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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Dica de filme: Harriet

 



"Libertei mil escravos. Teria libertado outros mil, se eles soubessem que eram escravos".

Harriet Tubman era uma mulher escravizada que, em 1849, conseguiu fugir para a Filadélfia, onde arrumou emprego e moradia. Harriet trocaria a segurança da liberdade no Norte para voltar a Maryland uma dezena de vezes para libertar outros escravizados. 


Operando na Underground Railroad (Rota Subterrânea) – como ficou conhecido o conjunto de estradas, caminhos e esconderijos secretos usados por escravos e abolicionistas para libertação de pessoas – Harriet comandou missões a seu estado natal para libertar cerca de 70 escravos, entre parentes e amigos. Ela disse que “nunca perdeu nenhum passageiro”, o que lhe rendeu o título de “a mais hábil condutora” das Rotas Subterrâneas. 


  Nos Estados Unidos, ela se tornou mais conhecida por sua participação durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), atuando  como professora, cozinheira e espiã, conectando as tropas da União com redes de informações de escravos. Harriet contribuiu diretamente para a libertação de mais de 700 pessoas, além de ajudar na derrota dos Confederados, o que fez a escravidão ser abolida no país. 


Por meio de votação popular, durante o governo Obama, Harriet Tubman foi escolhida pra estampar as notas de 20 dólares, em substituição ao ex-presidente racista Andrew Jackson, mas sua execução não ocorreu em tempo hábil e Donald Trump, grande admirador dele (zero surpresas), adiou a decisão até 2028.

 "Harriet" está em cartaz no Telecine e também é possível achar pra download. 



domingo, 10 de fevereiro de 2019

Sugestão de Filme: Guia da História Negra por Kevin Hart


Estreou recentemente na Netflix o Guia da História Negra, por Kevin Hart (Kevin Hart's Guide to Black History, no original), um filme que, como o título sugere, aborda grande ícones Negros da história dos Estados Unidos, de forma mais "leve", mas com seu humor ácido característico.
Neste filme, Hart tenta elevar a autoestima de sua filha, que acreditava que a história Negra na América foi só dor e opressão, como a historiografia tradicional ainda insiste em abordar, e passa a contar sobre o sucesso de diversos personagens históricos do país.

Kevin Hart começa falando sobre Harriet Tubman, ex-escravizada que, em 1849, conseguiu fugir rumo ao norte e se instalou na Filadélfia, onde arrumou emprego e moradia. Harriet trocaria a segurança da liberdade no Norte para voltar a Maryland uma dezena de vezes para libertar outros escravos. Operando na Underground Railroad (Rota Subterrânea) – como ficou conhecido o conjunto de estradas, caminhos e esconderijos secretos usados por escravos e abolicionistas para libertação de pessoas – Harriet comandou missões a seu estado natal para libertar entre 60 e 70 escravos, entre parentes e amigos. Você pode ler mais sobre a história de Harriet Tubman AQUI.

Com trajetória parecida, Henry "Box" Brown é citado pelo fato de ter sido um ex-escravizado que conseguiu fugir numa caixa de madeira, em um navio de carga, de Richmond para a Filadélfia, onde a escravidão já havia sido abolida, ajudando diversas pessoas a fazerem o mesmo depois.

Outro mencionado no filme é Frederick Douglass, escritor abolicionista visto como o "pai dos direitos civis" dos EUA, por ter conseguido a inclusão de Negros ao exército estadunidense durante a Guerra Civil, e permanecido na luta por igualdade entre as raças. Sua autobiografia é um dos livros mais famosos no país.

Mae Jemison, a primeira astronauta Negra a ir para o espaço, superou muitas barreiras para participar da missão STS-47, a bordo do ônibus espacial Endeavour, em 1992.

Josephine Baker, famosa cantora e dançarina americana, naturalizada francesa em 1937, que usou de sua popularidade e prestígio para atuar como espiã durante a II Guerra Mundial, ajudando a derrotar o fascismo na Europa, além de lutar ao lado de Martin Luther King pelos direitos civis nos EUA. Josephine ainda adotou doze crianças órfãs de várias etnias e nacionalidades.


Por falar em música, Robert Johnson é representado como um dos maiores expoentes do blues e precursor do estilo, influenciando ninguém menos que Muddy Waters. Pode também ser considerado um dos criadores do Rock 'N Roll, por ter influenciado grandes nomes, como Led Zeppelin, Bob Dylan, Eric Clapton, The Rolling Stones e muito mais.

Robert Smalls, Matthew Henson, Jesse Owens, Joe Louis e Bessie Coleman, entre outros, também tiveram suas histórias contadas.

Muitos outros, inclusive mais famosos são apenas citados ou mencionados em fotografias, como Barack Obama, Beyoncé, Muhammad Ali, Nina Simone, Michael Jordan etc.

Confesso que não sei se existe uma produção semelhante ao Kevin Hart's Guide to Black History no Brasil. É bem possível que tenha, mas não com a mesma facilidade na linguagem e no acesso, como este filme da Netflix. A produção é importante pra motivar as pessoas Negras (principalmente crianças) a se interessarem mais pela própria história. O conhecimento é uma das maiores armas que podemos ter na luta contra o racismo, no fortalecimento de nossa identidade e da nossa autoestima. Um povo que se conhece mais se ama mais.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Quem foi Harriet Tubman, o novo símbolo das notas de US$ 20

Harriet Tubman ilustrará as cédulas de 20 dólares, no máximo, a partir de 2020, ano do centenário da conquista do voto feminino nos EUA.


Harriet Tubman nasceu em Maryland, estado localizado entre o sudeste e o noroeste americano, na década de 1820. Como escrava, aos seis anos começou a trabalhar como servente doméstica. Aos 13, foi enviada para trabalhar nos campos da fazenda onde vivia. Ela viu suas irmãs serem vendidas, os pais idosos trabalharem como escravos e carregou por toda a vida marcas físicas da escravidão: além das cicatrizes deixadas por chicotes, ela ganhou uma deficiência permanente depois de receber uma forte pancada na cabeça, desferida por um feitor e destinada a outro escravo a quem Harriet tentava defender – ela nunca se recuperou completamente e como consequência, por vezes caia em sono profundo sem querer. 



  Em 1849, conseguiu fugir rumo ao norte e se instalou na Filadélfia, onde arrumou emprego e moradia. Harriet trocaria a segurança da liberdade no Norte para voltar a Maryland uma dezena de vezes para libertar outros escravos. Operando na Underground Railroad (Rota Subterrânea) – como ficou conhecido o conjunto de estradas, caminhos e esconderijos secretos usados por escravos e abolicionistas para libertação de pessoas – Harriet comandou missões a seu estado natal para libertar entre 60 e 70 escravos, entre parentes e amigos. Ela disse que “nunca perdeu nenhum passageiro”, o que lhe rendeu o título de “a mais hábil condutora” das Rotas Subterrâneas. A determinação e tenacidade também lhe renderam o apelido de “General Tubman”, dado pelo abolicionista John Brown, que também a qualificou como “uma das pessoas mais corajosas do continente”.



  Nos Estados Unidos, ela se tornou mais conhecida por sua participação durante a Guerra Civil Americana (1861-1865). Kate Larson, historiadora e autora da biografia Bound for the Promised Land – Harriet Tubman: portrait of an American Hero (Destinada à Terra Prometida – Harriet Tubman: retrato de uma heroína americana, em tradução livre), qualifica Harriet como um “camaleão” – ela atuou como professora, cozinheira e espiã, conectando as tropas da União com redes de informações de escravos. "Ela é lembrada por sua determinação nas Rotas Subterrâneas, não só para se libertar, mas voltar diversas vezes para resgatar sua família e amigos, pondo sua vida em grande risco”, afirma Larson. “Muito poucas pessoas fizeram isso, e Tubman não o fez uma ou duas vezes, mas 13 vezes. Ela enfrentou a possibilidade de ser morta muitas vezes, quase foi capturada muitas vezes e continuou lutando contra a escravidão a cada momento que pôde. Ela nunca desistiu, ela continuava em frente”, diz a autora. Embora tenha tido um papel ativo, Tubman levaria 30 anos para conseguir do governo americano a pensão que lhe era de direito como “veterana” da Guerra Civil.





Depois do fim da guerra, Tubman viveu uma longa vida ao lado da família em Auburn, no estado de Nova York, onde passou a apoiar o movimento sufragista, que lutava pelo direito ao voto das mulheres. "O New York Times sempre tem um artigo no fim do ano sobre as pessoas notáveis do mundo que morreram naquele ano. Quando ela morreu, em 1913, foi citada como uma das pessoas mais famosas a morrer naquele ano – seu nome estava ao lado de reis e rainhas, autores famosos e industriais. Isso é extraordinário, para uma mulher negra nos Estados Unidos em 1913 receber esse tipo de honraria", afirma Larson. Durante sua vida, prolífica em atos, não deixou um documento escrito de próprio punho – como a maioria dos escravos, Harriet nunca foi alfabetizada. Ainda assim, é lembrada como uma grande oradora.



  Considerando o momento atual nos Estados Unidos – com o surgimento de movimentos como o Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), que denuncia o tratamento dado a negros no país pelas forças de segurança, e o fato de o mandato do primeiro presidente negro do país, Barack Obama, se encaminhar para seu fim – a mudança na nota de US$ 20 pode ter uma simbologia muito importante, de acordo com Larson. “Representa o quanto Tubman lutou para que esse país avançasse em questões de liberdade e igualdade. Nós progredimos bastante, ainda temos um longo caminho a percorrer, mas ela realmente mudou o mundo e tê-la naquela nota vai ajudar a levar adiante uma conversa que esse país tem tido dificuldade de levar: o legado da escravidão e como nós ainda vivemos com esse legado hoje. Ela vai nos ajudar a ter essa conversa de forma mais ampla e significativa. E nós, como um povo, temos que estar incrivelmente orgulhosos", afirma.


Além da nota de US$ 20, recentemente dois parques foram nomeados em sua homenagem nos Estados Unidos. A atriz afro-americana Viola Davis, indicada a prêmios e conhecida por sua atuação no filme Vidas Cruzadas, já anunciou que protagonizará sua cinebiografia. "Ela está recebendo o que merece. A significância disso é que as pessoas olharão para essas notas todo santo dia, eles pensarão sobre sua luta, sobre o legado da escravidão nesse país, talvez isso leve as pessoas a fazer algo e isso fomentará a discussão sobre racismo. Vai mudar a vida das pessoas”, diz Larson. “Tubman teria amado isso, teria sido o que ela queria”

Fonte: Revista Época