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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sugestão de Filme: Raça (2016)



Com o criativo e propositadamente ambíguo título original Race, que pode significar tanto "corrida" quanto "raça" em inglês, o filme retrata os gloriosos anos de Jesse Owens (Stephan James, de Selma), atleta Negro dos Estados Unidos, que entrou para a história ao desbancar a ideologia nazista de supremacia branca, vencendo quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas de Berlim de 1936.

Um dos grandes trunfos do filme está em mostrar que o nazismo alemão não era muito diferente da Lei Jim Crow estadunidense (1876-1965), que segregava áreas coletivas como escolas, vestiários, ônibus, trens etc., impedindo que pessoas Negras, brancas e de outras etnias ocupassem o mesmo espaço.  Curiosamente, isso não aconteceu na Alemanha nazista durante os jogos, e todos os atletas dividiram o mesmo espaço.

Algo a se observar também é o quanto o racismo pode ser mascarado ou "suprimido", em prol de um efêmero sentimento nacionalista, proporcionado pela presença dos Jogos Olímpicos. Antes de se tornar um astro do esporte, logo ao chegar à universidade, Owens era discriminado inclusive pelos colegas e treinadores brancos. Mas, esse sentimento aparentemente muda, à medida em que ele vai quebrando diversos recordes e, principalmente, ao retornar de Berlim com quatro medalhas de ouro na bagagem, onde foi ovacionado por mais de um milhão de pessoas. Apesar de suas conquistas, Owens não recebeu os cumprimentos de um decepcionado Hitler (grande coisa...) nem o devido reconhecimento do governo de seu país, fato que só aconteceu postumamente. Além disso, continuou tendo de entrar pelas portas dos fundos e pelos elevadores de serviço.

O filme ainda mostra a importância de Leni Riefensthal (Carice Van Houten, de Game of Thrones), a cineasta que ficou famosa por ser a responsável pela propaganda nazista, sob comando do ministro Goebbels. Graças a ela, as imagens dos feitos de Jesse Owens sobreviveram às ações do tempo.

Raça  não se trata de um filme biográfico, já que foca em apenas três anos da vida de James Cleveland Owens (entre 1933 e 1936), utilizando o contexto histórico das leis segregacionistas nos EUA e o período pré-Segunda Guerra Mundial como referência. Não é a obra definitiva para que conheçamos a história do homem além do mito, mas levanta questões interessantes sobre o quanto somos bons em apontar o racismo nos outros, mas permanecemos apáticos e incapazes de reconhecê-lo em nós mesmos.

Sobre as conquistas de Jesse Owens nas Olimpíadas de Berlim, clique aqui.

Ficha Técnica
Título Original: Race
Direção: Stephen Hopkins
Elenco: Stephan James, Jason Sudeikis, Jeremi Irons, Carice Van Houten, William Hurt, Eli Goree
Ano de Lançamento: 2016





quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Calendário Negro: 80 anos do ouro de Jesse Owens em plena Alemanha nazista


Em 3 de agosto de 1936, o jovem negro norte-americano Jesse Owens contrariava Adolf Hitler ao derrotar seu companheiro de equipe, também afro-americano, Ralph Metcalfe, e ganhar os 100 metros rasos em impressionantes 10,3 segundos. A cena ocorreu no terceiro dia dos Jogos Olímpicos de Berlim, evento que havia sido projetado pelos nazistas para mostrar ao mundo a superioridade da raça ariana. 


Jesse Owens superou todas as barreiras em Berlim, conquistando quatro medalhas de ouro: 100m e 200m rasos, no salto em distância e no revezamento 4x100 m. Isso tudo em solo nazista, onde os funcionários do Reich chegaram a classificar os atletas negros de “não humanos”. 



Anos mais tarde, em sua biografia, Owens afirmou que o que mais o magoou, contudo, foi o fato de o presidente americano Franklin Delano Roosevelt não ter lhe mandado sequer um telegrama felicitando-o por suas conquistas na olimpíada. Naquela época, também havia um forte sentimento racista nos Estados Unidos.



Fontes: History e Enciclopédia do Holocausto