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sábado, 26 de julho de 2014

25 de Julho - Dia Internacional da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha


A todas as mulheres Negras que lutam e resistem contra todos os tipos de preconceitos. Por um mundo menos desigual e mais plural. Que todas as pessoas tenham seus direitos reconhecidos, e suas diferenças respeitadas.
Axé 
Ufanisi

domingo, 20 de novembro de 2011

Dia da Consciência Negra. Dia de reflexões

O país cresce, se consolida na esfera internacional, redistribui renda, diminui a taxa de analfabetismo, sobe posições em seu IDH e mantém sua população negra em padrões de vida semelhantes aos países da África Subsaariana. O país vai bem, os negros vão mal. (Douglas Belchior e Jaime Amparo Alves)



Mais do que apenas comemorações e tambores, neste dia 20 de Novembro, não podemos esquecer que o racismo ainda é muito grande no Brasil. Que nós Negros e Negras ainda temos salários inferiores aos dos brancos, ainda que desempenhemos as mesmas funções. Que ainda somos minoria nas universidades públicas, sobretudo em cursos de maior prestígio, como Medicina e Direito, apesar das Ações Afirmativas que, mesmo sofrendo duras críticas daqueles que sentem o seu "lugar ameaçado", estão fazendo um bom papel através do Sistema de Cotas na tentativa de democratizar o acesso das pessoas que historicamente ficaram à margem do "progresso".
Os Negros ainda são ignorados pela mídia nos comerciais, em papéis de destaque e em aspectos positivos, restando apenas as páginas e programas policiais.
O presidente dos Estados Unidos, a Miss Universo, as vencedoras do Prêmio Nobel da Paz e outras pessoas notáveis no mundo são Negras, sinal de que a mudança já começou em vários aspectos. Essas mudanças ainda precisam chegar até o Brasil de maneira mais efetiva. Já provamos que, ao contrário das teorias racialistas do século XIX, que ainda ecoam no século XXI, somos bonitos, inteligentes e capazes, como qualquer outra pessoa, o que nos falta ainda são as oportunidades. Mas não precisaremos pedir, continuaremos conquistando o que é nosso com os nossos próprios esforços!
Viva Zumbi!
Salve os Panteras Negras e os heróis da Revolta dos Búzios!
Salve Nelson Mandela, Martin Luther King, Bob Marley, Mestre Pastinha, Mestre Roque, Vovô do Ilê, Angela Davis, Mãe Stella de Oxóssi, Elisa Lucinda e todos os Negros e Negras que se separaram de suas famílias, atravessaram oceanos e sangraram durante séculos de escravidão para que eu pudesse estar aqui hoje escrevendo isso.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Libação, Por Elisa Lucinda


Cena do filme "À Procura da Felicidade", com Will e Jaden Smith.


É do nascedouro da vida a grandeza.
É da sua natureza a fartura
a proliferação
os cromossomiais encontros,
os brotos os processos caules,
os processos sementes
os processos troncos,
os processos flores,
são suas mais finas dores

As conseqüências cachos,
as conseqüências leite,
as conseqüências folhas
as conseqüências frutos,
são suas cores mais belas

É da substância do átomo
ser partível produtivo ativo e gerador
Tudo é no seu âmago e início,
patrício da riqueza, solstício da realeza

É da vocação da vida a beleza
e a nós cabe não diminuí-la, não roê-la
com nossos minúsculos gestos ratos
nossos fatos apinhados de pequenezas,
cabe a nós enchê-la,
cheio que é o seu princípio

Todo vazio é grávido desse benevolente risco
todo presente é guarnecido
do estado potencial de futuro

Peço ao ano-novo
aos deuses do calendário
aos orixás das transformações:
nos livrem do infértil da ninharia
nos protejam da vaidade burra
da vaidade "minha" desumana sozinha
Nos livrem da ânsia voraz
daquilo que ao nos aumentar
nos amesquinha.

A vida não tem ensaio
mas tem novas chances

Viva a burilação eterna, a possibilidade:
o esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
a duração inútil dos rancores

Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!

(Do livro euteamo e suas estréias)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Lilith Balangandã (Poema de Elisa Lucinda)



Ponho o lenço do pescoço na cabeça
Molho os cabelos com calma
uma mulher é uma espécie de alma com enfeite
Chega diante do espelho
adorna-se como uma árvore de natal
nem é natal
mas ela vai dar bola
Às vezes não varre o quintal
mas pinta as maçãs
blushes ruges
Às vezes não costura
mas realça cortinas
cílios rímel lápis
Às vezes não conserta as portas
mas pinta as bordas das janelas
pálpebras delineador sombra
Mulher é uma Eva encantada
de espalhar-se por fora
em paraíso
batom cintura tesão juízo
pulseiras brincos balangandãs
são seus sonhos de fachada
que repetem de dentro
que rondam a porta da casa
Invento de princesa
Durante todas as primaveras
um cardume de cinderelas
ainda insiste dentro dela.