segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala torna-se a primeira mulher a comandar a OMC

 


A nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala tornou-se a primeira mulher a ser diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A nomeação foi confirmada oficialmente em reunião da entidade nesta segunda-feira (15). O mandato dela começa em 1º de março de 2021.

"Uma OMC forte é vital se quisermos nos recuperar completa e rapidamente da devastação causada pela pandemia da Covid-19. Estou ansiosa para trabalhar com os membros para moldar e implementar as respostas políticas que precisamos para fazer a economia global funcionar novamente", disse a nova diretora-geral da OMC.

Okonjo-Iweala tem 66 anos e é economista especializada em finanças globais. Foi diretora de operações do Banco Mundial, onde fez carreira por 25 anos, além de ter sido a primeira mulher a comandar o ministério das Finanças da Nigéria, cargo que ocupou por duas vezes (2003 a 2006 e 2011 a 2015).

Ela também presidiu a Aliança Global para Imunização e Vacinação (GAVI, na sigla em inglês) e liderou um dos programas da Organização Mundial da Saúde de luta contra a Covid-19.

Entre reconhecimentos pelo seu trabalho, estão, entre outros, a indicação como uma das 8 mulheres que inspiram na luta anticorrupção pela Transparência Internacional (2019), uma das 50 maiores líderes mundiais pela revista Fortune, em 2015, e esteve entre as 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time, em 2014.

Desde a criação da OMC, em 1995, apenas homens comandaram a instituição: três europeus, um neozelandês, um tailandês e um brasileiro. O último deles foi o brasileiro Roberto Azevêdo, que deixou o cargo em agosto.

Okonjo-Iweala, chamada de Dra. Ngozi, foi a única candidata que restou na disputa, com amplo apoio da União Africana e da União Europeia. Seu nome só não foi confirmado mais cedo pelos 164 membros da entidade em virtude de oposição dos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump.

Os americanos trabalhavam pela indicação da ministra do Comércio da Coreia do Sul, Yoo Myung-hee. No último dia 5, Myung-hee retirou seu nome da disputa e abriu caminho para Okonjo-Iweala.

A decisão de Seul de retirar sua candidata se dá duas semanas depois que o democrata Joe Biden assumiu o poder na Casa Branca.

Fonte: G1

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Iemanjá irrita-se com a sujeira que os homens lançam ao mar

 



"Logo no princípio do mundo, Iemanjá já teve motivos para desgostar da humanidade.

Pois desde cedo, os homens e as mulheres jogavam no mar tudo que a eles não servia. 

Os seres humanos sujavam suas águas com lixo, com tudo o que não mais prestava, velho ou estragado.

Até mesmo cuspiam em Iemanjá, quando não faziam coisa muito pior.


Iemanjá foi queixar-se a Olodumaré.

Assim não dava pra continuar.

Olodumaré ouviu seus reclamos e deu-lhe o dom de devolver à praia tudo que os humanos jogassem de ruim em suas águas. 

Desde então, as ondas surgiram no mar.

As ondas trazem para a terra o que não é do mar."

(PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás,p. 392)

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Hoje, Angela Davis completa 77 anos!

 

"Eu sou uma mulher Negra revolucionária", afirmou Angela Davis em 1970.



A filósofa, professora, comunista e feminista Negra Angela Yvonne Davis nasceu em Birmighan, Alabama, nos EUA, em 26 de janeiro de 1944. No prefácio à primeira edição de sua autobiografia, ela fala sobre o que a levou a escrevê-la em 1974, quando completou 30 anos:

Quando decidi, afinal, escrever o livro, foi porque passei a vislumbrá-lo como uma autobiografia política que enfatizava as pessoas, os acontecimentos e as forças que, durante minha vida, me impulsionaram ao meu atual engajamento.

Havia a possibilidade de que, após a leitura, mais pessoas entenderiam por que muitas de nós não temos alternativa, exceto oferecer nossa vida - nosso corpo, nosso conhecimento, nossa vontade - à causa do povo oprimido. Neste momento, quando os disfarces que camuflam a corrupção e o racismo dos mais altos postos políticos estão rapidamente desmoronando, quando a falência do sistema capitalista global está  se tornando aparente, há a possibilidade de mais pessoas - Negras, pardas, vermelhas, amarelas e brancas - sintam-se inspiradas a se unir a nossa crescente comunidade de luta.

Só considerarei que este projeto valeu a pena se isso acontecer.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Dica de Filme: Uma Noite em Miami

 


"Uma Noite em Miami" é sobre um encontro fictício entre Muhammad Ali (que ainda se chamava Cassius Clay na época), Malcolm X, o cantor Sam Cooke e o ator e jogador da NFL Jim Brown, após mais uma luta vitoriosa de Ali. Nesta noite, os amigos discutem a importância de cada um na luta pelos direitos civis e na revolução cultural dos anos 1960.

Inspirado na peça de mesmo nome escrita por Kemp Powers (que é o roteirista do filme) e dirigido por Regina King, Uma Noite em Miami estreou esta semana no Amazon Prime Vídeo.



21 de janeiro - Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa

 



Criado pela Lei Federal 11.635/07, o dia 21 de janeiro representa a data da morte da Iyalorisà Mãe Gilda, vítima de mais um caso de intolerância religiosa. Fundamentalistas evangélicos a difamaram e destruíram o Ilê Axé Abassá de Ogum, em Itapuã, Salvador. Ela não resistiu e teve um ataque cardíaco fulminante em 21 de janeiro de 2000.


 É por causa da violência sempre presente, sobretudo contra os adeptos das religiões de matrizes africanas, que ações como essa se fazem necessárias.

 Que o respeito às crenças (ou descrenças) de cada um seja mais que uma teoria hipócrita. Precisamos aprender a conviver com as diferenças, sem hierarquizá-las. 


Que as pessoas entendam que ter (ou não) uma religião é uma decisão PESSOAL. O que você acredita (ou duvida) pode não significar absolutamente nada pra mim, e vice-versa. 


Que os terreiros de Candomblé e os locais sagrados para as religiões de matrizes africanas/indígenas possam existir, da mesma forma que as igrejas, sem que amanheçam incendiados ou invadidos.


Que os governantes também parem de impor sua visão religiosa particular a todas as outras pessoas do país. Mais do que "tolerância", precisamos de respeito!


sábado, 2 de janeiro de 2021

Os Leopardos do Zaire, de 1974

 
Modelo retrô da camisa usada pela seleção do Zaire na Copa do Mundo de 1974.


Os "Leopardos do Zaire" (atual República Democrática do Congo) estão na história do futebol por terem sido o primeiro país da África Subsaariana a disputar uma Copa do Mundo, que foi realizada em 1974, na Alemanha Ocidental.


O presidente do Zaire na época, Joseph Mobutu  era um ex-jornalista e grande entusiasta de esportes, tendo conseguido hospedar a Luta do Século do boxe entre Mohammad Ali e George Foreman no país no mesmo ano de 1974. Para a seleção de futebol, o presidente prometeu carros, casas e férias no exterior para os jogadores, caso eles conseguissem a vaga para a Copa do Mundo.


A seleção conseguiu se classificar, mas, após perder o primeiro jogo da Copa pra Escócia por 2x0, os jogadores descobriram que não receberiam o que foi prometido. Como protesto e boicote, a equipe (que ameaçou abandonar a Copa) entrou em campo, mas não ofereceu resistência à Iugoslávia, levando uma das maiores goleadas da história das copas: 9x0.


O presidente Mobutu, então, enviou guardas até o hotel onde a delegação estava hospedada e mandou avisar que eles seriam proibidos de voltar ao país em caso de nova goleada contra o Brasil. O Zaire perdeu por 3x0, o governo parou de investir no futebol, o país nunca mais conseguiu disputar outra Copa do Mundo e os jogadores caíram no ostracismo.


Essa camisa é uma homenagem a uma das seleções mais injustiçadas da história do futebol.

O Zaire foi alvo de piadas por quem não conhecia sua história na Copa de 1974.


domingo, 27 de dezembro de 2020

O Monumento à Renascença Africana

 


Localizado em Dakar, capital do Senegal, o Monumento à Renascença Africana é um dos maiores do mundo, com 49 metros de altura (cerca de 10 metros a mais que o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro), custou US$ 27 milhões e foi erguido a pedido do presidente Abdoulaye Wade para marcar os 50 anos da independência do país, sendo inaugurada em 04 de abril de 2010. 

A obra é feita de bronze, fica no topo da Colline des Mamelles, e foi desenhada pelo arquiteto senegalês  Pierre Goudiaby,  para simbolizar o horizonte de prosperidade para a família africana após a libertação colonial. É uma das maiores atrações turísticas do Senegal, bem como de todo o continente africano. 

A despeito das críticas quanto ao valor gasto para sua construção, às acusações de que a estátua é "soviética" demais (foi construída por uma empresa norte-coreana) e contrária ao islamismo, religião predominante no país, o Monumento à Renascença Africana é um símbolo imponente do potencial africano. Uma maneira de mostrar que a África pode e deve caminhar por si mesma, aprendendo com o passado, mas caminhando para o futuro, como o Sankofa.