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domingo, 19 de outubro de 2025

Marrocos é campeão da Copa do Mundo Sub-20

 


Marrocos conquistou a primeira taça da Copa do Mundo Sub-20, neste domingo. No estádio Nacional Julio Martínez Prádanos, em Santiago, a seleção africana derrotou a Argentina por 2 a 0, com dois gols de Zabiri. Maiores vencedores do torneio, os sul-americanos perderam a chance de se isolar com sete títulos. 

A estrela da final foi Yassir Zabiri. O atacante de 20 anos foi para o jogo empatado na artilharia do torneio com outros três atletas, mas se isolou na liderança ao marcar duas vezes contra a Argentina. Ele abriu o placar aos 11 minutos com um golaço de falta e ampliou aos 28.

Fonte: GE

domingo, 2 de junho de 2024

Real no topo mais uma vez

 


Não gosto do Real Madrid por vários motivos, mas torço sempre pra que Vini Jr. vença tudo que disputar, inclusive a Bola de Ouro, que já deveria ter conquistado. Por ele, por Endrick e Mbappé que estão chegando, por Bellingham, Camavinga, Rüdiger, Rodrygo, Alaba e muitos outros jogadores Negros naquela Espanha racista. Não só por serem Negros, mas por serem os melhores no que fazem, mesmo que alguém sempre tente colocar um asterisco no talento deles.

Sim, eu sei do passado sujo do Real Madrid, inclusive, é um dos motivos de eu não gostar dele. Mas, por ironia do destino, hoje, ele é um dos times de "primeira prateleira" com maior quantidade de jogadores que fazem muita gente na Europa morrer de raiva. Só precisa se engajar melhor na luta contra o racismo de verdade, para além de cartazes e hashtags.

domingo, 7 de abril de 2024

100 anos da Resposta Histórica do Vasco contra o racismo

 

Há um século, no dia 7 de abril de 1924, o então presidente do Vasco da Gama, José Augusto Prestes, endereçou um ofício a Arnaldo Guinle, presidente da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos) que passou para a posteridade como a "Resposta Histórica".

Quem vê o futebol hoje pode achar que sempre foi um esporte popular, dada a origem de grande parte dos jogadores e torcedores, mas quando ele chegou ao Brasil, entre o final do século XIX e início do século XX, era extremamente elitista. Só os homens brancos e "de boa família" poderiam jogar (sobre o assunto, leia "O Negro no futebol brasileiro", de Mário Filho).

Neste contexto, os grandes clubes do Rio de Janeiro da época, América, Botafogo, Flamengo e Fluminense, não fugiam à regra e só aceitavam jogadores brancos. O Fluminense, inclusive, tem a polêmica do pó de arroz, mas isso fica pra outro dia...

Fato é que o Vasco, que surgiu para o futebol alguns anos depois dos citados, contrariou essa lógica desde o início, e tinha jogadores Negros e operários em seus quadros. Claro que isso desagradou os clubes da "elite", principalmente após o título vascaíno em 1923 pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres, desbancando os quatro favoritos.

 A AMEA, então, foi criada, com a intenção de excluir os pretos e pobres do futebol e, na figura dos seus filiados, redigiu um documento obrigando o Vasco a demitir 12 jogadores, sob pena de não ser aceito na nova federação.

Como diz o documento acima, a diretoria Cruzmaltina decidiu, por unanimidade, não acatar a ordem, por conhecer a origem dos atletas e por reconhecimento ao título recém-conquistado. Assim, como represália, a liga principal seguiu sem o Vasco, que acabou se sagrando campeão da LMDT de novo em 1924, desta vez, invicto.

Em 1925, dada a repercussão e o sucesso que o Vasco vinha fazendo, a AMEA resolveu admiti-lo, embora ainda desejasse que seus atletas fossem brancos, o que não aconteceu. Pelo contrário, pouco a pouco, as outras equipes também passaram a aceitar jogadores Negros e operários, e o futebol se popularizou, apesar do racismo seguir vivo e violento até hoje, 100 anos depois.

Abaixo, o post do Vasco da Gama nas redes sociais para celebrar a data:


"Coragem pra lutar pelo lado certo da história. Sempre.


Centenário da Resposta Histórica.


Por negros. Por operários.

Por Respeito. Igualdade. Inclusão.


'[...] São esses doze jogadores, jovens, quasi todos brasileiros, no começo de sua carreira, e o acto publico que os pode macular, nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que elles com tanta galhardia cobriram de glorias'


#CoragemPraLutar

#CentenárioRespostaHistórica

#VascoDaGama "


domingo, 7 de janeiro de 2024

Band transmitirá Copa Africana de Nações

 


A partir do dia 13 de janeiro, além da TV aberta, os canais digitais da Band transmitirão todos os 52 jogos da Copa Africana de Nações, a ser realizada na Costa do Marfim e com final prevista para o dia 11 de fevereiro. Você pode acompanhar tudo pelo Band Play, pelo site band.com.br ou pelo canal Esporte na Band No YouTube.

Está será a terceira edição no atual formato, com 24 seleções divididas em seis grupos:


Grupo A:
Costa do Marfim
Guiné-Bissau
Guiné Equatorial
Nigéria

Grupo B: 
Cabo Verde
Egito
Gana
Moçambique

Grupo C: 
Camarões
Gâmbia
Guiné
Senegal

Grupo D:
Argélia
Angola
Burkina Faso
Mauritânia

Grupo E:
África do Sul
Mali
Namíbia
Tunísia

Grupo F
RD Congo
Marrocos
Tanzânia
Zâmbia 


domingo, 21 de maio de 2023

Vinícius Jr. é alvo de racismo mais uma vez na Espanha

 


Cansado de nota de repúdio. Cansado de ler gente desejando "força", de ver gente indignada com o racismo na Espanha, mas fazendo a mesma coisa aqui no Brasil. Cansado de hashtags, de patch em camisa, de faixa em estádio...

Aconteceu (de novo) com @vinijr e infelizmente vai acontecer outras vezes com ele e com outros jogadores e jogadoras. Sabe por quê? Porque NINGUÉM quer que o racismo acabe se tiver que fazer o mínimo esforço pra isso. Nem mesmo os ditos "progressistas" e "aliados"

Meu papo é um só, desde o começo: O CLUBE deve ser exemplarmente punido com portões fechados, perda de pontos e até exclusão do campeonato ou rebaixamento nos casos de reincidência, mesmo que o criminoso seja preso. Só que nenhum clube aceitaria isso porque sabe que todos eles têm uma grande quantidade de racistas, sem vergonha nenhuma de mostrar que são. E pra eles, o que eu desejo é impublicável. 🔥🔥

Tô nessa há tempo demais pra acreditar que vai ser diferente dessa vez.

sábado, 15 de abril de 2023

Há 100 anos, Vasco iniciava campanha do 1º título de sua história

 

Os Camisas Negras, campeões de 1923.

O dia 15 de abril é simbólico na história do Vasco. Há 100 anos, nesta mesma data em 1923, o clube iniciava a campanha do primeiro título de sua trajetória no futebol, o Campeonato Carioca. A estreia foi contra o Andarahy, e as equipes empataram em 1 a 1 - Torterolli marcou o gol vascaíno.

O elenco de 1923 ficou marcado nas páginas do clube, não apenas pelo título. Conhecido como "Camisas Negras", o time marcou a luta do Vasco contra a discriminação racial e social no esporte. Se dentro de campo a equipe era formada por negros e pobres, em sua maioria, à beira do gramado a missão foi dada a um estrangeiro: Ramón Perdomo Platero.

Técnico pioneiro

O uruguaio chegou ao Brasil em 1919, após dirigir a seleção do Uruguai no Sul-Americano. Deixou boa impressão e foi contratado pelo Fluminense. Dois anos depois estava no Flamengo.

Ramón Platero ficou conhecido como o técnico que revolucionou a importância do condicionamento físico. Ele obrigava todos os jogadores a correrem diariamente entre os bairros da Tijuca e Vila Isabel, apenas como aquecimento. No fim do ano, o Vasco seria campeão com viradas e gols no segundo tempo das partidas.

Os jogadores foram escolhidos a dedo por Platero, que teve o apoio do Vasco. Tanto que o técnico participa da "Resposta Histórica" de 1924, quando o clube desistia de fazer parte da AMEA para manter no elenco atletas Negros e operários que não eram aceitos pela associação que incluía os principais clubes do Rio: Flamengo, Fluminense, Botafogo e América.

Torterolli

O meia Nicomedes da Conceição, conhecido como Torterolli, foi o autor do primeiro gol da campanha do título de 1923. Posteriormente, o Vasco ganhou o ponto do Andarahy, que incluiu um jogador sem inscrição naquele empate em General Severiano.

Fonte: GE




terça-feira, 14 de março de 2023

Em sentença inédita, torcedor é banido de estádios por três anos na Inglaterra por ofensas racistas nas redes

 

Ivan Toney, atacante do Brentfor, em jogo da Premier League — Foto: David Horton – CameraSport via Getty Images


Exatamente cinco meses após perseguir o atacante Ivan Toney com ofensas racistas, através das redes sociais do jogador do Brentford, um torcedor inglês de 24 anos foi condenado em última instância a três anos de afastamento dos estádios em todo o Reino Unido, além de proibição de viajar para assistir a jogos de futebol no exterior.

Ele também foi condenado a quatro meses de prisão, sentença que fica suspensa por dois anos. A condenação por crime de ódio no futebol, inédita no país, foi divulgada nesta terça-feira pela corte responsável pelo caso na região de Newcastle.


– Este resultado deixa claro que haverá consequências reais para aquelas pessoas que pensam que podem se esconder atrás do teclado e postar comentários de ódio – afirmou o chefe de polícia Mark Roberts, que lidera o grupamento de policiamento de futebol na região.


No dia 14 de outubro do ano passado, Ivan Toney brilhou com dois gols na vitória do Brentford sobre o Brighton. No dia seguinte, ele expôs os ataques racistas recebidos via redes sociais.


A polícia de Northumbria, na região de Newcastle, abriu investigação sobre o caso e conseguiu chegar até Robert Neill, morador de Blyth, uma cidade dos arredores.


Neill já tinha sido condenado em primeira instância no dia 25 de janeiro, mas recorreu da decisão. Agora, recebeu a sentença definitiva.


A condenação o proíbe de ir a qualquer jogo de futebol oficial no Reino Unido, desde a Premier League até jogos da quinta divisão, assim como partidas da seleção inglesa. Ele também não poderá viajar para o exterior para assistir a qualquer partida oficial.


A sentença é resultado da nova legislação relativa aos crimes de ódio online ligados ao futebol, que agora permite o banimento dos estádios por um tempo determinado.

Fontes: Globo Esporte/Observatório da Discriminação Racial

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Morre o Rei Pelé, aos 82 anos

 


A família ainda não divulgou detalhes sobre o velório, mas uma estrutura foi montada na Vila Belmiro nos últimos dias para receber a vigília. O sepultamento ocorrerá em Santos.

O Atleta do Século estava internado desde 29 de novembro no hospital Albert Einstein, em São Paulo. A internação aconteceu em virtude de uma infecção respiratória após ele contrair Covid-19 e para a reavaliação do tratamento de um câncer no cólon. Na tarde desta quinta, o hospital anunciou a morte do Rei.

- O Hospital Israelita Albert Einstein confirma com pesar o falecimento de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, no dia de hoje, 29 de dezembro de 2022, às 15h27, em decorrência da falência de múltiplos órgãos, resultado da progressão do câncer de cólon associado à sua condição clínica prévia. O Hospital Israelita Albert Einstein se solidariza com a família e todos que sofrem com a perda do nosso querido Rei do Futebol.

Pelé passou por uma cirurgia no local em setembro de 2021 e desde então vinha sendo submetido a repetidas sessões de quimioterapia. No início de 2022, foram detectadas metástases no intestino, no pulmão e no fígado.

O maior jogador de futebol de todos os tempos estreou na Seleção em 1957, numa partida da Copa Roca contra a Argentina, quando também fez seu primeiro gol com a camisa amarelinha. Pela equipe brasileira, com apenas 17 anos, venceu a Copa do Mundo na Suécia, em 1958.

Quatro anos depois, se machucaria na segunda rodada do Mundial do Chile, também vencido pelo Brasil. Após ser caçado em campo com duras faltas na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, ele comandou o lendário time brasileiro ao tricampeonato mundial em 1970, no México – é o único jogador a vencer três Copas.



Pelo Santos, Pelé é dono de marcas impressionantes: venceu dez vezes o Campeonato Paulista, torneio do qual foi o artilheiro por nove temporadas seguidas. Ainda foi bicampeão da Libertadores e do Mundial de clubes, em 1962 e 1963. Foi também com a camisa branca do Peixe que marcou seu milésimo gol, contra o Vasco, no Maracanã, no dia 19 de novembro de 1969.

Segundo números do Santos, Pelé marcou pelo clube 1.091 gols em 1.116 jogos.

Com a camisa canarinho, Pelé disputou 113 jogos e marcou 95 gols, de acordo com números da CBF. Nas contas da Fifa, que considera apenas jogos entre seleções, são 77 gols em 91 partidas.

Em toda a carreira, Pelé fez 1.282 gols em 1.364 partidas na contabilização feita pelo Santos. Nas redes sociais, o Rei dizia ter feito um a mais, 1.283.

Fonte: G1

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Marrocos faz a melhor campanha de uma seleção africana na Copa do Mundo


 

Marrocos fez história!

Primeira colocada do grupo, derrotou e eliminou grandes seleções europeias, como Bélgica, Espanha e Portugal. Não teve nada de zebra. Surpresa, talvez.

Em 92 anos de Copa do Mundo, nenhuma seleção africana (ou árabe, já que Marrocos é as duas coisas) chegou tão longe. Quando a Copa foi inventada, em 1930, o Marrocos que conhecemos sequer existia, assim como a maioria dos países africanos, ainda colonizados pela Europa. Grande parte deles conquistou sua independência entre as décadas de 1950 e 1960 (no caso de Marrocos, 1956).


Marrocos chegou à semifinal sem sofrer nenhum gol dos adversários, e só foi derrotado pela França, atual campeã. Não tem como exigir das seleções da África o nível técnico das seleções consagradas da Europa e América do Sul, mas a evolução é visível. Faltaram apenas dois jogos dessa vez. Me parece mera questão de tempo até que uma seleção africana alcance o topo do mundo.


Ah... Aproveitando o posto, hoje o Ufanisi completa 12 anos! Obrigado a todo mundo que o acompanha há tanto tempo ou que chegou a qualquer momento!

segunda-feira, 18 de julho de 2022

O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho

 


Meu auto-presente do Dia Mundial do Gill chegou! Um deles, pelo menos...


"[Depois do primeiro título do Vasco em 1923] os clubes finos, de sociedade, como se dizia, estavam diante de um fato consumado. Não se ganhava campeonato só com times de brancos.

 Um time de brancos, mulatos e pretos era o campeão da cidade. Contra esse time, os times de brancos não tinham podido fazer nada. Desaparecera a vantagem de ser de 'boa família ', de ser estudante, de ser branco.

 O rapaz de 'boa família ', o estudante, o branco tinha de competir, em igualdade de condições, com o pé-rapado, quase analfabeto, o mulato e o preto, para ver quem jogava melhor" (p.11).

O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho (o jornalista que batizou o Maracanã), é uma das principais referências no estudo da história do futebol brasileiro e do inevitável racismo dos seus primórdios. Fala sobre como o esporte mais popular do país chegou aqui totalmente branco e elitista, incluindo os clubes que, ironicamente, se declaram "clubes do povo" hoje. 

Apesar de não estar imune às críticas, este livro é leitura obrigatória pra quem gosta de futebol e se interessa por história e relações raciais.



domingo, 6 de fevereiro de 2022

Senegal é Campeão da Copa Africana de Nações!




A seleção de Senegal bateu o Egito nos pênaltis, após um 0x0 durante o tempo normal e na prorrogação, e se tornou campeã da Copa Africana de Nações pela primeira vez em sua história. O atacante senegalês Sadio Mané fechou a série em 4x2, mesmo depois de ter perdido um pênalti no tempo regulamentar e foi eleito o Melhor Jogador da CAN. 

Edouard Mendy, goleiro do Chelsea, que defendeu uma das cobranças egípcias e já havia conquistado o prêmio de Melhor Goleiro do Mundo, ganhou o prêmio de Melhor Goleiro da competição

Vincent Aboubakar, de Camarões, pais-sede da Copa, foi o artilheiro.

Sadio Mané converteu a cobrança que garantiu o título de Senegal.


Em tempo: exigimos mais respeito da Bandeirantes ou de qualquer emissora que manifeste interesse em transmitir as próximas edições da Copa Africana de Nações. A única detentora dos direitos de transmissão no Brasil limitou-se a exibir apenas as partidas dos fins de semana durante quase toda a competição, mesmo dispondo do Band Sports na TV fechada. 

domingo, 9 de janeiro de 2022

Começou a Copa Africana de Nações!



 

A bola vai rolar neste domingo para a Copa Africana de Nações, o maior torneio de seleções do continente. Após ser adiada em 2021 por conta da Covid-19, a competição finalmente será disputada a partir deste fim de semana em Camarões. Veja a seguir as principais informações sobre o campeonato.

FORMATO DE DISPUTA

24 seleções são divididas em seis grupos de quatro, com as duas primeiras colocadas de cada chave avançando. Além disso, os quatro melhores terceiros colocados no geral também garantem vaga entre 16 melhores, disputando, assim, as oitavas de final.

+ Veja a tabela e os jogos da Copa Africana de Nações

GRUPOS
Grupo A: Burkina Faso, Cabo Verde, Camarões e Etiópia
Grupo B: Guiné, Malawi, Senegal e Zimbábue
Grupo C: Comores, Gabão, Gana e Marrocos
Grupo D: Egito, Guiné-Bissau, Nigéria e Sudão
Grupo E: Argélia, Costa do Marfim, Guiné Equatorial e Serra Leoa
Grupo F: Gâmbia, Mali, Mauritânia e Tunísia


DATAS
O torneio começa neste domingo e irá até o início de fevereiro. A primeira fase vai do dia 9 de janeiro até o dia 20 de janeiro. O mata-mata começará três dias depois, com as oitavas de final sendo disputadas nos dias 23, 24, 25 e 26. As quartas de final serão entre os dias 29 e 30. As semifinais acontecem nos dias 2 e 3 de fevereiro, enquanto a decisão de terceiro lugar e a final serão no dia 6.

SEDES
Cinco cidades camaronesas foram escolhidas para sediar o torneio. Ao todo, seis estádios receberão os jogos.

Yaoundé (capital): Estádio Olembé e Estádio Ahmadou Ahidjo
Douala: Estádio Japoma
Garoua: Estádio Roumdé Adjia
Bafoussam: Estádio Kouekong
Limbe: Estádio Limbe Omnisport

+ Confira os jogadores mais valiosos da Copa Africana de Nações, que começa neste domingo

ESTRELAS
​Jogadores de grandes clubes do mundo estarão presentes na competição. Apesar da resistência de muitas equipes pelo fato do torneio acontecer durante a temporada europeia, as estrelas representarão suas seleções.

Dona da casa, Camarões conta com André Onana (Ajax) e Eric Maxim Choupo-Moting (Bayern de Munique). Uma das favoritas, Senegal tem Édouard Mendy (Chelsea), Kalidou Koulibaly (Napoli), Gana Gueye (PSG) e Sadio Mané (Liverpool). Gana conta com os irmãos Ayew, André (Al-Sadd) e Jordan (Crystal Palace). Marrocos terá Achraf Hakimi (PSG), enquanto Gabão contará com Pierre-Emerick Aubameyang (Arsenal).

Outra seleção que promete muito é o Egito, de Mohamed Salah (Liverpool), um dos principais jogadores do mundo atualmente. A Nigéria vem com Kelechi Iheanacho (Leicester) e Wilfried Ndidi (Leicester). Atual campeão, Argélia tem Riyad Mahrez (Manchester City) e Ismaël Bennacer (Milan). Na Costa do Marfim, os destaques são Eric Bailly (Manchester United), Franck Kessié (Milan), Nicolas Pépé (Arsenal) e Sébastien Haller (Ajax) e Wilfried Zaha (Crystal Palace).

ONDE ASSISTIR
A Copa Africana de Nações terá transmissão da Bandeirantes em rede aberta no Brasil. Neste domingo, estreia da competição, a emissora transmite as duas partidas do dia: Camarões x Burkina Faso, às 13h, e Etiópia x Cabo Verde, às 16h. Ambos os jogos no horário de Brasília.

Fonte: Lance

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

O racismo continua ganhando de goleada no Brasil



Dentro e fora de campo, os racistas seguem impunes, amparados por leis criadas por e para homens brancos. As penas contra o Brusque e contra um de seus principais diretores (Júlio Antônio Petermann, o presidente do Conselho Deliberativo do clube no momento do crime), pelas ofensas racistas proferidas ao jogador Celsinho, do Londrina, pela Série B do Campeonato Brasileiro, foram extremamente brandas.

O Brusque havia perdido 3 pontos, mas recorreu ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) e teve a pena revertida para apenas um jogo de portões fechados e pagamento de multa. Como se não bastasse a recuperação dos pontos, nesta luta que o Brusque trava contra o rebaixamento para a Série C, o jogo sem torcida vai ficar para 2022, já que não há mais tempo hábil para o cumprimento da pena ainda este ano. A punição, que já era leve desde o início, se tornou irrisória.

Não adianta criar hashtags em placas de publicidade ou em uniformes. Não adiantam "campanhas educativas".  Não adianta se dizer "antirracista" (já tô pegando ranço dessa palavra...) se, na hora em que as instituições que gerem o futebol e a justiça desportiva podem punir exemplarmente os casos de discriminação no futebol, elas se acovardam e dão penas meramente simbólicas. Sempre defendo que qualquer punição a casos de violência no futebol seja direcionada ao clube também, não apenas aos agressores. Só assim, os próprios clubes também se interessem em coibir estas práticas. Até mesmo os outros torcedores ao redor, com medo de perderem o acesso ao estádio, se controlem.

Outro problema está na falta de diversidade nos órgãos diretivos do Brasil. Historicamente, todas as leis beneficiam, direta ou indiretamente, a manutenção do status quo. Nada muda porque não existe vontade de que nada mude de verdade. Os sete auditores (os 2 que votaram pela manutenção da pena e os 5 que optaram pela sua redução) eram homens brancos. Alguns relativizaram, dizendo que a ofensa de Júlio Antônio Petermann não teria sido tão grave assim, como se houvesse uma escala ou parâmetro nos impactos que o racismo pode causar em um homem Negro. 

O próprio Brusque se apressou em defender seu diretor, fazendo o que os racistas rotineiramente fazem: transferindo a culpa do racismo à vítima, com aquele velho e asqueroso discurso sobre "vitimismo". Só voltou atrás e o afastou depois da enxurrada de críticas recebidas por todos os lados. 

Pelo que o STJD deixou transparecer, às vésperas do Dia da Consciência Negra, jogar um copo plástico no campo ou criticá-la publicamente parece ser mais grave que um ato deliberadamente racista de um dirigente contra um jogador no meio de uma partida. O Brusque pode até estar lutando contra o rebaixamento, mas o racismo segue líder e invicto no campeonato.

Os cinco auditores que votaram para diminuir a punição foram: Felipe Bevilacqua, Mauro Marcelo, Luiz Felipe Bulus, Ivo Amaral e Sérgio Martinez.

Sobre o assunto, leia mais detalhes no Blog da Gabriela Moreira no GE.


quarta-feira, 2 de junho de 2021

Zé Roberto revela ter vendido carro por causa das constantes abordagens policiais

 



Aposentado dos gramados, Zé Roberto tem se dedicado ao mundo fitness e as palestras após sua carreira no futebol. No último domingo (30), o ex-jogador participou do podcast PodPah e de forma bem cronológica relembrou episódios da sua trajetória dentro e fora das quatro linhas.

Entre as histórias, o ex-Palmeiras contou quando comprou um Eclipse GS, na cor verde, inspirado em Dener, que adquiriu o veículo antes de Zé Roberto. Na ocasião, o então jogador da Portuguesa começava a despontar para o cenário do futebol nacional. Dener morreu em acidente no seu eclipse em 1994 quando já era jogador do Vasco.

Entretanto, como Zé Roberto relatou, a compra do carro acabou se tornando uma verdadeira dor de cabeça. O problema, segundo ele, era que ao sair da Penha para visitar a namorada, hoje atual esposa, que morava em São Miguel Paulista, ambos bairros da Zona Leste da capital paulista, ele era “parado três vezes”.

“Sem sacanagem! Eu era parado pela polícia três vezes. […] Se eu não era parado, os caras [policiais] me seguiam e quando eu chegava na porta da casa dela [namorada] os caras: ‘Mão para cabeça! Sai [do carro]’! De quem é o carro?’”, relata.

“Isso foi muito constrangedor para mim. Isso fez com que eu vendesse o carro em três meses. Porque eu não tinha sossego”, completa.

Sobre o episódio, Zé Roberto ainda fez uma reflexão e lamentou ter vendido o carro por conta das seguidas abordagens.

“Não poder ter um carro que você sonha porque você é preto e eles [policias] quando me paravam achavam que eu estava com o carro por ele ser roubado”, lamenta.

Por ter morado fora do Brasil, na Espanha, Alemanha e Catar, o ex-Palmeiras ressaltou que no exterior não sofreu nenhum episódio de racismo.

“Não sofri racismo nenhum! Nem preconceito por ser estrangeiro. Mas vivi isso [racismo] dentro do meu País”, frisa.

“O mais triste ainda é que se passaram 20 anos e a gente continua com as mesmas coisas. Eu costumo dizer que o racismo é um câncer que vai ser difícil achar a cura”, finaliza.

Revelado pela Portuguesa, Zé Roberto saiu do Brasil direto para o Real Madrid. Mas foi na Alemanha que o seu perfil versátil dentro de campo fez sucesso com passagens por Bayer Leverkusen, Bayern de Munique e Hamburgo. Já no Brasil, o ex-jogador vestiu as camisas de Santos, Grêmio e Palmeiras, disputando ainda duas Copas do Mundo pela Seleção Brasileira (1998 e 2006).

Fontes: Isto É/ Observatório da Discriminação Racial no Futebol


sábado, 27 de março de 2021

Barbosa, 100 anos!


 Se estivesse vivo, Barbosa completaria um século de vida neste sábado. Moacir Barbosa é simplesmente o maior goleiro da história do Vasco e, sem dúvida, um dos maiores da história do futebol brasileiro. Em sua galeria de troféus, constam 6 títulos cariocas, numa época em que ainda não existia o Campeonato Brasileiro, então os estaduais tinham um status muito maior que o de hoje. Além disso, foi campeão invicto do Campeonato Sul-Americano de Campeões em 1948 (o primeiro título internacional de um clube brasileiro), um "embrião" do que viria a ser a Taça Libertadores da América alguns anos mais tarde; foi campeão sul-americano com a Seleção, em 1949 e do Torneio Rio-São Paulo de 1958, sendo o goleiro menos vazado destes e de vários outros torneios, inclusive os que o Vasco não se sagrou campeão.

Em 1950, Barbosa foi o goleiro do Vasco no primeiro título da história do Maracanã, o que garantiu ao clube o direito de escolher o lado em que sua torcida se posicionaria para sempre, quando atuasse naquele que era, à época, o maior estádio do mundo. No mesmo ano, o arqueiro foi o líder de "clean sheets" (quando um goleiro não sofre gols durante uma partida) na fatídica Copa do Mundo em que o Brasil foi derrotado pelo Uruguai.

O dia 16 de julho de 1950, no entanto, ficou marcado na vida de Barbosa e de todos os goleiros Negros do Brasil depois disso. Brasil x Uruguai se enfrentaram pela final da Copa do Mundo e os uruguaios venceram por 2x1, causando uma enorme frustração nos brasileiros. O gol de Ghiggia atormentou Barbosa pelo resto da sua vida. Ele costumava repetir a frase: " a pena máxima de um criminoso no Brasil é 30 anos. Eu  já paguei 49 anos (em 1999) e vocês ainda estão me cobrando?"

A verdade é que Barbosa foi considerado o principal "culpado" pela derrota da Seleção na Copa porque existe a máxima de que goleiro não pode falhar. Como o futebol não é um mundo à parte do resto da sociedade, a mesma máxima se aplica aos homens Negros. Nós não podemos errar, pois não teremos segunda chance. Devemos lembrar que o futebol tinha finalmente "aceitado" a presença de jogadores pretos e pobres há pouco menos de 30 anos, justamente com o Vasco e a sua famosa Resposta Histórica, em que o clube se recusou a excluir estes jogadores do seus quadros, no início dos anos 1920, apesar da pressão dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro à época (Flamengo, Fluminense, Botafogo e América), e teve, como punição, sua desfiliação da entidade que regia o Campeonato Carioca.

Barbosa morreu em 7 de abril de 2000. Curiosamente, esta é a data em que a Resposta Histórica foi publicada, em 1924.



Na esteira do punitivismo racista que se abate sobre os indivíduos Pretos, nossas falhas são generalizadas, enquanto os erros e crimes dos brancos são particularizados. Isto é, quando um Negro erra, é como se todos errassem ou vão errar do mesmo jeito no futuro. Essa situação gerou um estigma de que homens Negros não possuem vocação para ser goleiro. O advogado, professor, filósofo e pós-doutor em Direito Sílvio Almeida, filho do goleiro Barbosinha do Corinthians, disse que seu pai tinha esse apelido em alusão a Barbosa, o que carregava com muito orgulho. Sempre ficava a impressão de que ele iria errar na hora mais decisiva de alguma partida importante: "Vejam como o futebol trata a questão racial. Vejam como é permitido no futebol o livre mercado do ódio. Parece que as pessoas vão ao estádio com passe livre para ofender racialmente trabalhadores. Há uma espécie de pacto silencioso para que no futebol as ofensas raciais sejam absorvidas. A imprensa esportiva também absorve e difunde o racismo no futebol", acrescentou numa entrevista ao UOL.

 Poucos goleiros Negros tiveram oportunidade nos clubes de elite do Brasil e menos ainda na Seleção Brasileira. Tanto que, depois de Barbosa, apenas dois goleiros Negros assumiram a titularidade em copas. Manga, em 1966 e Dida em em 2006, após amargar a reserva nas copas de 1998 e de 2002, foram as exceções. Jefferson, goleiro do Botafogo, chegou a assumir a camisa 1 após a Copa de 2014, mas não foi mais convocado. Em relação aos clubes, com o título de 2020, o jovem (e contestado) Hugo do Flamengo foi apenas o 13° goleiro Negro a conquistar um título atuando como titular, em 50 anos de Campeonato Brasileiro. Ao mesmo tempo, pense na quantidade de goleiros brancos que já passaram pelos clubes e pela Seleção desde 1950. Quantos falharam? Quantos foram "cancelados" pelo resto da vida?
 Nem mesmo Júlio César, o goleiro do 7x1 contra a Alemanha, a maior derrota da história do Brasil em copas, sofreu esse estigma. Os outros goleiros brancos continuam sendo convocados sem problema. O gol que Barbosa sofreu não foi nenhuma falha clamorosa. Mesmo que tivesse sido, um lance isolado jamais poderá ser mais importante que todas as atuações que ele fez ao longo de quase 20 anos de carreira.

Obrigado, Barbosa! Seu legado será eterno, principalmente para os vascaínos que não esquecem de tudo o que você conquistou. A imagem que está gravada na memória é a do homem que se acostumou a levantar troféus.



sábado, 2 de janeiro de 2021

Os Leopardos do Zaire, de 1974

 
Modelo retrô da camisa usada pela seleção do Zaire na Copa do Mundo de 1974.


Os "Leopardos do Zaire" (atual República Democrática do Congo) estão na história do futebol por terem sido o primeiro país da África Subsaariana a disputar uma Copa do Mundo, que foi realizada em 1974, na Alemanha Ocidental.


O presidente do Zaire na época, Joseph Mobutu  era um ex-jornalista e grande entusiasta de esportes, tendo conseguido hospedar a Luta do Século do boxe entre Mohammad Ali e George Foreman no país no mesmo ano de 1974. Para a seleção de futebol, o presidente prometeu carros, casas e férias no exterior para os jogadores, caso eles conseguissem a vaga para a Copa do Mundo.


A seleção conseguiu se classificar, mas, após perder o primeiro jogo da Copa pra Escócia por 2x0, os jogadores descobriram que não receberiam o que foi prometido. Como protesto e boicote, a equipe (que ameaçou abandonar a Copa) entrou em campo, mas não ofereceu resistência à Iugoslávia, levando uma das maiores goleadas da história das copas: 9x0.


O presidente Mobutu, então, enviou guardas até o hotel onde a delegação estava hospedada e mandou avisar que eles seriam proibidos de voltar ao país em caso de nova goleada contra o Brasil. O Zaire perdeu por 3x0, o governo parou de investir no futebol, o país nunca mais conseguiu disputar outra Copa do Mundo e os jogadores caíram no ostracismo.


Essa camisa é uma homenagem a uma das seleções mais injustiçadas da história do futebol.

O Zaire foi alvo de piadas por quem não conhecia sua história na Copa de 1974.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

O injustiçado Balotelli

Vamos lá...
Não queria começar o ano falando sobre esse assunto, mas o racismo não tira férias.
Mario Balotelli, que, atualmente, defende o Brescia, na Itália, foi alvo de mais uma manifestação racista durante a partida contra a Lazio (sempre a Lazio...). A partida foi interrompida por alguns minutos, conforme a nova determinação, mas, pra variar, não deu em nada.
Esses casos se proliferam na Europa e apenas os personagens mudam. Só aqui no Ufanisi já publiquei diversos casos, embora eu deteste fazê-lo. O roteiro e o desfecho são sempre os mesmos. A UEFA e a FIFA não tomam medidas efetivas, insistem com as mesmas campanhas "educativas" que não afetam ninguém.

Sobre Balotelli, proponho uma reflexão: se é extremamente difícil ser Negro no Brasil, se já é uma luta constante ser Negro em Salvador, uma das cidades mais Negras do planeta, imagina o que é ser um italiano Negro. Imagina subir pra aquecer antes de uma partida pela sua seleção e alguém, supostamente de sua própria torcida, gritar que "não há italianos Negros", como se tornou comum. Nenhum órgão da justiça ou das entidades que regem o futebol está realmente preocupado em combater o racismo e, tal qual acontece por aqui, transfere a culpa para a vítima. A imprensa tem grande participação nisso também, porque aborda de forma tímida e superficial o tema e também responsabiliza Balotelli por não ter equilíbrio emocional para lidar com as críticas e "provocações" dos adversários.

Balotelli é visto como "problemático", como "marrento", "bad boy", entre outras coisas, justamente por não se submeter, por não ficar em silêncio sobre o racismo, desde que começou a despontar para o futebol. Esse é o argumento que muitos usam pra tentar justificar a perseguição que o acompanha por onde quer que ele vá. Muita gente prefere ver o Negro em posição de submissão. Prefere se solidarizar com aquele que chora e demonstra fraqueza, não com o homem que tira a camisa e exibe os músculos, expressão séria no rosto e nenhuma comemoração após o gol.

Incomoda saber que Mario Balotelli é rico, bem-sucedido, já jogou Copa do Mundo, mantém projetos sociais e vive da maneira que quer, ostenta simplesmente pra mostrar que pode, e que seu lugar é onde ele quiser. Quem é Negro de verdade sabe que a "Sombra do Véu" está sempre presente, não importa o quão rico ou famoso você seja. O problema sempre foi racial. Só que Balotelli parte para o confronto e expõe a hipocrisia daqueles que tem o poder para mudar a situação de fato, mas nunca fazem nada. 

Sempre que falo sobre racismo no futebol, defendo punições exemplares aos CLUBES, além dos infratores. Os clubes não se empenham tanto quanto deveriam, já que não há nenhuma punição severa, e os racistas não estariam lá se os clubes não existissem, logo, sua responsabilidade é direta. Em casos explícitos como o que ocorreu na partida entre Lazio x Brescia, o time deveria ser punido com portões fechados, perda de pontos, exclusão ou rebaixamento da competição, da mesma forma que aconteceria em casos de violência física generalizada. Falta aos gestores (todos eles brancos) a convicção de que o racismo é um ato de violência tão grave quanto uma lesão corporal. Não adianta lamentar e levantar cartazes contra o racismo sempre que uma situação surgir, mas permitir que os criminosos mantenham sua rotina.


segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Transcrição da aula sobre racismo estrutural do professor Roger Machado

Roger, do Bahia e Marcão, do Fluminense, vestindo a camisa do Observatório Contra a Discriminação Racial no Futebol.


A entrevista que o treinador do Bahia, Roger Machado, concedeu após a derrota da sua equipe para o Fluminense repercutiu muito mais que o resultado da partida, principalmente, porque não é comum alguém expor as obviedades do "racismo à brasileira" assim, ao vivo. Aproveitando o Dia do Professor, segue a transcrição que fiz da sua resposta sobre a campanha do Observatório Contra a Discriminação Racial no Futebol, e que acabou se tornando uma verdadeira aula sobre o racismo institucional no futebol e na sociedade como um todo:




Não deveria chamar atenção e ter uma repercussão grande dois treinadores Negros estarem se enfrentando na área técnica, depois de terem tido uma passagem como protagonistas dentro do campo. Pra mim, isso é a prova de que existe um preconceito, porque é algo que chama atenção, à medida em que a gente tem mais de 50% da população Negra e a proporcionalidade que se representa não é igual.

Eu acho que a gente tem que refletir e se questionar: se não há preconceito no Brasil, por que é que os Negros “conseguem” ter um nível de escolaridade menor que o dos brancos?
Por que  70% da população carcerária é Negra? Por que  quem mais morrem são os jovens Negros no Brasil? Por que  os menores salários entre os brancos e Negros são pros Negros? Entre as mulheres brancas e Negras, são pras Negras?  Entre as mulheres, por que quem mais morrem são as mulheres Negras?

Há diversos tipos de preconceito. Nas conquistas pelas mulheres, por exemplo, hoje, nós vemos mulheres no esporte, como você [falando com a jornalista do Fox Sports], mas quantas mulheres Negras têm comentando esporte? Então, nós temos que nos perguntar: Se não há preconceito no Brasil, qual é a resposta que tem relacionada a isso?



Pra mim, nós vivemos um preconceito estrutural. Institucionalizado. E quando eu respondo pras pessoas que eu nunca sofri preconceito diretamente, a ofensa, a injúria, ela é só um sintoma dessa grande causa social que nós temos. Porque a responsabilidade é de todos nós, mas a culpa desse atraso, depois de 388 anos de escravidão é do Estado. Porque é através dele que essas políticas públicas que, nos últimos 15 anos, foram institucionalizadas e resgataram a autoestima dessas populações, que, ao longo de muitos anos, tiveram negado o acesso a assistências básicas, elas estão sendo retiradas nesse momento.

Na verdade, esses casos que estão havendo agora de aumento de feminicídio , homofobia, os casos diretos de preconceito racial, como eu disse, é um sintoma, porque a estrutura social é racista. Ela sempre foi racista. Porque nós temos um sistema de crenças e regras que é estabelecido pelo poder. E o poder é o poder do Estado, é o poder das comunicações, é o poder da igreja.

Quando esses poderes não enxergam ou não querem aceitar  e assumir que o racismo existiu e que precisa haver uma correção nesse curso, muitas vezes dizem que nós estamos nos “vitimando” ou que há um “racismo reverso”. Mas a bem da verdade é que 10 milhões de indivíduos foram escravizados. Mais de 25 gerações. Isso passou pelo Brasil Colônia, pelo Império e só mascarou no Brasil República. E a gente precisa falar sobre isso. Nós precisamos sair da fase da negação.

Nós negamos: “não, eu não falo sobre isso porque não existe racismo no Brasil”, em cima do mito da democracia racial. Negar e silenciar é confirmar o racismo. E a minha posição, que eu ocupo hoje, como  um Negro na elite do futebol brasileiro é pra confirmar isso. O maior preconceito que eu senti não foi o de “injúria racial”. Eu sinto que há preconceito quando eu vou no restaurante e só tem eu de Negro. Na faculdade que eu fiz, só tinha eu de Negro. E isso é a prova pra mim.
Mas, mesmo assim, rapidamente, quando a gente fala disso, ainda tentam dizer: “não há racismo, ta vendo? Você tá aqui. Você é a prova de que não há racismo”. Não, eu sou a prova de que há racismo porque eu tô aqui.

(Roger Machado, técnico do Bahia, em 12 de outubro de 2019)