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terça-feira, 7 de outubro de 2025

"Malês", um filme necessário

 

Fiquei feliz em ver que Antônio Pitanga finalmente conseguiu. Há anos, eu acompanhava as notícias sobre as dificuldades de financiamento que ele enfrentou pra realizar esse filme.

"Malês" conta a história da Revolta dos Malês, ocorrida entre 24 e 25 de janeiro de 1835, em Salvador. Foi o maior levante de escravizados da história do Brasil e um dos maiores da América, mesmo sem ter acontecido plenamente como planejado.

Os Malês eram Negros muçulmanos vindos, principalmente, da Nigéria e que tinham uma grande organização e sentimento próprio de identidade, a ponto de arrecadar dinheiro para comprar a alforria dos que ainda estavam escravizados. Eram alfabetizados, falavam árabe e o Islã era a base de tudo, apesar de recorrerem a outras nacionalidades africanas que também se encontravam por aqui.

Antônio Pitanga, diretor do filme, é Pacífico Licutan, um dos mentores intelectuais do movimento. Seus filhos Camila e Rocco também atuam e o historiador João José Reis, autor de "Rebelião Escrava no Brasil", o livro mais completo sobre o assunto, é creditado como responsável pela revisão histórica do filme.

"Malês" é forte e necessário como tem de ser. Ao assistir, você vai entender por que deu tanto trabalho pra que ele saísse.

O livro de João José Reis serviu como base teórica para o filme.


domingo, 30 de junho de 2024

Talento e empoderamento Negro ao longo dos anos

 


Três dos maiores e mais prolíficos artistas brasileiros juntos para uma entrevista ao Fantástico. É impossível contar a história do teatro, televisão, música ou cinema do Brasil sem mencionar Tony Tornado (95 anos), Zezé Motta (80 anos) e Antônio Pitanga (85 anos).

Além da importância pro país como um todo, eles também são figuras históricas na luta pelo empoderamento Negro e contra o racismo. 

Seja interpretando personagens fortes, como Ganga Zumba (Pitanga) e Xica da Silva (Zezé Motta na versão original, que, depois, foi interpretada por Taís Araújo) ou na música, como Tony Tornado, a questão racial sempre esteve presente em seus trabalhos, buscando sair do lugar-comum que sempre nos foi relegado, mesmo em momentos menos favoráveis. 

Não que isso seja muito mais fácil agora, mas ver tudo que eles construíram ao longo dos anos segue inspirando várias gerações de Negras e Negros orgulhosos.