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sábado, 26 de julho de 2014

25 de Julho - Dia Internacional da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha


A todas as mulheres Negras que lutam e resistem contra todos os tipos de preconceitos. Por um mundo menos desigual e mais plural. Que todas as pessoas tenham seus direitos reconhecidos, e suas diferenças respeitadas.
Axé 
Ufanisi

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Biografia



ALDA LARA (Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque. Benguela, Angola, 09.06.1930 - Cambambe, Angola, 30.01.1962).
Era casada com o escritor Orlando Albuquerque. Muito nova foi para Lisboa onde concluíu o 7º ano dos Liceus. Frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última. Em Lisboa esteve ligada a algumas das atividades da Casa dos Estudantes do Império (CEI).
Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanos.
Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira instituiu o Prémio Alda Lara para poesia. Orlando Albuquerque propôs-se editar-lhe postumamente toda a obra e nesse caminho reuniu e publicou já um volume de poesias e um caderno de contos. Colaborou em alguns jornais ou revistas, incluindo a Mensagem (CEI).

Figura em
Antologia de poesias angolanas,Nova Lisboa, 1958;
Amostra de poesia in Estudos Ultramarinos, nº 3, Lisboa1959;
Antologia da terra portuguesa - Angola, Lisboa, s/d (196?)1;
Poetas angolanos, Lisboa, 1962;
Poetas e contistas africanos, S.Paulo, 1963;
Mákua 2 - antologia poética, Sá da Bandeira, 1963;
Mákua 3, idem; Antologia poética angolana, Sá da Bandeira, 1963;
Contos portugueses do ultramar - Angola, 2º vol, Porto, 1969.

Livros póstumos
Poemas, Sá da Bandeira, 1966
Tempo de chuva (c), Lobito, 1973

Fonte: www.secrel.com.br

Presença Africana (Alda Lara)

Presença Africana
E apesar de todo,
ainda sou a mesma!


Livre esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou,
Mãe-África!

Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou, a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...

A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...


A do dendêm
nascendo dos abraços das palmeiras...

A do sol bom, mordendo
chão das Ingombotas...


A das acácias rubras,
salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...

Sim!, ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11! ... Rua 11...)
pelos meninos
de barriga inchada e olhos fundos...


Sem dores nem alegrias,
de tronco nu e musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força deste dia...


E eu revendo ainda, e sempre, nela,
aquela
longa história inconsequente...


Minha terra...
Minha, eternamente ...

Terra das acácias, dos dongos,
dos colios baloiçando, mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.

Ainda sou a que num canto novo
pura e livre
me levanto,
ao aceno do teu povo!
 

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

PRELÚDIO (Alda Lara)


   
Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.
Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...

Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...

Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...

Que é feito desses meninos 
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...

Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...

Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...

Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.

É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada..
 

Lisboa, 1951 (de Poemas, 1966)