiram enquanto puderam por uma vida justa e digna. Contra o jugo da escravidão, que transformava reis em prisioneiros.

Malcolm X, Martin Luther King Jr. e todo o Partido dos Panteras Negras, que, mesmo por meios diferentes, muitas vezes, até mesmo antagônicos, denunciaram a violenta segregação racial dos Estados Unidos e buscaram alternativas para que isso não mais ocorresse.

Luísa Mahin, ex-escravizada africana, mãe do abolicionista Luiz Gama e que participou ativamente de vários levantes de escravizados no Brasil do século XIX, como a Revolta dos Malês e a Sabinada, ambas em Salvador, e Maria Felipa, que lutou pela independência do Brasil na Bahia.

Nelson Mandela, uma das minhas maiores referências. O homem que sacrificou a juventude pelo ideal de ver uma África do Sul unida contra o Apartheid.

Abdias do Nascimento, Stuart Hall, Frantz Fanon, William DuBois, Amadou Hampaté Bâ, Elisa Lucinda, Bell Hooks, Angela Davis e toda a intelectualidade Negra mundial, que nos serve de ponto de partida para que tenhamos os elementos  teóricos necessários.

Bob Marley, Tupac Shakur, Racionais MC's, Ilê Aiyê e todas as pessoas que usam a música como manifesto político contra o racismo e as desigualdades sociais.

Mãe Menininha do Gantois, Mãe Stella de Oxóssi, Tia Ciata e todas as Ialorixás do Brasil, mulheres de muita força e coragem, que sustentam a tradição das religiões de matrizes africanas, apesar de todo o racismo travestido de Cristianismo.

Finalmente, a todos os espíritos ancestrais, por permitirem que nos encontremos com nossa própria história todos os dias, e por nos motivar a sair da cama, mesmo sabendo das adversidades que encontraremos pelo caminho. 

Se não fosse pela luta de cada um(a) de vocês, eu não sei se estaria aqui pra escrever isso.

Gill Nguni


terça-feira, 8 de abril de 2014

"Magia Negra", por Sérgio Vaz




B.B. King e sua lendária Gibson também são magia Negra!



Magia negra era o Pelé jogando, Cartola compondo, Milton cantando. Magia negra é o poema de Castro Alves, o samba de Jovelina…

Magia negra é Djavan, Emicida, Mano Brown, Thalma de Freitas, Simonal. Magia negra é Drogba, Fela Kuti, Jam. Magia negra é dona Edith recitando no Sarau da Cooperifa. Carolina de Jesus é pura magia negra. Garrincha tinhas duas pernas mágicas e negras. James Brown. Milton Santos é pura magia.

Não posso ouvir a palavra magia negra que me transformo num dragão.
Michael Jackson e Jordan é magia negra. Cafu, Milton Gonçalves, Dona Ivone Lara, Jeferson De, Robinho, Daiane dos Santos é magia negra.
Fabiana Cozza, Machado de Assis, James Baldwin, Alice Walker, Nelson Mandela, Tupac, isso é o que chamo de magia negra.

Magia negra é Malcolm X, Martin Luther King, Mussum, Zumbi, João Antônio, Candeia e Paulinho da Viola. Usain Bolt, Elza Soares, Sarah Vaughan, Billy Holliday e Nina Simone é magia mais do que negra.
Eu faço magia negra quando danço Fundo de Quintal e Bob Marley.
Cruz e Souza Zózimo, Spike Lee, tudo é magia negra neles. Umoja, Espírito de Zumbi, Afro Koteban…

É mestre Bimba, é Vai-Vai, é Mangueira todas as escolas transformando quartas-feira de cinza em alegria de primeira.

Magia negra é Sabotage, MV Bill, Anderson Silva.
Pepetela, Ondjaki, Ana Paula Tavares, João Mello… Magia negra.
Magia negra são os brancos que são solidários na luta contra o racismo.
Magia negra é o RAP, O Samba, o Blues, o Rock, Hip Hop de Africa Bambaataa.

Magia negra é magia que não acaba mais.
É isso e mais um monte de coisa que é magia negra.

O resto é feitiço racista.

(Retirado da página do Racionais MC's no Facebook)