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terça-feira, 7 de março de 2023

Sugestão de leitura: "A gente é da hora", de bell hooks

 


"Entre os meninos negros, aqueles que aprendem na primeira infância - muito antes de enfrentar um mundo branco hostil - que não são dignos encontrarão a mesma mensagem quando botarem o pé fora de casa.


Logo cairão em uma armadilha. Eles não são valorizados na vida familiar nem no mundo exterior. Muitas vezes, crianças negras ouvem  mulheres criticando homens negros com frases como 'ele não vale nada' ou 'não há um homem negro neste planeta com quem você possa contar'. 


Todas essas mensagens reforçam a noção de que ele é falho, de que nada que possa fazer o tornará inteiro. Tudo o que lhe é oferecido é uma vida de incompletude, na qual deve trabalhar duro para compensar tanto a 'falta' que os outros detectam nele como o seu próprio senso de vazio interior."

(hooks, bell. "A gente é da hora: Homens negros e masculinidade", p. 168).


Nem todos os capítulos são confortáveis de ler, mas é um livro essencial. Está me ajudando a entender a mim mesmo, a minha relação com meu filho, meus alunos, amigos etc. É preciso ter coragem pra reconhecer que tem um problema e discernimento pra saber a quem pedir ajuda.


#bellhooks #Livros #masculinidadenegra #Ubuntu #Ufanisi

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Morre a escritora bell hooks, aos 69 anos

 


A escritora feminista negra bell hooks  morreu hoje (15), aos 69 anos. A intelectual norte-americana já estava doente há algum tempo e faleceu em sua casa, em Berea, cercada de parentes e amigos. A passagem de bell hooks foi divulgado por sua sobrinha Ebony Motley, em um comunicado à imprensa. 


Glória Jean Watkins (seu nome de registro) nasceu em 25 de Setembro de 1952, em Hopkinsville, Kentucky, quarta filha entre 7 irmãos. O nome "bell hooks" foi inspirado na sua bisavó materna, Bell Blair Hooks. A letra minúscula é um posicionamento pessoal da autora que busca dar enfoque ao conteúdo da sua escrita e não à sua pessoa.


Seu primeiro livro "E eu não sou uma mulher? Mulheres negras e feminismo" foi publicado em 1981. Ao longo de sua carreira ela publicou mais de 40 livros, incluindo ensaios, poesia e livros infantis. Entre os temas tratados em sua obra destacam-se feminismo, racismo, cultura, papeis de gênero, amor e espiritualidade. 

Mestre em Língua Inglesa pela Universidade de Stanford e doutora em Literatura pela Universidade de Winsconsin, bell hooks chegou a frequentar escolas segregadas na infância. Em 2004, a autora retornou ao seu estado natal, Kentucky, para lecionar na Universidade de Berea. Em 2010, a instituição abriu o Instituto bell hooks, que abriga sua coleção de arte afro-americana, objetos pessoais e cópia de livros publicados em outros idiomas. O acervo já foi visitado por feministas históricas de jovens, como Gloria Steinem e Emma Watson.

Fonte: IG Delas

Veja também:

E eu não sou uma mulher?





segunda-feira, 8 de março de 2021

8 de Março - Dia Internacional da Mulher

 


Sobre as interseções entre gênero e raça, bell hooks é uma das maiores vozes. No trecho abaixo, hooks fala sobre o discurso de Sojourner Truth, mulher Negra ex-escravizada que respondeu à provocação de um homem branco durante a convenção anual do movimento pelos direitos das mulheres em Akron, Ohio, em 1852. O homem teria dito: "Eu não acredito que você é realmente uma mulher". As feministas brancas também acharam inadequado uma mulher Negra falar publicamente em um evento como aquele. Sojourner Truth, então, encarou todos os protestos de homens E de mulheres brancas e discursou:

"Penso que entre as negras do Sul e as mulheres do Norte, todas estão falando sobre direitos, os homens brancos logo, logo vão ter problemas. Mas sobre o que tudo isso aqui está falando? Que o homem lá fala que as mulheres precisam de ajuda para subir na carruagem, para passar sobre as valas e para ter os melhores lugares [...] e eu não sou uma mulher?
Olhem para mim! Olhem para o meu braço!
Eu lavrei e plantei e juntei os grãos no celeiro e nenhum homem conseguia passar na minha frente - e eu não sou uma mulher?
Eu conseguia trabalhar tanto quanto qualquer homem (quando conseguia trabalho), e aguentar o chicote também - e eu não sou uma mulher?
Pari cinco crianças e vi a maioria delas sendo vendidas para a escravidão, e quando chorei meu luto de mãe, ninguém além de Jesus me ouviu - e eu não sou uma mulher?"
(Sojourner Truth, citada por bell hooks, p. 252-253).