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quarta-feira, 30 de julho de 2025

"Escrevo o que eu quero", de Steve Biko

 


Steve Biko (1946-1977) foi um ativista sul-africano e um dos líderes na luta contra o Apartheid. Também foi um dos fundadores do Movimento da Consciência Negra na África do Sul e destacou-se por sua crença no empoderamento psicológico e político da população Negra como forma de resistir à opressão racial.

Seu pensamento e coragem inspiraram gerações em várias partes do mundo, apesar de sua vida ter sido tragicamente interrompida pelo regime racista que vigorava em seu país.

Biko desenvolveu um poderoso pensamento estratégico contra o Apartheid, a ponto de, segundo Nelson Mandela, o governo "ter de matá-lo para conseguir prolongar a vida do Apartheid."

Este livro é uma coletânea de textos escritos entre 1969 e 1972, enquanto Biko era ativo no Movimento da Consciência Negra. Conta com prefácio de Benedita da Silva e textos de Desmond Tutu e Sílvio Humberto, presidente do Instituto que leva o seu nome em Salvador.

terça-feira, 18 de julho de 2023

105 anos de nascimento de Nelson Mandela

 


Hoje, Madiba completaria 105 anos.

"Não nasci com fome de liberdade. Nasci livre - livre em todas as formas que eu conhecia. Desde que eu obedecesse meu pai e respeitasse a tradição da minha tribo, eu não era incomodado pela lei dos homens ou de Deus.

Foi apenas quando comecei a aprender que a minha liberdade da infância era uma ilusão, quando descobri, ainda jovem, que a minha liberdade já havia sido tirada de mim, que comecei a sentir fome dela.

Então, lentamente vi que não apenas eu não era livre, mas os meus irmãos e irmãs não eram livres. Vi que não era apenas a minha liberdade que havia sido cerceada, mas a liberdade de todos aqueles que tinham a mesma aparência que eu.

(Nelson Mandela, "Longa Caminhada Até a Liberdade", p.762-763)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

9 anos de morte de Nelson Mandela

 


"A lição que aprendi foi que, no final, nós não tínhamos alternativa alguma senão a resistência armada e violenta. Repetidamente, havíamos utilizado todas as armas de não violência em nosso arsenal - discursos, delegações, ameaças, marchas, greves, ficar em casa, prisões voluntárias - tudo em vão, pois tudo o que fazíamos era respondido com mão de ferro. um guerreiro pela liberdade aprende da maneira mais difícil que é o opressor que define a natureza da luta, e ao oprimido, frequentemente, não se deixa recurso algum senão utilizar métodos que espelham aquele do opressor. Em certo momento, só é possível lutar contra o fogo usando o fogo."

No dia 5 de dezembro de 2013, Rolihlahla Mandela morreu, aos 95 anos. Líder guerrilheiro, antes de se tornar presidente, passou 27 anos preso por se opor ao sistema racista do Apartheid na África do Sul. Suas ideias viverão para sempre!

domingo, 26 de dezembro de 2021

Morre Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz e símbolo da luta contra o Apartheid

 


Morreu aos 90 anos o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984 por sua luta contra o apartheid na África do Sul. A informação foi confirmada pelo presidente do país, Cyril Ramaphosa, neste domingo (26).

"A morte do arcebispo emérito Desmond Tutu é outro capítulo de luto no adeus de nossa nação a uma geração de sul-africanos excepcionais que nos deixou uma África do Sul liberta", disse Ramaphosa.

“Desmond Tutu era um patriota sem igual; um líder de princípio e pragmatismo que deu significado à compreensão bíblica de que a fé sem obras está morta", continuou o presidente.

O apartheid foi um regime segregacionista que vigorou na África do Sul de 1948 a 1991, que separava pessoas negras das brancas e dava às últimas domínio do poder político e econômico no país.

Ativista pelos direitos humanos, o arcebispo falava sobre a ocupação do território palestino por Israel, direitos da população LGBTQIA+, mudanças climáticas e outros assuntos de relevância mundial.

Tutu deixa a esposa, Nomalizo Leah, e quatro filhos.

Tutu e Mandela





Luta contra o racismo

Em 1984, Tutu recebeu o Nobel da Paz por sua oposição não violenta ao apartheid. Uma década mais tarde, ele testemunhou o fim do regime e presidiu a Comissão da Verdade e da Reconciliação, criada para revelar as atrocidades cometidas durante aqueles dias sombrios.

Tutu comandou numerosas marchas e campanhas para acabar com o apartheid nos degraus da entrada da Catedral de São Jorge, e em resultado disto esta se tornou conhecida como a "Catedral do Povo" e um símbolo poderoso da democracia local.
Ele foi amigo de toda a vida de Nelson Mandela, e durante algum tempo morou na mesma rua do município sul-africano de Soweto -- a única rua do mundo que abrigou dois ganhadores do Prêmio Nobel da Paz.

"Sua qualidade mais característica é sua prontidão para adotar posições impopulares sem medo", disse Mandela certa vez a seu respeito. "Tal independência de mente é vital para uma democracia vicejante".
A morte de Tutu ocorre poucas semanas depois da morte do último presidente da era do apartheid na África do Sul, FW de Clerk, que morreu aos 85 anos.

O presidente Ramaphosa disse que Tutu era "um líder espiritual icônico, ativista anti-apartheid e ativista global dos direitos humanos".

Ordenado sacerdote em 1960, serviu como bispo do Lesoto de 1976-78, bispo assistente de Joanesburgo e reitor de uma paróquia em Soweto.

Fonte: G1

domingo, 13 de junho de 2021

Cartas da Prisão de Nelson Mandela

 

 



"As palavras de Mandela são como uma bússola em mar revolto, terra firme em meio à forte correnteza" (Barack Obama).

Este livro reúne mais de 200 cartas enviadas por Mandela enquanto esteve preso, de 1963 até 1990. Muitas são endereçadas à família, mas outras também foram mandadas para aliados políticos e advogados.

Durante todo esse período, ele teve suas correspondências  censuradas, foi proibido de ir ao enterro da mãe e do filho, teve consultas médicas, acesso a ampla defesa, a livros e visitas negados e seus direitos humanos mais básicos violados. Suas correspondências, muitas delas enviadas às autoridades da África do Sul, demonstram isso.

Esta compilação levou quase 10 anos pra ficar completa, porque as cartas estavam em diversos endereços e arquivos do país. A realização deste livro foi possível porque, além de tudo, Mandela copiava todas as cartas que podia em um caderno, antes de enviá-las. Muitas das cartas permanecem intactas no Serviço Nacional de Arquivos e Registros da África do Sul, como evidência de que elas sequer chegaram a ser enviadas.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Mandela e o Marxismo

Rolihlahla Mandela vestido com os trajes tradicionais de seu povo.


Em 23 de outubro de 1967, no auge da Guerra Fria e do Apartheid, Nelson Rolihlahla Mandela, que já estava preso desde 1962 por várias acusações, como ter deixado a África do Sul sem passaporte, incitação a greve e sabotagem, escreveu uma carta ao Departamento de Justiça do país para contestar mais uma acusação: a de que seria membro do Partido Comunista da África do Sul, contrariando a Lei de Supressão do Comunismo, que criminalizava qualquer referência a esta ideologia no país, mesmo que esse conceito fosse utilizado de maneira vaga e generalista (da mesma forma como a expressão continua sendo usada até hoje). Os trechos transcritos desta carta servem para atestar que o CNA (Congresso Nacional Africano, partido de Mandela) não era uma organização comunista, e que a lógica africana sempre foi diferente da noção branca ocidental de "direita" e "esquerda":

Li e continuo lendo a literatura marxista e me comove a ideia de uma sociedade sem classes. Estou firmemente convencido de que só o socialismo pode eliminar a pobreza, a doença e o analfabetismo que predominam no seio do meu povo, e de que o máximo desenvolvimento industrial é resultado de planejamento central e da nacionalização das indústrias-chave do país. Mas eu não sou marxista. No que diz respeito à África do Sul, acredito que a tarefa mais imediata com que se defrontam hoje as pessoas oprimidas não é a introdução de um governo dos trabalhadores e a construção de uma sociedade comunista. A principal tarefa diante de nós é a derrubada da supremacia branca em todas as suas ramificações e o estabelecimento de um governo democrático no qual todos os sul-africanos, independentemente de sua situação social, de sua cor ou de suas convicções políticas, vivam lado a lado em perfeita harmonia.

Um exame da minha trajetória política demonstra que nunca fui membro nem apoiador ativo do Partido Comunista da África do Sul nem de seu sucessor, o Partido Comunista Sul-Africano. Ao contrário, tal trajetória mostra que eu sou um nacionalista.

Uma ambição sempre dominou meu pensamento, minhas convicções políticas e minhas ações políticas.Trata-se da ideia de explodir o mito da supremacia branca e de reconquistar o nosso país. O único organismo que tem capacitado nosso povo para avançar em nossa luta pela liberdade e que nos conduzirá à nossa meta final no futuro é, e sempre foi, o Congresso Nacional Africano com sua doutrina dinâmica de nacionalismo africano. Se, ocasionalmente, eu atuei em outros organismos, foi porque considerei que tais organismos e sua atuação ajudavam a acelerar a libertação do povo africano.

Fonte: Cartas da Prisão de Nelson Mandela, p. 60-68



sexta-feira, 28 de junho de 2019

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Nelson Mandela, 100 anos!


Em 18 de julho de 1918, nascia Rolihlahla "Nelson" Mandela, um dos maiores ícones mundiais do século XX e o maior da África do Sul.
Vejo o que as pessoas (brancas, principalmente) falam sobre ele, como se fosse tão pacifista quanto Martin Luther King e isso não é bem verdade. Mandela foi preso e condenado como "terrorista" pelo governo racista sul-africano, justamente por se levantar contra as injustiças e contra o Apartheid, mesmo que precisasse usar a força.

Fico imaginando se essa visão do "Mandela Paz e Amor" não seria uma estratégia pra diluir sua verdadeira mensagem, que é a de não permitir que o mundo permaneça injusto sem lutar. Lógico, com a idade e a experiência, os discursos podem ter mudado, mas as convicções, não. O governo racista sul-africano demorou a acabar com o Apartheid, mas teria demorado muito mais tempo, se Nelson e Winnie Mandela, Walter Sisulu, Ahmed Kathrada e muitos outros não tivessem resistido com ações, paralelamente às palavras:

A lição que aprendi foi que, no final, nós não tínhamos alternativa alguma senão a resistência armada e violenta. Repetidamente, havíamos utilizado todas as armas de não violência em nosso arsenal - discursos, delegações, ameaças, marchas, greves, ficar em casa, prisões voluntárias - tudo em vão, pois tudo o que fazíamos era respondido com mão de ferro. um guerreiro pela liberdade aprende da maneira mais difícil que é o opressor que define a natureza da luta, e ao oprimido, frequentemente, não se deixa recurso algum senão utilizar métodos que espelham aquele do opressor. Em certo momento, só é possível lutar contra o fogo usando o fogo.

(Autobiografia, p. 206)


O que fica de lição, principalmente em tempos nefastos de xenofobia, racismo institucional, discursos de ódio e genocídio da população Negra, é que devemos buscar a paz, mas devemos ser mais incisivos. Não tô falando necessariamente de "tocar fogo" em tudo (também não tô excluindo essa possibilidade), mas precisamos buscar ações mais concretas pra combater o racismo para além de manifestações públicas nas redes sociais e levantamento de cartazes. Sou professor e, apesar do descaso do governo, ainda acredito que a educação é uma das maiores armas, a longo prazo, para um processo de conscientização e engajamento na luta contra o racismo. Precisamos conhecer a nossa história, saber quem somos!
Na mesma página, Mandela diz:

A educação é o grande motor do desenvolvimento pessoal. É através da educação que a filha de um camponês pode se tornar uma médica, que o filho de um mineiro pode se tornar o chefe da mina, que o filho de trabalhadores rurais pode se tornar o presidente de uma grande nação. É o que nós fazemos com o que dispomos, e não com o que nos é dado, que diferencia uma pessoa da outra.

No centenário de Nelson Mandela, temos o dever de agradecer por tudo que foi feito e a missão de manter o seu sonho de paz, justiça e liberdade entre os povos e raças vivo. Que os seus ideais continuem nos guiando!

Madiba Vive!


terça-feira, 3 de abril de 2018

Vá em paz, Winnie!



Ontem, dia 02 de abril de 2018, Nomzamo Winifred Zanyiwe Madikizela, a ex-guerrilheira, militante anti-apartheid e pela luta a favor da libertação da África do Sul, Winnie Mandela, faleceu, aos 81 anos. 
Winnie foi a maior companheira de Rolihlahla "Nelson" Mandela, durante as mais de duas décadas em que ele esteve preso, e quem segurou a onda do lado de fora dos muros das prisões. Ela também foi perseguida e presa várias vezes, embora não tenha passado tanto tempo quanto o seu companheiro na cadeia.
Cometemos o erro (sim, me incluo e faço um "mea culpa") de não falar tanto quanto deveríamos sobre as heroínas Negras, muitas vezes relegando-as ao posto de "esposas". Elas estão na linha de frente de todas as batalhas, participando ativamente de todos os protestos e enfrentando balas (que podem ou não ser de borracha), gás lacrimogêneo e a ira da "opinião pública".
Dandara de Palmares e Winnie Mandela são exemplos disso, frutos de uma educação machista e elitista a qual fomos submetidos desde a infância. 
Assim como Nelson, Winnie cumpriu brilhantemente seu propósito aqui na Terra e já pode descansar em paz, finalmente.

terça-feira, 18 de julho de 2017

#MandelaDay - 99 anos de Nelson Mandela



Líder. Guerrilheiro. Revolucionário.

Muito antes da imagem "paz e amor" que as pessoas costumam associar a Rolihlahla Mandela, existiu um homem que lutou, no sentido literal da palavra, pela libertação da África do Sul frente ao Apartheid, ao racismo e às injustiças sociais, primeiro em seu país, depois, em todo o continente africano, com seus ecos espalhando-se pelo mundo inteiro.

Na primeira página de sua autobiografia, Mandela diz:

"Fora a vida, um temperamento forte e uma conexão permanente com a casa real de Thembu, o único presente que meu pai me deu quando nasci foi um nome, Rolihlahla. Em Xhosa, Rolihlahla significa literalmente "arrancando o galho de uma árvore", mas coloquialmente, o significado mais preciso seria "encrenqueiro" [...]. Anos mais tarde, amigos e parentes atribuíram ao meu nome de nascença as muitas tempestades que tenho, ao mesmo tempo, causado e enfrentado. Meu nome mais conhecido em inglês [Nelson] não me foi dado até o meu primeiro dia de aula."


Hoje seria o 99º aniversário de Nelson Mandela. Um dia de celebração e reflexões. Viva Mandela!






"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes.

Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".

(Nelson Mandela, em seu discurso de posse da Presidência da República da África do Sul, em 1994)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

6 Anos de Ufanisi!


Hoje é um dia especial, por vários motivos.

No dia 14 de dezembro de 1994, há 22 anos atrás, Nelson Mandela,
a principal inspiração para o UFANISI, lançava sua autobiografia: Nelson Mandela: Longa Caminhada até a Liberdade. 

Há 6 anos, no dia 14 de dezembro de 2010, este blog publicava seu primeiro post, que pode ser conferido neste link.

E a notícia mais importante de todas: Hoje, 14 de dezembro de 2016, acabo de descobrir que serei pai! 

Ainda não sei muito o que pensar, mas, como sempre faço, prefiro sempre agradecer. A todos que me fazem bem e me motivam com palavras e ações, e aos que me fazem mal, porque me inspiram a ser melhor ainda. 

O tempo passa rápido, né? As mudanças acontecem numa velocidade assustadora e as nossas prioridades mudam na mesma proporção.

Prosperidade!


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Pan-Africanismo

Bandeira Pan-Africana


O Pan-Africanismo é uma ideologia que defende a união dos povos de todos os países do continente africano, no combate ao preconceito racial, à pobreza, à instabilidade e aos demais problemas sociais, como uma alternativa para tentar resolvê-los. 

Uma das propostas seria o remanejamento étnico, promovendo a união de grupos étnicos aliados, que foram separados pelo colonizador europeu, além do restabelecimento de práticas religiosas ancestrais e dos idiomas tradicionais, traços culturais que foram proibidos ou desencorajados durante a colonização.

Na realidade, o Pan-africanismo é um movimento de caráter social, filosófico e político, que visa promover a defesa dos direitos do povo africano, constituindo um único Estado soberano para africanos que vivem ou não na África.


A teoria pan-africanista foi desenvolvida principalmente pelos indivíduos na diáspora americana, descendentes de africanos escravizados e pessoas nascidas na África a partir de meados do século XX, como William Edward Burghardt DuBois e Marcus Mosiah Garvey, entre outros, e posteriormente levados para a arena política por africanos como Kwame Nkurumah. No Brasil, foi divulgada amplamente por Abdias do Nascimento.

Normalmente, se consideram Henry Sylvester-Williams e o Dr. William Edward Burghardt Du Bois como os pais da Pan-Africanismo. No entanto, este movimento social conta com várias vertentes, que têm uma história que remonta ao início do século XIX.  O Pan-Africanismo tem influenciado a África, a ponto de alterar radicalmente a sua paisagem política e ser decisiva para a independência dos países africanos. Ainda assim, o movimento tem conseguido dois dos seus principais objetivos: a unidade espiritual e política da África, sob o pretexto de um Estado único, e a capacidade de criar condições de prosperidade para todos os africanos.
A bandeira da Etiópia


Duas diferentes combinações de três cores são referenciadas como as Cores Pan-Africanas: verdedourado e vermelho, primeiramente usadas na bandeira da Etiópia, o único país que resistiu à colonização europeia, e o vermelhopreto verde, adotadas pela organização internacional sediada nos Estados Unidos, AUPN (do inglês, Associação Universal Para o Progresso Negro, fundada por Marcus Garvey, em 1 de agosto de 1914, na Jamaica). Como tal, são usadas em bandeiras e outros emblemas para representar o Pan-Africanismo, a identidade africana, ou os Negros, enquanto raça, como símbolo de orgulho, respeito e identificação.

segunda-feira, 21 de março de 2016

O Dia Internacional Contra a Discriminação Racial e o Massacre de Sharpeville


A data de hoje, 21 de março, passou a ser lembrada como o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial pela ONU devido ao assassinato de 69 pessoas e quase 200 feridos, num ataque promovido pela polícia, em repressão aos protestos contra a Lei do Passe em Sharpeville, na África do Sul.

Segundo essa lei, as pessoas Negras precisariam de uma autorização para circular em determinadas áreas majoritariamente brancas do país, e sua presença era bastante restrita. Caso desrespeitassem, poderiam ser presas.

em 21 de março de 1960, milhares de pessoas saíram às ruas para um protesto pacífico contra essa lei absurda, apenas uma das várias facetas do racismo perpetrado pelo sistema do Apartheid sul-africano, quando foram duramente reprimidas pela polícia que, sem nenhum aviso prévio, atirou contra homens, mulheres e crianças desarmadas.

Sharpeville mostrou que a luta contra o racismo e contra o status quo deve ser contínua. Jamais devemos baixar a cabeça ou obedecer às leis injustas. Décadas se passaram e incontáveis vidas foram perdidas, até que a África do Sul pudesse, finalmente, ser livre, embora as chagas do racismo ainda estejam presentes lá, aqui e em qualquer lugar do mundo.




sábado, 12 de dezembro de 2015

Conheça a sua história



É muito importante conhecer os que vieram antes de nós. Ainda que tenham vivido em países ou momentos históricos diferentes, sua trajetória transcende essas barreiras artificiais criadas pelas autoridades, e fazem com que sua luta seja universal. 

Angela Davis
Malcolm X
Zora Neale Hurston
Muhammad Ali
Nina Simone
Bob Marley
Little Richard
Bobby Seale
Nelson Mandela
James Brown
Shirley Chisholm
Gil Scott Heron

É lógico que não podemos esquecer de Zumbi e Dandara dos Palmares, de João Cândido, dos líderes da Conjuração Baiana (Cipriano Barata, Luís Gonzaga das Virgens, Manuel Faustino e João de Deus do Nascimento), Maria Felipa e tantas outras pessoas que pavimentaram o caminho, para que chegássemos vivos, firmes e fortes até aqui.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

67 anos do Apartheid na África do Sul: Para que nunca mais aconteça

Apesar de ser minoria, a elite branca sul-africana restringia violentamente o acesso aos Negros, até mesmo em locais públicos.

Em 29 de junho de 1948, uma das maiores vergonhas da história recente da humanidade foi oficialmente posta em prática. O regime do Apartheid ,"Separação", no idioma africâner, uma espécie de inglês com holandês falado pela minoria branca da África do Sul, que detinha o poder no país.

Esse sistema se caracterizava pelo racismo, dividindo o país, hierarquicamente, entre brancos, mestiços (em especial, indianos) e, por último, os Negros, que, mesmo sendo maioria numérica, possuíam menos direitos que os demais. No Apartheid, a saúde, a educação, os transportes e todos os serviços básicos seguiam essa hierarquia. Além disso, os Negros eram proibidos de circular pelas cidades ou viajar sem um passe de autorização e sua presença nas ruas era limitada a determinados locais e horários. Prisões arbitrárias de "suspeitos de conspiração" contra o governo foram legalizadas. 

É bom que se diga que, apesar de sua oficialização pelo Partido Nacional, na figura do primeiro-ministro sul-africano Daniel François Malan em 1948, o Apartheid foi um desdobramento do colonialismo europeu no continente africano, em que tradições milenares foram desprezadas e as relações tribais foram desestimuladas nos chamados "bantustões" que agrupavam cerca de 80% da população do país em mais ou menos 13% do território, pois, para os brancos, todos os Negros eram igualmente inferiores, não importando sua origem étnica, e as relações interraciais poderiam fazer com que seus costumes desaparecessem.

Organizações compostas por Negros criaram resistência ao Apartheid, com destaque para o CNA (Congresso Nacional Africano), que existia desde 1912, mas teve uma atuação muito importante nos anos de vigência do regime. Neste partido, destacou-se a figura de Rolihlahla Mandela, que recebera o nome de "Nelson" na escola, como acontecia com grande parte das crianças africanas Negras, pelo fato de os descendentes de europeus acharem seu nome tradicional muito complicado.

O Congresso Nacional Africano foi uma das principais vozes contra o Apartheid.

Mandela integrou vários boicotes e "campanhas de desafio", nas quais centenas de Negros pelo país circulavam por áreas exclusivas para brancos sem nenhum passe de autorização, acabou condenado à prisão perpétua, após o julgamento por conspiração e alta traição, mas isso não impediu que continuasse sendo uma grande liderança, mesmo isolado na Ilha Robben ou em outros presídios.

Com o passar dos anos,  o Apartheid foi sofrendo pressões internacionais e enfraquecendo, principalmente pelas suas semelhanças com o Nazismo e pelo fim de outros governos de minoria branca pelo continente. O movimento "Libertem Mandela" tomou conta do mundo inteiro e, a partir do governo de Frederik Willem de Klerk, Mandela foi finalmente solto em 1990, e as proibições foram, pouco a pouco, sendo revogadas.

Nas primeiras eleições livres do país, Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente Negro da história da África do Sul, iniciando um processo de mudanças por justiça e igualdade social. Em 1993, venceu o Prêmio Nobel da Paz, um reconhecimento a tantas décadas de luta contra o racismo.

Nunca devemos esquecer o Apartheid. Não podemos deixar de falar dessa aberração, para que não corramos o risco de vê-la ressurgir das cinzas, tal qual as diversas formas de preconceito latentes ao redor do mundo. Em tempos de "guerras cibernéticas" nas redes sociais por causa da união civil homoafetiva, pela redução da maioridade penal, pela laicidade do Estado e pela liberdade religiosa, em que o lado mais podre, vil e covarde do ser humano se expõe diante de todos, é bom aprender com o passado e perceber que nada de bom pode ser construído através do ódio e da segregação.

Saiba mais:

Filmes:

Mandela - Luta pela liberdade (2009)
Invictus (2009)
Mandela: Longo Caminho até a Liberdade (2013)

Livros:
Nelson Mandela: Longa Caminhada até a Liberdade (lançada em 2012, auto-biografia que deu origem ao filme e com prefácio de Fernando Henrique Cardoso)
Nelson Mandela: Conversas que tive comigo (2010, com prefácio de Barack Obama)

Auto-biografias de Mandela






segunda-feira, 25 de maio de 2015

Dia da África!



O Dia da África é um evento anual promovido pelas Delegações Africanas Permanentes perante a UNESCO, que tem por objetivo aumentar a visibilidade do continente, destacando seu patrimônio cultural e artístico.
Tal medida serve como mais uma Ação Afirmativa em busca do fim das desigualdades sociais e raciais, bem como na luta contra o racismo.
Como diz a letra do Hino Nacional da África do Sul, Nkosi Sikel' iAfrika (Em Xhosa, "Deus abençoe a África")

sábado, 11 de abril de 2015

Nós por nós


A cada sangue Negro derramado nas calçadas, a cada "auto de resistência" ou "troca de tiros", a cada "bala perdida" que apenas nos encontra em qualquer lugar, até mesmo dentro de casa, percebo que estamos por nossa própria conta. 
Em qualquer parte do planeta, a vida Negra sempre parece valer menos. Aqui no Brasil, as coisas parecem ainda piores. As pessoas morrem por quase nada, e quase não há repercussão nenhuma. Não há justiça, não há punição, só os inquéritos arquivados em alguma gaveta empoeirada por aí, enquanto os bandidos, sejam eles armados, fardados ou engravatados seguem suas vidas, como se nada jamais tivesse acontecido.
Não espere nada de Partido A ou Partido B, eles entram e saem do poder com as mesmas práticas. Nos dão migalhas e nos mantém na periferia do poder, sempre na varanda ou na cozinha, nunca do lado de dentro da casa.
Ah, mas isso vai mudar. Oh, se vai...
Somos nós por nós, precisamos entender isso.

sexta-feira, 27 de março de 2015

domingo, 21 de dezembro de 2014

4 Anos de Ufanisi


"Abra os ouvidos aos ancestrais e você entenderá a linguagem dos espíritos." (Provérbio africano)

4 anos já...
Sempre me passo na data, o aniversário do blog foi dia 14, data da postagem anterior, mas não importa.
Só gostaria de agradecer sempre a todas as pessoas que o acompanham, se interessam ou mandam sugestões. O único objetivo do UFANISI é ser mais uma arma na luta pela valorização e empoderamento Negro e contra o racismo. Nossa história contada por nós mesmos. Sempre seguindo a filosofia Ubuntu, "eu sou porque nós somos", continuaremos lutando e crescendo juntos, saudando Mandela, minha principal inspiração ao criar este blog.
Prosperidade !!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Um ano sem Madiba


O tempo passa rápido... de repente, já faz um ano desde que o último grande líder Negro, ou melhor, o último grande líder mundial se foi. Mas, como diz o personagem V no filme V de Vingança, "Ideias são à prova de balas". O homem se foi, mas suas ideias permanecerão conosco para sempre.