domingo, 29 de agosto de 2021

Como Fabricar um Gansta, de Daniel dos Santos

 


"Como Fabricar um Gangsta", de Daniel Dos Santos, é o resultado da primeira etapa do projeto de pesquisa intitulado #TheGanstaProject, desenvolvido entre o Mestrado e o Doutorado, sobre as masculinidades Negras na cultura Hip Hop dos Estados Unidos entre o fim do século XX e o início do XXI. 


A partir de um processo de investigação sobre a obra audiovisual dos rappers Jay-Z e 50 Cent, pode-se identificar e decodificar as configurações dos tipos de masculinidades Negras presentes nas narrativas do sub-gênero Gangsta Rap, através de uma narrativa interseccional estabelecida entre as epistemologias étnico-raciais pós-coloniais e das dissidências sexuais e de gênero. 


Neutralidade não existe. Quando uma pesquisa é feita por alguém que, de fato, possui um envolvimento afetivo com o tema, sem abdicar do método, da análise das fontes e da bibliografia necessária, o que podemos esperar é um trabalho autêntico. Quando o livro é escrito por um homem Negro, o significado é ainda maior, porque fica em nós a sensação de protagonismo, não a impressão de que somos usados como meros "objetos de pesquisa". Aqui estamos nós enquanto sujeitos complexos, singulares, com nossos vícios e virtudes; nossas falhas e qualidades. Aqui também temos a dualidade entre o que realmente somos e a maneira como somos representados na mídia e na sociedade como um todo. O que queremos ser e o que esperam de nós.


"Como Fabricar um Gangsta" foi publicado pela Editora Devires e pode ser adquirido no site da Queer Livros.



quinta-feira, 12 de agosto de 2021

12 de agosto, Dia da Revolta dos Búzios

 


Animai-vos, povo bahiense, que está para chegar o tempo feliz da nossa liberdade! O tempo em que todos seremos irmãos! O tempo em que todos seremos iguais!

Sabei que já seguem o Partido da Liberdade!"


223 anos da Revolta dos Búzios, ou Conjuração Baiana, também chamada de Revolta dos Alfaiates. Um movimento popular separatista, predominantemente Negro que, inspirado pela Independência do Haiti e pela Revolução Francesa, buscava o fim da escravidão, da opressão, das desigualdades sociais e da exploração colonial.


Nenhum tiro foi disparado no dia 12 de agosto de 1798, mas suas ideias aterrorizaram aquelas pessoas de sempre, que não desejam que nada mude no status quo, nem ontem, nem hoje.


Para sempre lembrados:

Lucas Dantas

Manuel Faustino

Luís Gonzaga das Virgens

João de Deus 


E todas as pessoas que perderam a vida há mais de 500 anos nesse Estado genocida.


quinta-feira, 29 de julho de 2021

Baile de Favela Olímpico!

 

Rebeca Andrade conquista a primeira medalha da ginástica feminina em Olimpíadas.

A ginasta Rebeca Andrade fez história nesta manhã de quinta-feira ao se tornar a primeira mulher a conquistar uma medalha olímpica na ginástica.

Misturando Johann Sebastian Bach com o "Baile de Favela" de MC João, Rebeca conquistou a medalha de prata nas Olímpiadas de Tóquio. 

Vale lembrar que Daiane dos Santos, outra ginasta Negra, foi a primeira mulher a conquistar o ouro numa competição mundial de ginástica, ao som de "Brasileirinho".

Duas mulheres Negras estarão marcadas para sempre na história da ginástica brasileira!

Em 2003, Daiane dos Santos foi a primeira ginasta brasileira a conquistar uma medalha de ouro no Mundial de Anaheim, EUA.


terça-feira, 20 de julho de 2021

Águas, Flores & Perfumes - Resistência Negra, Atabaques e Justiça na República




Depois de tanto tempo divulgando livros de pessoas que admiro, desta vez, a sugestão de leitura é o meu próprio livro.


"Águas, Flores & Perfumes - Resistência Negra, Atabaques e Justiça na República (Salvador-BA, 1890-1939)" analisa algumas medidas governamentais e jurídicas tomadas desde o final do século XIX até as primeiras décadas do século XX. 


Neste livro, eu investigo até que ponto, explícita ou implicitamente, estas leis buscaram exercer certo controle sobre as práticas culturais majoritariamente negras em Salvador - a exemplo do Candomblé, da Capoeira e das festas populares -, com o intuito de levar à frente os ideais de "modernização" e de "exclusão dos indesejáveis", agora que esta parcela da população não se encontrava mais sob o controle e a perseguição de senhores, feitores e capitães-do-mato. 


Jornais da época e documentos policiais, como portarias e processos-crime, também são utilizados, com o intuito de verificar a aplicação das primeiras leis republicanas (ou sua violação) no cotidiano da cidade, principalmente no que se refere aos costumes mais comuns às populações negras.


Adquira já o seu livro físico no site da Editora Dialética (CLIQUE AQUI). O livro também está disponível na versão física ou em e-book nos maiores marketplaces:

Amazon (versão física): (CLIQUE AQUI)

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terça-feira, 15 de junho de 2021

Para Educar Crianças Feministas



"Tente não usar demais palavras como 'misoginia' e 'patriarcado' com Chizalum. Nós, feministas, às vezes usamos muitos jargões, e o jargão, às vezes, pode ser abstrato demais. Não se limite a rotular alguma coisa de misógina - explique a ela por que aquilo é misógino e como poderia deixar de ser." (P.36)

Para Educar Crianças Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie, é um livreto escrito em formato de uma carta endereçada a uma amiga que acabou de ser mãe de uma menina.

Fala sobre como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, começando pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães, sem atribuir um gênero específico a nenhuma atividade (tipo "coisa de menino" ou "coisa de menina").

Apesar de ter sido escrito de uma mulher para outra, esse livro pode (e deve) ser lido por todo mundo. É preciso romper esse ciclo histórico de machismo, racismo e todas as outras formas de preconceito que sustentam nossa sociedade há séculos.

domingo, 13 de junho de 2021

Cartas da Prisão de Nelson Mandela

 

 



"As palavras de Mandela são como uma bússola em mar revolto, terra firme em meio à forte correnteza" (Barack Obama).

Este livro reúne mais de 200 cartas enviadas por Mandela enquanto esteve preso, de 1963 até 1990. Muitas são endereçadas à família, mas outras também foram mandadas para aliados políticos e advogados.

Durante todo esse período, ele teve suas correspondências  censuradas, foi proibido de ir ao enterro da mãe e do filho, teve consultas médicas, acesso a ampla defesa, a livros e visitas negados e seus direitos humanos mais básicos violados. Suas correspondências, muitas delas enviadas às autoridades da África do Sul, demonstram isso.

Esta compilação levou quase 10 anos pra ficar completa, porque as cartas estavam em diversos endereços e arquivos do país. A realização deste livro foi possível porque, além de tudo, Mandela copiava todas as cartas que podia em um caderno, antes de enviá-las. Muitas das cartas permanecem intactas no Serviço Nacional de Arquivos e Registros da África do Sul, como evidência de que elas sequer chegaram a ser enviadas.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Sugestão de Leitura: Frederick Douglass - Autobiografia de um Escravo

 


"Não há um único homem sob a abóbada celeste que não saiba que a escravidão é errada para si mesmo."

Frederick Douglass foi um dos principais representantes da luta abolicionista dos EUA no século XIX. Este livro, junto com as demais autobiografias de ex-escravizados, que acabaram se tornando o primeiro gênero literário protagonizado por pessoas Negras na América, se tornou um documento fundamental na consolidação dos movimentos Negros dos anos 1960.

Os impactos físicos e sociais da escravidão contados pela perspectiva de quem os sentiu. Esta edição ainda conta com textos complementares, incluindo uma cronologia da escravidão e do racismo, desde 1619, início do tráfico de escravizados Negros para os EUA, até 2016, com a eleição de Donald Trump, um dos racistas mais famosos do mundo.
A apresentação ficou por conta de Silvio Almeida.