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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Muhammad Ali: Uma vida

 


"Flutue como uma borboleta, pique como uma abelha. As mãos não podem atingir o que os olhos não veem".

"Eu sou o maior. Eu disse isso antes mesmo de saber que era".

"Muhammad Ali: Uma vida" é a biografia que eu mais queria há muito tempo. Conta a trajetória do maior boxeador de todos os tempos, reverenciado pelos outros grandes lutadores, a exemplo de Mike Tyson, que era um de seus maiores fãs.

Tyson dizia que "o que Ali fez fora dos ringues foi maior do que o que fez dentro deles". Isso é verdade. Ali conseguiu fama sendo um lutador implacável, mas se notabilizou pelos seus posicionamentos contundentes contra o racismo e pelo empoderamento Negro. Chegou a perder seus títulos no boxe por ter se recusado a servir o exército estadunidense na guerra do Vietnã, afirmando que seu verdadeiro inimigo estava na América.

Ao se converter ao Islamismo, rejeitou seu "nome de escravo" Cassius Marcellus Clay Jr., assim como Malcolm X tinha feito, por exemplo.

Em suas quase 800 páginas, o livro se divide em três partes, cobrindo tudo de mais importante sobre a vida de Ali, baseada em extensa pesquisa em entrevistas , documentos e gravações do FBI. Sim, aquela agência que perseguiu diversas personalidades Negras dos anos 60/70, como Angela Davis, Martin Luther King Jr., Malcolm X e os Panteras Negras.

Muhammad Ali foi um homem muito forte. Para além do físico. É uma das minhas maiores inspirações.


terça-feira, 7 de outubro de 2025

"Malês", um filme necessário

 

Fiquei feliz em ver que Antônio Pitanga finalmente conseguiu. Há anos, eu acompanhava as notícias sobre as dificuldades de financiamento que ele enfrentou pra realizar esse filme.

"Malês" conta a história da Revolta dos Malês, ocorrida entre 24 e 25 de janeiro de 1835, em Salvador. Foi o maior levante de escravizados da história do Brasil e um dos maiores da América, mesmo sem ter acontecido plenamente como planejado.

Os Malês eram Negros muçulmanos vindos, principalmente, da Nigéria e que tinham uma grande organização e sentimento próprio de identidade, a ponto de arrecadar dinheiro para comprar a alforria dos que ainda estavam escravizados. Eram alfabetizados, falavam árabe e o Islã era a base de tudo, apesar de recorrerem a outras nacionalidades africanas que também se encontravam por aqui.

Antônio Pitanga, diretor do filme, é Pacífico Licutan, um dos mentores intelectuais do movimento. Seus filhos Camila e Rocco também atuam e o historiador João José Reis, autor de "Rebelião Escrava no Brasil", o livro mais completo sobre o assunto, é creditado como responsável pela revisão histórica do filme.

"Malês" é forte e necessário como tem de ser. Ao assistir, você vai entender por que deu tanto trabalho pra que ele saísse.

O livro de João José Reis serviu como base teórica para o filme.


terça-feira, 19 de agosto de 2025

"Alma negra em pele branca?"



 Sobre a falta de ações práticas dos "brancos liberais" contra o Apartheid na África do Sul, em que consideravam qualquer iniciativa de autonomia negra algo "radical" (quase na linha do "racismo reverso" que muitos ainda acreditam até hoje), o que não os deixavam tão distantes dos conservadores que tanto criticavam, Steve Biko escreveu, em 1970:

"Os liberais se tornaram mestres no jogo de evasivas deliberadas. A pergunta 'o que posso fazer?' surge com muita frequência. Se pedir a eles que façam algo como deixar de usar os serviços em que haja segregação, sair da universidade e trabalhar em empregos subalternos como todos os negros, ou ainda denunciar e desafiar os regulamentos que lhes dão privilégios, sempre respondem: 'Mas isso não é realista!'. 

Embora tal afirmação possa ser verdade, esses exemplos servem apenas para demonstrar que, não importa o que um branco faça, a cor de sua pele - seu passaporte para o privilégio - sempre o colocará quilômetros à frente do negro. Portanto, em última análise, nenhum branco escapa de pertencer ao campo opressor."

BIKO, Steve. Escrevo o que eu quero, p. 37.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

"Escrevo o que eu quero", de Steve Biko

 


Steve Biko (1946-1977) foi um ativista sul-africano e um dos líderes na luta contra o Apartheid. Também foi um dos fundadores do Movimento da Consciência Negra na África do Sul e destacou-se por sua crença no empoderamento psicológico e político da população Negra como forma de resistir à opressão racial.

Seu pensamento e coragem inspiraram gerações em várias partes do mundo, apesar de sua vida ter sido tragicamente interrompida pelo regime racista que vigorava em seu país.

Biko desenvolveu um poderoso pensamento estratégico contra o Apartheid, a ponto de, segundo Nelson Mandela, o governo "ter de matá-lo para conseguir prolongar a vida do Apartheid."

Este livro é uma coletânea de textos escritos entre 1969 e 1972, enquanto Biko era ativo no Movimento da Consciência Negra. Conta com prefácio de Benedita da Silva e textos de Desmond Tutu e Sílvio Humberto, presidente do Instituto que leva o seu nome em Salvador.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Um século de Malcolm X

 


Hoje, Malcolm X completaria 100 anos de vida.

Para celebrar a data, resgatei uma fala histórica registrada no livro "Malcolm X Fala", da Ubu Editora.

No apelo aos chefes de Estado africanos, no Cairo, Egito, em julho de 1964, Malcolm disse:

"Nossos problemas são vossos problemas. Vivemos há mais de trezentos anos naquele covil americano de lobos racistas, sempre com medo de perder nossa integridade física e nossa vida. Recentemente, três estudantes do Quênia foram confundidos com Negros americanos e foram brutalmente espancados pela polícia de Nova York. Pouco depois, dois diplomatas de Uganda também foram espancados pela polícia de Nova York, que os confundiu com Negros americanos.

Se africanos são brutalmente espancados apenas por visitar a América, imaginem o sofrimento físico e psicológico de que padecem vossos irmãos e irmãs que vivem lá há mais de 300 anos.

Não importa de quanta independência os africanos desfrutem aqui no continente-mãe; ao visitarem a América, a menos que estejam usando seus trajes nacionais tradicionais em todos os momentos, vocês podem ser confundidos com um de nós e sofrer a mesma humilhação psicológica e mutilação física que são ocorrências cotidianas em nossa vida."

terça-feira, 13 de maio de 2025

Por que não comemoramos o 13 de maio

 


13 de maio de 2025. 137 anos da abolição formal da escravidão. Apesar disso, os homens Negros continuam sendo o principal alvo da violência urbana, seja institucional ou não, alvos do genocídio e do encarceramento em massa, disfarçados de "guerra contra as drogas". 

As mulheres Negras continuam na base da pirâmide, recebendo os menores salários. 

Somos a maioria da população, mas não somos representados na política, na mídia nem nos cargos de chefia das grandes empresas. Trocamos as correntes enferrujadas por correntes douradas, fingindo ser livres, enquanto ainda existe trabalho "análogo à escravidão" em várias partes do Brasil e do mundo.

O racismo é crime inafiançável e imprescritível, mas não conheço ninguém que realmente tenha sido punido.

A escravidão legalizada acabou, mas todas as pessoas que vivem hoje no Brasil são heranças de um passado que nunca esteve tão presente. Muitos têm sangue Negro nas veias; outros, nas mãos.

Muito a denunciar. Nada a comemorar.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Dia de Martin Luther King, posse de Trump e o pacto da branquitude

 


Hoje, 20 de janeiro, é celebrado, nos EUA, o Dia de Martin Luther King. Por uma infeliz ironia do destino, o dia que celebra o homem que se notabilizou pela luta contra o racismo e pelo sonho de convivência pacífica entre Negros e brancos é justamente a data da posse de Donald Trump, um dos mais notórios racistas do mundo pós-Segunda Guerra Mundial, que já chegou dizendo que vai acabar com qualquer coisa que faça referência a diversidade.

A própria formação do seu secretariado, com 11 bilionários brancos, donos dos principais conglomerados do país, já mostra que ele não estava brincando.

Tô lendo "O Pacto da Branquitude", de Cida Bento, e uma passagem me pareceu conveniente para o momento:

"Fala-se muito na herança da escravidão e nos impactos negativos para as populações Negras, mas quase nunca se fala na herança escravocrata e nos seus impactos positivos para as pessoas brancas."

Os bilionários (de lá, daqui ou de qualquer lugar do Ocidente) são descendentes diretos ou indiretos de quem saqueou, violentou e sequestrou milhões de pessoas na África, Ásia e América Latina ao longo de cinco séculos. E é por causa disso que o sonho de Luther King nunca esteve tão distante.

domingo, 12 de janeiro de 2025

O capitalismo sempre foi racial

 


"O capitalismo sempre foi racial. O capitalismo não seria a instituição econômica global que é hoje se não fosse pela escravidão, se não fosse pela colonização. E, de alguma forma, pensamos que são coisas separadas, mas, não são." 

(Angela Davis)

domingo, 2 de junho de 2024

Real no topo mais uma vez

 


Não gosto do Real Madrid por vários motivos, mas torço sempre pra que Vini Jr. vença tudo que disputar, inclusive a Bola de Ouro, que já deveria ter conquistado. Por ele, por Endrick e Mbappé que estão chegando, por Bellingham, Camavinga, Rüdiger, Rodrygo, Alaba e muitos outros jogadores Negros naquela Espanha racista. Não só por serem Negros, mas por serem os melhores no que fazem, mesmo que alguém sempre tente colocar um asterisco no talento deles.

Sim, eu sei do passado sujo do Real Madrid, inclusive, é um dos motivos de eu não gostar dele. Mas, por ironia do destino, hoje, ele é um dos times de "primeira prateleira" com maior quantidade de jogadores que fazem muita gente na Europa morrer de raiva. Só precisa se engajar melhor na luta contra o racismo de verdade, para além de cartazes e hashtags.

terça-feira, 14 de maio de 2024

14 de maio, o dia seguinte

 

O 14 de maio é um dia simbólico pra mim. Toda a minha pesquisa, toda a minha vida acadêmica, tudo que culminou com o meu livro Águas, Flores & Perfumes foi movido pela pergunta: o que aconteceu com as populações Negras depois da "abolição"? 

Percebemos que pouca coisa mudou, mesmo tantos anos depois. O racismo, a violência policial, as arbitrariedades jurídicas e a intolerância religiosa só se metamorfosearam e mudaram de nome de 1888 pra cá.

Ainda estamos por nossa própria conta.

sábado, 27 de abril de 2024

"FEMINISMOS EM DEBATE: Reflexões sobre a Organização do Movimento de Mulheres Negras em Salvador", de Silvana Bispo

 


Finalmente saiu o livro da minha amiga/irmã Silvana Bispo! Segue o resumo e o link pra quem quiser adquirir no site da editora Dialética (a mesma que publicou o meu livro):

"FEMINISMOS EM DEBATE: Reflexões sobre a Organização do Movimento de Mulheres Negras em Salvador" é uma obra inspiradora que mergulha nas experiências do ativismo das mulheres negras no Brasil, com foco especial na vibrante cena de Salvador.

 Através de uma cuidadosa pesquisa e análise acadêmica, esta obra destaca as formas de (re)existências, trajetórias e lutas promovidas por cinco ativistas negras na capital baiana. As experiências dentro do Movimento Negro Unificado – MNU (sessão Bahia) são refletidas, ao passo do Grupo de Mulheres (GM). 

A autora, uma voz afirmativa e inspirada no movimento, oferece uma visão única das experiências vividas por mulheres negras, compartilhando narrativas pessoais e histórias de vida que refletem o cotidiano e a luta por pertencimento e reconhecimento dos feminismos negros. 

Este livro é uma homenagem ao movimento de mulheres negras brasileiras, uma celebração de suas vozes e um tributo às suas (re)existências. A obra apresenta as estratégias forjadas pelas ativistas negras no processo de afirmação de suas lutas e localizações político-sociais. A partir de uma perspectiva interseccional e valendo-se da história oral, vozes, histórias e memórias são registradas. Trata-se de uma obra fundamental para a compreensão da história das mulheres negras na Bahia e no Brasil e para o fortalecimento de múltiplas formas de luta pelo bem viver com igualdade e solidariedade racial, de classe e de gênero.


Link para o site da Editora Dialética

sábado, 13 de abril de 2024

Frederick Douglass: Em cinco discursos


 No Max (antigo HBO Max) e no Amazon Prime Video tem esse documentário sobre Frederick Douglass, ex-escravizado, escritor que acabou se tornando um dos maiores nomes na luta abolicionista e antirracista nos EUA, durante o século XIX. Sua autobiografia narrando os horrores do regime escravista, bem como sua fuga para o Norte, pouco antes da Guerra Civil, se tornou um best-seller, mas também o tornou um alvo.

O filme seleciona cinco, entre os inúmeros discursos que Douglass fez ao longo de sua trajetória, como pano de fundo pra contar um pouco sobre sua vida e sobre as últimas décadas de escravidão nos EUA. Jonathan Majors, Colman Domingo, Nicole Beharie, Bisa Butler, entre outros, se revezam na performance destes discursos, intercalados pelos depoimentos de professores e especialistas.

Dirigido por Julia Marchesi, o documentário tem 58 minutos e estreou em fevereiro de 2022.

domingo, 7 de abril de 2024

100 anos da Resposta Histórica do Vasco contra o racismo

 

Há um século, no dia 7 de abril de 1924, o então presidente do Vasco da Gama, José Augusto Prestes, endereçou um ofício a Arnaldo Guinle, presidente da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos) que passou para a posteridade como a "Resposta Histórica".

Quem vê o futebol hoje pode achar que sempre foi um esporte popular, dada a origem de grande parte dos jogadores e torcedores, mas quando ele chegou ao Brasil, entre o final do século XIX e início do século XX, era extremamente elitista. Só os homens brancos e "de boa família" poderiam jogar (sobre o assunto, leia "O Negro no futebol brasileiro", de Mário Filho).

Neste contexto, os grandes clubes do Rio de Janeiro da época, América, Botafogo, Flamengo e Fluminense, não fugiam à regra e só aceitavam jogadores brancos. O Fluminense, inclusive, tem a polêmica do pó de arroz, mas isso fica pra outro dia...

Fato é que o Vasco, que surgiu para o futebol alguns anos depois dos citados, contrariou essa lógica desde o início, e tinha jogadores Negros e operários em seus quadros. Claro que isso desagradou os clubes da "elite", principalmente após o título vascaíno em 1923 pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres, desbancando os quatro favoritos.

 A AMEA, então, foi criada, com a intenção de excluir os pretos e pobres do futebol e, na figura dos seus filiados, redigiu um documento obrigando o Vasco a demitir 12 jogadores, sob pena de não ser aceito na nova federação.

Como diz o documento acima, a diretoria Cruzmaltina decidiu, por unanimidade, não acatar a ordem, por conhecer a origem dos atletas e por reconhecimento ao título recém-conquistado. Assim, como represália, a liga principal seguiu sem o Vasco, que acabou se sagrando campeão da LMDT de novo em 1924, desta vez, invicto.

Em 1925, dada a repercussão e o sucesso que o Vasco vinha fazendo, a AMEA resolveu admiti-lo, embora ainda desejasse que seus atletas fossem brancos, o que não aconteceu. Pelo contrário, pouco a pouco, as outras equipes também passaram a aceitar jogadores Negros e operários, e o futebol se popularizou, apesar do racismo seguir vivo e violento até hoje, 100 anos depois.

Abaixo, o post do Vasco da Gama nas redes sociais para celebrar a data:


"Coragem pra lutar pelo lado certo da história. Sempre.


Centenário da Resposta Histórica.


Por negros. Por operários.

Por Respeito. Igualdade. Inclusão.


'[...] São esses doze jogadores, jovens, quasi todos brasileiros, no começo de sua carreira, e o acto publico que os pode macular, nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que elles com tanta galhardia cobriram de glorias'


#CoragemPraLutar

#CentenárioRespostaHistórica

#VascoDaGama "


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

21 de fevereiro de 1965: há 59 anos, Malcolm X era assassinado

 


"Não se pode separar paz de liberdade porque ninguém consegue estar em paz a menos que tenha sua liberdade".

“Nosso método é: qualquer meio necessário. Esse é o nosso lema. Não estamos restritos a isso, ou confinados àquilo. Nós nos reservamos o direito de usar quaisquer meios necessários à proteção da nossa humanidade, ou para fazer com que o mundo nos veja e respeite como seres humanos. Quaisquer os meios necessários.”

Há 59 anos, Malcolm X foi assassinado enquanto discursava no Harlem, em circunstâncias que nunca foram bem esclarecidas até hoje. Também chamado de El-Hajj Malik El-Shabazz após sua conversão ao Islamismo, Malcolm acabou se tornando um dos maiores símbolos da autodefesa contra o racismo, contra a opressão capitalista e contra a violência policial nas comunidades Negras dos EUA e do mundo.
Seu corpo se foi, mas seu legado segue vivo.

domingo, 31 de dezembro de 2023

Nunca se acostume com a opressão


 "As pessoas se habituam a tudo. Quanto menos você pensar na opressão em que vive, maior será sua tolerância a ela. Depois de um tempo, as pessoas pensam que a opressão é o estado natural das coisas."

(Assata Shakur)

Gosto de ler biografias das pessoas que admiro porque, ao ver tudo que elas passaram, em tempos até piores que o nosso, isso dá esperança de que a gente pode superar também. Que mulher foda!

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Assata Shakur - Uma Autobiografia

 


A vida de Assata Shakur, nascida Joanne Chesimard, em 16 de julho de 1947,  é um poderoso testemunho da luta por liberdade. Natural de Nova York, Assata, além de tia e madrinha do rapper Tupac Shakur, militou nos Panteras Negras, no Exército de Libertação Negra, foi alvo do programa de contrainteligência do governo norte-americano contra os movimentos radicais negros, foi presa, fugiu da prisão, entrou na lista de “terroristas mais procurados” do FBI, e hoje vive em Cuba – acolhida como exilada política há cerca de quatro décadas. Sua história de vida e seus poemas – com frequência declamados nas recentes manifestações organizadas por militantes do Black Lives Matter – inspiram agora uma nova geração na luta contra o racismo e o capitalismo.

A recusa ao nome de batismo, e a adoção de outro que representasse seu espírito subversivo, foi expressão, em meio aos conturbados acontecimentos do final dos anos 60, de sua escolha política em se definir militante, em antagonismo contra um sistema que perpetuava desigualdades e opressões – não lhe cabia o nome que lhe fora legado pela escravidão. A liberdade que Assata buscava, no entanto, não poderia ser apenas uma conquista individual, mas necessariamente uma prática coletiva: a emancipação de todo o povo oprimido.

Em sua autobiografia, Assata Shakur entrelaça duas narrativas. Em uma, fala de sua infância e juventude como menina e mulher dentro da comunidade negra estadunidense entre as décadas de 1940 e 1970. Na outra, conta sua trajetória como ativista antirracista, sua passagem pelo Partido dos Panteras Negras e pelo Exército de Libertação Negra, e as estratégias do FBI que a levaram a ser injustamente condenada pela morte de um policial ocorrida durante a emboscada cinematográfica em que foi presa. 

O livro conta com prefácios de Angela Davis e Lennox Hinds, além de apresentação da historiadora Ynaê Lopes dos Santos.

domingo, 4 de junho de 2023

Os X-Men e os direitos civis

 


Os X-Men foram criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1963, em meio a todo o caótico cenário de racismo e da luta pelos direitos civis dos Negros e Negras nos EUA, por isso, sempre foi uma bela simbologia. Sempre será meu grupo preferido de heróis de quadrinhos.

O Professor X já foi comparado ao líder pelos direitos civis dos afro-americanos Martin Luther King Jr. , e Magneto, ao militante mais agressivo, Malcolm X. Os X-Men se referem muitas vezes ao "sonho de Xavier", o que leva a crer em uma referência à famosa frase de Martin Luther King, "Eu tenho um sonho". As revistas X têm com frequência mostrado mutantes como vítimas de violência, evocando o linchamento de afro-americanos na época anterior ao movimento pelos direitos civis americano.

Outra metáfora aos direitos civis relacionada aos X-Men diz respeito aos direitos dos LGBTQIA+. Foram feitas comparações com a situação mutante (incluindo a descoberta de seus poderes e a idade em que eles aparecem), e a homossexualidade. Isso foi demonstrado em uma cena do segundo filme dos X-Men, do diretor assumidamente homossexual Bryan Singer, em que Bobby Drake (Homem de Gelo) revela a seus pais ser mutante. Foi essa abordagem que levou o ator e ativista Sir Ian McKellen, que interpreta Magneto, a aceitar o papel. Além disso, o primeiro filme mostra uma cena em que o senador Robert Kelly diz que os mutantes devem ser proibidos de lecionar para crianças em escolas.

A história em quadrinhos ainda se envolveu, no início dos anos 1980, com a epidemia de AIDS, com uma longa subtrama sobre o Vírus Legado, uma doença aparentemente incurável que, a princípio, só afetava mutantes.

E temos também os casos de Estrela Polar que é homossexual e Mística que é bissexual. Sem contar com a relação de Hulkling com Wiccano e do também assumido Anole.

Recentemente foi lançado também o primeiro casamento gay da Marvel entre Estrela Polar (citado acima) e Kyle Jinadu, que há tempos já namoravam. A revista em questão é a "Astonishing X-Men #50".

No mês de junho, é celebrado o Dia do Orgulho LGBTQIA+, como forma de celebrar a diversidade e se impor contra a violência e o preconceito a quem é visto como "diferente", como aconteceu com os X-Men.

domingo, 21 de maio de 2023

Vinícius Jr. é alvo de racismo mais uma vez na Espanha

 


Cansado de nota de repúdio. Cansado de ler gente desejando "força", de ver gente indignada com o racismo na Espanha, mas fazendo a mesma coisa aqui no Brasil. Cansado de hashtags, de patch em camisa, de faixa em estádio...

Aconteceu (de novo) com @vinijr e infelizmente vai acontecer outras vezes com ele e com outros jogadores e jogadoras. Sabe por quê? Porque NINGUÉM quer que o racismo acabe se tiver que fazer o mínimo esforço pra isso. Nem mesmo os ditos "progressistas" e "aliados"

Meu papo é um só, desde o começo: O CLUBE deve ser exemplarmente punido com portões fechados, perda de pontos e até exclusão do campeonato ou rebaixamento nos casos de reincidência, mesmo que o criminoso seja preso. Só que nenhum clube aceitaria isso porque sabe que todos eles têm uma grande quantidade de racistas, sem vergonha nenhuma de mostrar que são. E pra eles, o que eu desejo é impublicável. 🔥🔥

Tô nessa há tempo demais pra acreditar que vai ser diferente dessa vez.

sábado, 15 de abril de 2023

Há 100 anos, Vasco iniciava campanha do 1º título de sua história

 

Os Camisas Negras, campeões de 1923.

O dia 15 de abril é simbólico na história do Vasco. Há 100 anos, nesta mesma data em 1923, o clube iniciava a campanha do primeiro título de sua trajetória no futebol, o Campeonato Carioca. A estreia foi contra o Andarahy, e as equipes empataram em 1 a 1 - Torterolli marcou o gol vascaíno.

O elenco de 1923 ficou marcado nas páginas do clube, não apenas pelo título. Conhecido como "Camisas Negras", o time marcou a luta do Vasco contra a discriminação racial e social no esporte. Se dentro de campo a equipe era formada por negros e pobres, em sua maioria, à beira do gramado a missão foi dada a um estrangeiro: Ramón Perdomo Platero.

Técnico pioneiro

O uruguaio chegou ao Brasil em 1919, após dirigir a seleção do Uruguai no Sul-Americano. Deixou boa impressão e foi contratado pelo Fluminense. Dois anos depois estava no Flamengo.

Ramón Platero ficou conhecido como o técnico que revolucionou a importância do condicionamento físico. Ele obrigava todos os jogadores a correrem diariamente entre os bairros da Tijuca e Vila Isabel, apenas como aquecimento. No fim do ano, o Vasco seria campeão com viradas e gols no segundo tempo das partidas.

Os jogadores foram escolhidos a dedo por Platero, que teve o apoio do Vasco. Tanto que o técnico participa da "Resposta Histórica" de 1924, quando o clube desistia de fazer parte da AMEA para manter no elenco atletas Negros e operários que não eram aceitos pela associação que incluía os principais clubes do Rio: Flamengo, Fluminense, Botafogo e América.

Torterolli

O meia Nicomedes da Conceição, conhecido como Torterolli, foi o autor do primeiro gol da campanha do título de 1923. Posteriormente, o Vasco ganhou o ponto do Andarahy, que incluiu um jogador sem inscrição naquele empate em General Severiano.

Fonte: GE




terça-feira, 14 de março de 2023

Em sentença inédita, torcedor é banido de estádios por três anos na Inglaterra por ofensas racistas nas redes

 

Ivan Toney, atacante do Brentfor, em jogo da Premier League — Foto: David Horton – CameraSport via Getty Images


Exatamente cinco meses após perseguir o atacante Ivan Toney com ofensas racistas, através das redes sociais do jogador do Brentford, um torcedor inglês de 24 anos foi condenado em última instância a três anos de afastamento dos estádios em todo o Reino Unido, além de proibição de viajar para assistir a jogos de futebol no exterior.

Ele também foi condenado a quatro meses de prisão, sentença que fica suspensa por dois anos. A condenação por crime de ódio no futebol, inédita no país, foi divulgada nesta terça-feira pela corte responsável pelo caso na região de Newcastle.


– Este resultado deixa claro que haverá consequências reais para aquelas pessoas que pensam que podem se esconder atrás do teclado e postar comentários de ódio – afirmou o chefe de polícia Mark Roberts, que lidera o grupamento de policiamento de futebol na região.


No dia 14 de outubro do ano passado, Ivan Toney brilhou com dois gols na vitória do Brentford sobre o Brighton. No dia seguinte, ele expôs os ataques racistas recebidos via redes sociais.


A polícia de Northumbria, na região de Newcastle, abriu investigação sobre o caso e conseguiu chegar até Robert Neill, morador de Blyth, uma cidade dos arredores.


Neill já tinha sido condenado em primeira instância no dia 25 de janeiro, mas recorreu da decisão. Agora, recebeu a sentença definitiva.


A condenação o proíbe de ir a qualquer jogo de futebol oficial no Reino Unido, desde a Premier League até jogos da quinta divisão, assim como partidas da seleção inglesa. Ele também não poderá viajar para o exterior para assistir a qualquer partida oficial.


A sentença é resultado da nova legislação relativa aos crimes de ódio online ligados ao futebol, que agora permite o banimento dos estádios por um tempo determinado.

Fontes: Globo Esporte/Observatório da Discriminação Racial