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domingo, 15 de março de 2026

Coleção África e os africanos

 


A Editora Vozes lançou uma coleção em 12 volumes de livros que abordam as mais diversas temáticas referentes ao continente africano, sua cultura, filosofia, religião, entre outros aspectos. Comprei três deles: África Bantu, Filosofia Bantu e Religiões Africanas.



Filosofia Bantu é uma referência fundamental para o debate so­bre a filosofia africana e é am­plamente reconhecido como o texto fundador da etnofilosofia. Placide Tempels demonstra a existência de um pensamento metafísico entre os povos ban­tu, baseado na ideia de que a realidade é dinâmica e que ser é força. Contrastando essa visão com a concepção ocidental do ser, ele revela como as rela­ções entre indivíduos, ances­trais e o universo se estrutu­ram por meio de forças que se influenciam mutuamente.

África Bantu introduz, em cinco capítulos temáticos, os leitores a diversos métodos e abordagens de coleta e análise de dados para escrever as histórias de povos e sociedades cujo passado remoto não foi, muitas vezes, preservado em documentos escritos. Assim, a reconstrução da história antiga Bantu deve apoiar-se no uso de múltiplas metodologias e abordagens. Evidências foram retiradas da linguística, da genética, da arqueologia, das tradições orais, da história da arte e da etnografia comparada. O objetivo desta obra é oferecer aos alunos uma compreensão da história do mundo Bantu, no longo prazo, em áreas que os leitores podem identificar como cultural, política, religiosa, econômica e social.




Religiões Africanas oferece um panorama das tradições religiosas do continente africano, assim como do cristianismo e do islamismo ali presentes. Concentra-se na diversidade de grupos étnicos, línguas, culturas e visões de mundo, enfatizando a diversidade regional do continente. O autor examina uma ampla gama de tradições religiosas africanas em seus próprios termos e em seus contextos sociais, culturais e políticos. Assim, o livro vai além das descrições etnográficas e interpretações de crenças e práticas centrais para observar como a religião africana tem engajado questões de desenvolvimento socioeconômico e relações de poder.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Ankh e Wedjat - Símbolos de Kemet



O Ankh (ou Cruz Ansata) é um antigo hieróglifo em forma de cruz, com um laço oval no topo, significando a palavra "vida", e simbolizando a vida eterna e a chave para o pós-morte. Frequentemente segurado por deuses como Ísis e Osíris, representa seu poder de conceder a vida.. É um símbolo de proteção, fertilidade, e conexão entre o mundo físico e espiritual.
Significado e Simbolismo
  • Vida e Imortalidade: 
    A principal representação do Ankh é a própria "vida", simbolizando a existência terrena e a vida após a morte, oferecendo imortalidade. 
  • Chave: 
    Conhecido como "Chave da Vida" ou "Chave do Nilo", simboliza a abertura dos portais para o além. 
  • União de Elementos: 
    A parte oval pode representar o feminino (útero) e a haste o masculino, ou o mundo espiritual e material. 
  • Sustentação da Vida: 
    Deuses o oferecem aos faraós para simbolizar o poder de dar e sustentar a vida, o ar e a água. 



O Olho de Hórus (ou Wedjat) é um antigo símbolo kemético de proteção, poder, saúde e restauração, representando o olho do deus falcão Hórus. Usado como amuleto, ele afasta o mal, traz boa sorte, sabedoria, intuição e força interior, sendo associado à superação de adversidades e renovação, pois na mitologia foi restaurado após uma batalha entre Hórus e seu tio Set. 

Significado e origem
  • Origem Mitológica: Surgiu da batalha entre Hórus e Set. Hórus perdeu um olho, que foi restaurado pelo deus Thoth, simbolizando cura e totalidade.
  • Proteção: Acreditava-se que protegia contra doenças, inveja e o mau-olhado, servindo como um escudo protetor.
  • Saúde e Cura: Usado em rituais médicos e como amuleto para garantir a saúde e a restauração física e espiritual.

 E hoje, tatuei os dois símbolos, um em cada braço:





terça-feira, 7 de outubro de 2025

"Malês", um filme necessário

 

Fiquei feliz em ver que Antônio Pitanga finalmente conseguiu. Há anos, eu acompanhava as notícias sobre as dificuldades de financiamento que ele enfrentou pra realizar esse filme.

"Malês" conta a história da Revolta dos Malês, ocorrida entre 24 e 25 de janeiro de 1835, em Salvador. Foi o maior levante de escravizados da história do Brasil e um dos maiores da América, mesmo sem ter acontecido plenamente como planejado.

Os Malês eram Negros muçulmanos vindos, principalmente, da Nigéria e que tinham uma grande organização e sentimento próprio de identidade, a ponto de arrecadar dinheiro para comprar a alforria dos que ainda estavam escravizados. Eram alfabetizados, falavam árabe e o Islã era a base de tudo, apesar de recorrerem a outras nacionalidades africanas que também se encontravam por aqui.

Antônio Pitanga, diretor do filme, é Pacífico Licutan, um dos mentores intelectuais do movimento. Seus filhos Camila e Rocco também atuam e o historiador João José Reis, autor de "Rebelião Escrava no Brasil", o livro mais completo sobre o assunto, é creditado como responsável pela revisão histórica do filme.

"Malês" é forte e necessário como tem de ser. Ao assistir, você vai entender por que deu tanto trabalho pra que ele saísse.

O livro de João José Reis serviu como base teórica para o filme.


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Morre Assata Shakur aos 78 anos


 A ativista política, ex-Pantera Negra, escritora, uma das principais referências na luta pelos direitos civis e contra o racismo, além de tia e madrinha de Tupac Shakur, faleceu hoje em Cuba.

Seu legado permanecerá vivo para sempre!

Rest In Power, sister!

Sugestões de leitura

 

Dois clássicos!

"Como a Europa subdesenvolveu a África", do historiador e líder teórico do pan-africanismo Walter Rodney, detalha o impacto da escravidão e do colonialismo na história da África. Escrita em 1972 e publicada agora pela primeira vez em língua portuguesa, a obra, considerada uma obra-prima da economia política, argumenta que o inabalável “subdesenvolvimento” africano não é um fenômeno natural, e sim um produto da exploração imperial do continente, prática que continua até hoje. Um dos principais argumentos ao longo do livro é o de que a África desenvolveu a Europa na mesma proporção em que a Europa deliberadamente subdesenvolveu o continente africano.

Rodney detalha as formas de exploração econômica de diversos povos e regiões, primeiro como fornecedores de mão de obra escravizada e, depois, como mão de obra assalariada extremamente subvalorizada. Além disso, aborda como se deu a intervenção direta do modo de produção capitalista nas práticas econômicas típicas de cada povo e região, na divisão sexual do trabalho tradicional dos povos africanos e na educação formal durante o colonialismo.



Em "A nova era do império", o sociólogo britânico Kehinde Andrews reconstrói a história do Ocidente para demonstrar que racismo, xenofobia e afetos correlatos não são fenômenos regressivos ou anacrônicos. Pelo contrário, longe de significarem o retorno a um passado que a modernidade teria há tempos enterrado, eles seguem presentes, como substrato da sensibilidade cotidiana e cimento de nossa estrutura social.

Assolada por uma crise de representatividade sem precedentes, desprovida de utopias que possam conter o avanço predatório do capitalismo e sob a ameaça iminente da emergência climática, a civilização ocidental procura uma saída que não pode mais ser oferecida por nenhuma de suas (des)ilusões de progresso. “É a chance de recusar a próxima atualização de sistema do imperialismo, destruir o hard drive e criar uma estrutura inteiramente nova para o sistema político e econômico mundial.”

terça-feira, 19 de agosto de 2025

"Alma negra em pele branca?"



 Sobre a falta de ações práticas dos "brancos liberais" contra o Apartheid na África do Sul, em que consideravam qualquer iniciativa de autonomia negra algo "radical" (quase na linha do "racismo reverso" que muitos ainda acreditam até hoje), o que não os deixavam tão distantes dos conservadores que tanto criticavam, Steve Biko escreveu, em 1970:

"Os liberais se tornaram mestres no jogo de evasivas deliberadas. A pergunta 'o que posso fazer?' surge com muita frequência. Se pedir a eles que façam algo como deixar de usar os serviços em que haja segregação, sair da universidade e trabalhar em empregos subalternos como todos os negros, ou ainda denunciar e desafiar os regulamentos que lhes dão privilégios, sempre respondem: 'Mas isso não é realista!'. 

Embora tal afirmação possa ser verdade, esses exemplos servem apenas para demonstrar que, não importa o que um branco faça, a cor de sua pele - seu passaporte para o privilégio - sempre o colocará quilômetros à frente do negro. Portanto, em última análise, nenhum branco escapa de pertencer ao campo opressor."

BIKO, Steve. Escrevo o que eu quero, p. 37.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

"Escrevo o que eu quero", de Steve Biko

 


Steve Biko (1946-1977) foi um ativista sul-africano e um dos líderes na luta contra o Apartheid. Também foi um dos fundadores do Movimento da Consciência Negra na África do Sul e destacou-se por sua crença no empoderamento psicológico e político da população Negra como forma de resistir à opressão racial.

Seu pensamento e coragem inspiraram gerações em várias partes do mundo, apesar de sua vida ter sido tragicamente interrompida pelo regime racista que vigorava em seu país.

Biko desenvolveu um poderoso pensamento estratégico contra o Apartheid, a ponto de, segundo Nelson Mandela, o governo "ter de matá-lo para conseguir prolongar a vida do Apartheid."

Este livro é uma coletânea de textos escritos entre 1969 e 1972, enquanto Biko era ativo no Movimento da Consciência Negra. Conta com prefácio de Benedita da Silva e textos de Desmond Tutu e Sílvio Humberto, presidente do Instituto que leva o seu nome em Salvador.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Um século de Malcolm X

 


Hoje, Malcolm X completaria 100 anos de vida.

Para celebrar a data, resgatei uma fala histórica registrada no livro "Malcolm X Fala", da Ubu Editora.

No apelo aos chefes de Estado africanos, no Cairo, Egito, em julho de 1964, Malcolm disse:

"Nossos problemas são vossos problemas. Vivemos há mais de trezentos anos naquele covil americano de lobos racistas, sempre com medo de perder nossa integridade física e nossa vida. Recentemente, três estudantes do Quênia foram confundidos com Negros americanos e foram brutalmente espancados pela polícia de Nova York. Pouco depois, dois diplomatas de Uganda também foram espancados pela polícia de Nova York, que os confundiu com Negros americanos.

Se africanos são brutalmente espancados apenas por visitar a América, imaginem o sofrimento físico e psicológico de que padecem vossos irmãos e irmãs que vivem lá há mais de 300 anos.

Não importa de quanta independência os africanos desfrutem aqui no continente-mãe; ao visitarem a América, a menos que estejam usando seus trajes nacionais tradicionais em todos os momentos, vocês podem ser confundidos com um de nós e sofrer a mesma humilhação psicológica e mutilação física que são ocorrências cotidianas em nossa vida."

terça-feira, 13 de maio de 2025

Por que não comemoramos o 13 de maio

 


13 de maio de 2025. 137 anos da abolição formal da escravidão. Apesar disso, os homens Negros continuam sendo o principal alvo da violência urbana, seja institucional ou não, alvos do genocídio e do encarceramento em massa, disfarçados de "guerra contra as drogas". 

As mulheres Negras continuam na base da pirâmide, recebendo os menores salários. 

Somos a maioria da população, mas não somos representados na política, na mídia nem nos cargos de chefia das grandes empresas. Trocamos as correntes enferrujadas por correntes douradas, fingindo ser livres, enquanto ainda existe trabalho "análogo à escravidão" em várias partes do Brasil e do mundo.

O racismo é crime inafiançável e imprescritível, mas não conheço ninguém que realmente tenha sido punido.

A escravidão legalizada acabou, mas todas as pessoas que vivem hoje no Brasil são heranças de um passado que nunca esteve tão presente. Muitos têm sangue Negro nas veias; outros, nas mãos.

Muito a denunciar. Nada a comemorar.

sábado, 5 de abril de 2025

Sugestão de leitura: O Livro Egípcio dos Mortos

 

O Livro dos Mortos é originário de um compilado de textos funerários, cujos primeiros exemplos são conhecidos como Textos da Pirâmide, porque eram escritos nas paredes das câmaras mortuárias nas pirâmides dos faraós. Os egípcios acreditavam que a vida após a morte era uma continuação da vida na Terra. 

O papiro mais antigo conhecido foi encontrado na Pirâmide do Rei Unas, em Saqqara, e data de, aproximadamente, 2345 a.C.

O objetivo dos Textos da Pirâmide era ajudar o faraó falecido a ocupar seu lugar entre os deuses e garantir uma viagem tranquila até o paraíso. Teria sido criado por Thoth, o Deus-Íbis do conhecimento e da sabedoria.

Quando os caixões mudaram de caixas retangulares de madeira  para uma forma que seguia os contornos do corpo mumificado do faraó, os textos passaram a ser escritos em um papiro que era enrolado e colocado no caixão, junto ao corpo.

Acreditava-se que o faraó entraria no Duat, ou "Mundo Inferior", onde era submetido a dois rituais: a pesagem do coração e a abertura da boca. Se o falecido seguisse as instruções do papiro e recitasse seus hinos e rituais, ele se tornaria um espírito abençoado, deixaria a múmia no túmulo e se juntaria a Rá, Osíris e a todos os outros faraós.

domingo, 9 de março de 2025

A tradição dos símbolos Adinkra


 Os ideogramas Adinkra são representações da tradição oral dos antigos povos Akan, que viviam na África Ocidental, mais precisamente em Gana, Costa do Marfim e Togo, e sua filosofia foi transposta para estes símbolos, o que permitiu sua permanência e transmissão através dos tempos.

Esses símbolos representam costumes, valores tradicionais específicos, fatos históricos, características de algum animal ou vegetal, parábolas e conceitos filosóficos etc. Eram utilizados em situações formais ou cerimônias especiais, como em velórios, por exemplo, estampados à mão em roupas como uma mensagem de despedida ao falecido, mas também poderiam ser esculpidos em madeira ou ferro, como uma espécie de carimbo.

Tenho alguns destes símbolos tatuados, com espaço pra mais em breve...

domingo, 12 de janeiro de 2025

O capitalismo sempre foi racial

 


"O capitalismo sempre foi racial. O capitalismo não seria a instituição econômica global que é hoje se não fosse pela escravidão, se não fosse pela colonização. E, de alguma forma, pensamos que são coisas separadas, mas, não são." 

(Angela Davis)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Homens pretos (não) choram e A Cor Púrpura

 


Livros pra desidratar nas férias. Muita coisa pra ler, mas faço questão de compartilhar cada livro que compro como uma sugestão de leitura pra quem por acaso se interessar. Dessa vez, como comprei os dois ao mesmo tempo, resolvi fazer um post só, apesar dele acabar ficando um pouco mais longo que os demais.


O homem negro tem espaço para ser vulnerável? Esse homem pode chorar e existir ao mesmo tempo?

Com três contos inéditos, nesta nova edição de Homens pretos (não) choram , Stefano Volp joga luz sobre as feridas, os medos e a solidão do homem, sobretudo o negro, para buscar respostas sobre uma sociedade incapaz de compreender as vulnerabilidades e sutilezas que existem para além da imagem que se constrói das pessoas.

Homens pretos (não) choram é uma coletânea de contos “quarentênicos”, idealizados e escritos durante o isolamento social, que trazem uma visão contemporânea sobre a masculinidade.

Os dez contos são repletos de emoção e sinceridade, e mostram como o homem, sobretudo o negro, vive à mercê de estereótipos pré-concebidos pela sociedade e se esconde atrás de seus medos, angústias e solidão.

A edição revisada de A cor púrpura, a obra-prima de Alice Walker vencedora do Pulitzer e um dos mais importantes títulos de toda a história da literatura.

Alguns dos personagens mais marcantes da literatura norte-americana recente estão neste livro – ganhador do Pulitzer e do American Book Award –, que inspirou a obra-prima cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg e o aclamado musical da Broadway, adaptado para o cinema.

A cor púrpura, ambientado no Sul dos Estados Unidos, entre os anos 1900 e 1940, conta a história de Celie, mulher negra, pobre e semi analfabeta. Brutalizada desde a infância, a jovem foi estuprada pelo padrasto e forçada a se casar com Albert, um viúvo violento, pai de quatro filhos, que enxergava a esposa como uma serviçal e fazia dos sofrimentos físicos e morais sua rotina.

Durante trinta anos, Celie escreve cartas para Deus e para a irmã Nettie, missionária na África. Os textos têm uma linguagem peculiar, que assume cadência e ritmo próprios à medida que Celie cresce e passa a reunir experiências, amores e amigos. Entre eles está a inesquecível Shug Avery, cantora de jazz e amante de Albert.

Apesar da dramaticidade do enredo, A cor púrpura é uma história sobre mudanças, redenção e amor. A partir da vida de Celie, a aclamada escritora Alice Walker tece críticas ao poder dado aos homens em uma sociedade que ainda hoje luta por igualdade entre gêneros, raças e classes sociais. Eleito pela BBC um dos 100 romances que definem o mundo, A cor púrpura é um retrato da vivência da mulher negra na época da segregação racial, cujos reflexos ainda estão presentes na nossa sociedade.



quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Sugestão de leitura: "A Tragédia da Injustiça Branca", de Marcus Garvey

 


🔴⚫🟢 A Tragédia da Injustiça Branca, publicado pela Editora Ananse (@editorananse), é uma obra escrita por Marcus Mosiah Garvey enquanto ele estava preso em 1927, por uma falsa acusação do governo dos EUA.

Este livro de poesias oferece uma reflexão profunda sobre a opressão sofrida pelos povos pretos, ao mesmo tempo em que se apresenta como um chamado à ação, à emancipação e à autodeterminação. Garvey, ao falar sobre a finalidade deste livro, afirmou que o objetivo era "dar ao Negro um pensamento, com a esperança de inspirá-lo para a libertação de si mesmo dos terríveis tentáculos do preconceito e da exploração da raça".

Por meio de sua poesia, Garvey transforma suas ideias em uma forma de arte poderosa, dando voz às suas convicções de maneira que transcende o tempo.

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

"Você é meu inimigo!"

 


Em 1967, Muhammad Ali se recusou a lutar na Guerra do Vietnã, por motivos religiosos e por não concordar com ela. Sua postura corajosa teve como consequência a prisão, perda dos seus títulos de campeão de boxe e banimento do esporte por mais de três anos, o que atrapalhou momentaneamente sua carreira, mas ajudou a imortalizá-lo como defensor dos direitos civis e da luta antirracista. 

"Eu não vou esquivar. Eu não estou queimando nenhuma bandeira. Não estou fugindo para o Canadá. Eu fico bem aqui. Você quer me mandar para a cadeia? 

Ok, vá em frente. Estou preso há 400 anos.

 Eu poderia ficar lá por mais 4 ou 5, mas não vou viajar 10.000 milhas para ajudar a matar outras pessoas pobres. 

Se eu quiser morrer, vou morrer aqui mesmo, agora, lutando contra você. Você é meu inimigo, não um chinês, um vietcongue, um japonês. 

Você é meu inimigo quando quero liberdade. Você é meu inimigo quando quero justiça. Você é meu inimigo quando quero igualdade. 

Você quer que eu vá a algum lugar e lute por você? Você nem mesmo vai me defender aqui na América, nem meus direitos ou minhas crenças religiosas. 

Você não vai me defender nem aqui, na minha casa."

Ali venceu muitas lutas, mas sua maior vitória foi fora dos ringues.

sábado, 31 de agosto de 2024

40 livros Afrocentrados para ler

 


Achei essa lista no Facebook e ampliei com alguns livros que eu tenho. É uma boa iniciação sobre os assuntos Afrikanos, sem intermediários.

1- Nações Negras e Cultura: Cheikh Anta Diop

2- História da África Negra: Joseph Ki-Zerbo

3- Para quando a África?: Joseph Ki-Zerbo

4- Pele Negra, Máscaras Brancas: Frantz Fanon

5- Os Condenados da Terra: Frantz Fanon

6 - O Legado Roubado: George M. James

7- Procure por mim na tempestade: Marcus Garvey

8- A contribuição da África para o progresso da humanidade: Moisés Kamabaya

9- O renascimento da personalidade africana: Moisés Kamabaya

10- Áfricas Ocultas: Gabriel Ambrósio Winner

11- África Negra: História e Civilizações: Elikia Mbokolo

12- Das independências às Liberdades: Elias Ngoenha 

13-  Afrocentricidade - Melefi Kete Asante 

14- A Unidade Cultural da África Negra: Cheikh Anta Diop

15- A crítica da razão negra: Achille Mbembe

16- Afrocentricidade: Mukale

17- O cristianismo e as mutações sociais em Afrika: Mwanamossy

18 A Intersubjectividade: J.P. Castiano

19- Teologia Afrikana: Mbimbikhó Kikhõ e Mwandhi Mpulavi

20- Filosofia Afrikana: Mubiano Mpovela

21- Da Diáspora: Stuart Hall 

22- História da África Negra: Boubakar Namori Keita

23- As almas do povo negro: William E. B. Du bois

24- Yurugu: Marimba Ani

25- Tradição Africana e a Racionalidade Moderna: Pea Elgungu

26- MUNTUISMO: A ideia de pessoa na filosofia africana contemporânea:  Enzo Bono

27- A Consciência Histórica Africana: Ndaye Diop

28 - Cheikh Anta Diop ou a Honra de Pensar: Jean- Marc Ela

29- A Invenção de África: Yves Valetim Mudimbe

30- A Ideia de África:  Yves Valetim Mudimbe 

31- NIKETCHE: Uma História da Poligamia: Paulina Chiziane

32- O Alegre Canto da Perdiz: Paulina Chiziane

33 - A Des-Educação do Negro: Carter Woodson

34 - Na Casa de Meu Pai: Kwame Anthony Appiah

35 - Dicionário Yorubá - Português: José Beniste

36 - A Enxada e a Lança: Alberto da Costa e Silva

37 - O Atlântico Negro: Paul Gilroy

38 - Discurso sobre o Colonialismo: Aimé Césaire

39 - A Manilha e o Libambo: Alberto da Costa e Silva 

40 - Nelson Mandela: Longa caminhada até a liberdade (autobiografia)


sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Obaluaê tem as feridas transformadas em pipoca por Iansã

 


Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás.

Obaluaê não podia entrar na festa, devido a sua medonha aparência.

Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro.

Ogum, ao perceber a angústia do orixá, cobriu-o com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar os festejos.

Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava,  compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia.

Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão.

O xirê estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas equedes.

Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam sua pestilência.

Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaê pularam para o alto, transformadas em uma chuva de pipocas que se espalharam brancas pelo barracão.

Obaluaê, o deus das doenças, transformou-se num jovem belo e encantador.

Obaluaê e Iansã Igbalê tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.


(Reginaldo Prandi, Mitologia dos Orixás, p. 206-207)

Kwame Nkrumah e o Panafricanismo

 


"Não é somente a unidade que pode nos fundir em uma força efetiva, capaz de criar nosso próprio progresso e fazer nossa valiosa contribuição para a paz mundial? Que Estado africano independente reivindicará que sua estrutura financeira e instituições bancárias estão totalmente ligadas ao seu desenvolvimento nacional? Quem afirmará que seus recursos materiais e energias humanas estão disponíveis para suas próprias aspirações nacionais? Estamos aprendendo rapidamente que a independência política não é suficiente para nos livrar das consequências do domínio colonial. Temos estado muito ocupados cuidando de nossos Estados separados para entender completamente a necessidade básica de união, enraizada em um objetivo comum, em um planejamento comum e em um esforço comum."

Kwame Nkrumah, presidente de Gana, em discurso na Organização da Unidade Africana, 1963.


terça-feira, 2 de julho de 2024

Maria Quitéria e a Independência do Brasil

 

Monumento a Maria Quitéria na Praça da Soledade, palco das lutas pela independência do Brasil em Salvador.

A Bahia celebra HOJE a Independência do Brasil. Uma história que a maioria dos livros didáticos sudestinos não conta, por terem forjado uma ideia de "história oficial", baseada apenas nos grandes (e questionáveis) feitos dos "grandes homens", quase sempre brancos do sul e do sudeste.


Ao contrário do que é contado há gerações, nossa independência não começou nem terminou com D. Pedro I às margens do Ipiranga. A expulsão definitiva dos portugueses do solo brasileiro se deu em um longo e violento processo, que durou cerca de 13 meses, em várias cidades da Bahia, e consolidada em 2 de julho de 1823, no bairro de Pirajá, em Salvador, com intensa participação de negros, indígenas e muitas mulheres de destaque, a exemplo de Maria Quitéria.


 Maria Quitéria juntou-se voluntariamente às tropas que lutavam contra os portugueses em 1822 e se tornou a primeira mulher a integrar o Exército Brasileiro. Ela cortou o cabelo, utilizou o nome e o uniforme de seu cunhado José Medeiros, e se infiltrou,  ficando conhecida como "soldado Medeiros", já que somente homens poderiam fazer parte.


Ela acabou sendo descoberta pouco tempo depois, mas sua ação em batalha foi tão importante que o major Silva e Castro não permitiu que ela saísse das tropas.


 Quitéria passou, então, a adotar seu nome verdadeiro e adicionou uma saia ao  uniforme, já que ainda não existiam uniformes femininos. Sua coragem em ingressar em um meio masculino chamou a atenção de outras mulheres, as quais passaram a juntar-se às tropas e formaram um grupo comandado por Quitéria.


Após a derrota dos portugueses, foi promovida a cadete e reconhecida como Heroína da Independência. Dom Pedro I a concedeu o título de “Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro”.


Em 1953, no centenário de sua morte, o governo brasileiro decretou que seu retrato estivesse presente em todos as repartições e unidades do Exército. No mesmo ano, na Praça da Soledade, um dos locais fundamentais na luta pela emancipação em Salvador, sua estátua foi inaugurada. Em Feira de Santana, sua cidade natal, também existe um monumento na via que leva o seu nome, inaugurada em 2002.



sábado, 25 de maio de 2024

25 de maio - Dia da África

 



Criado em 25 de maio de 1963, em Addis Abeba, Etiópia, pela Organização de Unidade Africana (OUA), e tendo o imperador Hailé Selassié como anfitrião, o dia tem um profundo significado na memória coletiva dos povos do continente africano. O ato da assinatura configurou-se no maior compromisso político de seus líderes, que visaram à aceleração do fim da colonização do continente e do regime segregacionista do Apartheid.

Instituído em carta assinada por 32 Estados africanos, o dia da África é a manifestação do desejo de aproximadamente 800 milhões de africanos de organizar, de maneira solidária, os múltiplos desafios na construção do futuro de uma África real, com seus governos e sonhos, além de desenvolvimento, democracia e progresso.

Apenas 5 países do continente africano adotaram o feriado público pela celebração, são eles: Gana, Mali, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe. No entanto, comemorações são realizadas de maneira geral pelos países africanos, bem como pelos africanos da diáspora e descendentes.

A carta foi assinada por todos os participantes no dia 26 de maio, com a exceção de Marrocos. Nessa reunião, O Dia da Liberdade de África foi renomeado Dia da Libertação de África. Em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana. No entanto, a celebração, renomeada como Dia da África continuou a ser comemorada a 25 de Maio, por respeito à formação da OUA.


"Não sou africano porque nasci em África, mas porque a África nasceu em mim." 🍃🍂

(Kwame Nkrumah)


Fonte: Palmares Fundação Cultural/Wikipédia