domingo, 22 de dezembro de 2024

Por que, na Ásia, o nome de vários países termina em “-istão”?

  


Porque nas línguas mais faladas nessa região do mundo, como o hindi, o persa e o quirguiz, “-istão” quer dizer “lugar de morada” de um determinado povo ou etnia. De acordo com esse princípio, Cazaquistão, por exemplo, significa “território dos cazaques”; Quirguistão , “território dos quirguizes”; Afeganistão, “território dos afegãos” e assim por diante.

É algo equivalente a adicionar os sufixos “-lândia” (que vem de land, “terra”, nas línguas germânicas) ou “-polis” (“cidade”, em grego) ao final de nomes. 

Petrópolis é a cidade de Pedro, Teresópolis, a de Teresa. Suazilândia é a terra dos suázis – mas, recentemente, o país mudou de nome para Essuatíni, que significa justamente “terra dos suázis” na língua local.

“A forma “-stão” deriva de uma antiga raiz linguística indo-europeia. Esse sufixo carregava a ideia de ‘parar’ ou ‘permanecer’ e deu origem, por exemplo, aos verbos stare, em latim, e stand, em inglês”, diz o lingüista Mário Ferreira, da Universidade de São Paulo.

Do stare latino, inclusive, vem o verbo “estar” em português. Ou seja: pensando na raiz etimológica da coisa, você pode traduzir os nomes desses países, ao pé da letra, como “onde estão os afegãos”, “onde estão os cazaques” e assim por diante.

A única exceção a essa regra é o caso do Paquistão, batizado cerca de 20 anos antes de o território do país ser constituído, em 1947. “Rahmat Ali, o idealizador da independência paquistanesa, juntou ao termo “-istão” o vocábulo “paki”, surgido a partir de uma combinação das iniciais das áreas reivindicadas pela futura nação. O “p” representava a província do Punjab, enquanto o “k” equivalia à região da Caxemira, no noroeste da Índia”, afirma Mário.

Note que os nomes de países islâmicos localizados no Oriente Médio e no norte da África não carregam o sufixo "istão". Ali, a língua predominante é o árabe, que não possui raízes indo-europeias – ele pertence a outro tronco, o semítico, compartilhado com o hebraico e o aramaico.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Homens pretos (não) choram e A Cor Púrpura

 


Livros pra desidratar nas férias. Muita coisa pra ler, mas faço questão de compartilhar cada livro que compro como uma sugestão de leitura pra quem por acaso se interessar. Dessa vez, como comprei os dois ao mesmo tempo, resolvi fazer um post só, apesar dele acabar ficando um pouco mais longo que os demais.


O homem negro tem espaço para ser vulnerável? Esse homem pode chorar e existir ao mesmo tempo?

Com três contos inéditos, nesta nova edição de Homens pretos (não) choram , Stefano Volp joga luz sobre as feridas, os medos e a solidão do homem, sobretudo o negro, para buscar respostas sobre uma sociedade incapaz de compreender as vulnerabilidades e sutilezas que existem para além da imagem que se constrói das pessoas.

Homens pretos (não) choram é uma coletânea de contos “quarentênicos”, idealizados e escritos durante o isolamento social, que trazem uma visão contemporânea sobre a masculinidade.

Os dez contos são repletos de emoção e sinceridade, e mostram como o homem, sobretudo o negro, vive à mercê de estereótipos pré-concebidos pela sociedade e se esconde atrás de seus medos, angústias e solidão.

A edição revisada de A cor púrpura, a obra-prima de Alice Walker vencedora do Pulitzer e um dos mais importantes títulos de toda a história da literatura.

Alguns dos personagens mais marcantes da literatura norte-americana recente estão neste livro – ganhador do Pulitzer e do American Book Award –, que inspirou a obra-prima cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg e o aclamado musical da Broadway, adaptado para o cinema.

A cor púrpura, ambientado no Sul dos Estados Unidos, entre os anos 1900 e 1940, conta a história de Celie, mulher negra, pobre e semi analfabeta. Brutalizada desde a infância, a jovem foi estuprada pelo padrasto e forçada a se casar com Albert, um viúvo violento, pai de quatro filhos, que enxergava a esposa como uma serviçal e fazia dos sofrimentos físicos e morais sua rotina.

Durante trinta anos, Celie escreve cartas para Deus e para a irmã Nettie, missionária na África. Os textos têm uma linguagem peculiar, que assume cadência e ritmo próprios à medida que Celie cresce e passa a reunir experiências, amores e amigos. Entre eles está a inesquecível Shug Avery, cantora de jazz e amante de Albert.

Apesar da dramaticidade do enredo, A cor púrpura é uma história sobre mudanças, redenção e amor. A partir da vida de Celie, a aclamada escritora Alice Walker tece críticas ao poder dado aos homens em uma sociedade que ainda hoje luta por igualdade entre gêneros, raças e classes sociais. Eleito pela BBC um dos 100 romances que definem o mundo, A cor púrpura é um retrato da vivência da mulher negra na época da segregação racial, cujos reflexos ainda estão presentes na nossa sociedade.



quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Sugestão de leitura: "A Tragédia da Injustiça Branca", de Marcus Garvey

 


🔴⚫🟢 A Tragédia da Injustiça Branca, publicado pela Editora Ananse (@editorananse), é uma obra escrita por Marcus Mosiah Garvey enquanto ele estava preso em 1927, por uma falsa acusação do governo dos EUA.

Este livro de poesias oferece uma reflexão profunda sobre a opressão sofrida pelos povos pretos, ao mesmo tempo em que se apresenta como um chamado à ação, à emancipação e à autodeterminação. Garvey, ao falar sobre a finalidade deste livro, afirmou que o objetivo era "dar ao Negro um pensamento, com a esperança de inspirá-lo para a libertação de si mesmo dos terríveis tentáculos do preconceito e da exploração da raça".

Por meio de sua poesia, Garvey transforma suas ideias em uma forma de arte poderosa, dando voz às suas convicções de maneira que transcende o tempo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

20 de Novembro, Dia da Consciência Negra



 "Até que os leões tenham suas próprias histórias, os contos de caça glorificação sempre o caçador" (provérbio africano).

20 de Novembro, Dia da Consciência Negra. Vamos assumir o protagonismo da nossa história. Deixe que os adversários apareçam! Eles sempre se incomodaram com qualquer tentativa de reação, desde Palmares. Quanto mais deles aparecerem pelo caminho, maior a certeza de que estamos no caminho certo. Ubuntu! Ufanisi!

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Morre o ator James Earl Jones aos 93 anos

 


James Earl Jones, ator ganhador de todos os principais prêmios do entretenimento americano e conhecido como a voz de Darth Vader na franquia "Star Wars", morreu aos 93 anos nesta segunda-feira (9).

De acordo com o site Deadline, ele estava em sua casa, em Nova York, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada por seus agentes. A causa da morte não foi divulgada.

Amado e respeitado por diferentes gerações de colegas e de fãs, o americano é um dos poucos atores ganhadores dos maiores prêmios da TV (Emmy), música (Grammy), teatro (Tony) e cinema (Oscar) — uma classe conhecida popularmente como EGOT.

Depois de servir no exército americano durante a Guerra da Coréia, nos anos 1950, Earl Jones começou uma carreira nos palcos. Sua estreia na Broadway, região de Nova York onde as peças mais prestigiadas são apresentadas, aconteceu em 1957.

Em 1968, ganhou seu primeiro Tony como o protagonista da peça "The great white hope". O papel lhe rendeu ainda uma indicação ao Oscar em 1970, pela adaptação da obra para o cinema, "A grande esperança branca".


Seu primeiro trabalho no cinema aconteceu alguns anos antes, em 1964, no clássico "Dr. Fantástico", de Stanley Kubrick. Mas o personagem mais marcante de sua carreira, ou o que o deixaria mais conhecido pelo mundo, levaria mais 13 anos.

Em 1977, ele participou de "Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança" (na época ainda "Guerra nas Estrelas", no Brasil) como a voz profunda do vilão sombrio Darth Vader.

Depois de repetir a atuação nos três filmes da trilogia principal, ele voltou à capa e ao capacete para "Rogue One: Uma História Star Wars" (2016).

A voz característica seria uma marca em sua carreira bem sucedida. O ator também conquistou o público infantil ao dublar Mufasa, o pai do protagonista de "O Rei Leão" (1994).

Sua interpretação (e timbre) foram tão marcantes que ele foi um dos poucos do elenco original a voltar para a nova versão computadorizada de 2019.

Seu último trabalho no cinema aconteceu em 2021, ao retornar a outro personagem da realiza como o rei Jaffe Joffer de "Um príncipe em Nova York 2", com Eddie Murphy.

Apesar de não receber uma estatueta por nenhum trabalho específico, o ator ganhou o Oscar honorário em 2012.

Já no Emmy ganhou duas vezes, ambas em 1991, por "Conflito em Los Angeles" e "Anjo Maldito", além de outras seis indicações.


Pelo teatro, ganhou dois Tony de melhor ator e um honorário. Seu Grammy veio na categoria de narração em audiolivro, por "Great American Documents", em 1977.


Fonte: G1


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

"Você é meu inimigo!"

 


Em 1967, Muhammad Ali se recusou a lutar na Guerra do Vietnã, por motivos religiosos e por não concordar com ela. Sua postura corajosa teve como consequência a prisão, perda dos seus títulos de campeão de boxe e banimento do esporte por mais de três anos, o que atrapalhou momentaneamente sua carreira, mas ajudou a imortalizá-lo como defensor dos direitos civis e da luta antirracista. 

"Eu não vou esquivar. Eu não estou queimando nenhuma bandeira. Não estou fugindo para o Canadá. Eu fico bem aqui. Você quer me mandar para a cadeia? 

Ok, vá em frente. Estou preso há 400 anos.

 Eu poderia ficar lá por mais 4 ou 5, mas não vou viajar 10.000 milhas para ajudar a matar outras pessoas pobres. 

Se eu quiser morrer, vou morrer aqui mesmo, agora, lutando contra você. Você é meu inimigo, não um chinês, um vietcongue, um japonês. 

Você é meu inimigo quando quero liberdade. Você é meu inimigo quando quero justiça. Você é meu inimigo quando quero igualdade. 

Você quer que eu vá a algum lugar e lute por você? Você nem mesmo vai me defender aqui na América, nem meus direitos ou minhas crenças religiosas. 

Você não vai me defender nem aqui, na minha casa."

Ali venceu muitas lutas, mas sua maior vitória foi fora dos ringues.

sábado, 31 de agosto de 2024

40 livros Afrocentrados para ler

 


Achei essa lista no Facebook e ampliei com alguns livros que eu tenho. É uma boa iniciação sobre os assuntos Afrikanos, sem intermediários.

1- Nações Negras e Cultura: Cheikh Anta Diop

2- História da África Negra: Joseph Ki-Zerbo

3- Para quando a África?: Joseph Ki-Zerbo

4- Pele Negra, Máscaras Brancas: Frantz Fanon

5- Os Condenados da Terra: Frantz Fanon

6 - O Legado Roubado: George M. James

7- Procure por mim na tempestade: Marcus Garvey

8- A contribuição da África para o progresso da humanidade: Moisés Kamabaya

9- O renascimento da personalidade africana: Moisés Kamabaya

10- Áfricas Ocultas: Gabriel Ambrósio Winner

11- África Negra: História e Civilizações: Elikia Mbokolo

12- Das independências às Liberdades: Elias Ngoenha 

13-  Afrocentricidade - Melefi Kete Asante 

14- A Unidade Cultural da África Negra: Cheikh Anta Diop

15- A crítica da razão negra: Achille Mbembe

16- Afrocentricidade: Mukale

17- O cristianismo e as mutações sociais em Afrika: Mwanamossy

18 A Intersubjectividade: J.P. Castiano

19- Teologia Afrikana: Mbimbikhó Kikhõ e Mwandhi Mpulavi

20- Filosofia Afrikana: Mubiano Mpovela

21- Da Diáspora: Stuart Hall 

22- História da África Negra: Boubakar Namori Keita

23- As almas do povo negro: William E. B. Du bois

24- Yurugu: Marimba Ani

25- Tradição Africana e a Racionalidade Moderna: Pea Elgungu

26- MUNTUISMO: A ideia de pessoa na filosofia africana contemporânea:  Enzo Bono

27- A Consciência Histórica Africana: Ndaye Diop

28 - Cheikh Anta Diop ou a Honra de Pensar: Jean- Marc Ela

29- A Invenção de África: Yves Valetim Mudimbe

30- A Ideia de África:  Yves Valetim Mudimbe 

31- NIKETCHE: Uma História da Poligamia: Paulina Chiziane

32- O Alegre Canto da Perdiz: Paulina Chiziane

33 - A Des-Educação do Negro: Carter Woodson

34 - Na Casa de Meu Pai: Kwame Anthony Appiah

35 - Dicionário Yorubá - Português: José Beniste

36 - A Enxada e a Lança: Alberto da Costa e Silva

37 - O Atlântico Negro: Paul Gilroy

38 - Discurso sobre o Colonialismo: Aimé Césaire

39 - A Manilha e o Libambo: Alberto da Costa e Silva 

40 - Nelson Mandela: Longa caminhada até a liberdade (autobiografia)