sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Rebeca Andrade festeja 1º pódio 100% preto no Mundial: "Wakanda Forever"

 


Pela primeira vez na história do Mundial, três mulheres pretas subiram ao pódio do individual geral, a prova mais nobre da ginástica artística. A brasileira Rebeca Andrade ficou com a prata, se colocando entre as americanas Shilese Jones e Simone Biles, que faturou o hexa na final desta sexta-feira, na Antuérpia. Rebeca celebrou o inédito pódio 100% preto.

- Eu tava reparando nisso. Ai, gente. É maravilhoso. Eu amei. Wakanda Forever - disse a ginasta de 24 anos, entre risos, fazendo referência ao filme "Pantera Negra".

Simone Biles foi a primeira mulher preta campeã mundial do individual geral justamente na Antuérpia, em 2013 - a também americana Gabby Douglas foi a primeira campeã olímpica um ano antes. Dez anos depois, a americana retorna à Bélgica para mais um pódio histórico.

- Nós tivemos um pódio 100% de mulheres pretas, achei isso maravilhoso a mágica das mulheres pretas! Espero qiue isso ensine as meninas que elas podem tudo que elas coloquem na mente. Só seguir treinando forte - disse Simone.

Rebeca Andrade é a única mulher preta além de Simone a ter o título de campeã mundial do individual geral, com a conquista do ano passado. Nesta sexta-feira, festejou se manter entre as melhores ginastas do mundo com a prata.

Para mim, é uma honra. É algo muito grandioso, muito difícil de ser conquistado e é mais difícil ainda se manter nesse lugar. Eu trabalho muito. Eu faço ginástica, porque amo esse esporte. Faço com alegria. Faço por mim e por toda minha equipe. Eles estão sempre trabalhando junto comigo. Não tem como eu não me sentir grata e lisonjeada por hoje representar tudo isso que represento. É uma honra - disse Rebeca.

Daiane dos Santos foi a primeira mulher negra campeã mundial de uma prova por aparelhos ao conquistar o ouro do solo em 2003. Vinte anos depois, como comentarista do sportv, a ex-ginasta se emocionou com o choro de Simone Biles no pódio.

- A emoção da Biles não é somente por ela estar voltando, mas também pelo que representa esse pódio. É resistência dessas meninas lindas, de a gente ver um pódio preto pela primeira vez. As três ginastas mais completas do mundo, são pessoas pretas. Com certeza não foi fácil a vida dessas meninas para elas estarem ali. A gente vê hoje esse legado construído. Felicidade minha por ter sido campeã mundial, ter sido a primeira mulher preta a ganhar uma medalha de ouro em Mundial. Hoje estar aqui. É gratidão por essas meninas terem continuado esse caminho pavimentado. Hoje fazendo esse legado lindo para que outras meninas pretas continuem acreditando que é possível.

Recorde para Rebeca

Com a prata desta sexta-feira, Rebeca chegou a seis medalhas em Mundiais, isolando-se como recordista do Brasil na história da competição. Bicampeão mundial do solo, Diego Hypolito era o recordista antes do Mundial da Antuérpia, com cinco conquistas.

Fonte: Globo Esporte 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Revolução Africana: Uma antologia do pensamento marxista

 


"O racismo se apresenta enquanto um elemento indispensável para o sistema da divisão da sociedade em classes. Ao mesmo tempo, uma luta abstratamente anticapitalista não será capaz de mobilizar o povo Negro trabalhador para a vitória contra a opressão. Para tanto, é necessário que a luta contra o racismo seja parte da luta contra o capitalismo ".

Revolução Africana é uma antologia de artigos escritos por alguns dos autores apontados como os representantes mais radicais do pensamento marxista africano, ao longo de 30 anos de luta pela independência e contra o imperialismo. Entre eles estão Frantz Fanon, Kwame Nkrumah, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Agostinho Neto, Samir Amin e Thomas Sankara.

O livro trata de temas como o racismo na sociedade de classes, a mentalidade colonial, a idealização do passado africano e a opressão patriarcal no continente, entre outros temas. Essa coletânea oferece ao público algumas perspectivas teóricas que dizem respeito não apenas à Revolução Africana, mas também à própria luta contra o racismo no Brasil atual.


sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Museu em homenagem a primeira médica negra do Brasil será inaugurado em Salvador

 


A cidade de Salvador vai ganhar a implantação de um novo espaço de saúde. Trata-se de um museu que vai homenagear Maria Odília Teixeira, a primeira mulher negra formada em Medicina no Brasil. O anúncio da estrutura foi adiantado ao Bahia Notícias pela vice-prefeita de Salvador e secretária municipal de saúde, Ana Paula Matos, na última terça-feira (5), durante o 9º Congresso Norte/Nordeste de Secretarias Municipais de Saúde.

O museu em homenagem à médica será construído dentro da Escola de Saúde Pública de Salvador (ESPS), que vai funcionar na antiga sede da Faculdade Dom Pedro II, no bairro do Comércio. As informações obtidas pelo Bahia Notícias apontaram que o espaço servirá como preservação da memória cultural e “buscando referenciar personagens importantes na história da saúde da Bahia e do Brasil”. 

Segundo a titular da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), uma empresa do setor imobiliário já foi contratada pelo órgão para construção do local, que deve ser inaugurado ainda neste segundo semestre do ano junto com a escola. 

"Vamos inaugurar no segundo semestre a nossa escola de saúde pública, já contratamos imobiliárias e vai ter um museu homenageando Maria Odília, primeira médica negra do Brasil. Então esse museu vai ser na própria escola de saúde pública”, contou. 

Ana Paula revelou ainda à reportagem do BN que o espaço será referência para o ensino de saúde pública e que contará com laboratórios de ponta.

“A secretaria passou por uma organização para se preparar para o estrutural. Nesse estrutural a gente criou uma Diretoria de Gestão de Pessoas e Processos em Saúde, que está fazendo a melhor integração entre vigilância e assistência para deixar legado”, indicou. 

Fonte: Bahia Notícias

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Há 136 anos, nascia Marcus Garvey

 


"Um povo sem o conhecimento de sua história passada, origem e cultura é como uma árvore sem raízes."


Há 136 anos, em 17 de agosto de 1887, nascia Marcus Mosiah Garvey, em Saint Ann's Bay, Jamaica.


É considerado um dos maiores ativistas da história do movimento nacionalista Negro e fundador do Pan-Africanismo. É lembrado como o principal idealista do movimento de “volta para a África”.  

Este retorno, no entanto, não necessariamente precisa ser físico. É um movimento ideológico, espiritual e intelectual,  no sentido de resgatar os valores, a estética e a cultura africana, que foram constantemente vilipendiados pelos colonizadores europeus e seus descendentes.




Em 1° de agosto de 1914, na Jamaica, Garvey formou a AUPN, Associação Universal para o Progresso Negro (ou do inglês: Universal Negro Improvement Association, UNIA), adotando a bandeira em vermelho, preto e verde. O lema da UNIA era "One God! One Aim! One Destiny!" ("Um Deus! Uma aspiração! Um destino!"). Garvey era o presidente da associação, que pretendia unir “todas as pessoas de ascendência africana do mundo em uma grande massa estabelecida em um país e governo absolutamente próprios.”


Entre os objetivos da UNIA estavam:


– Promoção da consciência e da unidade na raça Negra, da dignidade e do amor;


– Desenvolvimento da África, livrando-a do domínio colonial e transformando-a numa potência;


– Protesto contra o racismo e a perda dos valores africanos;


– Ensino da cultura africana para pessoas Negras


– Promover o desenvolvimento comercial e industrial pelo mundo;


– Auxiliar os despossuídos em todo o mundo.


Marcus Garvey faleceu em Londres, no dia 10 de junho de 1940, mas seus ideais seguem mais vivos do que nunca!


#MarcusGarvey #Panafricanismo #RBG #Ubuntu #Ufanisi

terça-feira, 18 de julho de 2023

105 anos de nascimento de Nelson Mandela

 


Hoje, Madiba completaria 105 anos.

"Não nasci com fome de liberdade. Nasci livre - livre em todas as formas que eu conhecia. Desde que eu obedecesse meu pai e respeitasse a tradição da minha tribo, eu não era incomodado pela lei dos homens ou de Deus.

Foi apenas quando comecei a aprender que a minha liberdade da infância era uma ilusão, quando descobri, ainda jovem, que a minha liberdade já havia sido tirada de mim, que comecei a sentir fome dela.

Então, lentamente vi que não apenas eu não era livre, mas os meus irmãos e irmãs não eram livres. Vi que não era apenas a minha liberdade que havia sido cerceada, mas a liberdade de todos aqueles que tinham a mesma aparência que eu.

(Nelson Mandela, "Longa Caminhada Até a Liberdade", p.762-763)

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Sugestão de leitura: "Ei, Você!", de Dapo Adeola

 



Vencedor do prêmio de livro ilustrado do ano no British Book Awards 2022, "Ei, Você! - um livro sobre como crescer com orgulho de ser Negro", do escritor britânico de origem nigeriana Dapo Adeola (@dapsdraws ), e ilustrado por ele e por um imenso time de desenhistas, é um conversa entre pais Negros e seus filhos, desde o seu nascimento, em qualquer lugar da Diáspora.

Segundo o autor, o livro nasceu como uma resposta afetiva aos eventos de 2020 (o assassinato de George Floyd pela polícia dos EUA e a série de protestos que se seguiram a ele). Além disso, Dapo Adeola se sentiu tocado pela pergunta do seu editor: "Quando foi a primeira vez que você se sentiu empoderado como uma pessoa Negra? Quando foi que você acreditou, de verdade, que poderia viver seus sonhos?"

Nós homens e mulheres Negras crescemos, na maior parte das vezes, sem representatividade, sem expectativas e sem auto-estima. Nosso protagonismo só está se consolidando, ainda timidamente, agora. 

O livro nos oferece a oportunidade de mostrar para as crianças Negras que elas também são lindas, que não tem nada de errado com sua pele ou com seu cabelo e que elas podem ser o que quiserem, assim como qualquer outra criança.

Eu digo isso pro meu filho Hórus sempre, e ele, aos seis anos, não tem dúvida disso, mesmo já tendo sofrido racismo ainda tão novo. 


"Ei, Você" também serve pra quebrar os estereótipos e mostrar que nós homens Negros também somos sensíveis, dedicados e preocupados com nossas crianças, apesar do que dizem as estatísticas.


domingo, 2 de julho de 2023

BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA

 


Num dia 2 de julho como esse, em 1823, o Brasil se tornava independente de Portugal. 

Diferente do 7 de setembro de 1822, feito pelas elites políticas, sem conflitos significativos e sem impactos reais na população, as guerras pela independência do Brasil na Bahia duraram mais de um ano, em várias cidades do estado, culminando no Dois de Julho, que foi protagonizado pelo povo baiano.


Aqui se destacam as figuras dos Caboclos, de Maria Quitéria, de Maria Felipa, de Joana Angélica, do Corneteiro Lopes e de milhares de pessoas negras e indígenas que expulsaram os colonizadores definitivamente, mas não aparecem nos livros tradicionais de História (nem mesmo nos vendidos aqui na Bahia). A gente sabe bem o motivo...

Bandeira do Estado da Bahia


"Nasce o sol a 2 de julho

Brilha mais que no primeiro

É sinal que neste dia

Até o sol, até o sol é brasileiro


Nunca mais, nunca mais o despotismo

Regerá, regerá nossas ações

Com tiranos não combinam

Brasileiros, brasileiros corações"