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domingo, 12 de janeiro de 2025

O capitalismo sempre foi racial

 


"O capitalismo sempre foi racial. O capitalismo não seria a instituição econômica global que é hoje se não fosse pela escravidão, se não fosse pela colonização. E, de alguma forma, pensamos que são coisas separadas, mas, não são." 

(Angela Davis)

domingo, 31 de dezembro de 2023

Nunca se acostume com a opressão


 "As pessoas se habituam a tudo. Quanto menos você pensar na opressão em que vive, maior será sua tolerância a ela. Depois de um tempo, as pessoas pensam que a opressão é o estado natural das coisas."

(Assata Shakur)

Gosto de ler biografias das pessoas que admiro porque, ao ver tudo que elas passaram, em tempos até piores que o nosso, isso dá esperança de que a gente pode superar também. Que mulher foda!

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Assata Shakur - Uma Autobiografia

 


A vida de Assata Shakur, nascida Joanne Chesimard, em 16 de julho de 1947,  é um poderoso testemunho da luta por liberdade. Natural de Nova York, Assata, além de tia e madrinha do rapper Tupac Shakur, militou nos Panteras Negras, no Exército de Libertação Negra, foi alvo do programa de contrainteligência do governo norte-americano contra os movimentos radicais negros, foi presa, fugiu da prisão, entrou na lista de “terroristas mais procurados” do FBI, e hoje vive em Cuba – acolhida como exilada política há cerca de quatro décadas. Sua história de vida e seus poemas – com frequência declamados nas recentes manifestações organizadas por militantes do Black Lives Matter – inspiram agora uma nova geração na luta contra o racismo e o capitalismo.

A recusa ao nome de batismo, e a adoção de outro que representasse seu espírito subversivo, foi expressão, em meio aos conturbados acontecimentos do final dos anos 60, de sua escolha política em se definir militante, em antagonismo contra um sistema que perpetuava desigualdades e opressões – não lhe cabia o nome que lhe fora legado pela escravidão. A liberdade que Assata buscava, no entanto, não poderia ser apenas uma conquista individual, mas necessariamente uma prática coletiva: a emancipação de todo o povo oprimido.

Em sua autobiografia, Assata Shakur entrelaça duas narrativas. Em uma, fala de sua infância e juventude como menina e mulher dentro da comunidade negra estadunidense entre as décadas de 1940 e 1970. Na outra, conta sua trajetória como ativista antirracista, sua passagem pelo Partido dos Panteras Negras e pelo Exército de Libertação Negra, e as estratégias do FBI que a levaram a ser injustamente condenada pela morte de um policial ocorrida durante a emboscada cinematográfica em que foi presa. 

O livro conta com prefácios de Angela Davis e Lennox Hinds, além de apresentação da historiadora Ynaê Lopes dos Santos.

terça-feira, 27 de junho de 2023

Angela Basset vai receber Oscar honorário pelo conjunto da obra

 


Meses após concorrer ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2023, a atriz Angela Bassett, a Ramonda do Universo Cinematográfico da Marvel, finalmente levará uma estatueta dourada para casa. Isso porque a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou nesta segunda-feira (26) sua tradicional lista de homenageados com um Oscar Honorário, prêmio entregue a atores por contribuições à sétima arte ao longo de suas carreiras.

De acordo com o Entertainment Weekly, Bassett faz parte do grupo de artistas que serão homenageados em uma cerimônia especial que acontecerá no dia 18 de novembro deste ano, em Los Angeles (EUA), antes da edição de 2024 da premiação mais popular do cinema.

Angela Bassett concorreu ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2023 por sua performance em Pantera Negra: Wakanda Para Sempre (2022), mas perdeu a estatueta para Jamie Lee Curtis (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo). Essa não foi a primeira vez que Bassett foi indicada ao Oscar: em 1994, ela participou da disputa de Melhor Atriz por seu trabalho em Tina: A Verdadeira História de Tina Turner (1993).

Fonte: Legião dos Heróis 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Dica de Filme: A Voz Suprema do Blues

 


"A Voz Suprema do Blues" é marcante por ser o último filme de Chadwick Boseman, nosso eterno Pantera Negra, mas é muito mais que isso.


Inspirado em uma peça de teatro de August Wilson, produzido por Denzel Washington e protagonizado por Viola Davis no papel de Ma Rainey,  e Chad como o trompetista Levee, o filme se passa durante as gravações de um disco da "Mãe do Blues",  durante uma tarde quente de Chicago, em 1927.


Questões como racismo, machismo e a exploração dos músicos Negros pelos brancos estão presentes. O diretor  do filme, George C. Wolfe, conseguiu captar o calor claustrofóbico do estúdio e explorou bastante o aspecto teatral do material de origem, inclusive com monólogos sensacionais. A banda também é maravilhosa e, no documentário extra, é dito que todos os atores estão tocando de verdade. Aprenderam do zero!


Sem exagero, considero esta a melhor atuação de Chadwick Boseman, principalmente se lembrar que ele já estava em estágio avançado de câncer. Vocês vão entender o que quero dizer quando assistirem. As falas dele soam quase como uma despedida. Minha admiração por ele ficou ainda maior!

domingo, 30 de agosto de 2020

Lewis e LeBron: As maiores vozes dos esportes na luta contra o racismo e o genocídio

 

Lewis Hamilton
ao vencer o GP da Bélgica hoje, prestando homenagens a
Chadwick Boseman.


O britânico Lewis Hamilton e o estadunidense LeBron James transcendem os limites físicos da área em que atuam e desafiam aqueles que repetem o erro absurdo de que "não se pode misturar esportes e política".
Hamilton carrega há quase 10 anos o fardo de ser "o primeiro (e único) piloto Negro de Fórmula 1". Bate todos os recordes possíveis a cada fim de semana, mas ainda é comum ver "especialistas" de internet questionando sua qualidade e colocando pilotos que não possuem nem a metade dos seus números à sua frente na lista dos "melhores de todos os tempos".
Sofre duras críticas dentro e fora dos paddocks pelo posicionamento firme contra o racismo e a falta de representatividade na Fórmula 1.
Seu constante engajamento possibilitou que sua equipe, a Mercedes, tivesse a primeira mulher Negra e africana a subir no pódio da Fórmula 1 em 70 anos de história, a engenheira do Zimbábue Stephanie Travers, no GP da Estíria. Também abriu o canal de diálogo para que outras ações mais concretas possam ser tomadas, para que este esporte tão elitista possa ser mais inclusivo.

LeBron James
 no triunfo do Lakers sobre o Blazers, também fez o "Wakanda Forever"


LeBron James é um dos maiores atletas da história da NBA e a principal voz na luta contra o racismo, o genocídio da população Negra nos EUA e, mais recentemente, pelo voto, que não é obrigatório por lá. Se manifesta nas partidas, nas redes sociais e nas entrevistas, além de já ter construído escolas em Cleveland, sua cidade natal, e manter diversos projetos sociais. Sua postura combativa incomoda o White Devil e a ala mais "conservadora" dos Republicanos, mas serve de exemplo aos atletas mais jovens e de pressão nas famosas ligas de esportes do país, que reconheceram sua apatia histórica e apoiaram os boicotes dessa semana.
Muitos chegaram a dizer que James fazia essas coisas para se promover, logo ele, um dos atletas mais bem pagos do mundo. Só mais uma tentativa de transformar a questão racial em uma coisa menor do que ela realmente é.
Menção honrosa a
Colin Kaepernick
, que começou um protesto solitário na NFL e pagou com a carreira. Sigo esperando que ele seja inserido novamente em alguma equipe e que a liga de futebol americano peça desculpas pela perseguição a que Kaepernick sofreu.

sábado, 29 de agosto de 2020

Aos 43 anos, morre o ator Chadwick Boseman, o Pantera Negra

 



É com tristeza incomensurável que confirmamos o falecimento de Chadwick Boseman.⁣
Chadwick foi diagnosticado com câncer de cólon em estágio III em 2016 e lutou contra ele nos últimos 4 anos, enquanto progredia para o estágio IV. ⁣
Um verdadeiro lutador, Chadwick perseverou em tudo e trouxe a você muitos dos filmes que você tanto ama. De Marshall a Da 5 Bloods, de August Wilson, Ma Rainey’s Black Bottom e vários outros, todos foram filmados durante e entre inúmeras cirurgias e quimioterapia. ⁣
⁣ Foi a honra de sua carreira dar vida ao Rei T’Challa no Pantera Negra. ⁣ ⁣ Ele morreu em sua casa, com sua esposa e família ao seu lado. ⁣ ⁣
A família agradece por seu amor e orações e pede que você continue respeitando a privacidade deles durante este momento difícil.

Fonte: Facebook de Chadwick Boseman

terça-feira, 7 de maio de 2019

Chadwick Boseman, o "Pantera Negra", vai viver samurai africano do Japão no século XVI


Chadwick Boseman vai interpretar o primeiro samurai africano em um filme ainda sem título. Segundo o Deadlineo ator viverá Yasuke guerreiro que viveu no Japão no século XVI e foi trazido de Moçambique para ser escravo de missionários jesuítas. Porém, por ser negro, ele chamou a atenção do Lorde Guerreiro Nobunaga e, com o tempo, eles viraram grandes amigos e Yasuke virou samurai.
“A lenda de Yasuke é um dos maiores segredos da história e ele é a única pessoa não-asiática a virar um samurai. Não é apenas um filme de ação, é um evento cultural, uma troca e estou animado a fazer parte disso”, afirmou Boseman.
Doug Miro vai escrever o roteiro e o longa ainda não tem data de lançamento. 

Fonte: Omelete

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Pantera Negra se consagra como o primeiro filme da Marvel a vencer 3 Oscars!


"Pantera Negra não é um filme de super-herói qualquer". Essa frase se tornou quase um mantra pra mim, desde quando as notícias sobre a produção do filme eram divulgadas, passando pelos trailers e se confirmando quando o filme estreou. Isso ficou evidente ontem à noite, na festa de premiação do Oscar.

O filme dirigido por Ryan Coogler recebeu seis indicações, inclusive ao prêmio máximo (Melhor Filme) e venceu em três categorias: Melhor Figurino (Ruth E. Carter), Melhor Direção de Arte (Hannah Beachler, que, inclusive, foi a primeira mulher Negra a vencer este prêmio) e Melhor Trilha Sonora Original (Ludwig Göransson).

Com isso, Pantera Negra tornou-se o primeiro filme do chamado MCU, o universo compartilhado da Marvel, a conquistar o troféu mais cobiçado do cinema americano, e o fez em grande estilo, conquistando 3 estatuetas de uma vez.

Eu poderia mencionar o tsunami de "white tears" dos setores mais racistas da "comunidade nerd" pelos triunfos do Rei T'Challa, mas eles são insignificantes e previsíveis. O mais importante é celebrar as conquistas e ter a certeza de que o Pantera Negra mudou a cara do cinema de super-heróis para sempre.

Wakanda Forever!

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Pantera Negra é o primeiro filme de herói indicado ao Oscar de Melhor Filme

Pantera Negra se tornou o primeiro filme do Universo compartilhado da Marvel a ser indicado ao prêmio de Melhor Filme do Oscar. O longa dirigido por Ryan Coogler é o primeiro longa de herói indicado para a principal categoria da premiação. 
O longa conseguiu sete indicações no total. Além de Melhor Filme, o longa concorre em Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Design de Produção, Melhor Canção Original, Melhor Figurino, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som.
Não resta dúvida de que Pantera Negra não é um filme comum de super herói. Com todas as indicações ao Globo de Ouro, ao Oscar e as demais premiações que vem recebendo desde a sua estreia, ele continua rompendo barreiras e atingindo um público diverso, muito além do consumidor habitual da chamada "cultura geek".

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Wakanda Forever!


Não tenho a pretensão de fazer nenhuma análise aprofundada sobre o filme, até pra não estragar a experiência de quem ainda não o assistiu, e porque isso pode ser facilmente encontrado em qualquer site especializado. O que eu não poderia deixar de falar é sobre o impacto que o filme Pantera Negra vem causando, especialmente em mim e entre a comunidade Negra do Brasil.

Sou fã de HQ, a ponto de já ter sido assinante da Marvel e da DC, além de ter conseguido a proeza de assistir a TODOS os filmes destas editoras no cinema (grande parte deles, na estreia), desde X-Men - O Filme (2000) até hoje. A exceção da própria franquia X-Men, que tem debates profícuos sobre racismo e perseguição às minorias, mesmo de forma metafórica, Pantera Negra é o primeiro filme de super-herói a trazer estas discussões para um plano mais central. Por mais que existam dezenas de heróis Negros por aí, nenhum deles nunca foi protagonista (tá, tem o Blade de Wesley Snipes, a exceção que confirma a regra...) e JAMAIS uma produção da Marvel ou da DC contou com tantos personagens Negros ou tratou de um tema tão sério como o racismo com a seriedade que o tema merece.

A representatividade que tanto pedimos está se tornando cada vez maior, não porque as empresas nos amam ou estão mais conscientes, mas sim por perceberem que isso vende. Nós Negros e Negras também consumimos e somos uma fatia enorme desse bolo, e eles não podem mais ignorar isso. A maior prova disso é a mobilização mundial das pessoas Negras em torno desse filme. Várias celebridades dos EUA patrocinaram o acesso a centenas (ou milhares) de crianças de comunidades carentes, escolas etc., e aqui no Brasil, através das redes sociais, vários encontros foram marcados para "empretecer" as salas de cinema, de uma maneira como nunca se viu. A criança Negra agora tem um personagem famoso pra se inspirar nas brincadeiras com os amigos, alguém parecido com ela. 

Em Salvador, encontro marcado pelas redes sociais lotaram o cinema na estreia.


Já comentei NESTE LINK, em outra oportunidade, o quanto a minha infância e a dos meus amigos poderia ter sido melhor se existissem mais brinquedos que nos representassem, para além dos papéis de escravizados, subalternos ou criminosos, que a televisão e o cinema tentaram nos relegar por gerações consecutivas. Estamos alcançando esse protagonismo aos poucos, embora ainda tenhamos um longo caminho pela frente. 

O que torna Pantera Negra um filme tão especial? TUDO! O diretor Ryan Coogler, o elenco, que conta com Chadwick Boseman, Lupita Nyong'o, Forest Whitaker, Michael B. Jordan, Danai Gurira, Angela Basset, Letitia Wright, e muitxs outrxs... a trilha sonora, o roteiro excelente, com diálogos e referências fortes e emocionantes e até mesmo a construção do "vilão", bem diferente da visão maniqueísta de "bem" e "mal" que nos acostumamos a ver nos filmes de herói. Jordan convence e até nos desperta o sentimento de empatia, na pele de Erik Killmonger, quando expõe seus motivos.

O que pode parecer "bobagem" para as pessoas brancas, que nunca precisaram passar por isso, pra nós Negrxs, é uma questão fundamental de aceitação e autoestima. Conheço pessoas Negras muito bonitas que não se veem como tal ou que estão passando pelo processo de reconhecimento só depois de adultas. Precisamos aprender a nos amar desde cedo, porque o doentio sistema racista vai sempre tentar nos fazer pensar que nós é que temos algum problema. 
Wakanda Forever!

Claro que eu cheguei cedo, né? Não perderia essa estreia por nada!


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Angela Davis fará conferência na Universidade Federal da Bahia

Angela Davis discursando na Marcha das Mulheres, em janeiro deste ano.

Se depender do ânimo de vários grupos da comunidade universitária, a conferência da filósofa e ativista norte-americana Angela Davis, no salão nobre da Reitoria da UFBA, às 18 horas do dia 25 de julho, uma terça-feira, cumprirá o que anuncia em seu título: atravessará o tempo e entrará para a história.
Intitulada precisamente “Atravessando o tempo e construindo o futuro da luta contra o racismo”, a palestra resulta de uma parceria entre o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM/UFBA), com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), instituição que propôs a vinda da filósofa para ministrar um curso a um grupo de sua comunidade universitária, e a organização feminista Odara – Instituto da Mulher Negra.
A grande expectativa em torno da conferencista se dá, segundo a coordenadora do NEIM, professora Maíra Kubik, porque Angela Davis é referência mundial no enfrentamento antirracista e do pensamento crítico feminista na atualidade, ao mesmo tempo em que segue profundamente valorizada nos meios acadêmicos.
A professora Rosângela Araújo, também do NEIM, informa que, para atender à grande demanda prevista de público em Salvador, a UFBA  está providenciando transmissão direta da conferência pela TV UFBA, além de telões em três auditórios de unidades vizinhas à reitoria, no campus do Canela. O curso de Davis na UFRB, não aberto ao público, acontecerá dias antes da realização da palestra em Salvador – atividade que integra a programação do “Julho das Pretas”, cujo foco são as lutas das mulheres afro, latina, americana e caribenha.

Angela Davis: vida dedicada à defesa dos direitos da população negra e das mulheres.
A professora, filósofa, escritora e feminista, Angela Yvonne Davis, traçou uma trajetória de contribuição política nos Estados Unidos marcada pela luta em defesa dos direitos civis das pessoas negras e das mulheres, contra o encarceramento em massa do povo negro e pelo mundo sustentável.
Nasceu em 1944, no estado do Alabama, localizado no Sul dos Estados Unidos, onde havia forte segregação racial. Nos anos de 1970 destacou-se como militante comunista, membro do Panteras Negras e ganhou notoriedade ao ser ré de um dos mais controversos julgamentos criminais da história de seu país. Em consequência, no ano de 1978, recebeu o Prêmio Lênin da Paz. Já na década de 1980, ela candidatou-se a vice-presidente dos Estados Unidos, mas não obteve êxito e continuou a carreira de ativista política, escrevendo diversos livros, principalmente, sobre as condições carcerárias no país.
Nos últimos anos, ela continua a realizar discursos e palestras, principalmente em ambientes universitários e se mantém como uma figura proeminente na luta pela abolição da pena de morte na Califórnia. Atualmente, Davis defende a “democracia da abolição, que apenas será possível se dermos continuidade aos grandes movimentos em oposição à escravidão, ao linchamento e à segregação”. Para ela, “o desafio do século XXI não é reivindicar oportunidades iguais para participar da maquinaria da opressão, e sim identificar e desmantelar aquelas estruturas nas quais o racismo continua a ser firmado. Este é o único modo pelo qual a promessa de liberdade pode ser estendida às grandes massas”.
Recentemente, Angela proferiu um discurso na Marcha das Mulheres [Women’s March] contra Donald Trump, realizada no último dia 21 de janeiro de 2017, em Washington (EUA).
A tradução deste discurso pode ser lida AQUI.

Fonte: ufba.br

sábado, 10 de junho de 2017

Pantera Negra - Liberado o primeiro trailer oficial do filme

Novo pôster do filme

Após ter liberado um pôster e um novo logo para Pantera Negra, a Marvel divulgou, durante as finais do NBA (um dos maiores eventos de basquetebol no mundo), o primeiro trailer do filme focado em T’Challa e a nação de Wakanda.
O personagem conquistou os fãs em Capitão América: Guerra Civil, filme no qual teve sua estreia cinematográfica, e agora o filme é um dos mais aguardados do estúdio, além de ser o primeiro filme do Universo Cinematográfico da Marvel com um protagonista africano. No elenco do filme, além de Chadwick Boseman como o herói titular, teremos Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira , Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Angela Bassett, Forest Whitaker e Andy Serkis.
Junto do poster e trailer, a Marvel também liberou uma nova sinopse do filme:
“Pantera Negra, da Marvel Studios, segue T’Challa que, após a morte de seu pai, o rei de Wakanda, retorna para casa, para sua isolada e tecnologicamente avançada nação africana para dar sucessão ao trono e tomar seu lugar como rei. Porém, quando um poderoso e antigo inimigo reaparece, o valor de T’Challa como rei – e Pantera Negra – é testado quando ele é levado para um grande conflito que coloca o destino de Wakanda, e de todo o mundo, em risco. Enfrentando traições e perigo, o jovem rei deve unir seus aliados e liberar todo o poder do Pantera Negra para derrotar seus inimigos e proteger suas pessoas e seu modo de vida”.
O trailer começa com o retorno de  Ulysses Klaue e Everett Ross, enquanto o vilão apareceu em Vingadores: Era de Ultron, Ross esteve em Capitão América: Guerra Civil. Klaue fala sobre como Wakanda não é um local de fazendeiros e um pais de terceiro mundo, dizendo que lá é conhecido como “El Dourado” e que ele é o único que a viu e saiu vivo. Temos então várias cenas incríveis de ação com o Pantera Negra e suas Dora Milaje, a guarda especializada do rei. Na narração, é dito que T’Challa é um bom homem, mas que “é difícil para um bom homem ser um rei”. 
Pantera Negra estreia nos cinemas dia 15 de fevereiro de 2018.
Confira o trailer abaixo:

Fontes: Legião dos Heróis/YouTube

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A importância de Pantera Negra para o cinema


O elenco do filme Pantera Negra, que tem data de estreia no Brasil prevista para o dia 15 de fevereiro de 2018, dá uma lição ao mundo inteiro: é possível fazer uma grande produção cinematográfica, com um elenco majoritariamente Negro, sem ter a escravidão ou o racismo como foco principal. 

 Segundo a sinopse oficial liberada pela Marvel Studios:
"Pantera Negra acompanha T'Challa que, após os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil, decide voltar para casa - a isolada e tecnologicamente avançada nação africana de Wakanda - e assumir sua função como Rei. Porém, quando um antigo inimigo reaparece, sua coragem é testada quando ele é levado para um conflito que coloca o destino de Wakanda e do mundo em risco."

Deve-se ressaltar também a excelente escolha do diretor Negro Ryan Coogler (de Creed, Nascido Para Lutar) para o filme, que tem uma ligação direta com a escolha do elenco. A equipe por trás das câmeras (direção, roteiro, produção, entre outras) é tão ou MAIS importante para a variedade de temas do que a própria escolha dos atores e atrizes. A quantidade insuficiente de diretores/as e roteiristas Negros/as pode ser apontada como uma das inúmeras causas para a falta de representatividade e diversidade no cinema, bem como em outras mídias, ao longo da história, fato que finalmente está mudando no século XXI.

Esperamos que o filme trate questões como ancestralidade e respeito às tradições africanas, já que está na própria composição do personagem nos quadrinhos, em que o manto do Pantera Negra é passado hereditariamente, junto com a Coroa de Wakanda. Também contamos com uma visão fora do senso comum em relação à África, pois a terra do Rei T'Challa é uma das nações mais ricas e desenvolvidas do mundo. 


A responsabilidade de Pantera Negra para o cinema é do tamanho das expectativas!

sábado, 21 de janeiro de 2017

Marvel anuncia nova HQ com Pantera Negra, Tempestade, Luke Cage e Misty Knight


Pantera Negra continua a crescer dentro do Universo Marvel. Além de “Pantera Negra” e “Pantera Negra: Mundo de Wakanda”, a Marvel anunciou uma nova revista do herói: Pantera Negra e The Crew.
O anuncio, feito pela Time diz que o novo título começará a partir de uma história nas edições 7 e 8 da atual revista do Pantera Negra, que terá T’Challa junto de um grupo de heróis composto por Tempestade, Luke Cage, Misty Knight e o Dobra. A revista será escrita por Ta-Nehisi Coates e Yona Harvey com arte de Butch Guice.
A revista ressuscita a The Crew, uma equipe com vários heróis que se uniram para lutar contra o crime. A revista da equipe foi lançada em 2003 e teve apenas sete edições e contava com heróis famosos como o Máquina de Combate e o Tigre Branco. Como ela não foi publicada no Brasil, não possui um título oficial, mas pode ser traduzida como “A Equipe”.
Agora, Coates ressuscita a equipe e lhe dá mais visibilidade política dentro da Marvel. A primeira história irá se focar nos eventos desencadeados após a morte de um ativista que estava sob custódia da polícia. Coates falou sobre a relevância da história ressoar com as noticias atuais, dizendo que “Isso é algo que está no ar. Não é como se eu tivesse olhado para os protestos do Black Lives Matter e ficado ‘Hey, quero escrever um quadrinho sobre isso’. Mas você é confrontado por isso todo dia, então quando eu sentei para pensar no que essa história com quatro protagonistas negros seria sobre e comecei a escrever, isso surgiu. Os eventos atuais estão comigo. Pareceu a oportunidade de fazer algo. Fica claro na primeira edição que o ativista não é apenas um ativista. Tem algo mais acontecendo”. 
Coates também fala sobre como ele pretende colocar heróis grandes e globais como o Pantera Negra e a Tempestade no nível das ruas. “O que significa proteger as ruas e proteger o mundo? Como essas coisas estão ligadas? O que acontece quando o T’Challa está andando na rua sem seu uniforme e as pessoas não o reconhecem, ele é apenas uma pessoa negra? A mesma coisa com a Tempestade”. 

Fonte: Legião dos Heróis

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sugestão de Leitura: Mulheres, Raça e Classe - Angela Davis



Angela Davis é filósofa, professora emérita do departamento de estudos feministas da Universidade da Califórnia e um dos maiores ícones na luta pelo feminismo Negro, contra o racismo, o machismo, o sexismo e a exploração capitalista. 
Foi colaboradora dos Panteras Negras e membro do Partido Comunista dos Estados Unidos, e acabou presa por isso, durante a década de 1970. Ainda foi duas vezes candidata a vice-presidente dos EUA. Seu livro "Mulheres, Raça e Classe" é uma de suas principais obras, acabou de ser publicado no Brasil e, como o próprio título sugere, aborda, de maneira interseccional, a perspectiva da mulher Negra na luta antirracista e contra as diversas formas de violência, um protagonismo que não é tão frequente na bibliografia clássica sobre o assunto. Uma leitura mais que obrigatória e das que eu mais precisava, justamente por falar de um lugar ao qual não tenho tanta propriedade.

Informações:
Título: Mulheres, Raça e Classe
Autora: Angela Davis
Editora: Boitempo
Edição:1ª
Ano de publicação no Brasil: 2016
Número de páginas: 248

sábado, 5 de março de 2016

O Despertar das Forças!

Finn no topo do mundo!

"Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante..."

Por alguma razão que desconheço, as fábricas de brinquedos ignoram o fato de que as crianças Negras também brincam, também sonham em ser seus personagens favoritos e também gostariam de se sentir representadas. Também ligam a TV em determinado horário ou vão ao cinema pra ver alguém com quem elas possam criar um vínculo qualquer que as aproximem de seus heróis.

As coisas vêm mudando positivamente nas últimas décadas, com a introdução cada vez maior de personagens diferentes do padrão hegemônico (homem, branco, heterossexual, cristão, bilionário etc.) nas histórias em quadrinhos, nos filmes, nas séries e na publicidade, de maneira geral. Lógico que ainda estamos a anos-luz do nosso objetivo, mas é melhor andar devagar do que passar a vida inteira parado. Quando eu era criança, isso não era tão frequente. Tive dezenas de bonecos de super heróis, quase todos brancos. Minha infância não foi ruim por isso, mas é lógico que poderia ter sido melhor, me ajudaria a me conhecer melhor e me aceitar desde cedo. Não importa o que digam, é gratificante ser associado a uma coisa boa, isso fortalece a autoestima.

A franquia Star Wars não aborda a temática racial, até porque as histórias se passam em outra galáxia, com seres alienígenas de todas as espécies, e alguém ser tratado diferente apenas por causa da cor da pele seria absurdo. O que torna ainda mais estranha a violenta reação de algumas pessoas, quando o ator Negro John Boyega foi anunciado como um dos protagonistas da nova série de filmes. Chegou-se a criar uma tentativa (fracassada) de boicote ao filme e aos seus produtos. As reações também foram violentas à mudança de etnia do Johnny Storm, o Tocha Humana, no Quarteto Fantástico, antes mesmo de saber que o resto do filme seria realmente ruim (não por causa da atuação de Michael B. Jordan, é bom frisar).

Como eu adoro contrariar essa gente, já estava decidido a comprar o boneco oficial do Finn, personagem de Boyega em Star Wars: O Despertar da Força (2015) e colocá-lo na minha sala, ao lado das esculturas dos deuses africanos Xangô e Ísis, e continuo esperando o lançamento do Pantera Negra, um dos personagens da Marvel que eu mais admiro, por ser o rei de uma nação africana muito poderosa, que desafia toda a lógica eurocêntrica e colonial. Previsto para ser lançado em 2018, Pantera Negra, que será protagonizado por Chadwick Boseman, já teve sua primeira "polêmica" devido à decisão da Marvel de escalar um diretor Negro (Ryan Coogler foi o escolhido) e um roteiro que enfoque questões geopolíticas e, claro, questões raciais.

É preciso lembrar, no entanto, que ainda se faz necessária uma inclusão maior de personagens femininas Negras no mundo dos heróis, e outros brinquedos voltados para as meninas que não se apeguem apenas ao lar. Por que bonecos "para meninos" são heróis e as bonecas "para meninas" são bebês, cada vez mais parecidos com pessoas reais? Os brinquedos devem ter uma função lúdica, interativa e até mesmo educativa, não um treinamento para a maternidade. Com todas as discussões que ganham força ultimamente, é bem provável que as crianças de um futuro não tão distante sejam melhores que grande parte dos adultos do presente.



sábado, 12 de dezembro de 2015

Conheça a sua história



É muito importante conhecer os que vieram antes de nós. Ainda que tenham vivido em países ou momentos históricos diferentes, sua trajetória transcende essas barreiras artificiais criadas pelas autoridades, e fazem com que sua luta seja universal. 

Angela Davis
Malcolm X
Zora Neale Hurston
Muhammad Ali
Nina Simone
Bob Marley
Little Richard
Bobby Seale
Nelson Mandela
James Brown
Shirley Chisholm
Gil Scott Heron

É lógico que não podemos esquecer de Zumbi e Dandara dos Palmares, de João Cândido, dos líderes da Conjuração Baiana (Cipriano Barata, Luís Gonzaga das Virgens, Manuel Faustino e João de Deus do Nascimento), Maria Felipa e tantas outras pessoas que pavimentaram o caminho, para que chegássemos vivos, firmes e fortes até aqui.

sábado, 11 de abril de 2015

Nós por nós


A cada sangue Negro derramado nas calçadas, a cada "auto de resistência" ou "troca de tiros", a cada "bala perdida" que apenas nos encontra em qualquer lugar, até mesmo dentro de casa, percebo que estamos por nossa própria conta. 
Em qualquer parte do planeta, a vida Negra sempre parece valer menos. Aqui no Brasil, as coisas parecem ainda piores. As pessoas morrem por quase nada, e quase não há repercussão nenhuma. Não há justiça, não há punição, só os inquéritos arquivados em alguma gaveta empoeirada por aí, enquanto os bandidos, sejam eles armados, fardados ou engravatados seguem suas vidas, como se nada jamais tivesse acontecido.
Não espere nada de Partido A ou Partido B, eles entram e saem do poder com as mesmas práticas. Nos dão migalhas e nos mantém na periferia do poder, sempre na varanda ou na cozinha, nunca do lado de dentro da casa.
Ah, mas isso vai mudar. Oh, se vai...
Somos nós por nós, precisamos entender isso.