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terça-feira, 19 de março de 2019

Morre em Salvador a educadora e líder religiosa Makota Valdina


Enterro será às 15h30, no Cemitério Jardim da Saudade

A educadora, líder religiosa e militante da causa negra, Makota Valdina, 75 anos, morreu na madrugada desta terça-feira (19), em Salvador. Segundo a família, Makota estava hospitalizada há um mês, no Hospital Teresa de Lisieux. Ela teria dado entrada na unidade com dores causadas por pedras no rim,  mas, durante a internação foi constatada um abcesso no fígado e, no domingo, Makota sofreu uma parada cardio-respiratória. Ela entrou em coma e não resistiu.
O corpo será velado no Cemitério Jardim da Saudade e o enterro está previsto para ocorrer às 15h30. Makota não deixa filhos biológicos, mas ficam muitos sobrinhos que ela considerava como filhos. "Ela era a mãe de todo mundo aqui. O que ela sempre pediu foi que a gente perpetuasse o legado e os ensinamentos que ela deixou perante a religião e a luta dos negros", disse o sobrinho Júnior Pakapym. 
Professora aposentada da rede pública municipal de Salvador, ela foi membro do Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Nasceu e cresceu no bairro Engenho Velho da Federação. "Tenho orgulho de ser do Engenho Velho. Meu umbigo está, literalmente, enterrado aqui”, disse, em entrevista ao CORREIO, em 2013.
Ambientada na religião de matriz africana desde pequena – sua mãe era do candomblé – Makota só aderiu ao candomblé nos anos 70, quando tomou consciência do racismo. Coincidentemente, era o mesmo ano de surgimento do Movimento Negro Unificado e do Ilê Aiyê. Makota é o cargo religioso ocupado por ela no terreiro de candomblé Tanuri Junsara, de Nação Angola, espécie de conselheira da mãe de santo e responsável por cuidar da casa. “Makota é porque eu resolvi, conscientemente, empunhar a bandeira da militância, não como educadora que eu era, mas como religiosa do candomblé”, disse, em entrevista ao CORREIO, em 2013
Sua vida é retratada no documentário Makota Valdina - Um jeito Negro de Ser e Viver, que recebeu o primeiro Prêmio Palmares de Comunicação, da Fundação Cultural Palmares, na categoria Programas de Rádio e Vídeo. Em 2013, Makota Valdina publicou o livro de memórias intitulado "Meu caminhar, meu viver".  Ela foi referência na luta contra o racismo e intolerância religiosa e na valorização da cultura afro-brasileira. 
Ao longo de sua trajetória, Makota recebeu muitas homenagens. Entre elas os prêmios Troféu Clementina de Jesus, da União de Negros Pela Igualdade (UNEGRO), Troféu Ujaama, do Grupo Cultural Olodum, Medalha Maria Quitéria, da Câmara Municipal de Salvador, e Mestra Popular do Saber, pela Fundação Gregório de Mattos.
Ativismo
Em entrevista ao CORREIO no ano de 2015, Makota Valdina falou sobre sua preocupação com a natureza. Seu ativismo com o meio ambiente se fortaleceu em defesa do Parque São Bartolomeu, local que já foi importante para o culto das religiões afro-brasileiras. 

Ela cobrou conscientização dos terreiros para a preservação da natureza, inclusive evitando o uso de velas e de materiais não biodegradáveis nos rituais. "Orixá nenhum vai querer viver na sujeira. Nem os donos do mato querem sujeira. É preciso usar a natureza com responsabilidade. O verde é vida e não é só para quem é da religião de matriz afro-brasileira não, todos precisamos dele", afirmou.

Fonte: Correio 24 Horas

terça-feira, 12 de julho de 2016

Militante Negra Luiza Bairros faleceu hoje em Porto Alegre


da Redação do Portal Geledés
É com grande pesar que informamos que Luiza Helena Bairros faleceu esta manhã em Porto Alegre vitima de câncer no pulmão contra o qual lutava há meses.
Natural de Porto Alegre, era graduada em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul além de possuir títulos de Mestre em Ciências Sociais (UFBA) e de Doutora em Sociologia (Universidade de Michigan – USA). Morava em Salvador desde 1979, onde atuou em diversos movimentos sociais, com destaque para o Movimento Negro Unificado – MNU.  Trabalhou em programas das Nações Unidas – ONU contra o racismo em 2001 e em 2005. Foi titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Social da Bahia e Ministra-chefe da Secretaria de Políticas Públicas da Igualdade Racial do Brasil, de 2011 a 2014. Trabalhava e militava politicamente nas áreas de raça e gênero.
Para os movimentos sociais sobretudo os de mulheres e negros Luiza Bairros deixa reflexões fundamentais para compreensão e acão politica pela igualdade de gênero e raça.
Para a administração publica Luiza Bairros deixa ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) uma ferramenta que segundo ela inaugura a possibilidade de um novo ciclo das políticas de promoção da igualdade racial no Brasil visando o fortalecimento e a institucionalização de órgãos, conselhos, ouvidorias permanentes e fóruns voltados para a temática nos estados e municípios.
Luiza Bairros considerava que o Sinapir exige um esforço especial de gestores e gestoras no sentido da institucionalização dos órgãos de Promoção da Igualdade Racial (PIR). Segundo ela: “Não existe qualquer possibilidade de uma política pública ser bem-sucedida se o trabalho não for desenvolvido com os entes federados, porque é dessa maneira que se consegue que a política chegue às pessoas. Os resultados desse esforço vão depender também do empenho de governadores e prefeitos na compreensão da política de PIR.
Fonte: Portal Geledés

terça-feira, 5 de abril de 2016

Ao Som dos Atabaques: Costumes Negros e as Leis Republicanas em Salvador-BA (1890-1939)



Hoje é um dia simbólico pra mim. Há 5 anos atrás, no dia 05 de abril de 2011, defendi minha Dissertação de Mestrado em História Regional e Local pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB - Campus V, em Santo Antônio de Jesus-BA), na Linha de Pesquisa Estudos Sobre Trajetórias das Populações Afro-brasileiras.

Como eu disse na época, agradeço aos Orixás e a todos os espíritos ancestrais que possibilitaram que, no dia 13 de maio de 2009, exatamente 121 anos depois da abolição oficial da escravidão no Brasil, em que aos Negros era vedado o direito à educação e era proibido até mesmo saber ler e escrever, eu tivesse a minha primeira aula em um curso de pós-graduação de uma Universidade pública. Não conquistei nada disso sozinho. Tenho plena consciência da luta de muitas pessoas que vieram antes de mim para tornar este fato possível. Sei também do papel da minha família, dos meus amigos, professores e das minhas orientadoras Nancy Assis, desde a graduação, e Isabel Reis, em todas as etapas do processo.

Tenho orgulho de reafirmar minha condição de COTISTA, assim, com todas as letras maiúsculas, pra provar que o abismo que separa brancos e Negros no Brasil é motivado simplesmente pelas oportunidades historicamente desiguais.

Falando sobre a dissertação, o presente estudo se propõe a analisar algumas medidas governamentais e jurídicas tomadas desde o final do século XIX até as primeiras décadas do século XX e perceber até que ponto, explícita ou implicitamente, estas leis buscaram exercer certo controle sobre as práticas culturais majoritariamente negras em Salvador – a exemplo do Candomblé e da Capoeira –, com o intuito de levar à frente os ideais de “modernização” e de “exclusão dos indesejáveis”, agora que esta parcela da população não se encontrava mais sob o controle e a perseguição de senhores, feitores e capitães-do-mato. Jornais e documentos policiais, como portarias e processos-crime, também são utilizados, com o intuito de verificar a aplicação das leis republicanas (ou sua violação) no cotidiano da cidade, principalmente no que se refere aos costumes mais comuns às populações negras.


Compartilhando conhecimentos, espero que este trabalho seja útil a quem ler. Isso é Ubuntu.

Ao Som dos Atabaques. Costumes Negros e as Leis Republicanas em Salvador (1890-1939)

segunda-feira, 28 de março de 2016

Duppy - Festa de Caboclo


Tu entrarás no templo sagrado e encantador
Caboclo sabe onde tem ouro, tem ouro...

Não é só em Zé Pelintra que cê pode confiar
Pra toda má situação, varia de Jah à Oxalá
Agora não emborca na taboca sem ter volta pra chegar
Se tem perna pra correr, fuja do papararapapá! Pow!
Não é na beira mar, não é na beira mar
Que teus pecados terão chance para se purificar
Não é na beira amar, não é na beira mar
Que nessa vibe nem Exu vai segurar !

É na calada! Na calada!
É na calada da noite que a jurema é sagrada
É na calada! Na calada!
É na calada do catimbó que o transe invade sem dizer nada
É na calada! Na calada!
É na calada da noite que a jurema é sagrada
É na calada! Na calada!
É na calada do catimbó que o transe invade pra dizer

Hail! Seja bem vindo a Salvador
Magia negra não te causa dor
Inquice Congolês, Caboclo, Boiadeiro, Biolê, Buré, Kaitumba, Mutalambô
Seja o seu próprio senhor
Largue essa vida de plantar caô
Mundo encantado, tudo gira
Pombagira, Tranca-rua te espera no seu interior

É raizeiro
Sultão das matas
É Pena Branca, Guarani, Mata Serrada
É Sete flechas
Sete Serras
É Serra Negra
Gentileiro
Pedra Preta

Tu entrarás no templo sagrado e encantador
Caboclo sabe onde tem ouro
Convoque o boiadeiro, sem medo e sem rancor
Nordeste é o cativeiro do amor


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Duppy - Canções de Uma Roma Negra

Capa do álbum Canções de Uma Roma Negra, da banda baiana Duppy.
Uma amiga minha já havia me falado dessa banda há tempos (por sinal, muito obrigado, Camila), mas só conheci a Duppy de verdade no Palco do Rock, evento voltado às mais variadas vertentes do Rock And Roll e que acontece em pleno carnaval de Salvador, só que em um local mais distante dos trios elétricos.

A Duppy é uma banda difícil de rotular, até porque rótulos são desnecessários, na maioria das vezes. Seu som varia do Metal ao Reggae e Ragga, sempre misturando com elementos regionais e contando com a inconfudível presença dos atabaques. O que me chamou mais atenção na banda, além da evidente competência dos músicos, foi o conteúdo de suas letras, grande parte delas abordando os Orixás e a tradicional fé soteropolitana no Sagrado. 

É inspirador ouvir Atotô, Patuá, Xirê Ogum, Festa de Caboclo e foi especial poder gritar Kawó-Kabièsilè num festival de Rock!

Segue abaixo a minha música favorita, que ouço quase todo dia. Canto pra Odoyá é uma amostra do que os caras podem fazer:

Canto para Odoyá

Nas pedras do mar, Aiucá, Janaína
Teu pai Olokun chamou, vem cá
Teu abebé brilhou minha Deusa do mar
Neste sol sagrado, salgado, saudações a ti yá

Igbá! igbá! igbá yê!
Vou no Rio Vermelho, te levo um espelho
Tua beleza é de admirar

Igbá! igbá! igbá yê!
Vou pular as ondas, sem delongas
Meus pedidos vou jogar

E quando o mar me cerca
O arco-íris navega sobre as flores no barco a vela
Tem água de cheiro e de beber
Tem pescador, tem marinheiro
É fevereiro, se queres saber

Ô, dai-me licença aê
Oi, dai-me licença
Alodê, Iemanjá
Ô, dai-me licença

Ô, dai-me licença aê
Oi, dai-me licença
Alodê, Iemanjá

Ô, dai-me licença aê, Aiucá
Dai-me licença aê, Janaína 
Dai-me licença aê, Aiucá

É minha mãe Iemanjá!
É tua mãe Iemanjá!
Nossa mãe Iemanjá!


Você pode ouvir ou baixar o som da Duppy nas seguintes plataformas:

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Lenda das Sereias - Marisa Monte



Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Ynaê
Janaina e Yemanjá
São rainhas do mar

Mar, misterioso mar
Que vem do horizonte
É o berço das sereias
Lendário e fascinante

Olha o canto da sereia
Ialaó, oquê, ialoá
Em noite de lua cheia
Ouço a sereia cantar

E o luar sorrindo
Então se encanta
Com as doces melodias
Os madrigais vão despertar

Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz, ela semeia

Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz, ela semeia

Toda a corte engalanada
Transformando o mar em flor
Vê o Império enamorado
Chegar à morada do amor

Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Ynaê
Janaina e Yemanjá
São rainhas do mar






Eu também fui prestar minha solitária homenagem.

Uma pequena homenagem do Ufanisi à Rainha do Mar. Odoyá!
Sobre a tradicional festa do Rio Vermelho, escrevi em 2012 aqui mesmo. Veja o link abaixo:

Odoyá, Iemanjá!

domingo, 29 de março de 2015

Parabéns, Salvador! 466 anos!


Neste 29 de Março, data oficial da primeira capital do Brasil, minha homenagem à "Cidade da Baía" é uma das músicas que mais a representam:

É D'OXUM
(Vevé Calazans/Gerônimo)

Nessa cidade, todo mundo é d'Oxum
Homem, menino, menina, mulher
Toda essa gente irradia magia
Presente na água doce
Presente na água salgada
E toda cidade brilha...

Seja tenente ou filho de pescador
Ou importante desembargador
Se der presente, é tudo uma coisa só
A força que mora n'água
Não faz distinção de cor
E toda cidade é d'Oxum

É d'Oxum... é d'Oxum...

Eu vou navegar
Eu vou navegar nas ondas do mar
Eu vou navegar...


sábado, 28 de fevereiro de 2015



Lembre-se da ideia, não do homem. "Ideias são à prova de balas".
Prosperidade a todos nós, hoje e sempre.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Solidariedade


Pessoal de Salvador e RMS que puder ajudar, vamos nos mobilizar pelas vítimas do incêndio na comunidade de Alagados, bairro de Massaranduba. O incêndio levou o pouco que estas pessoas pessoas possuíam e sabemos muito bem como são os órgãos governamentais nesses casos, né?
O que interessa é ajudar da maneira que achar melhor, para tentar dar um mínimo de conforto à comunidade, enquanto algo mais concreto não acontece.
Além destes postos de coleta, existe um evento no Facebook, onde um pessoal tá organizando um mutirão para arrecadação:
https://www.facebook.com/events/280049625452634/?ref_notif_type=event_mall_comment&source=1


sábado, 1 de novembro de 2014

Mês da Consciência Negra. Onde está a sua?

Pela valorização das populações Negras

Começamos novembro e, a partir de hoje, várias ações serão realizadas em homenagem a Zumbi, um dos maiores líderes do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, que foi assassinado em 20 de novembro de 1695.

É um período necessário de reflexões, em que as temáticas em prol das populações Negras entram em evidência, mais do que no decorrer do ano. É o único feriado dedicado a um mártir Negro no Brasil, repleto de feriados católicos ou "cívicos". Mesmo assim, ainda alvo de controvérsias, pois vários estados o tratam como um mero ponto facultativo, e outros fingem que esta data não existe.

É um movimento necessário para que possamos denunciar com mais força o racismo e o sexismo a que as populações Negras são submetidas, desde sua chegada nada amistosa à colônia portuguesa na América até os dias tenebrosos do século XXI.

O Novembro Negro é um ato político, para mostrar a todas as pessoas, independentemente da cor de sua pele ou classe social, que muitas coisas ainda estão erradas no mundo inteiro, apesar dos avanços que conquistamos nas últimas décadas. Que ainda não chegamos ao topo da escada, mas já começamos a subir os degraus.

Convém lembrar, como faço todo ano, que a Consciência Negra não se restringe ao mês de novembro. Muitas ações são realizadas o ano inteiro, mas convergem para este período pela carga simbólica que ele carrega. E que o principal foco das celebrações do Novembro Negro pelo país é a luta contra o racismo, nas suas mais variadas formas. O racismo é um problema social, pertence a todos nós.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ministra participa de pré-lançamento da novela angolana WINDECK nesta segunda (03/11), na Bahia

"Windeck" é um passo importante para o protagonismo Negro na teledramaturgia.

Evento no Forte da Capoeira, em Salvador, fará parte da programação de abertura do Novembro Negro. Produzido em Angola, folhetim entra na grade da TVE Bahia a partir de 10/11

Ministra participa de pré-lançamento da novela angolana WINDECK nesta segunda (03/11), na Bahia
Convite
A ministra Luiza Bairros (Igualdade Racial) participa nesta segunda, 03/11, do pré-lançamento de Windeck, primeira novela africana a ser exibida no Brasil. A estreia da teledramaturgia na TV Brasil e afiliadas será no dia 10 de novembro, às 23h, mas o evento de apresentação da obra angolana aos baianos será na abertura do Novembro Negro, a partir das 19h, no Forte da Capoeira, Largo de Santo Antonio Além do Carmo, em Salvador.
A telenovela chega à TV pública brasileira com o apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir/PR), numa conjugação de esforços com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), gestora da TV Brasil, para ações de comunicação pública, produção e difusão de conteúdo audiovisual com o objetivo de dar visibilidade a representações positivas da pessoa negra.
A parceria entre a Seppir/PR e a EBC foi firmada no âmbito da Década Internacional dos Afrodescendentes, declarada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ser celebrada entre janeiro de 2015 e dezembro de 2024.
A ministra da Seppir/PR, Luiza Bairros, destaca que “a veiculação de uma novela angolana no Brasil é um marco importante para o fortalecimento da identidade dos afro-brasileiros e para o estreitamento das relações culturais entre os dois países. Estamos certas de que o contato com representações do cotidiano angolano, através da teledramaturgia, possibilitará a reafirmação de vínculos históricos e a aproximação cultural entre Brasil e Angola”.
A novela - Produzida em 2012 pela Semba Comunicação, a teledramaturgia foi escrita por Miguel Crespo, Coréon Dú, Isilda Hurst, Joana Jorge e Andreia Vicente, e teve direção de Sérgio Graciano. A obra já foi exibida pela TPA (Angola) e pela RTP1 (Portugal) recebendo boas críticas e aceitação do público. Em 2013, esteve entre as quatro telenovelas indicadas ao Emmy Internacional (duas brasileiras e uma canadense), vencido por Lado a Lado, da TV Globo
Fonte: Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Mais Brasil, menos CBF


Apoio qualquer manifestação por mais justiça social, entendo e respeito quem não gosta de futebol ou é contra a copa (nos moldes em que foi feita, eu também sou, apesar de que isso não vai mudar o que sinto pelo futebol), mas queimar a bandeira do país, como já vi algumas imagens, já é demais! 

Que sejamos brasileiros o ano inteiro, não apenas por um mês, a cada quatro anos. E que sejamos contra quem vendeu nosso país para que fosse recolonizado pela FIFA, não contra o país. Isso é o que nos diferencia deles. 

Vou assistir a todos os jogos que puder (em casa, obviamente), porque gosto de futebol, mesmo sem morrer de amores pela "Seleção". Não acredito que o sucesso da realização da copa ou da campanha do Brasil em campo seja, inexoravelmente, um sucesso do governo. O governo já fracassou, independentemente do que aconteça de hoje até 13 de julho, data da final, e torcer para o Brasil não significa torcer para o governo A ou governo B. 

Antes que eu seja mal interpretado, não faço coro, em nenhuma hipótese, àquela criatura que disse que o "que tinha pra ser roubado já foi". O que foi roubado precisa ser apurado, e os culpados, presos.

Vamos protestar sempre contra as irregularidades feitas com o nosso dinheiro, contra a má distribuição de renda, contra a perseguição dos governantes DE TODOS OS PARTIDOS aos movimentos grevistas de qualquer categoria, contra essa carga tributária excessiva, que faz com que os preços de alguns produtos e serviços custem quase o dobro do que deveriam, contra as obras superfaturadas que não ficam prontas e consomem cada vez mais recursos (vide o "Metrô" de Salvador, de apenas 7,3 km em 15 anos, o menor e mais caro do mundo), contra o famoso descaso com a educação e saúde públicas e lembrar da cara, da sigla e da cor de cada um desses partidos nas eleições.

Contra a atuação da CBF e do STJD, que protegem seus "apadrinhados" com os famosos tapetões, contra a falta de transparência e o coronelismo presente nas federações estaduais, contra a distribuição desigual das cotas de TV aos clubes, o que aumenta o fosso entre os times do "eixo" e os das demais regiões do Brasil, notadamente, Norte, Nordeste e Centro-Oeste...

E que sejamos a favor do Brasil. A favor de ações afirmativas que diminuam a distância entre ricos e pobres, Negros e brancos. A favor de melhores políticas públicas na área da segurança e nos serviços básicos. Nosso país é rico e maravilhoso. O problema são as pessoas que vivem nele.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Moradora de Valéria será a Deusa do Ébano do Ilê em 2014

O Ilê estreou no carnaval de Salvador em 1974, sob protestos das classes médias e da "elite" branca local.

Fiquei muito feliz em saber que Cynthia Paixão, moradora do meu bairro, Valéria, no subúrbio de Salvador, foi eleita a Deusa do Ébano na 35ª Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê, o mais tradicional bloco afro do carnaval baiano, justamente no ano que a agremiação completa 40 anos desde seu primeiro desfile.
A Noite da Beleza Negra é mais que um concurso para escolher a mulher mais bonita do "Mais Belo dos Belos". Neste concurso, vence quem alia a beleza com a inteligência, consciência racial, reconhecimento das lutas que o Ilê trava em prol da defesa do Povo Negro contra o racismo e outra série de atributos que vão muito além da aparência física, pois beleza sem conteúdo é como uma concha vazia, e nós não precisamos disso.
Sempre a vejo passar, mas não temos muito contato. Apesar disso, fiquei feliz por ela como se fosse alguém da minha família. Torço de verdade, porque cada vitória de um de nós é uma vitória de todos nós!!
Mais uma vez, fica aqui registrado o meu orgulho e desejo de que dê tudo certo. 
Neste domingo, o Ilê fará mais um show no Parque da Cidade, às 11h da manhã e a entrada é totalmente grátis. Claro que estarei lá!!
Ufanisi!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Òké Aro!

Uma homenagem à Mãe Stella de Oxóssi, Iyalorixá baiana, escritora de diversos livros e que, desde ontem, quinta-feira, 11 de setembro de 2013, ocupou uma vaga na Academia de Letras da Bahia.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Salve a independência do Brasil na Bahia!

Na Bahia foram travadas as últimas batalhas pela independência do Brasil, culminando com a expulsão definitiva das tropas portuguesas no dia 2 de julho de 1823, em Salvador.

HINO AO DOIS DE JULHO


Nasce o sol a 2 de julho
Brilha mais que no primeiro
É sinal que neste dia
Até o sol, até o sol é brasileiro!



Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações



Cresce, oh! Filho de minha alma
Para a pátria defender,
O Brasil já tem jurado
Independência ou morrer.



Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações



Salve, oh! Rei das campinas
De Cabrito e Pirajá
Nossa pátria hoje livre
Dos tiranos não será!


quinta-feira, 14 de março de 2013

Março Mulher: Luislinda Valois


Achei interessante essa campanha publicitária do Governo do Estado da Bahia em homenagem às mulheres. Não precisava ser em março, apesar de eu ser (ou talvez, PRINCIPALMENTE por ser) historiador, tenho uma certa resistência a datas específicas para se homenagear alguém ou comemorar algo. 
Enfim, voltando à campanha, o foco são várias mulheres que tiveram uma trajetória de vida difícil e que, para muitas pessoas, teria sido mais fácil optar por outros caminhos, mas contrariando a "lógica" e o senso comum e se notabilizaram em alguma área.
No caso desta imagem, temos Luislinda Valois, uma mulher que teve todos os motivos pra desistir, mas marcou seu nome na história sendo a primeira mulher a se tornar juíza e, posteriormente, a primeira desembargadora da história do Brasil.
Sou seu grande fã e espero que ela continue inspirando milhões de mulheres e homens Negr@s do Brasil.

Transcrição do texto acima:
"Do direito ao voto à ocupação dos principais cargos do país.
Do combate à violência doméstica ao reconhecimento profissional e econômico. A trajetória foi e está sendo construída com muita luta e coragem. Por isso, a gente está sempre ao lado delas para juntas realizarmos grandes conquistas.
Março Mulher. Toda mulher pode virar o jogo."

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Iansã ganha seus atributos de seus amantes

Em homenagem ao dia de Iansã, segue um dos contos reunidos por Reginaldo Prandi no livro Mitologia dos Orixás.



Iansã usava seus encantos e sedução para adquirir poder.
Por isso entregou-se a vários homens, deles recebendo sempre algum presente.
Com Ogum, casou-se e teve nove filhos, adquirindo o direito de usar a espada em sua defesa e dos demais.
Com Oxaguiã, adquiriu o direito de usar o escudo, para proteger-se dos inimigos.
Com Exu, adquiriu os direitos de usar o poder do fogo e da magia, para realizar os seus desejos e os dos seus protegidos.
Com Oxóssi, adquiriu o saber da caça, para suprir-se de carne e a seus filhos.
Aprimorou os ensinamentos que ganhou de Exu e usou de sua magia para transformar-se em búfalo, quando ia em defesa dos seus filhos.
Com Logum Edé, adquiriu o direito de pescar e tirar dos rios e cachoeiras os frutos d'água para a sobrevivência sua e de seus filhos.
Com Obaluaê, Iansã tentou insinuar-se, porém, em vão.
Dele nada conseguiu.
Ao final de suas conquistas e aquisições, Iansã partiu para o reino de Xangô, envolvendo-o, apaixonando-se e vivendo com ele para a vida toda.
Com Xangô, adquiriu o poder do encantamento, o posto da justiça e o domínio dos raios.


terça-feira, 26 de junho de 2012

Gilberto Gil 70 anos!

Gil foi vereador por Salvador no final da década de 1980 e Ministro da Cultura do Governo Lula.


Gilberto Gil tem um papel fundamental no processo constante de modernização da Musica Popular Brasileira. Na cena há 49 anos, ele tem desenvolvido uma das mais relevantes e reconhecidas carreiras como cantor, compositor e guitarrista. 


Gilberto Gil tem tido seus álbuns lançados mundo a fora, desde 1978, o ano do sucesso de sua performance no “Montreux Jazz Festival”, na Suíça , gravado ao vivo.


Todo ano ele viaja em excursão para a Europa, Américas e Oriente com sua música contagiante, com forte tendência rítmica e riqueza melódica, em uma mistura assim como é a mistura de povos.


Ritmos do nordeste do Brasil como o baião, samba e bossa-nova foram fundamentais na sua formação. Usando essas influências como um ponto inicial, Gil formulou sua própria música, incorporando rock, reggae, funk e ritmos da Bahia, como o afoxé.


A obra musical de Gilberto Gil abrange uma ampla dimensão e variedade de ritmos e questões em suas composições, pertinentes a realidade e a modernidade; da desigualdade social às questões raciais, da cultura Africana à Oriental, da ciência à religião, entre muitos outros temas. A abrangência e profundidade nos diferentes temas de sua obra musical, são qualidades específicas deste artista, fazendo de Gilberto Gil, um dos melhores e mais importantes compositores musicais brasileiros.


A importância de Gilberto Gil na cultura de seu país vem desde os anos 60, quando ele e Caetano Veloso criaram o Tropicalismo. Radicalmente inovativo no cenário musical, o movimento assimilou a cultura pop aos gêneros nacionais; profundamente crítica nos níveis políticos e morais, o tropicalismo finalizou sendo reprimido pelo regime autoritário militar.


Gilberto Gil e Caetano Veloso foram exilados de seu país, indo para Londres.


Em Londres, Gilberto Gil gravou um album em inglês pela gravadora local PHILIPS.


Quando ele retornou ao Brasil, ele começou a series de discos antológicos nos anos setenta: "Expresso 2222", "Gil e Jorge"(com Jorge Ben Jor), " Os Doces Bárbaros" (com os baianos Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia) e a trilogia conceitual: "Refazenda" (sobre a extração de campo), "Refavela" (com ritmos da Jamaica, Nigeria, Rio de Janeiro e Bahia), e "Realce" – este último gravado em Los Angeles, firmando sua opção pela música pop, que direcionaria o desenvolvimento de sua trajetória nos anos 80. Nos anos 90, vieram: "Parabolicamará", "Tropicalia2" ( com Caetano Veloso, celebrando os 25 anos do movimento Tropicalista) e "Unplugged" ( a coletânea de sucessos gravado ao vivo pelo canal MTV). Em 1997, Ele lançou o album duplo "Quanta" e em 1998, lançou "Quanta gente veio ver", em album duplo ao vivo, comemorando o enorme sucesso de uma tounee mundial e que ganhou o "Grammy Award" de melhor musica mundial. Em 2000, lançou o CD "Eu, Tu, Eles" e o CD "Gil & Milton" (com Milton Nascimento). Em 2001, lança o CD "São João Vivo". 

Em 2002, lança o CD e DVD "Kaya n´Gan Daya", que depois de uma tournée mundial, tornou-se em CD ao vivo. Em 2004, lançou ao vivo o CD e DVD "Eletracústico". Eletracustico foi o resultado do concerto que realizou na ONU em N.Y. "Eletracústico" veio para atender a imensa demanda do público, depois do intervalo de três anos sem gravar, desde que assumiu o cargo de Ministro da Cultura do Brasil. Alguns dos seus sucessos estão mais intensivamente marcados pelo diálogo entre a percussão acústica e eletrônica, cantando um repertório histórico de sucessos dos anos 60 até os dias de hoje, com a alegria e entusiasmo marcantes da sua voz.



Em 2006, a gravadora Biscoito Fino relança o disco com o título de “Gil Luminoso – voz e violão”, cd que foi gravado em 1999 para ser encartado no Livro “Giluminoso – A Po.Ética do Ser”, de Bené Fonteles. O livro foi uma homenagem a Gil com mais de 50 letras do compositor, fotos e um longo depoimento de Gilberto Gil. A tournée Gil Luminoso, uma das mais belas de sua carreira, passou pela Europa e Estados Unidos.



Em abril de 2010 excursionou pelos Estados Unidos, com o projeto Concerto de Cordas, e logo após seu retorno ao Brasil, inicia a gravação de seu novo disco, “Fé na Festa”, todo dedicado ao gênero do forró, o álbum inclui parcerias com Vanessa da Mata e Nando Cordel.


Em junho de 2010 Gil excursionou o nordeste com a turnê “Fé na Festa”, durante o mês de julho, leva a Europa o mesmo show, intitulado em terras estrangeiras como: “For All”.


Com 57 álbuns lançados, Gilberto Gil ganhou 8 Grammys


Por seu engajamento sempre criativo em levar para o mundo o coração e a alma da música brasileira, Gilberto Gil tem sido contemplado por diversas entidades e personalidades e tem recebido muitos prêmios no Brasil e no exterior.


Seu talento, sua curiosidade, a firmeza de sua convicção cultural como músico e embaixador, o torna único.

Fonte: Site Oficial Gilberto Gil (www.gilbertogil.com.br)