quarta-feira, 21 de abril de 2021

História Negra em Quadrinhos

 


Duas histórias importantíssimas escritas em quadrinhos. Vejo como uma grande porta de entrada pra atrair jovens e adultos que têm interesse em estudar estas questões, mas não sabem por onde começar.



Escrito por Marcelo D'Salete, Angola Janga significa “pequena Angola” ou, como dizem os livros de História, Palmares. Por mais de cem anos, foi como um reino africano dentro da América do Sul. Formada no fim do século XVI, em Pernambuco, a partir dos mocambos criados por fugitivos da escravidão, Angola Janga cresceu, organizou-se e resistiu aos ataques dos militares holandeses e das forças coloniais portuguesas. Tornou-se o grande alvo do ódio dos colonizadores e um símbolo de liberdade para os escravizados. Seu maior líder, Zumbi, virou lenda e inspirou a criação do Dia da Consciência Negra.



"Miss Davis" é a biografia em HQ de Angela Davis, escrita por Sybille Titeux de la Croix ― acompanhada pelos brilhantes traços de Amazing Ameziane ― que refaz sua jornada desde a infância no Alabama, marcada pela segregação racial e pelos ataques da Ku Klux Klan, até sua saída da prisão em 1972, na Califórnia, após uma enorme mobilização mundial pela sua libertação.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Colonialismo e desumanização

 


"A colonização desumaniza até o homem mais 'civilizado'. A ação colonial, o empreendimento colonial, a conquista colonial fundada no desprezo pelo homem nativo e justificada por esse desprezo, inevitavelmente tende a modificar a pessoa que o empreende;
O colonizador, ao acostumar-se a ver o outro como animal, ao treinar-se para tratá-lo como um animal, tende objetivamente, para tirar o peso da consciência, a se transformar, ele próprio, em animal".
(Aimé Césaire)

sábado, 27 de março de 2021

Barbosa, 100 anos!


 Se estivesse vivo, Barbosa completaria um século de vida neste sábado. Moacir Barbosa é simplesmente o maior goleiro da história do Vasco e, sem dúvida, um dos maiores da história do futebol brasileiro. Em sua galeria de troféus, constam 6 títulos cariocas, numa época em que ainda não existia o Campeonato Brasileiro, então os estaduais tinham um status muito maior que o de hoje. Além disso, foi campeão invicto do Campeonato Sul-Americano de Campeões em 1948 (o primeiro título internacional de um clube brasileiro), um "embrião" do que viria a ser a Taça Libertadores da América alguns anos mais tarde; foi campeão sul-americano com a Seleção, em 1949 e do Torneio Rio-São Paulo de 1958, sendo o goleiro menos vazado destes e de vários outros torneios, inclusive os que o Vasco não se sagrou campeão.

Em 1950, Barbosa foi o goleiro do Vasco no primeiro título da história do Maracanã, o que garantiu ao clube o direito de escolher o lado em que sua torcida se posicionaria para sempre, quando atuasse naquele que era, à época, o maior estádio do mundo. No mesmo ano, o arqueiro foi o líder de "clean sheets" (quando um goleiro não sofre gols durante uma partida) na fatídica Copa do Mundo em que o Brasil foi derrotado pelo Uruguai.

O dia 16 de julho de 1950, no entanto, ficou marcado na vida de Barbosa e de todos os goleiros Negros do Brasil depois disso. Brasil x Uruguai se enfrentaram pela final da Copa do Mundo e os uruguaios venceram por 2x1, causando uma enorme frustração nos brasileiros. O gol de Ghiggia atormentou Barbosa pelo resto da sua vida. Ele costumava repetir a frase: " a pena máxima de um criminoso no Brasil é 30 anos. Eu  já paguei 49 anos (em 1999) e vocês ainda estão me cobrando?"

A verdade é que Barbosa foi considerado o principal "culpado" pela derrota da Seleção na Copa porque existe a máxima de que goleiro não pode falhar. Como o futebol não é um mundo à parte do resto da sociedade, a mesma máxima se aplica aos homens Negros. Nós não podemos errar, pois não teremos segunda chance. Devemos lembrar que o futebol tinha finalmente "aceitado" a presença de jogadores pretos e pobres há pouco menos de 30 anos, justamente com o Vasco e a sua famosa Resposta Histórica, em que o clube se recusou a excluir estes jogadores do seus quadros, no início dos anos 1920, apesar da pressão dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro à época (Flamengo, Fluminense, Botafogo e América), e teve, como punição, sua desfiliação da entidade que regia o Campeonato Carioca.

Barbosa morreu em 7 de abril de 2000. Curiosamente, esta é a data em que a Resposta Histórica foi publicada, em 1924.



Na esteira do punitivismo racista que se abate sobre os indivíduos Pretos, nossas falhas são generalizadas, enquanto os erros e crimes dos brancos são particularizados. Isto é, quando um Negro erra, é como se todos errassem ou vão errar do mesmo jeito no futuro. Essa situação gerou um estigma de que homens Negros não possuem vocação para ser goleiro. O advogado, professor, filósofo e pós-doutor em Direito Sílvio Almeida, filho do goleiro Barbosinha do Corinthians, disse que seu pai tinha esse apelido em alusão a Barbosa, o que carregava com muito orgulho. Sempre ficava a impressão de que ele iria errar na hora mais decisiva de alguma partida importante: "Vejam como o futebol trata a questão racial. Vejam como é permitido no futebol o livre mercado do ódio. Parece que as pessoas vão ao estádio com passe livre para ofender racialmente trabalhadores. Há uma espécie de pacto silencioso para que no futebol as ofensas raciais sejam absorvidas. A imprensa esportiva também absorve e difunde o racismo no futebol", acrescentou numa entrevista ao UOL.

 Poucos goleiros Negros tiveram oportunidade nos clubes de elite do Brasil e menos ainda na Seleção Brasileira. Tanto que, depois de Barbosa, apenas dois goleiros Negros assumiram a titularidade em copas. Manga, em 1966 e Dida em em 2006, após amargar a reserva nas copas de 1998 e de 2002, foram as exceções. Jefferson, goleiro do Botafogo, chegou a assumir a camisa 1 após a Copa de 2014, mas não foi mais convocado. Em relação aos clubes, com o título de 2020, o jovem (e contestado) Hugo do Flamengo foi apenas o 13° goleiro Negro a conquistar um título atuando como titular, em 50 anos de Campeonato Brasileiro. Ao mesmo tempo, pense na quantidade de goleiros brancos que já passaram pelos clubes e pela Seleção desde 1950. Quantos falharam? Quantos foram "cancelados" pelo resto da vida?
 Nem mesmo Júlio César, o goleiro do 7x1 contra a Alemanha, a maior derrota da história do Brasil em copas, sofreu esse estigma. Os outros goleiros brancos continuam sendo convocados sem problema. O gol que Barbosa sofreu não foi nenhuma falha clamorosa. Mesmo que tivesse sido, um lance isolado jamais poderá ser mais importante que todas as atuações que ele fez ao longo de quase 20 anos de carreira.

Obrigado, Barbosa! Seu legado será eterno, principalmente para os vascaínos que não esquecem de tudo o que você conquistou. A imagem que está gravada na memória é a do homem que se acostumou a levantar troféus.



segunda-feira, 15 de março de 2021

Beyoncé se torna a mulher mais premiada da história do Grammy

 



Beyoncé ganhou 4 prêmios (maior número da noite) e se tornou a mulher que mais levou Grammys na história: 28. Com os prêmios dessa noite, ela igualou o feito do produtor Quincy Jones e só fica atrás (por enquanto) do maestro Georg Solti, que ganhou 31.

"Como artistas, é o nosso trabalho refletir a época - e tem sido uma muito difícil”, disse a cantora no Centro de Convenções de Los Angeles, nos EUA. “Então, queria enaltecer, encorajar e celebrar todas as belas rainhas e reis negros que inspiram o mundo inteiro.” É a primeira vez de Beyoncé no Grammy desde quando o disco Lemonade perdeu na categoria Álbum do Ano em 2017. 

“É [um período] tão opressor, trabalhei a vida inteira - desde os nove anos - e não posso acreditar que isso aconteceu em uma noite tão mágica”, acrescentou ela.

Vale lembrar que ela não foi a única da sua família a se consagrar na noite. Sua filha, Blue Ivy Carter, também se tornou a segunda vencedora mais jovem do Grammy, ao conquistar o troféu de Melhor Clipe de Música para “Brown Skin Girl”.

segunda-feira, 8 de março de 2021

8 de Março - Dia Internacional da Mulher

 


Sobre as interseções entre gênero e raça, bell hooks é uma das maiores vozes. No trecho abaixo, hooks fala sobre o discurso de Sojourner Truth, mulher Negra ex-escravizada que respondeu à provocação de um homem branco durante a convenção anual do movimento pelos direitos das mulheres em Akron, Ohio, em 1852. O homem teria dito: "Eu não acredito que você é realmente uma mulher". As feministas brancas também acharam inadequado uma mulher Negra falar publicamente em um evento como aquele. Sojourner Truth, então, encarou todos os protestos de homens E de mulheres brancas e discursou:

"Penso que entre as negras do Sul e as mulheres do Norte, todas estão falando sobre direitos, os homens brancos logo, logo vão ter problemas. Mas sobre o que tudo isso aqui está falando? Que o homem lá fala que as mulheres precisam de ajuda para subir na carruagem, para passar sobre as valas e para ter os melhores lugares [...] e eu não sou uma mulher?
Olhem para mim! Olhem para o meu braço!
Eu lavrei e plantei e juntei os grãos no celeiro e nenhum homem conseguia passar na minha frente - e eu não sou uma mulher?
Eu conseguia trabalhar tanto quanto qualquer homem (quando conseguia trabalho), e aguentar o chicote também - e eu não sou uma mulher?
Pari cinco crianças e vi a maioria delas sendo vendidas para a escravidão, e quando chorei meu luto de mãe, ninguém além de Jesus me ouviu - e eu não sou uma mulher?"
(Sojourner Truth, citada por bell hooks, p. 252-253).


domingo, 21 de fevereiro de 2021

Malcolm X e o "racismo reverso"

 


No dia 21 de fevereiro de 1965, El-Hajj Malik El-Shabazz foi assassinado de maneira brutal e covarde durante um discurso no Harlem. Malcolm tornou-se um mártir na luta contra o racismo e a opressão capitalista. Em um de seus fortes discursos, ele criticou a famigerada e errônea ideia do que chamam de "racismo reverso":

“A imprensa nos chama de racistas e pessoas ‘violentas em sentido inverso’. Eles fazem você pensar que se você tentar parar a Ku Klux Klan em um linchamento, você estará praticando a ‘violência em sentido inverso’. Eu ouço muitos de vocês repetindo o que o homem branco diz. Você diz: ‘Eu não quero ser uma Ku Klux Klan em sentido contrário’. Se um criminoso vem em sua casa para praticar um roubo e você o expulsa com sua arma, isso não faz de você um ladrão. Agora, eu digo que é hora de os negros montarem um tipo de ação, uma unidade, para que não sejamos mais um povo amedrontado. Mas quando dizemos isso, a imprensa nos chama de racistas ao contrário.” 


FONTES: http://www.malcolm-x.org/speeches/spc_021465.htm

Malcolm X Brasil

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala torna-se a primeira mulher a comandar a OMC

 


A nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala tornou-se a primeira mulher a ser diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A nomeação foi confirmada oficialmente em reunião da entidade nesta segunda-feira (15). O mandato dela começa em 1º de março de 2021.

"Uma OMC forte é vital se quisermos nos recuperar completa e rapidamente da devastação causada pela pandemia da Covid-19. Estou ansiosa para trabalhar com os membros para moldar e implementar as respostas políticas que precisamos para fazer a economia global funcionar novamente", disse a nova diretora-geral da OMC.

Okonjo-Iweala tem 66 anos e é economista especializada em finanças globais. Foi diretora de operações do Banco Mundial, onde fez carreira por 25 anos, além de ter sido a primeira mulher a comandar o ministério das Finanças da Nigéria, cargo que ocupou por duas vezes (2003 a 2006 e 2011 a 2015).

Ela também presidiu a Aliança Global para Imunização e Vacinação (GAVI, na sigla em inglês) e liderou um dos programas da Organização Mundial da Saúde de luta contra a Covid-19.

Entre reconhecimentos pelo seu trabalho, estão, entre outros, a indicação como uma das 8 mulheres que inspiram na luta anticorrupção pela Transparência Internacional (2019), uma das 50 maiores líderes mundiais pela revista Fortune, em 2015, e esteve entre as 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time, em 2014.

Desde a criação da OMC, em 1995, apenas homens comandaram a instituição: três europeus, um neozelandês, um tailandês e um brasileiro. O último deles foi o brasileiro Roberto Azevêdo, que deixou o cargo em agosto.

Okonjo-Iweala, chamada de Dra. Ngozi, foi a única candidata que restou na disputa, com amplo apoio da União Africana e da União Europeia. Seu nome só não foi confirmado mais cedo pelos 164 membros da entidade em virtude de oposição dos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump.

Os americanos trabalhavam pela indicação da ministra do Comércio da Coreia do Sul, Yoo Myung-hee. No último dia 5, Myung-hee retirou seu nome da disputa e abriu caminho para Okonjo-Iweala.

A decisão de Seul de retirar sua candidata se dá duas semanas depois que o democrata Joe Biden assumiu o poder na Casa Branca.

Fonte: G1