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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Um século de Malcolm X

 


Hoje, Malcolm X completaria 100 anos de vida.

Para celebrar a data, resgatei uma fala histórica registrada no livro "Malcolm X Fala", da Ubu Editora.

No apelo aos chefes de Estado africanos, no Cairo, Egito, em julho de 1964, Malcolm disse:

"Nossos problemas são vossos problemas. Vivemos há mais de trezentos anos naquele covil americano de lobos racistas, sempre com medo de perder nossa integridade física e nossa vida. Recentemente, três estudantes do Quênia foram confundidos com Negros americanos e foram brutalmente espancados pela polícia de Nova York. Pouco depois, dois diplomatas de Uganda também foram espancados pela polícia de Nova York, que os confundiu com Negros americanos.

Se africanos são brutalmente espancados apenas por visitar a América, imaginem o sofrimento físico e psicológico de que padecem vossos irmãos e irmãs que vivem lá há mais de 300 anos.

Não importa de quanta independência os africanos desfrutem aqui no continente-mãe; ao visitarem a América, a menos que estejam usando seus trajes nacionais tradicionais em todos os momentos, vocês podem ser confundidos com um de nós e sofrer a mesma humilhação psicológica e mutilação física que são ocorrências cotidianas em nossa vida."

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

60 anos de morte de Malcolm X

 


"A mais perigosa criação do mundo, em qualquer sociedade, é um homem sem nada a perder".

Há 60 anos, Malcolm X foi assassinado no Harlem, por se opor publicamente ao sistema e à sociedade racista da América. O governo dos EUA tentou, em vão, sufocar suas ideias, mas elas permanecem vivas até hoje.

"Por qualquer meio necessário!"

Rest in Power, Malcolm! ✊🏿



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

21 de fevereiro de 1965: há 59 anos, Malcolm X era assassinado

 


"Não se pode separar paz de liberdade porque ninguém consegue estar em paz a menos que tenha sua liberdade".

“Nosso método é: qualquer meio necessário. Esse é o nosso lema. Não estamos restritos a isso, ou confinados àquilo. Nós nos reservamos o direito de usar quaisquer meios necessários à proteção da nossa humanidade, ou para fazer com que o mundo nos veja e respeite como seres humanos. Quaisquer os meios necessários.”

Há 59 anos, Malcolm X foi assassinado enquanto discursava no Harlem, em circunstâncias que nunca foram bem esclarecidas até hoje. Também chamado de El-Hajj Malik El-Shabazz após sua conversão ao Islamismo, Malcolm acabou se tornando um dos maiores símbolos da autodefesa contra o racismo, contra a opressão capitalista e contra a violência policial nas comunidades Negras dos EUA e do mundo.
Seu corpo se foi, mas seu legado segue vivo.

domingo, 4 de junho de 2023

Os X-Men e os direitos civis

 


Os X-Men foram criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1963, em meio a todo o caótico cenário de racismo e da luta pelos direitos civis dos Negros e Negras nos EUA, por isso, sempre foi uma bela simbologia. Sempre será meu grupo preferido de heróis de quadrinhos.

O Professor X já foi comparado ao líder pelos direitos civis dos afro-americanos Martin Luther King Jr. , e Magneto, ao militante mais agressivo, Malcolm X. Os X-Men se referem muitas vezes ao "sonho de Xavier", o que leva a crer em uma referência à famosa frase de Martin Luther King, "Eu tenho um sonho". As revistas X têm com frequência mostrado mutantes como vítimas de violência, evocando o linchamento de afro-americanos na época anterior ao movimento pelos direitos civis americano.

Outra metáfora aos direitos civis relacionada aos X-Men diz respeito aos direitos dos LGBTQIA+. Foram feitas comparações com a situação mutante (incluindo a descoberta de seus poderes e a idade em que eles aparecem), e a homossexualidade. Isso foi demonstrado em uma cena do segundo filme dos X-Men, do diretor assumidamente homossexual Bryan Singer, em que Bobby Drake (Homem de Gelo) revela a seus pais ser mutante. Foi essa abordagem que levou o ator e ativista Sir Ian McKellen, que interpreta Magneto, a aceitar o papel. Além disso, o primeiro filme mostra uma cena em que o senador Robert Kelly diz que os mutantes devem ser proibidos de lecionar para crianças em escolas.

A história em quadrinhos ainda se envolveu, no início dos anos 1980, com a epidemia de AIDS, com uma longa subtrama sobre o Vírus Legado, uma doença aparentemente incurável que, a princípio, só afetava mutantes.

E temos também os casos de Estrela Polar que é homossexual e Mística que é bissexual. Sem contar com a relação de Hulkling com Wiccano e do também assumido Anole.

Recentemente foi lançado também o primeiro casamento gay da Marvel entre Estrela Polar (citado acima) e Kyle Jinadu, que há tempos já namoravam. A revista em questão é a "Astonishing X-Men #50".

No mês de junho, é celebrado o Dia do Orgulho LGBTQIA+, como forma de celebrar a diversidade e se impor contra a violência e o preconceito a quem é visto como "diferente", como aconteceu com os X-Men.

sexta-feira, 19 de maio de 2023

98 anos de Malcolm X

 


"Se você não se levantar por nada, cairá por qualquer coisa!"

98 anos de uma das minhas maiores referências. Nem sempre concordo, nem sempre entendo, mas leio, vejo e ouço tudo que puder. 

Em tempos de "racismo recreativo", de justiça seletiva e da nossa luta cotidiana pra permanecer vivo em um país que nos odeia, Malcolm nos lembra que devemos reivindicar o que é nosso por qualquer meio necessário! 


terça-feira, 22 de novembro de 2022

30 anos do filme "Malcolm X", de Spike Lee

 



O cineasta Spike Lee postou em seu Instagram esta imagem acima, celebrando os 30 anos de lançamento da cinebiografia do líder Negro Malcolm X. Para celebrar a data, ele organizou uma exibição especial do filme na Academia de Música do Brooklyn.

Inspirado em sua autobiografia, escrita em parceria com Alex Haley, "Malcolm X" (interpretado maravilhosamente por Denzel Washington) conta a trajetória do homem que, quando era criança, teve o pai assassinado pela Ku Klux Klan, teve a mãe internada em um manicômio e acabou cometendo vários delitos durante a juventude. Já adulto, na prisão, conheceu o Islamismo, se tornando discípulo de Elijah Mohammed e, quando saiu, acabou se transformando no líder revolucionário que incendiou os EUA e o mundo com suas ideias contra a segregação racial, durante a década de 1960. 

O filme também aborda a mudança de tom no discurso, anteriormente considerado radical, quando Malcolm retornou da peregrinação a Meca, sua mudança de nome para Malik el-Shabazz, até a sua conclusão épica.

Spike Lee é um dos maiores diretores da história do cinema. Seus filmes tem uma "impressão digital" que os tornam únicos. Mesmo com todo reconhecimento que teve ao longo de sua carreira, ele nunca foi devidamente premiado, justamente pela mensagem direta contra o racismo, presente em todos os seus filmes. Seu primeiro Oscar foi honorário, pelo conjunto da obra, em 2006. O primeiro competindo de fato só veio em 2019, por "Infiltrado na Klan". E nem foi pela direção, e sim pelo roteiro adaptado.
A atuação de Denzel Washington também é marcante, principalmente se você leu alguma biografia de Malcolm. A sensação é de que ele está mesmo lá. Com tantas falas icônicas no decorrer de suas 3 horas de duração, você nem sente o tempo passar. Cada palavra dele continua fazendo sentido, 30 anos depois.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Por qualquer meio necessário!

 


By any means necessary ("por qualquer meio necessário")

Minha 12° tattoo (a segunda de hoje) é uma frase imortalizada por Malcolm X em diversos discursos, principalmente na inauguração da Organização pela Unidade Afro-Americana, em 1964:

"Nós declaramos nosso direito de ser um homem nesta terra, de ser respeitado como ser humano, de receber os direitos de um ser humano nesta sociedade, nesta terra, neste dia que pretendemos trazer à existência, por qualquer meio necessário." 



quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Sugestão de leitura: Malcolm X Fala

 

"Malcolm X Fala", publicado pela Ubu Editora, é uma reunião dos principais discursos de Malcolm X entre 1964 e 1965 (ano de sua morte), além de cartas e entrevistas.

Sempre vale a pena ler, ver e ouvir tudo que ele fala, faço questão!


quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X

 



Estreou na Netflix o documentário "Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X". Inspirado no livro de Randy Roberts e Johnny Smith, de 2016, o filme aborda a relativamente curta, porém intensa relação entre estes dois dos maiores ícones Negros de todos os tempos.
Nas palavras do ativista Dr. Cornel West:

"Você não é amado. Isso é ser negro em um mundo de supremacia branca. Não é amado, não é cuidado, é abandonado. É visto como menos bonito, menos moral, menos inteligente... e ainda dizem para sempre ter medo. Malcolm X? Muhammad Ali? Sem chance!

Muhammad Ali e Malcolm X foram os dois Negros mais livres do século XX. Por outro lado, há um outro fardo. Há um custo tremendo em ser uma pessoa livre e amorosa."
Cada minuto desse filme vale a pena!

quarta-feira, 19 de maio de 2021

96 anos de Malcolm X

 



"Nunca, em qualquer momento da história de nosso povo neste país, fizemos avanços ou sequer progredimos de qualquer forma apenas com base na boa vontade interna deste país.

Só avançamos quando ele estava sob pressão de forças acima e além de seu controle. Porque a consciência moral interna deste país está falida. Ela não existia desde que nos trouxeram aqui e nos tornaram escravos.

Eles nos ludibriam e fazem parecer que carregam nossos interesses em seus corações. Mas quando você estuda, todas as vezes, não importa quantos passos eles nos levem pra frente, é como se estivéssemos em uma esteira. A esteira está se movendo pra trás mais rápido do que somos capazes de avançar nesta direção. Não estamos nem parados, estamos andando pra frente ao mesmo tempo em que estamos indo pra trás."



domingo, 21 de fevereiro de 2021

Malcolm X e o "racismo reverso"

 


No dia 21 de fevereiro de 1965, El-Hajj Malik El-Shabazz foi assassinado de maneira brutal e covarde durante um discurso no Harlem. Malcolm tornou-se um mártir na luta contra o racismo e a opressão capitalista. Em um de seus fortes discursos, ele criticou a famigerada e errônea ideia do que chamam de "racismo reverso":

“A imprensa nos chama de racistas e pessoas ‘violentas em sentido inverso’. Eles fazem você pensar que se você tentar parar a Ku Klux Klan em um linchamento, você estará praticando a ‘violência em sentido inverso’. Eu ouço muitos de vocês repetindo o que o homem branco diz. Você diz: ‘Eu não quero ser uma Ku Klux Klan em sentido contrário’. Se um criminoso vem em sua casa para praticar um roubo e você o expulsa com sua arma, isso não faz de você um ladrão. Agora, eu digo que é hora de os negros montarem um tipo de ação, uma unidade, para que não sejamos mais um povo amedrontado. Mas quando dizemos isso, a imprensa nos chama de racistas ao contrário.” 


FONTES: http://www.malcolm-x.org/speeches/spc_021465.htm

Malcolm X Brasil

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Dica de Filme: Uma Noite em Miami

 


"Uma Noite em Miami" é sobre um encontro fictício entre Muhammad Ali (que ainda se chamava Cassius Clay na época), Malcolm X, o cantor Sam Cooke e o ator e jogador da NFL Jim Brown, após mais uma luta vitoriosa de Ali. Nesta noite, os amigos discutem a importância de cada um na luta pelos direitos civis e na revolução cultural dos anos 1960.

Inspirado na peça de mesmo nome escrita por Kemp Powers (que é o roteirista do filme) e dirigido por Regina King, Uma Noite em Miami estreou esta semana no Amazon Prime Vídeo.



quarta-feira, 22 de abril de 2020

Comunidades Negras e Estado policial, por Malcolm X


As estatísticas fazem o público branco pensar que a periferia é uma área criminosa, onde todos estão prontos para a violência. A polícia fica à vontade para ir lá para brutalizar, eliminar e assustar os Negros.

Quando qualquer coisa acontece, 20 viaturas aparecem. Isso não assusta os Negros. Essa força cria um ressentimento em todos os Negros. Eles sentem que estão num Estado policial. Eles se tornam hostis à polícia. Eles sentem que a polícia está contra eles. E esses pensamentos, frustrações e apreensões fazem os Negros buscarem meios de se defenderem caso a polícia passe demais do limite.

Depois que a polícia convence o público branco  de que o Negro é um elemento criminoso, a polícia pode chegar e interrogar, brutalizar e assassinar Negros desarmados e inocentes. E o público branco é manipulável o bastante para lhes dar apoio. Isso faz da comunidade Negra um Estado policial. É o bairro mais patrulhado. Tem mais polícia que qualquer outro bairro e, ainda assim, tem mais crimes que qualquer outro bairro. Como pode ter mais policiais e mais crimes? Como pode? Isso nos mostra que a polícia deve estar envolvida com os criminosos. 




quarta-feira, 11 de março de 2020

Quando Angela Davis encontrou Malcolm X


Segue um trecho da autobiografia de Angela Davis, quando ela descreve a palestra que Malcolm X fez na Brandeis University, em Walthan, Massachusetts, em 1962:

Era um ano tranquilo e desanimado no campus - até que a complacente sensação de conforto que reinava nessa faculdade branca liberal foi bruscamente abalada pela presença de Malcolm X. No maior auditório do campus, Gwen, Woody e eu nos sentamos um pouco antes das fileiras do meio, tendo a impressão de que a multidão branca que esperava, ofegante, para ouvir este homem que era o porta-voz do profeta Elijah Muhammad nos engolia. Elijah Muhammad se autodenominava o mensageiro do Deus islâmico, escolhido para revelar a mensagem de Alá ao povo negro dos Estados Unidos.

Malcolm X começou seu discurso  com uma eloquência discreta, falando sobre a religião do Islã e sua importância para a população negra dos Estados Unidos. Fiquei fascinada com sua descrição do modo como o povo negro tinha internalizado a inferioridade racial imposta a nós por uma sociedade supremacista branca. Hipnotizada por suas palavras, fiquei chocada ao ouvi-lo dizer diretamente ao seu público: "Eu estou falando sobre vocês! Vocês!! Vocês e seus antepassados, por séculos, têm estuprado e assassinado meu povo!" .

Ele estava se dirigindo a uma multidão totalmente branca, e me perguntei se a partir daquele momento, Gwen, Woody e as outras quatro ou cinco pessoas negras na plateia se sentiram tão escandalosamente deslocadas como eu me senti.
Malcolm falava às pessoas brancas, criticando-as e informando-as sobre seus pecados, alertando-as sobre o armagedom que estava por vir, no qual seriam todas destruídas. Embora eu tenha experimentado um tipo de satisfação mórbida ao ouvi-lo reduzir as pessoas brancas a praticamente nada, sem ser muçulmana, era impossível, para mim, me identificar com sua perspectiva religiosa.

Fiquei pensando que deveria ser uma experiência extraordinária ouvi-lo falar para um público negro. Para as pessoas brancas, ouvir Malcolm tinha sido desnorteante e perturbador. Foi interessante que a maioria delas estava tão empenhada em se defender e se diferenciar de senhores de escravos e segregacionistas do Sul que nunca lhes ocorreu que elas mesmas poderiam começar a fazer algo de concreto para combater o racismo.

Referência: Angela Davis - Uma Autobiografia, Editora Boitempo, p. 132-133.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

53 anos de morte de Malcolm X


Em 21 de fevereiro de 1965, Malcolm X foi covardemente assassinado, enquanto discursava no Harlem. Seu corpo se foi, mas suas ideias viverão para sempre!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O Princípio da Reciprocidade


“Eu acredito na irmandade entre os homens, todos eles, mas eu não acredito em irmandade com alguém que não a quer comigo. Eu acredito que devemos tratar bem as pessoas, mas eu não vou perder meu tempo tentando tratar bem uma pessoa que não sabe retornar esse tratamento.” 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Conheça a sua história



É muito importante conhecer os que vieram antes de nós. Ainda que tenham vivido em países ou momentos históricos diferentes, sua trajetória transcende essas barreiras artificiais criadas pelas autoridades, e fazem com que sua luta seja universal. 

Angela Davis
Malcolm X
Zora Neale Hurston
Muhammad Ali
Nina Simone
Bob Marley
Little Richard
Bobby Seale
Nelson Mandela
James Brown
Shirley Chisholm
Gil Scott Heron

É lógico que não podemos esquecer de Zumbi e Dandara dos Palmares, de João Cândido, dos líderes da Conjuração Baiana (Cipriano Barata, Luís Gonzaga das Virgens, Manuel Faustino e João de Deus do Nascimento), Maria Felipa e tantas outras pessoas que pavimentaram o caminho, para que chegássemos vivos, firmes e fortes até aqui.

sábado, 21 de novembro de 2015

Filha de Malcolm X está no Brasil, e falou sobre racismo e passividade

Filha de Malcolm X se diz surpresa com a passividade diante da violência racista existente no Brasil e cobra ações mais contundentes. Imagens: Alma Preta/Pragmatismo Político


Em passagem pelo Brasil, a ativista dos direitos humanos e filha do líder negro norte americano Malcolm X, Malaak Shabazz, convidou a população negra a promover ações mais contundentes. Na entrevista que concedeu à imprensa negra após encontro com jovens na cidade de São Paulo, na tarde desta quinta-feira (19), a ativista diz ter se surpreendido pelo fato de as pessoas estarem tão tranqüilas diante da violência racista existente no Brasil.
“[minha mãe] criou seis filhas ao mesmo tempo em que se dedicava à construção de uma sociedade livre do racismo”.
Pelo menos 400 pessoas se aglomeraram no auditório da Galeria Olido, no centro de São Paulo, para ouvir Malaak e, também, dar notícias sobre as condições de vida da população negra. O público era maior, mas muitos ficaram de fora por ordem dos bombeiros. Entre os diversos temas abordados, a ativista norte-americana falou sobre feminismo negro, desigualdade de gênero, representatividade negra na política, governo Obama e também suas impressões sobre o racismo no Brasil e o genocídio afeta sobretudo moradores da periferia.
Na partilha de experiências, Malaak fez análise da conjuntura política e abordou temas que estão presentes tanto na sociedade norte-americana quanto na brasileira, como a repressão policial e a necessidade de articulação entre os movimentos negros.
A ativista compartilhou momentos importantes da biografia de seu pai, mas fez questão de enfatizar o papel da mãe na luta antirracista. A também ativista Dra. Betty Shabbaz, “criou seis filhas ao mesmo tempo em que se dedicava à construção de uma sociedade livre do racismo”. Atuou, sobretudo, na criação de condições para que os jovens negros pudessem ter acesso à educação de forma subsidiada.
Horas antes da palestra, promovida pela Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR), Malaak conheceu o bairro de Cidade Tiradentes, na zona leste paulistana e pode conversar com moradores. Ao final a ativista demonstrou disposição em colaborar com a proposta de construção de um seminário internacional sobre o genocídio da população negra.

OBAMA

Apesar de lamentar a força do racismo depois de tantos anos desde a morte do pai, Malaak comemorou a força que o negro ganhou nos Estados Unidos depois que Barack Obama assumiu a presidência. Ela ressaltou, no entanto, que a ‘islamofobia’ não para de crescer nos EUA.
“Há um movimento negro mais forte, em posições mais altas. Quando Obama se tornou presidente, a velha guarda dos brancos que queriam os negros por baixo simplesmente não conseguiu lidar com um presidente negro. Eles viram a família Obama, uma representação bonita de família negra, que não tinha nada a ver com a imagem do negro marginalizado. Eles ficaram confusos. Obama conseguiu como nunca antes ter mais brancos para votar nos negros. Então, as coisas estão melhorando, mas ainda há muito o que fazer”

MALCOLM X

“Meu pai costumava dizer que não importa se o negro é cristão, judeu ou muçulmano, quando ele sai na rua o branco o tacha como negro”, afirmou ao se referir a Malcolm, assassinado em 1965 durante um discurso no Harlem, em Nova York.

AÇÕES AFIRMATIVAS

Para a ativista, ações afirmativas são absolutamente necessárias, mas enfrentam muita resistência e, nos Estados Unidos, foram criadas para todas as minorias, que englobam mulheres, latinos e negros.
“O problema é que 67% das pessoas beneficiadas por ações afirmativas nos Estados Unidos são mulheres brancas”, explicou, lembrando da criação dos chamados Historically Black Colleges, instituições de ensino superior voltadas para a comunidade negra americana. “Foi muito importante para estudantes que não conseguiam ingressar em universidades como Yale, Harvard e Columbia. Não queríamos ficar só chorando, por isso nós criamos as nossas próprias universidades”, contou.
Atualmente há 215 Black Colleges no território americano, onde 98% dos estudantes são negros.

BRASIL

“Minha mãe vinha todos os anos para o Brasil. Ela trabalhava muito e vir para cá era o jeito que ela tinha de respirar, de descansar. Eu sempre quis vir, estou muito feliz de estar aqui e sei que vou voltar”, disse a ativista.
Fonte: Pragmatismo Político

terça-feira, 19 de maio de 2015

Malcolm X, seus 90 anos e o conceito de autodefesa

Se estivesse vivo, Malcolm X completaria 90 anos hoje.

19 de maio de 1925 - 21 de maio de 1965

"Acho que há muitas pessoas boas na América, assim como há muitas pessoas ruins na América, que parecem deter o poder e se posicionam para bloquear o que eu e você precisamos. 
Porque esta é a situação, eu e você temos que preservar o direito de fazer aquilo que é necessário para trazer um fim a esta situação, e isso não significa que eu defenda a violência. Mas não sou totalmente contra usá-la como autodefesa. Nem chamo de violência quando é em autodefesa. Chamo de inteligência”.