domingo, 19 de outubro de 2025

Marrocos é campeão da Copa do Mundo Sub-20

 


Marrocos conquistou a primeira taça da Copa do Mundo Sub-20, neste domingo. No estádio Nacional Julio Martínez Prádanos, em Santiago, a seleção africana derrotou a Argentina por 2 a 0, com dois gols de Zabiri. Maiores vencedores do torneio, os sul-americanos perderam a chance de se isolar com sete títulos. 

A estrela da final foi Yassir Zabiri. O atacante de 20 anos foi para o jogo empatado na artilharia do torneio com outros três atletas, mas se isolou na liderança ao marcar duas vezes contra a Argentina. Ele abriu o placar aos 11 minutos com um golaço de falta e ampliou aos 28.

Fonte: GE

terça-feira, 7 de outubro de 2025

"Malês", um filme necessário

 

Fiquei feliz em ver que Antônio Pitanga finalmente conseguiu. Há anos, eu acompanhava as notícias sobre as dificuldades de financiamento que ele enfrentou pra realizar esse filme.

"Malês" conta a história da Revolta dos Malês, ocorrida entre 24 e 25 de janeiro de 1835, em Salvador. Foi o maior levante de escravizados da história do Brasil e um dos maiores da América, mesmo sem ter acontecido plenamente como planejado.

Os Malês eram Negros muçulmanos vindos, principalmente, da Nigéria e que tinham uma grande organização e sentimento próprio de identidade, a ponto de arrecadar dinheiro para comprar a alforria dos que ainda estavam escravizados. Eram alfabetizados, falavam árabe e o Islã era a base de tudo, apesar de recorrerem a outras nacionalidades africanas que também se encontravam por aqui.

Antônio Pitanga, diretor do filme, é Pacífico Licutan, um dos mentores intelectuais do movimento. Seus filhos Camila e Rocco também atuam e o historiador João José Reis, autor de "Rebelião Escrava no Brasil", o livro mais completo sobre o assunto, é creditado como responsável pela revisão histórica do filme.

"Malês" é forte e necessário como tem de ser. Ao assistir, você vai entender por que deu tanto trabalho pra que ele saísse.

O livro de João José Reis serviu como base teórica para o filme.


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Morre Assata Shakur aos 78 anos


 A ativista política, ex-Pantera Negra, escritora, uma das principais referências na luta pelos direitos civis e contra o racismo, além de tia e madrinha de Tupac Shakur, faleceu hoje em Cuba.

Seu legado permanecerá vivo para sempre!

Rest In Power, sister!

Sugestões de leitura

 

Dois clássicos!

"Como a Europa subdesenvolveu a África", do historiador e líder teórico do pan-africanismo Walter Rodney, detalha o impacto da escravidão e do colonialismo na história da África. Escrita em 1972 e publicada agora pela primeira vez em língua portuguesa, a obra, considerada uma obra-prima da economia política, argumenta que o inabalável “subdesenvolvimento” africano não é um fenômeno natural, e sim um produto da exploração imperial do continente, prática que continua até hoje. Um dos principais argumentos ao longo do livro é o de que a África desenvolveu a Europa na mesma proporção em que a Europa deliberadamente subdesenvolveu o continente africano.

Rodney detalha as formas de exploração econômica de diversos povos e regiões, primeiro como fornecedores de mão de obra escravizada e, depois, como mão de obra assalariada extremamente subvalorizada. Além disso, aborda como se deu a intervenção direta do modo de produção capitalista nas práticas econômicas típicas de cada povo e região, na divisão sexual do trabalho tradicional dos povos africanos e na educação formal durante o colonialismo.



Em "A nova era do império", o sociólogo britânico Kehinde Andrews reconstrói a história do Ocidente para demonstrar que racismo, xenofobia e afetos correlatos não são fenômenos regressivos ou anacrônicos. Pelo contrário, longe de significarem o retorno a um passado que a modernidade teria há tempos enterrado, eles seguem presentes, como substrato da sensibilidade cotidiana e cimento de nossa estrutura social.

Assolada por uma crise de representatividade sem precedentes, desprovida de utopias que possam conter o avanço predatório do capitalismo e sob a ameaça iminente da emergência climática, a civilização ocidental procura uma saída que não pode mais ser oferecida por nenhuma de suas (des)ilusões de progresso. “É a chance de recusar a próxima atualização de sistema do imperialismo, destruir o hard drive e criar uma estrutura inteiramente nova para o sistema político e econômico mundial.”

terça-feira, 19 de agosto de 2025

"Alma negra em pele branca?"



 Sobre a falta de ações práticas dos "brancos liberais" contra o Apartheid na África do Sul, em que consideravam qualquer iniciativa de autonomia negra algo "radical" (quase na linha do "racismo reverso" que muitos ainda acreditam até hoje), o que não os deixavam tão distantes dos conservadores que tanto criticavam, Steve Biko escreveu, em 1970:

"Os liberais se tornaram mestres no jogo de evasivas deliberadas. A pergunta 'o que posso fazer?' surge com muita frequência. Se pedir a eles que façam algo como deixar de usar os serviços em que haja segregação, sair da universidade e trabalhar em empregos subalternos como todos os negros, ou ainda denunciar e desafiar os regulamentos que lhes dão privilégios, sempre respondem: 'Mas isso não é realista!'. 

Embora tal afirmação possa ser verdade, esses exemplos servem apenas para demonstrar que, não importa o que um branco faça, a cor de sua pele - seu passaporte para o privilégio - sempre o colocará quilômetros à frente do negro. Portanto, em última análise, nenhum branco escapa de pertencer ao campo opressor."

BIKO, Steve. Escrevo o que eu quero, p. 37.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

"Escrevo o que eu quero", de Steve Biko

 


Steve Biko (1946-1977) foi um ativista sul-africano e um dos líderes na luta contra o Apartheid. Também foi um dos fundadores do Movimento da Consciência Negra na África do Sul e destacou-se por sua crença no empoderamento psicológico e político da população Negra como forma de resistir à opressão racial.

Seu pensamento e coragem inspiraram gerações em várias partes do mundo, apesar de sua vida ter sido tragicamente interrompida pelo regime racista que vigorava em seu país.

Biko desenvolveu um poderoso pensamento estratégico contra o Apartheid, a ponto de, segundo Nelson Mandela, o governo "ter de matá-lo para conseguir prolongar a vida do Apartheid."

Este livro é uma coletânea de textos escritos entre 1969 e 1972, enquanto Biko era ativo no Movimento da Consciência Negra. Conta com prefácio de Benedita da Silva e textos de Desmond Tutu e Sílvio Humberto, presidente do Instituto que leva o seu nome em Salvador.