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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Ankh e Wedjat - Símbolos de Kemet



O Ankh (ou Cruz Ansata) é um antigo hieróglifo em forma de cruz, com um laço oval no topo, significando a palavra "vida", e simbolizando a vida eterna e a chave para o pós-morte. Frequentemente segurado por deuses como Ísis e Osíris, representa seu poder de conceder a vida.. É um símbolo de proteção, fertilidade, e conexão entre o mundo físico e espiritual.
Significado e Simbolismo
  • Vida e Imortalidade: 
    A principal representação do Ankh é a própria "vida", simbolizando a existência terrena e a vida após a morte, oferecendo imortalidade. 
  • Chave: 
    Conhecido como "Chave da Vida" ou "Chave do Nilo", simboliza a abertura dos portais para o além. 
  • União de Elementos: 
    A parte oval pode representar o feminino (útero) e a haste o masculino, ou o mundo espiritual e material. 
  • Sustentação da Vida: 
    Deuses o oferecem aos faraós para simbolizar o poder de dar e sustentar a vida, o ar e a água. 



O Olho de Hórus (ou Wedjat) é um antigo símbolo kemético de proteção, poder, saúde e restauração, representando o olho do deus falcão Hórus. Usado como amuleto, ele afasta o mal, traz boa sorte, sabedoria, intuição e força interior, sendo associado à superação de adversidades e renovação, pois na mitologia foi restaurado após uma batalha entre Hórus e seu tio Set. 

Significado e origem
  • Origem Mitológica: Surgiu da batalha entre Hórus e Set. Hórus perdeu um olho, que foi restaurado pelo deus Thoth, simbolizando cura e totalidade.
  • Proteção: Acreditava-se que protegia contra doenças, inveja e o mau-olhado, servindo como um escudo protetor.
  • Saúde e Cura: Usado em rituais médicos e como amuleto para garantir a saúde e a restauração física e espiritual.

 E hoje, tatuei os dois símbolos, um em cada braço:





quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Muhammad Ali: Uma vida

 


"Flutue como uma borboleta, pique como uma abelha. As mãos não podem atingir o que os olhos não veem".

"Eu sou o maior. Eu disse isso antes mesmo de saber que era".

"Muhammad Ali: Uma vida" é a biografia que eu mais queria há muito tempo. Conta a trajetória do maior boxeador de todos os tempos, reverenciado pelos outros grandes lutadores, a exemplo de Mike Tyson, que era um de seus maiores fãs.

Tyson dizia que "o que Ali fez fora dos ringues foi maior do que o que fez dentro deles". Isso é verdade. Ali conseguiu fama sendo um lutador implacável, mas se notabilizou pelos seus posicionamentos contundentes contra o racismo e pelo empoderamento Negro. Chegou a perder seus títulos no boxe por ter se recusado a servir o exército estadunidense na guerra do Vietnã, afirmando que seu verdadeiro inimigo estava na América.

Ao se converter ao Islamismo, rejeitou seu "nome de escravo" Cassius Marcellus Clay Jr., assim como Malcolm X tinha feito, por exemplo.

Em suas quase 800 páginas, o livro se divide em três partes, cobrindo tudo de mais importante sobre a vida de Ali, baseada em extensa pesquisa em entrevistas , documentos e gravações do FBI. Sim, aquela agência que perseguiu diversas personalidades Negras dos anos 60/70, como Angela Davis, Martin Luther King Jr., Malcolm X e os Panteras Negras.

Muhammad Ali foi um homem muito forte. Para além do físico. É uma das minhas maiores inspirações.


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Sugestões de leitura

 

Dois clássicos!

"Como a Europa subdesenvolveu a África", do historiador e líder teórico do pan-africanismo Walter Rodney, detalha o impacto da escravidão e do colonialismo na história da África. Escrita em 1972 e publicada agora pela primeira vez em língua portuguesa, a obra, considerada uma obra-prima da economia política, argumenta que o inabalável “subdesenvolvimento” africano não é um fenômeno natural, e sim um produto da exploração imperial do continente, prática que continua até hoje. Um dos principais argumentos ao longo do livro é o de que a África desenvolveu a Europa na mesma proporção em que a Europa deliberadamente subdesenvolveu o continente africano.

Rodney detalha as formas de exploração econômica de diversos povos e regiões, primeiro como fornecedores de mão de obra escravizada e, depois, como mão de obra assalariada extremamente subvalorizada. Além disso, aborda como se deu a intervenção direta do modo de produção capitalista nas práticas econômicas típicas de cada povo e região, na divisão sexual do trabalho tradicional dos povos africanos e na educação formal durante o colonialismo.



Em "A nova era do império", o sociólogo britânico Kehinde Andrews reconstrói a história do Ocidente para demonstrar que racismo, xenofobia e afetos correlatos não são fenômenos regressivos ou anacrônicos. Pelo contrário, longe de significarem o retorno a um passado que a modernidade teria há tempos enterrado, eles seguem presentes, como substrato da sensibilidade cotidiana e cimento de nossa estrutura social.

Assolada por uma crise de representatividade sem precedentes, desprovida de utopias que possam conter o avanço predatório do capitalismo e sob a ameaça iminente da emergência climática, a civilização ocidental procura uma saída que não pode mais ser oferecida por nenhuma de suas (des)ilusões de progresso. “É a chance de recusar a próxima atualização de sistema do imperialismo, destruir o hard drive e criar uma estrutura inteiramente nova para o sistema político e econômico mundial.”

terça-feira, 13 de maio de 2025

Por que não comemoramos o 13 de maio

 


13 de maio de 2025. 137 anos da abolição formal da escravidão. Apesar disso, os homens Negros continuam sendo o principal alvo da violência urbana, seja institucional ou não, alvos do genocídio e do encarceramento em massa, disfarçados de "guerra contra as drogas". 

As mulheres Negras continuam na base da pirâmide, recebendo os menores salários. 

Somos a maioria da população, mas não somos representados na política, na mídia nem nos cargos de chefia das grandes empresas. Trocamos as correntes enferrujadas por correntes douradas, fingindo ser livres, enquanto ainda existe trabalho "análogo à escravidão" em várias partes do Brasil e do mundo.

O racismo é crime inafiançável e imprescritível, mas não conheço ninguém que realmente tenha sido punido.

A escravidão legalizada acabou, mas todas as pessoas que vivem hoje no Brasil são heranças de um passado que nunca esteve tão presente. Muitos têm sangue Negro nas veias; outros, nas mãos.

Muito a denunciar. Nada a comemorar.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

2 de fevereiro, dia da rainha!

 


No dia 2 de fevereiro, celebramos Yemanjá, "a mãe cujos filhos são peixes", divindade dos povos Iorubá (Nigéria). Senhora dos mares, protetora dos pescadores, deusa da fertilidade e da prosperidade. Mãe dos Orixás.

Em Salvador, o culto a Yemanjá se destaca por não ser associado sincreticamente a nenhuma santa católica, como ainda acontece com outras divindades do Candomblé. Mãe Stella de Oxóssi sempre dizia que "santo é santo e orixá é orixá", ressaltando que o sincretismo foi importante durante a escravidão para a manutenção das religiões de matrizes africanas, que foram proibidas por séculos, pudessem continuar existindo, mas que hoje não é mais necessário.

É muito bom ver as praias cheias nesta data, mas ainda espero ver o respeito às religiões afro-brasileiras e indígenas no decorrer do ano.

Importante também preservar a origem Negra e Africana de Yemanjá, pra que a imagem dela sobreviva ao epistemicídio e ao embranquecimento, como já aconteceu com outras figuras históricas, mitológicas e religiosas pelo mundo.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Sugestão de leitura: "A Tragédia da Injustiça Branca", de Marcus Garvey

 


🔴⚫🟢 A Tragédia da Injustiça Branca, publicado pela Editora Ananse (@editorananse), é uma obra escrita por Marcus Mosiah Garvey enquanto ele estava preso em 1927, por uma falsa acusação do governo dos EUA.

Este livro de poesias oferece uma reflexão profunda sobre a opressão sofrida pelos povos pretos, ao mesmo tempo em que se apresenta como um chamado à ação, à emancipação e à autodeterminação. Garvey, ao falar sobre a finalidade deste livro, afirmou que o objetivo era "dar ao Negro um pensamento, com a esperança de inspirá-lo para a libertação de si mesmo dos terríveis tentáculos do preconceito e da exploração da raça".

Por meio de sua poesia, Garvey transforma suas ideias em uma forma de arte poderosa, dando voz às suas convicções de maneira que transcende o tempo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

20 de Novembro, Dia da Consciência Negra



 "Até que os leões tenham suas próprias histórias, os contos de caça glorificação sempre o caçador" (provérbio africano).

20 de Novembro, Dia da Consciência Negra. Vamos assumir o protagonismo da nossa história. Deixe que os adversários apareçam! Eles sempre se incomodaram com qualquer tentativa de reação, desde Palmares. Quanto mais deles aparecerem pelo caminho, maior a certeza de que estamos no caminho certo. Ubuntu! Ufanisi!

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

"Você é meu inimigo!"

 


Em 1967, Muhammad Ali se recusou a lutar na Guerra do Vietnã, por motivos religiosos e por não concordar com ela. Sua postura corajosa teve como consequência a prisão, perda dos seus títulos de campeão de boxe e banimento do esporte por mais de três anos, o que atrapalhou momentaneamente sua carreira, mas ajudou a imortalizá-lo como defensor dos direitos civis e da luta antirracista. 

"Eu não vou esquivar. Eu não estou queimando nenhuma bandeira. Não estou fugindo para o Canadá. Eu fico bem aqui. Você quer me mandar para a cadeia? 

Ok, vá em frente. Estou preso há 400 anos.

 Eu poderia ficar lá por mais 4 ou 5, mas não vou viajar 10.000 milhas para ajudar a matar outras pessoas pobres. 

Se eu quiser morrer, vou morrer aqui mesmo, agora, lutando contra você. Você é meu inimigo, não um chinês, um vietcongue, um japonês. 

Você é meu inimigo quando quero liberdade. Você é meu inimigo quando quero justiça. Você é meu inimigo quando quero igualdade. 

Você quer que eu vá a algum lugar e lute por você? Você nem mesmo vai me defender aqui na América, nem meus direitos ou minhas crenças religiosas. 

Você não vai me defender nem aqui, na minha casa."

Ali venceu muitas lutas, mas sua maior vitória foi fora dos ringues.

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Obaluaê tem as feridas transformadas em pipoca por Iansã

 


Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás.

Obaluaê não podia entrar na festa, devido a sua medonha aparência.

Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro.

Ogum, ao perceber a angústia do orixá, cobriu-o com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar os festejos.

Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava,  compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia.

Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão.

O xirê estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas equedes.

Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam sua pestilência.

Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaê pularam para o alto, transformadas em uma chuva de pipocas que se espalharam brancas pelo barracão.

Obaluaê, o deus das doenças, transformou-se num jovem belo e encantador.

Obaluaê e Iansã Igbalê tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.


(Reginaldo Prandi, Mitologia dos Orixás, p. 206-207)

Kwame Nkrumah e o Panafricanismo

 


"Não é somente a unidade que pode nos fundir em uma força efetiva, capaz de criar nosso próprio progresso e fazer nossa valiosa contribuição para a paz mundial? Que Estado africano independente reivindicará que sua estrutura financeira e instituições bancárias estão totalmente ligadas ao seu desenvolvimento nacional? Quem afirmará que seus recursos materiais e energias humanas estão disponíveis para suas próprias aspirações nacionais? Estamos aprendendo rapidamente que a independência política não é suficiente para nos livrar das consequências do domínio colonial. Temos estado muito ocupados cuidando de nossos Estados separados para entender completamente a necessidade básica de união, enraizada em um objetivo comum, em um planejamento comum e em um esforço comum."

Kwame Nkrumah, presidente de Gana, em discurso na Organização da Unidade Africana, 1963.


terça-feira, 2 de julho de 2024

Maria Quitéria e a Independência do Brasil

 

Monumento a Maria Quitéria na Praça da Soledade, palco das lutas pela independência do Brasil em Salvador.

A Bahia celebra HOJE a Independência do Brasil. Uma história que a maioria dos livros didáticos sudestinos não conta, por terem forjado uma ideia de "história oficial", baseada apenas nos grandes (e questionáveis) feitos dos "grandes homens", quase sempre brancos do sul e do sudeste.


Ao contrário do que é contado há gerações, nossa independência não começou nem terminou com D. Pedro I às margens do Ipiranga. A expulsão definitiva dos portugueses do solo brasileiro se deu em um longo e violento processo, que durou cerca de 13 meses, em várias cidades da Bahia, e consolidada em 2 de julho de 1823, no bairro de Pirajá, em Salvador, com intensa participação de negros, indígenas e muitas mulheres de destaque, a exemplo de Maria Quitéria.


 Maria Quitéria juntou-se voluntariamente às tropas que lutavam contra os portugueses em 1822 e se tornou a primeira mulher a integrar o Exército Brasileiro. Ela cortou o cabelo, utilizou o nome e o uniforme de seu cunhado José Medeiros, e se infiltrou,  ficando conhecida como "soldado Medeiros", já que somente homens poderiam fazer parte.


Ela acabou sendo descoberta pouco tempo depois, mas sua ação em batalha foi tão importante que o major Silva e Castro não permitiu que ela saísse das tropas.


 Quitéria passou, então, a adotar seu nome verdadeiro e adicionou uma saia ao  uniforme, já que ainda não existiam uniformes femininos. Sua coragem em ingressar em um meio masculino chamou a atenção de outras mulheres, as quais passaram a juntar-se às tropas e formaram um grupo comandado por Quitéria.


Após a derrota dos portugueses, foi promovida a cadete e reconhecida como Heroína da Independência. Dom Pedro I a concedeu o título de “Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro”.


Em 1953, no centenário de sua morte, o governo brasileiro decretou que seu retrato estivesse presente em todos as repartições e unidades do Exército. No mesmo ano, na Praça da Soledade, um dos locais fundamentais na luta pela emancipação em Salvador, sua estátua foi inaugurada. Em Feira de Santana, sua cidade natal, também existe um monumento na via que leva o seu nome, inaugurada em 2002.



domingo, 30 de junho de 2024

Talento e empoderamento Negro ao longo dos anos

 


Três dos maiores e mais prolíficos artistas brasileiros juntos para uma entrevista ao Fantástico. É impossível contar a história do teatro, televisão, música ou cinema do Brasil sem mencionar Tony Tornado (95 anos), Zezé Motta (80 anos) e Antônio Pitanga (85 anos).

Além da importância pro país como um todo, eles também são figuras históricas na luta pelo empoderamento Negro e contra o racismo. 

Seja interpretando personagens fortes, como Ganga Zumba (Pitanga) e Xica da Silva (Zezé Motta na versão original, que, depois, foi interpretada por Taís Araújo) ou na música, como Tony Tornado, a questão racial sempre esteve presente em seus trabalhos, buscando sair do lugar-comum que sempre nos foi relegado, mesmo em momentos menos favoráveis. 

Não que isso seja muito mais fácil agora, mas ver tudo que eles construíram ao longo dos anos segue inspirando várias gerações de Negras e Negros orgulhosos.

sábado, 25 de maio de 2024

25 de maio - Dia da África

 



Criado em 25 de maio de 1963, em Addis Abeba, Etiópia, pela Organização de Unidade Africana (OUA), e tendo o imperador Hailé Selassié como anfitrião, o dia tem um profundo significado na memória coletiva dos povos do continente africano. O ato da assinatura configurou-se no maior compromisso político de seus líderes, que visaram à aceleração do fim da colonização do continente e do regime segregacionista do Apartheid.

Instituído em carta assinada por 32 Estados africanos, o dia da África é a manifestação do desejo de aproximadamente 800 milhões de africanos de organizar, de maneira solidária, os múltiplos desafios na construção do futuro de uma África real, com seus governos e sonhos, além de desenvolvimento, democracia e progresso.

Apenas 5 países do continente africano adotaram o feriado público pela celebração, são eles: Gana, Mali, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe. No entanto, comemorações são realizadas de maneira geral pelos países africanos, bem como pelos africanos da diáspora e descendentes.

A carta foi assinada por todos os participantes no dia 26 de maio, com a exceção de Marrocos. Nessa reunião, O Dia da Liberdade de África foi renomeado Dia da Libertação de África. Em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana. No entanto, a celebração, renomeada como Dia da África continuou a ser comemorada a 25 de Maio, por respeito à formação da OUA.


"Não sou africano porque nasci em África, mas porque a África nasceu em mim." 🍃🍂

(Kwame Nkrumah)


Fonte: Palmares Fundação Cultural/Wikipédia 


sábado, 27 de abril de 2024

"FEMINISMOS EM DEBATE: Reflexões sobre a Organização do Movimento de Mulheres Negras em Salvador", de Silvana Bispo

 


Finalmente saiu o livro da minha amiga/irmã Silvana Bispo! Segue o resumo e o link pra quem quiser adquirir no site da editora Dialética (a mesma que publicou o meu livro):

"FEMINISMOS EM DEBATE: Reflexões sobre a Organização do Movimento de Mulheres Negras em Salvador" é uma obra inspiradora que mergulha nas experiências do ativismo das mulheres negras no Brasil, com foco especial na vibrante cena de Salvador.

 Através de uma cuidadosa pesquisa e análise acadêmica, esta obra destaca as formas de (re)existências, trajetórias e lutas promovidas por cinco ativistas negras na capital baiana. As experiências dentro do Movimento Negro Unificado – MNU (sessão Bahia) são refletidas, ao passo do Grupo de Mulheres (GM). 

A autora, uma voz afirmativa e inspirada no movimento, oferece uma visão única das experiências vividas por mulheres negras, compartilhando narrativas pessoais e histórias de vida que refletem o cotidiano e a luta por pertencimento e reconhecimento dos feminismos negros. 

Este livro é uma homenagem ao movimento de mulheres negras brasileiras, uma celebração de suas vozes e um tributo às suas (re)existências. A obra apresenta as estratégias forjadas pelas ativistas negras no processo de afirmação de suas lutas e localizações político-sociais. A partir de uma perspectiva interseccional e valendo-se da história oral, vozes, histórias e memórias são registradas. Trata-se de uma obra fundamental para a compreensão da história das mulheres negras na Bahia e no Brasil e para o fortalecimento de múltiplas formas de luta pelo bem viver com igualdade e solidariedade racial, de classe e de gênero.


Link para o site da Editora Dialética

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Dia de Thomas Sankara

 


21 de Dezembro, aniversário do Revolucionário de Burkina Faso, Capitão Thomas Sankara.


"Poucas pessoas da esquerda conhecem Thomas Sankara. 


Ele, que é considerado o Che Africano por suas semelhanças com o guerrilheiro argentino (desde a boina até o fato de falar francês e a amizade com Fidel) comandou um pequeno país africano por menos de uma década, mas fez ele progredir de forma extremamente rápida.


Em 1983, ele – então um capitão de 33 anos – liderou um golpe popular contra o governo do Alto Volta(antiga colônia francesa) e mudou completamente a política daquele país empobrecido.


A primeira ação foi mudar o nome do país para Burkina Faso (‘’Terra dos Homens Justos’’ na língua local) para tornar o país independente e destruir o odiado passado colonial. Não só isso, mas ainda livrou o país das dívidas e da influência do FMI e do Banco Mundial.


Suas políticas domésticas focaram em evitar a fome com uma reforma agrária com ênfase na autossuficiência, priorização da educação com uma campanha nacional de alfabetização, e promoção da saúde pública ao vacinar milhões de crianças contra doenças como meningite e febre amarela. Ainda fez uma ambiciosa campanha de construção de estradas e trilhas.


Sankara também fez coisas maravilhosas para as mulheres. Mulheres conseguiram cargos em seu governo, que proibiu a mutilação genital, a poligamia e os casamentos forçados. Fez muito mais: encorajou-as a permanecer trabalhando e estudando mesmo se grávidas. Veja o discurso de Sankara sobre as mulheres em espanhol:


http://andaluciaproletaria.blogspot.com/2010/01/la-liberacion-de-la-mujer-una-exigencia.html


Para combater os corruptos, Sankara chegou a instituir tribunais revolucionários e mesmo Comitês de Defesa da Revolução (baseando-se na Revolução Cubana, que ele admirava).


Tais atitudes irritaram muito os imperialistas franceses. 4 anos depois de tomar o poder, foi deposto e assassinado em um golpe financiado por um cara que era seu companheiro, Blase Compaoré, pago pela França que foi presidente do país, e hoje está exilado na Costa do Marfim.


Uma semana antes de morrer, declarou: 


‘’Você pode matar um revolucionário, mas não pode matar idéias’’."

Sankara terminava sempre seus discursos com a frase: "A Pátria ou a morte! Venceremos!"

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Assata Shakur - Uma Autobiografia

 


A vida de Assata Shakur, nascida Joanne Chesimard, em 16 de julho de 1947,  é um poderoso testemunho da luta por liberdade. Natural de Nova York, Assata, além de tia e madrinha do rapper Tupac Shakur, militou nos Panteras Negras, no Exército de Libertação Negra, foi alvo do programa de contrainteligência do governo norte-americano contra os movimentos radicais negros, foi presa, fugiu da prisão, entrou na lista de “terroristas mais procurados” do FBI, e hoje vive em Cuba – acolhida como exilada política há cerca de quatro décadas. Sua história de vida e seus poemas – com frequência declamados nas recentes manifestações organizadas por militantes do Black Lives Matter – inspiram agora uma nova geração na luta contra o racismo e o capitalismo.

A recusa ao nome de batismo, e a adoção de outro que representasse seu espírito subversivo, foi expressão, em meio aos conturbados acontecimentos do final dos anos 60, de sua escolha política em se definir militante, em antagonismo contra um sistema que perpetuava desigualdades e opressões – não lhe cabia o nome que lhe fora legado pela escravidão. A liberdade que Assata buscava, no entanto, não poderia ser apenas uma conquista individual, mas necessariamente uma prática coletiva: a emancipação de todo o povo oprimido.

Em sua autobiografia, Assata Shakur entrelaça duas narrativas. Em uma, fala de sua infância e juventude como menina e mulher dentro da comunidade negra estadunidense entre as décadas de 1940 e 1970. Na outra, conta sua trajetória como ativista antirracista, sua passagem pelo Partido dos Panteras Negras e pelo Exército de Libertação Negra, e as estratégias do FBI que a levaram a ser injustamente condenada pela morte de um policial ocorrida durante a emboscada cinematográfica em que foi presa. 

O livro conta com prefácios de Angela Davis e Lennox Hinds, além de apresentação da historiadora Ynaê Lopes dos Santos.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Revolução Africana: Uma antologia do pensamento marxista

 


"O racismo se apresenta enquanto um elemento indispensável para o sistema da divisão da sociedade em classes. Ao mesmo tempo, uma luta abstratamente anticapitalista não será capaz de mobilizar o povo Negro trabalhador para a vitória contra a opressão. Para tanto, é necessário que a luta contra o racismo seja parte da luta contra o capitalismo ".

Revolução Africana é uma antologia de artigos escritos por alguns dos autores apontados como os representantes mais radicais do pensamento marxista africano, ao longo de 30 anos de luta pela independência e contra o imperialismo. Entre eles estão Frantz Fanon, Kwame Nkrumah, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Agostinho Neto, Samir Amin e Thomas Sankara.

O livro trata de temas como o racismo na sociedade de classes, a mentalidade colonial, a idealização do passado africano e a opressão patriarcal no continente, entre outros temas. Essa coletânea oferece ao público algumas perspectivas teóricas que dizem respeito não apenas à Revolução Africana, mas também à própria luta contra o racismo no Brasil atual.


quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Há 136 anos, nascia Marcus Garvey

 


"Um povo sem o conhecimento de sua história passada, origem e cultura é como uma árvore sem raízes."


Há 136 anos, em 17 de agosto de 1887, nascia Marcus Mosiah Garvey, em Saint Ann's Bay, Jamaica.


É considerado um dos maiores ativistas da história do movimento nacionalista Negro e fundador do Pan-Africanismo. É lembrado como o principal idealista do movimento de “volta para a África”.  

Este retorno, no entanto, não necessariamente precisa ser físico. É um movimento ideológico, espiritual e intelectual,  no sentido de resgatar os valores, a estética e a cultura africana, que foram constantemente vilipendiados pelos colonizadores europeus e seus descendentes.




Em 1° de agosto de 1914, na Jamaica, Garvey formou a AUPN, Associação Universal para o Progresso Negro (ou do inglês: Universal Negro Improvement Association, UNIA), adotando a bandeira em vermelho, preto e verde. O lema da UNIA era "One God! One Aim! One Destiny!" ("Um Deus! Uma aspiração! Um destino!"). Garvey era o presidente da associação, que pretendia unir “todas as pessoas de ascendência africana do mundo em uma grande massa estabelecida em um país e governo absolutamente próprios.”


Entre os objetivos da UNIA estavam:


– Promoção da consciência e da unidade na raça Negra, da dignidade e do amor;


– Desenvolvimento da África, livrando-a do domínio colonial e transformando-a numa potência;


– Protesto contra o racismo e a perda dos valores africanos;


– Ensino da cultura africana para pessoas Negras


– Promover o desenvolvimento comercial e industrial pelo mundo;


– Auxiliar os despossuídos em todo o mundo.


Marcus Garvey faleceu em Londres, no dia 10 de junho de 1940, mas seus ideais seguem mais vivos do que nunca!


#MarcusGarvey #Panafricanismo #RBG #Ubuntu #Ufanisi

terça-feira, 18 de julho de 2023

105 anos de nascimento de Nelson Mandela

 


Hoje, Madiba completaria 105 anos.

"Não nasci com fome de liberdade. Nasci livre - livre em todas as formas que eu conhecia. Desde que eu obedecesse meu pai e respeitasse a tradição da minha tribo, eu não era incomodado pela lei dos homens ou de Deus.

Foi apenas quando comecei a aprender que a minha liberdade da infância era uma ilusão, quando descobri, ainda jovem, que a minha liberdade já havia sido tirada de mim, que comecei a sentir fome dela.

Então, lentamente vi que não apenas eu não era livre, mas os meus irmãos e irmãs não eram livres. Vi que não era apenas a minha liberdade que havia sido cerceada, mas a liberdade de todos aqueles que tinham a mesma aparência que eu.

(Nelson Mandela, "Longa Caminhada Até a Liberdade", p.762-763)