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domingo, 15 de março de 2026

Coleção África e os africanos

 


A Editora Vozes lançou uma coleção em 12 volumes de livros que abordam as mais diversas temáticas referentes ao continente africano, sua cultura, filosofia, religião, entre outros aspectos. Comprei três deles: África Bantu, Filosofia Bantu e Religiões Africanas.



Filosofia Bantu é uma referência fundamental para o debate so­bre a filosofia africana e é am­plamente reconhecido como o texto fundador da etnofilosofia. Placide Tempels demonstra a existência de um pensamento metafísico entre os povos ban­tu, baseado na ideia de que a realidade é dinâmica e que ser é força. Contrastando essa visão com a concepção ocidental do ser, ele revela como as rela­ções entre indivíduos, ances­trais e o universo se estrutu­ram por meio de forças que se influenciam mutuamente.

África Bantu introduz, em cinco capítulos temáticos, os leitores a diversos métodos e abordagens de coleta e análise de dados para escrever as histórias de povos e sociedades cujo passado remoto não foi, muitas vezes, preservado em documentos escritos. Assim, a reconstrução da história antiga Bantu deve apoiar-se no uso de múltiplas metodologias e abordagens. Evidências foram retiradas da linguística, da genética, da arqueologia, das tradições orais, da história da arte e da etnografia comparada. O objetivo desta obra é oferecer aos alunos uma compreensão da história do mundo Bantu, no longo prazo, em áreas que os leitores podem identificar como cultural, política, religiosa, econômica e social.




Religiões Africanas oferece um panorama das tradições religiosas do continente africano, assim como do cristianismo e do islamismo ali presentes. Concentra-se na diversidade de grupos étnicos, línguas, culturas e visões de mundo, enfatizando a diversidade regional do continente. O autor examina uma ampla gama de tradições religiosas africanas em seus próprios termos e em seus contextos sociais, culturais e políticos. Assim, o livro vai além das descrições etnográficas e interpretações de crenças e práticas centrais para observar como a religião africana tem engajado questões de desenvolvimento socioeconômico e relações de poder.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Muhammad Ali: Uma vida

 


"Flutue como uma borboleta, pique como uma abelha. As mãos não podem atingir o que os olhos não veem".

"Eu sou o maior. Eu disse isso antes mesmo de saber que era".

"Muhammad Ali: Uma vida" é a biografia que eu mais queria há muito tempo. Conta a trajetória do maior boxeador de todos os tempos, reverenciado pelos outros grandes lutadores, a exemplo de Mike Tyson, que era um de seus maiores fãs.

Tyson dizia que "o que Ali fez fora dos ringues foi maior do que o que fez dentro deles". Isso é verdade. Ali conseguiu fama sendo um lutador implacável, mas se notabilizou pelos seus posicionamentos contundentes contra o racismo e pelo empoderamento Negro. Chegou a perder seus títulos no boxe por ter se recusado a servir o exército estadunidense na guerra do Vietnã, afirmando que seu verdadeiro inimigo estava na América.

Ao se converter ao Islamismo, rejeitou seu "nome de escravo" Cassius Marcellus Clay Jr., assim como Malcolm X tinha feito, por exemplo.

Em suas quase 800 páginas, o livro se divide em três partes, cobrindo tudo de mais importante sobre a vida de Ali, baseada em extensa pesquisa em entrevistas , documentos e gravações do FBI. Sim, aquela agência que perseguiu diversas personalidades Negras dos anos 60/70, como Angela Davis, Martin Luther King Jr., Malcolm X e os Panteras Negras.

Muhammad Ali foi um homem muito forte. Para além do físico. É uma das minhas maiores inspirações.


segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Ganhadores, a greve Negra na Bahia, de João José Reis




Em Ganhadores , o historiador João José Reis reconstitui a história dos negros de ganho, ou ganhadores, protagonistas de uma insólita greve que paralisou o transporte na capital baiana durante vários dias em 1857.

Esses trabalhadores escravizados, libertos ou livres, todos africanos ou seus descendentes, se organizavam em grupos de trabalho e percorriam a cidade de cima a baixo fazendo todo tipo de serviço, sobretudo o carrego de pessoas e objetos ou a venda de alimentos e outras mercadorias. Em 1857, porém, a Câmara Municipal baixou uma postura impondo-lhes medidas que combinavam arrocho fiscal e controle policial. Mas os ganhadores, que já viviam dia e noite sob a vigilância e a violência de autoridades, senhores e “cidadãos de bem”, não se deixariam abater. O resultado foi a primeira mobilização grevista no Brasil a paralisar todo um setor vital da economia urbana.

Baseado em ampla investigação em documentos escritos, impressos e iconográficos, Ganhadores é um livro revelador e essencial para se compreender a intrincada rede de relações sociais, econômicas e culturais que estruturava a sociedade baiana do século XIX, ancorada na instituição da escravidão e caracterizada por um sistema de controle baseado numa economia de favores e domínio paternalista.
Se o episódio de resistência aqui narrado trata mais especificamente da Bahia do século XIX, ele tem muito a dizer sobre as relações e opressões sociais e raciais no Brasil de hoje.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

"Malês", um filme necessário

 

Fiquei feliz em ver que Antônio Pitanga finalmente conseguiu. Há anos, eu acompanhava as notícias sobre as dificuldades de financiamento que ele enfrentou pra realizar esse filme.

"Malês" conta a história da Revolta dos Malês, ocorrida entre 24 e 25 de janeiro de 1835, em Salvador. Foi o maior levante de escravizados da história do Brasil e um dos maiores da América, mesmo sem ter acontecido plenamente como planejado.

Os Malês eram Negros muçulmanos vindos, principalmente, da Nigéria e que tinham uma grande organização e sentimento próprio de identidade, a ponto de arrecadar dinheiro para comprar a alforria dos que ainda estavam escravizados. Eram alfabetizados, falavam árabe e o Islã era a base de tudo, apesar de recorrerem a outras nacionalidades africanas que também se encontravam por aqui.

Antônio Pitanga, diretor do filme, é Pacífico Licutan, um dos mentores intelectuais do movimento. Seus filhos Camila e Rocco também atuam e o historiador João José Reis, autor de "Rebelião Escrava no Brasil", o livro mais completo sobre o assunto, é creditado como responsável pela revisão histórica do filme.

"Malês" é forte e necessário como tem de ser. Ao assistir, você vai entender por que deu tanto trabalho pra que ele saísse.

O livro de João José Reis serviu como base teórica para o filme.


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Sugestões de leitura

 

Dois clássicos!

"Como a Europa subdesenvolveu a África", do historiador e líder teórico do pan-africanismo Walter Rodney, detalha o impacto da escravidão e do colonialismo na história da África. Escrita em 1972 e publicada agora pela primeira vez em língua portuguesa, a obra, considerada uma obra-prima da economia política, argumenta que o inabalável “subdesenvolvimento” africano não é um fenômeno natural, e sim um produto da exploração imperial do continente, prática que continua até hoje. Um dos principais argumentos ao longo do livro é o de que a África desenvolveu a Europa na mesma proporção em que a Europa deliberadamente subdesenvolveu o continente africano.

Rodney detalha as formas de exploração econômica de diversos povos e regiões, primeiro como fornecedores de mão de obra escravizada e, depois, como mão de obra assalariada extremamente subvalorizada. Além disso, aborda como se deu a intervenção direta do modo de produção capitalista nas práticas econômicas típicas de cada povo e região, na divisão sexual do trabalho tradicional dos povos africanos e na educação formal durante o colonialismo.



Em "A nova era do império", o sociólogo britânico Kehinde Andrews reconstrói a história do Ocidente para demonstrar que racismo, xenofobia e afetos correlatos não são fenômenos regressivos ou anacrônicos. Pelo contrário, longe de significarem o retorno a um passado que a modernidade teria há tempos enterrado, eles seguem presentes, como substrato da sensibilidade cotidiana e cimento de nossa estrutura social.

Assolada por uma crise de representatividade sem precedentes, desprovida de utopias que possam conter o avanço predatório do capitalismo e sob a ameaça iminente da emergência climática, a civilização ocidental procura uma saída que não pode mais ser oferecida por nenhuma de suas (des)ilusões de progresso. “É a chance de recusar a próxima atualização de sistema do imperialismo, destruir o hard drive e criar uma estrutura inteiramente nova para o sistema político e econômico mundial.”

quarta-feira, 30 de julho de 2025

"Escrevo o que eu quero", de Steve Biko

 


Steve Biko (1946-1977) foi um ativista sul-africano e um dos líderes na luta contra o Apartheid. Também foi um dos fundadores do Movimento da Consciência Negra na África do Sul e destacou-se por sua crença no empoderamento psicológico e político da população Negra como forma de resistir à opressão racial.

Seu pensamento e coragem inspiraram gerações em várias partes do mundo, apesar de sua vida ter sido tragicamente interrompida pelo regime racista que vigorava em seu país.

Biko desenvolveu um poderoso pensamento estratégico contra o Apartheid, a ponto de, segundo Nelson Mandela, o governo "ter de matá-lo para conseguir prolongar a vida do Apartheid."

Este livro é uma coletânea de textos escritos entre 1969 e 1972, enquanto Biko era ativo no Movimento da Consciência Negra. Conta com prefácio de Benedita da Silva e textos de Desmond Tutu e Sílvio Humberto, presidente do Instituto que leva o seu nome em Salvador.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Homens pretos (não) choram e A Cor Púrpura

 


Livros pra desidratar nas férias. Muita coisa pra ler, mas faço questão de compartilhar cada livro que compro como uma sugestão de leitura pra quem por acaso se interessar. Dessa vez, como comprei os dois ao mesmo tempo, resolvi fazer um post só, apesar dele acabar ficando um pouco mais longo que os demais.


O homem negro tem espaço para ser vulnerável? Esse homem pode chorar e existir ao mesmo tempo?

Com três contos inéditos, nesta nova edição de Homens pretos (não) choram , Stefano Volp joga luz sobre as feridas, os medos e a solidão do homem, sobretudo o negro, para buscar respostas sobre uma sociedade incapaz de compreender as vulnerabilidades e sutilezas que existem para além da imagem que se constrói das pessoas.

Homens pretos (não) choram é uma coletânea de contos “quarentênicos”, idealizados e escritos durante o isolamento social, que trazem uma visão contemporânea sobre a masculinidade.

Os dez contos são repletos de emoção e sinceridade, e mostram como o homem, sobretudo o negro, vive à mercê de estereótipos pré-concebidos pela sociedade e se esconde atrás de seus medos, angústias e solidão.

A edição revisada de A cor púrpura, a obra-prima de Alice Walker vencedora do Pulitzer e um dos mais importantes títulos de toda a história da literatura.

Alguns dos personagens mais marcantes da literatura norte-americana recente estão neste livro – ganhador do Pulitzer e do American Book Award –, que inspirou a obra-prima cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg e o aclamado musical da Broadway, adaptado para o cinema.

A cor púrpura, ambientado no Sul dos Estados Unidos, entre os anos 1900 e 1940, conta a história de Celie, mulher negra, pobre e semi analfabeta. Brutalizada desde a infância, a jovem foi estuprada pelo padrasto e forçada a se casar com Albert, um viúvo violento, pai de quatro filhos, que enxergava a esposa como uma serviçal e fazia dos sofrimentos físicos e morais sua rotina.

Durante trinta anos, Celie escreve cartas para Deus e para a irmã Nettie, missionária na África. Os textos têm uma linguagem peculiar, que assume cadência e ritmo próprios à medida que Celie cresce e passa a reunir experiências, amores e amigos. Entre eles está a inesquecível Shug Avery, cantora de jazz e amante de Albert.

Apesar da dramaticidade do enredo, A cor púrpura é uma história sobre mudanças, redenção e amor. A partir da vida de Celie, a aclamada escritora Alice Walker tece críticas ao poder dado aos homens em uma sociedade que ainda hoje luta por igualdade entre gêneros, raças e classes sociais. Eleito pela BBC um dos 100 romances que definem o mundo, A cor púrpura é um retrato da vivência da mulher negra na época da segregação racial, cujos reflexos ainda estão presentes na nossa sociedade.



quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Sugestão de leitura: "A Tragédia da Injustiça Branca", de Marcus Garvey

 


🔴⚫🟢 A Tragédia da Injustiça Branca, publicado pela Editora Ananse (@editorananse), é uma obra escrita por Marcus Mosiah Garvey enquanto ele estava preso em 1927, por uma falsa acusação do governo dos EUA.

Este livro de poesias oferece uma reflexão profunda sobre a opressão sofrida pelos povos pretos, ao mesmo tempo em que se apresenta como um chamado à ação, à emancipação e à autodeterminação. Garvey, ao falar sobre a finalidade deste livro, afirmou que o objetivo era "dar ao Negro um pensamento, com a esperança de inspirá-lo para a libertação de si mesmo dos terríveis tentáculos do preconceito e da exploração da raça".

Por meio de sua poesia, Garvey transforma suas ideias em uma forma de arte poderosa, dando voz às suas convicções de maneira que transcende o tempo.

sábado, 31 de agosto de 2024

40 livros Afrocentrados para ler

 


Achei essa lista no Facebook e ampliei com alguns livros que eu tenho. É uma boa iniciação sobre os assuntos Afrikanos, sem intermediários.

1- Nações Negras e Cultura: Cheikh Anta Diop

2- História da África Negra: Joseph Ki-Zerbo

3- Para quando a África?: Joseph Ki-Zerbo

4- Pele Negra, Máscaras Brancas: Frantz Fanon

5- Os Condenados da Terra: Frantz Fanon

6 - O Legado Roubado: George M. James

7- Procure por mim na tempestade: Marcus Garvey

8- A contribuição da África para o progresso da humanidade: Moisés Kamabaya

9- O renascimento da personalidade africana: Moisés Kamabaya

10- Áfricas Ocultas: Gabriel Ambrósio Winner

11- África Negra: História e Civilizações: Elikia Mbokolo

12- Das independências às Liberdades: Elias Ngoenha 

13-  Afrocentricidade - Melefi Kete Asante 

14- A Unidade Cultural da África Negra: Cheikh Anta Diop

15- A crítica da razão negra: Achille Mbembe

16- Afrocentricidade: Mukale

17- O cristianismo e as mutações sociais em Afrika: Mwanamossy

18 A Intersubjectividade: J.P. Castiano

19- Teologia Afrikana: Mbimbikhó Kikhõ e Mwandhi Mpulavi

20- Filosofia Afrikana: Mubiano Mpovela

21- Da Diáspora: Stuart Hall 

22- História da África Negra: Boubakar Namori Keita

23- As almas do povo negro: William E. B. Du bois

24- Yurugu: Marimba Ani

25- Tradição Africana e a Racionalidade Moderna: Pea Elgungu

26- MUNTUISMO: A ideia de pessoa na filosofia africana contemporânea:  Enzo Bono

27- A Consciência Histórica Africana: Ndaye Diop

28 - Cheikh Anta Diop ou a Honra de Pensar: Jean- Marc Ela

29- A Invenção de África: Yves Valetim Mudimbe

30- A Ideia de África:  Yves Valetim Mudimbe 

31- NIKETCHE: Uma História da Poligamia: Paulina Chiziane

32- O Alegre Canto da Perdiz: Paulina Chiziane

33 - A Des-Educação do Negro: Carter Woodson

34 - Na Casa de Meu Pai: Kwame Anthony Appiah

35 - Dicionário Yorubá - Português: José Beniste

36 - A Enxada e a Lança: Alberto da Costa e Silva

37 - O Atlântico Negro: Paul Gilroy

38 - Discurso sobre o Colonialismo: Aimé Césaire

39 - A Manilha e o Libambo: Alberto da Costa e Silva 

40 - Nelson Mandela: Longa caminhada até a liberdade (autobiografia)


sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Obaluaê tem as feridas transformadas em pipoca por Iansã

 


Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás.

Obaluaê não podia entrar na festa, devido a sua medonha aparência.

Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro.

Ogum, ao perceber a angústia do orixá, cobriu-o com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar os festejos.

Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava,  compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia.

Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão.

O xirê estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas equedes.

Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam sua pestilência.

Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaê pularam para o alto, transformadas em uma chuva de pipocas que se espalharam brancas pelo barracão.

Obaluaê, o deus das doenças, transformou-se num jovem belo e encantador.

Obaluaê e Iansã Igbalê tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.


(Reginaldo Prandi, Mitologia dos Orixás, p. 206-207)

terça-feira, 14 de maio de 2024

14 de maio, o dia seguinte

 

O 14 de maio é um dia simbólico pra mim. Toda a minha pesquisa, toda a minha vida acadêmica, tudo que culminou com o meu livro Águas, Flores & Perfumes foi movido pela pergunta: o que aconteceu com as populações Negras depois da "abolição"? 

Percebemos que pouca coisa mudou, mesmo tantos anos depois. O racismo, a violência policial, as arbitrariedades jurídicas e a intolerância religiosa só se metamorfosearam e mudaram de nome de 1888 pra cá.

Ainda estamos por nossa própria conta.

sábado, 27 de abril de 2024

"FEMINISMOS EM DEBATE: Reflexões sobre a Organização do Movimento de Mulheres Negras em Salvador", de Silvana Bispo

 


Finalmente saiu o livro da minha amiga/irmã Silvana Bispo! Segue o resumo e o link pra quem quiser adquirir no site da editora Dialética (a mesma que publicou o meu livro):

"FEMINISMOS EM DEBATE: Reflexões sobre a Organização do Movimento de Mulheres Negras em Salvador" é uma obra inspiradora que mergulha nas experiências do ativismo das mulheres negras no Brasil, com foco especial na vibrante cena de Salvador.

 Através de uma cuidadosa pesquisa e análise acadêmica, esta obra destaca as formas de (re)existências, trajetórias e lutas promovidas por cinco ativistas negras na capital baiana. As experiências dentro do Movimento Negro Unificado – MNU (sessão Bahia) são refletidas, ao passo do Grupo de Mulheres (GM). 

A autora, uma voz afirmativa e inspirada no movimento, oferece uma visão única das experiências vividas por mulheres negras, compartilhando narrativas pessoais e histórias de vida que refletem o cotidiano e a luta por pertencimento e reconhecimento dos feminismos negros. 

Este livro é uma homenagem ao movimento de mulheres negras brasileiras, uma celebração de suas vozes e um tributo às suas (re)existências. A obra apresenta as estratégias forjadas pelas ativistas negras no processo de afirmação de suas lutas e localizações político-sociais. A partir de uma perspectiva interseccional e valendo-se da história oral, vozes, histórias e memórias são registradas. Trata-se de uma obra fundamental para a compreensão da história das mulheres negras na Bahia e no Brasil e para o fortalecimento de múltiplas formas de luta pelo bem viver com igualdade e solidariedade racial, de classe e de gênero.


Link para o site da Editora Dialética

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Tupac Shakur - A Biografia Autorizada

 


Minha especialidade é biografia, não tem jeito... Principalmente quando é de alguém que eu admiro tanto.

Tupac Shakur foi uma das maiores lendas do rap, um dos nomes que contribuíram para a consolidação do estilo nos anos 90 e que conseguiram transcender a música. Além de rapper, foi ator, poeta e veio de uma longa linhagem de ativistas pelos direitos civis e antirracistas dos EUA dos anos 1960 (a exemplo de sua tia e madrinha Assata Shakur, já mencionada neste blog). Isso se refletiu em suas letras e posicionamentos, como seu lema "Thug Life", que buscava expor (e se impor contra) o sistema racista estadunidense. Teve uma carreira bastante prolífica, mesmo morrendo tão jovem, aos 25 anos, em 1996.

A historiadora, escritora e roteirista Staci Robinson, que o conheceu desde a adolescência, foi escolhida pela mãe dele, Afeni Shakur, para escrever este livro, utilizando um vasto material exclusivo e pessoal de Tupac, bem como entrevistas com as pessoas que o conheciam.

Stay true!

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Assata Shakur - Uma Autobiografia

 


A vida de Assata Shakur, nascida Joanne Chesimard, em 16 de julho de 1947,  é um poderoso testemunho da luta por liberdade. Natural de Nova York, Assata, além de tia e madrinha do rapper Tupac Shakur, militou nos Panteras Negras, no Exército de Libertação Negra, foi alvo do programa de contrainteligência do governo norte-americano contra os movimentos radicais negros, foi presa, fugiu da prisão, entrou na lista de “terroristas mais procurados” do FBI, e hoje vive em Cuba – acolhida como exilada política há cerca de quatro décadas. Sua história de vida e seus poemas – com frequência declamados nas recentes manifestações organizadas por militantes do Black Lives Matter – inspiram agora uma nova geração na luta contra o racismo e o capitalismo.

A recusa ao nome de batismo, e a adoção de outro que representasse seu espírito subversivo, foi expressão, em meio aos conturbados acontecimentos do final dos anos 60, de sua escolha política em se definir militante, em antagonismo contra um sistema que perpetuava desigualdades e opressões – não lhe cabia o nome que lhe fora legado pela escravidão. A liberdade que Assata buscava, no entanto, não poderia ser apenas uma conquista individual, mas necessariamente uma prática coletiva: a emancipação de todo o povo oprimido.

Em sua autobiografia, Assata Shakur entrelaça duas narrativas. Em uma, fala de sua infância e juventude como menina e mulher dentro da comunidade negra estadunidense entre as décadas de 1940 e 1970. Na outra, conta sua trajetória como ativista antirracista, sua passagem pelo Partido dos Panteras Negras e pelo Exército de Libertação Negra, e as estratégias do FBI que a levaram a ser injustamente condenada pela morte de um policial ocorrida durante a emboscada cinematográfica em que foi presa. 

O livro conta com prefácios de Angela Davis e Lennox Hinds, além de apresentação da historiadora Ynaê Lopes dos Santos.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Revolução Africana: Uma antologia do pensamento marxista

 


"O racismo se apresenta enquanto um elemento indispensável para o sistema da divisão da sociedade em classes. Ao mesmo tempo, uma luta abstratamente anticapitalista não será capaz de mobilizar o povo Negro trabalhador para a vitória contra a opressão. Para tanto, é necessário que a luta contra o racismo seja parte da luta contra o capitalismo ".

Revolução Africana é uma antologia de artigos escritos por alguns dos autores apontados como os representantes mais radicais do pensamento marxista africano, ao longo de 30 anos de luta pela independência e contra o imperialismo. Entre eles estão Frantz Fanon, Kwame Nkrumah, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Agostinho Neto, Samir Amin e Thomas Sankara.

O livro trata de temas como o racismo na sociedade de classes, a mentalidade colonial, a idealização do passado africano e a opressão patriarcal no continente, entre outros temas. Essa coletânea oferece ao público algumas perspectivas teóricas que dizem respeito não apenas à Revolução Africana, mas também à própria luta contra o racismo no Brasil atual.


sexta-feira, 7 de julho de 2023

Sugestão de leitura: "Ei, Você!", de Dapo Adeola

 



Vencedor do prêmio de livro ilustrado do ano no British Book Awards 2022, "Ei, Você! - um livro sobre como crescer com orgulho de ser Negro", do escritor britânico de origem nigeriana Dapo Adeola (@dapsdraws ), e ilustrado por ele e por um imenso time de desenhistas, é um conversa entre pais Negros e seus filhos, desde o seu nascimento, em qualquer lugar da Diáspora.

Segundo o autor, o livro nasceu como uma resposta afetiva aos eventos de 2020 (o assassinato de George Floyd pela polícia dos EUA e a série de protestos que se seguiram a ele). Além disso, Dapo Adeola se sentiu tocado pela pergunta do seu editor: "Quando foi a primeira vez que você se sentiu empoderado como uma pessoa Negra? Quando foi que você acreditou, de verdade, que poderia viver seus sonhos?"

Nós homens e mulheres Negras crescemos, na maior parte das vezes, sem representatividade, sem expectativas e sem auto-estima. Nosso protagonismo só está se consolidando, ainda timidamente, agora. 

O livro nos oferece a oportunidade de mostrar para as crianças Negras que elas também são lindas, que não tem nada de errado com sua pele ou com seu cabelo e que elas podem ser o que quiserem, assim como qualquer outra criança.

Eu digo isso pro meu filho Hórus sempre, e ele, aos seis anos, não tem dúvida disso, mesmo já tendo sofrido racismo ainda tão novo. 


"Ei, Você" também serve pra quebrar os estereótipos e mostrar que nós homens Negros também somos sensíveis, dedicados e preocupados com nossas crianças, apesar do que dizem as estatísticas.


terça-feira, 7 de março de 2023

Sugestão de leitura: "A gente é da hora", de bell hooks

 


"Entre os meninos negros, aqueles que aprendem na primeira infância - muito antes de enfrentar um mundo branco hostil - que não são dignos encontrarão a mesma mensagem quando botarem o pé fora de casa.


Logo cairão em uma armadilha. Eles não são valorizados na vida familiar nem no mundo exterior. Muitas vezes, crianças negras ouvem  mulheres criticando homens negros com frases como 'ele não vale nada' ou 'não há um homem negro neste planeta com quem você possa contar'. 


Todas essas mensagens reforçam a noção de que ele é falho, de que nada que possa fazer o tornará inteiro. Tudo o que lhe é oferecido é uma vida de incompletude, na qual deve trabalhar duro para compensar tanto a 'falta' que os outros detectam nele como o seu próprio senso de vazio interior."

(hooks, bell. "A gente é da hora: Homens negros e masculinidade", p. 168).


Nem todos os capítulos são confortáveis de ler, mas é um livro essencial. Está me ajudando a entender a mim mesmo, a minha relação com meu filho, meus alunos, amigos etc. É preciso ter coragem pra reconhecer que tem um problema e discernimento pra saber a quem pedir ajuda.


#bellhooks #Livros #masculinidadenegra #Ubuntu #Ufanisi

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Iemanjá ajuda Olodumaré na criação do mundo.

 


Olodumare-Olofim vivia só no Infinito, cercado apenas de fogo, chamas e vapores, onde quase nem podia caminhar.

Cansado de não ter com quem falar, cansado de não ter com quem brigar, decidiu por fim àquela situação. Libertou as suas forças e a violência delas fez jorrar uma tormenta de águas.

As águas debateram-se com rochas que nasciam e abriram no chão profundas e grandes cavidades, fazendo-se os mares e oceanos, em cujas profundezas Olocum foi habitar.

Do que sobrou da inundação, se fez a terra.

Na superfície do mar, junto à terra, ali tomou seu reino Iemanjá, com suas algas e estrelas-do-mar, peixes, corais, madrepérolas.

Ali nasceu Iemanjá em prata e azul, coroada pelo arco-íris de Oxumarê.

Olodumaré e Iemanjá, mãe dos Orixás, dominaram o fogo do fundo da Terra e o entregaram ao poder de Aganju, o mestre dos vulcões, por onde ainda respira o fogo aprisionado.

O fogo que se consumia na superfície do mundo, eles apagaram e, com suas cinzas, Orixá Ocô fertilizou os campos, propiciando o nascimento de ervas, frutos, árvores, florestas que foram dados aos cuidados de Ossaim.

Nos lugares onde as cinzas foram escassas, nasceram pântanos, e nos pântanos, a peste que foi doada pela mãe dos Orixás ao filho Omulu.

Iemanjá encantou-se com a Terra e a enfeitou com rios, cascatas e lagoas. Assim surgiu Oxum, dona das águas doces.

Quando tudo estava feito e cada natureza se encontrava na posse de um dos filhos de Iemanjá, Obatalá, respondendo diretamente às ordens de Olorum, criou o ser humano. 

E o ser humano povoou a Terra.

E os Orixás pelos humanos foram celebrados.

(PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás, p. 380-381)

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Um ano de lançamento!

 


🏺Passou rápido! Hoje faz um ano que meu livro foi lançado pela Editora Dialética.

Concebido originalmente como dissertação de Mestrado, “Águas, Flores & Perfumes: Resistência Negra, Atabaques e Justiça na República” é resultado de uma ampla pesquisa sobre a aplicabilidade das primeiras leis do Brasil republicano às populações Negras de Salvador, Bahia, entre 1890 e 1939.

A cidade buscava esquecer o passado escravista e mergulhar de cabeça no novo século, em que as festas populares, a presença excessiva de pessoas Negras perambulando pelas ruas, bem como suas manifestações religiosas e culturais eram vistas pela elite econômica local, pela imprensa e pela polícia como sinônimos do “atraso” e da “desordem”. Este livro mostra que, apesar de tantas tentativas de silenciamento, essas pessoas conseguiam resistir, sobreviver e coexistir neste espaço, com a ginga de um bom capoeira e com a proteção dos Orixás.

O livro segue à venda no site da Editora Dialética, na Amazon (versão física e e-book) além de vários marketplaces por aí, inclusive em versão digital. Na postagem em destaque ao lado, você encontra os links.

Serei sempre grato pela mobilização que tornou esse lançamento possível e que esgotou a primeira tiragem em poucos dias.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho

 


Meu auto-presente do Dia Mundial do Gill chegou! Um deles, pelo menos...


"[Depois do primeiro título do Vasco em 1923] os clubes finos, de sociedade, como se dizia, estavam diante de um fato consumado. Não se ganhava campeonato só com times de brancos.

 Um time de brancos, mulatos e pretos era o campeão da cidade. Contra esse time, os times de brancos não tinham podido fazer nada. Desaparecera a vantagem de ser de 'boa família ', de ser estudante, de ser branco.

 O rapaz de 'boa família ', o estudante, o branco tinha de competir, em igualdade de condições, com o pé-rapado, quase analfabeto, o mulato e o preto, para ver quem jogava melhor" (p.11).

O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho (o jornalista que batizou o Maracanã), é uma das principais referências no estudo da história do futebol brasileiro e do inevitável racismo dos seus primórdios. Fala sobre como o esporte mais popular do país chegou aqui totalmente branco e elitista, incluindo os clubes que, ironicamente, se declaram "clubes do povo" hoje. 

Apesar de não estar imune às críticas, este livro é leitura obrigatória pra quem gosta de futebol e se interessa por história e relações raciais.