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sábado, 3 de novembro de 2018

Bahia usará uniformes em alusão ao Novembro Negro

A lista de relacionados para o jogo contra a Chapecoense foi modificada como homenagem a diversas personalidades Negras.

Ao longo de 2018 o Bahia já realizou ações em homenagem à luta dos povos indígenas (jogo contra o Atlético-PR), das pessoas com deficiência (Palmeiras) e das mães com filhos desaparecidos (São Paulo), assim como iniciativas contra intolerância religiosamachismo e homofobia, entre outros temas.
Desta vez, o Esquadrão aproveitará a partida deste domingo (4), diante da Chapecoense, pelo Campeonato Brasileiro, para destacar o início do Novembro Negro, o mês nacional da Consciência Negra.
O período é dedicado à reflexão sobre a inserção do povo negro na sociedade brasileira e a data exata (20/11) foi escolhida por coincidir com a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.
Confira os 20 homenageados nas camisas dos atletas do principal clube da capital mais negra do país:
ZUMBI (1655-1695)
Conhecido como Zumbi dos Palmares, foi um dos pioneiros da resistência contra a escravidão e o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial.

MILTON SANTOS (1926-2001)
Primeiro e único latino-americano a ganhar o “prêmio Nobel” da geografia mundial. Baiano, destacou-se pelos estudos sobre globalização e urbanização no Terceiro Mundo.

DANDARA (?-1694)
Guereira negra do período colonial do Brasil. Após ser presa, suicidou-se para não retornar à condição de escrava. Foi esposa de Zumbi, com quem teve três filhos.

MOA (1954-2018)
Considerado um dos maiores mestres de capoeira de Angola da Bahia, Moa do Katendê também foi fundador do bloco afoxé Badauê.

LUIZA BAIRROS (1953-2016)
Gaúcha radicada na Bahia, onde construiu seu histórico de militância negra. Doutora em Sociologia pela Universidade de Michigan, foi ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

GANGA ZUMBA (1630-1678)
Primeiro líder do Quilombo dos Palmares e antecessor de seu sobrinho, Zumbi.

MARIA FELIPA (?-1873)
Marisqueira, pescadora e trabalhadora braçal, liderou um grupo de 200 pessoas, entre mulheres e índios, contra os portugueses que atacavam a Ilha de Itaparica, em 1822. É considerada uma das heroínas da luta da Independência da Bahia.

MÃE MENININHA (1894-1986)
Mais famosa ialorixá da Bahia e uma das mais admiradas mães-de-santo do Brasil. Foi responsável por abrir as portas do Terreiro do Gantois, em Salvador, aos brancos e católicos.

LUIS GAMA (1830-1882)
Baiano, é considerado o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos negros.

BATATINHA (1924-1997)
Um dos maiores nomes do samba da Bahia, foi homenageado por artistas como Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia.

EDERALDO GENTIL (1947-2012)
Cantor e compositor da geração mais talentosa do samba baiano, ao lado de Batatinha. Foi gravado por nomes como Clara Nunes.

NEGUINHO DO SAMBA (1954-2009)
Músico baiano, criador do estilo samba-reggae e fundador do grupo Olodum e da banda Didá, ambos com sede no Pelourinho

MESTRE BIMBA (1900-1974)
Criador da Luta Regional Baiana, mais tarde chamada de capoeira regional. Foi o responsável por tirar a capoeira da marginalidade.

LUÍSA MAHIN (Séc. XIX)
Mãe de Luis Gama e africana radicada no Brasil, liderou as principais revoltas e levantes de escravos que sacudiram a Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX.

JONATAS CONCEIÇÃO (1952-2009)
Poeta e professor da UNEB, foi um dos fundadores do Movimento Negro Unificado na Bahia. Era diretor do bloco Ilê Aiyê, onde coordenava o projeto pedagógico.

TEODORO SAMPAIO (1855-1937)
Filho de escrava, foi um dos maiores pensadores brasileiros de seu tempo. Nascido na Bahia e engenheiro por profissão, escreveu obras de vasta erudição geográfica e histórica.

BIRIBA (1938-2006)
Um dos maiores ídolos da história tricolor, campeão brasileiro de 1959.  Nascido no bairro de Itapuã, preferia jogar na ponta direita, mas aceitou mudar de lado para formar dupla infernal com Marito, outro expoente do Esquadrão.

CARLITO (1927-1980)
Maior artilheiro do Bahia em todos os tempos, com 253 gols em 13 anos de clube, de 1946 a 59. É também o maior goleador tricolor na história dos Ba-Vis, com 21 tentos marcados.

MANOEL QUERINO (1851-1923)
Fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, foi pintor, escritor, abolicionista e pioneiro nos registros antropológicos e na valorização da cultura africana na Bahia.

EDISON CARNEIRO (1912-1972)
Escritor nascido em Salvador, foi também um dos maiores etnólogos brasileiros a estudar a cultura afro-brasileira. Jornalista, professor e folclorista, é autor da obra “Quilombo dos Palmares”.

Fonte: Site Oficial do Esporte Clube Bahia

terça-feira, 5 de abril de 2016

Ao Som dos Atabaques: Costumes Negros e as Leis Republicanas em Salvador-BA (1890-1939)



Hoje é um dia simbólico pra mim. Há 5 anos atrás, no dia 05 de abril de 2011, defendi minha Dissertação de Mestrado em História Regional e Local pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB - Campus V, em Santo Antônio de Jesus-BA), na Linha de Pesquisa Estudos Sobre Trajetórias das Populações Afro-brasileiras.

Como eu disse na época, agradeço aos Orixás e a todos os espíritos ancestrais que possibilitaram que, no dia 13 de maio de 2009, exatamente 121 anos depois da abolição oficial da escravidão no Brasil, em que aos Negros era vedado o direito à educação e era proibido até mesmo saber ler e escrever, eu tivesse a minha primeira aula em um curso de pós-graduação de uma Universidade pública. Não conquistei nada disso sozinho. Tenho plena consciência da luta de muitas pessoas que vieram antes de mim para tornar este fato possível. Sei também do papel da minha família, dos meus amigos, professores e das minhas orientadoras Nancy Assis, desde a graduação, e Isabel Reis, em todas as etapas do processo.

Tenho orgulho de reafirmar minha condição de COTISTA, assim, com todas as letras maiúsculas, pra provar que o abismo que separa brancos e Negros no Brasil é motivado simplesmente pelas oportunidades historicamente desiguais.

Falando sobre a dissertação, o presente estudo se propõe a analisar algumas medidas governamentais e jurídicas tomadas desde o final do século XIX até as primeiras décadas do século XX e perceber até que ponto, explícita ou implicitamente, estas leis buscaram exercer certo controle sobre as práticas culturais majoritariamente negras em Salvador – a exemplo do Candomblé e da Capoeira –, com o intuito de levar à frente os ideais de “modernização” e de “exclusão dos indesejáveis”, agora que esta parcela da população não se encontrava mais sob o controle e a perseguição de senhores, feitores e capitães-do-mato. Jornais e documentos policiais, como portarias e processos-crime, também são utilizados, com o intuito de verificar a aplicação das leis republicanas (ou sua violação) no cotidiano da cidade, principalmente no que se refere aos costumes mais comuns às populações negras.


Compartilhando conhecimentos, espero que este trabalho seja útil a quem ler. Isso é Ubuntu.

Ao Som dos Atabaques. Costumes Negros e as Leis Republicanas em Salvador (1890-1939)

sábado, 28 de dezembro de 2013

3 anos de Ufanisi!


Este ano, por motivos diversos, não pude me dedicar ao blog como gostaria, mas nunca me afastei daqui , e quero agradecer a todas as pessoas que abraçaram essa ideia desde 2010, que surgiu totalmente despretensiosa, mas alcançou pessoas que eu não imaginava ser possível.
Agradecer a ícones como Nelson Mandela e Bob Marley, inspirações para o UFANISI desde o primeiro dia de postagem. A pessoas que me inspiraram com sua simplicidade e me ensinaram a ver o mundo de uma forma mais positiva, como Mestre Roque, da Associação de Capoeira Ogunjá, em Santo Antonio de Jesus-BA. 
Aos que me mostram que devemos ser humildes, mas nunca devemos baixar a cabeça diante de uma injustiça, nem fechar os olhos ao que nos inquieta. Ter autoconfiança, autoestima, se amar da maneira que você é e saber reconhecer seus próprios méritos não podem ser confundidos com vaidade ou soberba.
A todos os professores e alunos que já tive e ainda terei, por, diariamente, me ajudarem a buscar o caminho para ser uma pessoa melhor.
 Que os bons exemplos superem os maus, e que a gente possa viver em um mundo mais justo. Que as nossas diferenças nos unam, em vez de nos separarem ainda mais. Que ninguém seja julgado ou maltratado por pensar, ter religião, opção sexual, raça/etnia/cor de pele, visão política ou time de futebol diferente daqueles que se julgam hegemônicos.
Desejo um 2014 plural a todos nós. Porque ser igual a todo mundo é muito chato. ;)


PROSPERIDADE

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Saudades da Capoeira

Mestre Roque, da Academia de Capoeira Ogunjá

Bom, hoje é sexta-feira, tá anoitecendo no momento em que eu escrevo e de repente bateu uma saudade louca da minha academia de Capoeira, a Ogunjá, em Santo Antonio de Jesus, cidade do Recôncavo da Bahia, onde morei por mais ou menos 6 anos, enquanto estudava.
As aulas acontecem as segundas e quartas e, tradicionalmente, às sextas-feiras acontecem as rodas, onde todo mundo joga. Pode ser tanto no espaço da academia quanto em alguma das praças da cidade. É nessa hora que a gente vê o quanto tá aprendendo de verdade e é um momento de descontração, apesar de ser tão sério quanto as aulas.
Lá pude aprender a valorizar ainda mais coisas como o respeito à ancestralidade e a transmissão de conhecimentos através dos bons exemplos e das regras de conduta. Ouvir o Mestre falando depois das aulas e das rodas era um dos melhores momentos pra mim. Ele, que já tem uma certa idade, sempre passava suas experiências e teve uma dose extra de paciência comigo, que cheguei sem saber nada mas sempre me dediquei a aprender tudo.
(In)felizmente meus estudos acabaram, e eu tive que voltar pra Salvador. Às vezes nossas obrigações cotidianas do mundo capitalista nos afastam das pessoas e das atividades que gostamos, mas elas nunca saem de nosso coração. Dedico a música a seguir ao meu Mestre de Capoeira Roque dos Anjos e a todo mundo na Academia de Capoeira Ogunjá. Desculpem meu egoísmo falando de algo tão particular, mas é que realmente sinto falta do meu lugar.


Às Vezes Me Chamam De Negro


Às vezes me chamam de negro
Pensando que vão me humilhar
Mas o que eles não sabem
É que só me fazem lembrar
Que eu venho daquela raça
Que lutou pra se libertar

Que eu venho daquela raça
Que lutou pra se libertar

Que criou o Maculelê
Que acredita no Candomblé
Que tem o sorriso no rosto
A ginga no corpo e o Samba no pé

Que tem o sorriso no rosto
A ginga no corpo e o Samba no pé

Que fez surgir de uma dança
Uma luta que pode matar
Capoeira, arma poderosa
Luta de libertação
Brancos e negros na roda
Se abraçam como irmãos

Camarada o que é meu
É meu irmão
Meu irmão do coracão
É meu irmão