sexta-feira, 11 de junho de 2021

Sugestão de Leitura: Frederick Douglass - Autobiografia de um Escravo

 


"Não há um único homem sob a abóbada celeste que não saiba que a escravidão é errada para si mesmo."

Frederick Douglass foi um dos principais representantes da luta abolicionista dos EUA no século XIX. Este livro, junto com as demais autobiografias de ex-escravizados, que acabaram se tornando o primeiro gênero literário protagonizado por pessoas Negras na América, se tornou um documento fundamental na consolidação dos movimentos Negros dos anos 1960.

Os impactos físicos e sociais da escravidão contados pela perspectiva de quem os sentiu. Esta edição ainda conta com textos complementares, incluindo uma cronologia da escravidão e do racismo, desde 1619, início do tráfico de escravizados Negros para os EUA, até 2016, com a eleição de Donald Trump, um dos racistas mais famosos do mundo.
A apresentação ficou por conta de Silvio Almeida.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Zé Roberto revela ter vendido carro por causa das constantes abordagens policiais

 



Aposentado dos gramados, Zé Roberto tem se dedicado ao mundo fitness e as palestras após sua carreira no futebol. No último domingo (30), o ex-jogador participou do podcast PodPah e de forma bem cronológica relembrou episódios da sua trajetória dentro e fora das quatro linhas.

Entre as histórias, o ex-Palmeiras contou quando comprou um Eclipse GS, na cor verde, inspirado em Dener, que adquiriu o veículo antes de Zé Roberto. Na ocasião, o então jogador da Portuguesa começava a despontar para o cenário do futebol nacional. Dener morreu em acidente no seu eclipse em 1994 quando já era jogador do Vasco.

Entretanto, como Zé Roberto relatou, a compra do carro acabou se tornando uma verdadeira dor de cabeça. O problema, segundo ele, era que ao sair da Penha para visitar a namorada, hoje atual esposa, que morava em São Miguel Paulista, ambos bairros da Zona Leste da capital paulista, ele era “parado três vezes”.

“Sem sacanagem! Eu era parado pela polícia três vezes. […] Se eu não era parado, os caras [policiais] me seguiam e quando eu chegava na porta da casa dela [namorada] os caras: ‘Mão para cabeça! Sai [do carro]’! De quem é o carro?’”, relata.

“Isso foi muito constrangedor para mim. Isso fez com que eu vendesse o carro em três meses. Porque eu não tinha sossego”, completa.

Sobre o episódio, Zé Roberto ainda fez uma reflexão e lamentou ter vendido o carro por conta das seguidas abordagens.

“Não poder ter um carro que você sonha porque você é preto e eles [policias] quando me paravam achavam que eu estava com o carro por ele ser roubado”, lamenta.

Por ter morado fora do Brasil, na Espanha, Alemanha e Catar, o ex-Palmeiras ressaltou que no exterior não sofreu nenhum episódio de racismo.

“Não sofri racismo nenhum! Nem preconceito por ser estrangeiro. Mas vivi isso [racismo] dentro do meu País”, frisa.

“O mais triste ainda é que se passaram 20 anos e a gente continua com as mesmas coisas. Eu costumo dizer que o racismo é um câncer que vai ser difícil achar a cura”, finaliza.

Revelado pela Portuguesa, Zé Roberto saiu do Brasil direto para o Real Madrid. Mas foi na Alemanha que o seu perfil versátil dentro de campo fez sucesso com passagens por Bayer Leverkusen, Bayern de Munique e Hamburgo. Já no Brasil, o ex-jogador vestiu as camisas de Santos, Grêmio e Palmeiras, disputando ainda duas Copas do Mundo pela Seleção Brasileira (1998 e 2006).

Fontes: Isto É/ Observatório da Discriminação Racial no Futebol


quarta-feira, 19 de maio de 2021

96 anos de Malcolm X

 



"Nunca, em qualquer momento da história de nosso povo neste país, fizemos avanços ou sequer progredimos de qualquer forma apenas com base na boa vontade interna deste país.

Só avançamos quando ele estava sob pressão de forças acima e além de seu controle. Porque a consciência moral interna deste país está falida. Ela não existia desde que nos trouxeram aqui e nos tornaram escravos.

Eles nos ludibriam e fazem parecer que carregam nossos interesses em seus corações. Mas quando você estuda, todas as vezes, não importa quantos passos eles nos levem pra frente, é como se estivéssemos em uma esteira. A esteira está se movendo pra trás mais rápido do que somos capazes de avançar nesta direção. Não estamos nem parados, estamos andando pra frente ao mesmo tempo em que estamos indo pra trás."



sábado, 15 de maio de 2021

Sobre prisões e a falsa sensação de segurança

 



Em entrevista concedida em 2005 ao professor Eduardo Mandieta, da Stony Brook University, que resultou neste livro, Angela Davis falou sobre a relação entre a construção de novos presídios com a falsa sensação de segurança da sociedade:

"A ameaça à segurança parece sempre vir de fora, do inimigo imaginário externo. Há imagens múltiplas do inimigo (incluindo imigrantes e terroristas), mas o presidiário, visto como assassino e estuprador, está perigosamente mais próximo de uma ameaça à segurança.

Hoje, existem mais de duas milhões de pessoas atrás das grades (a maioria não foi condenada por crimes violentos), consideradas como a personificação do inimigo.

Teoricamente, isso deveria fazer com que as pessoas se sentissem melhor, mas o que realmente faz é desviar a atenção das ameaças à segurança geradas pelas forças armadas, pela polícia, pelas corporações gananciosas e, algumas vezes, pelos parceiros íntimos de uma pessoa."


quarta-feira, 12 de maio de 2021

100 Anos de Ruth de Souza

 



Se ainda estivesse viva, Ruth de Souza completaria um século de vida hoje. Nascida em 12 de maio de 1921, Ruth de Souza foi uma das artistas mais importantes do Brasil. Foi a primeira atriz Negra a atuar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ainda integrou o Teatro Experimental do Negro, grupo criado por Abdias Nascimento.

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Além de se destacar no Teatro, Ruth de Souza foi uma das pioneiras da televisão no Brasil e destaque no cinema, com mais de 30 filmes no currículo e indicações a prêmios internacionais.

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Seu último trabalho na TV Globo foi a minissérie "Se eu fechar os olhos agora", de 2019, mesmo ano em que ela foi homenageada pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Faleceu em 28 de julho de 2019.


quarta-feira, 21 de abril de 2021

História Negra em Quadrinhos

 


Duas histórias importantíssimas escritas em quadrinhos. Vejo como uma grande porta de entrada pra atrair jovens e adultos que têm interesse em estudar estas questões, mas não sabem por onde começar.



Escrito por Marcelo D'Salete, Angola Janga significa “pequena Angola” ou, como dizem os livros de História, Palmares. Por mais de cem anos, foi como um reino africano dentro da América do Sul. Formada no fim do século XVI, em Pernambuco, a partir dos mocambos criados por fugitivos da escravidão, Angola Janga cresceu, organizou-se e resistiu aos ataques dos militares holandeses e das forças coloniais portuguesas. Tornou-se o grande alvo do ódio dos colonizadores e um símbolo de liberdade para os escravizados. Seu maior líder, Zumbi, virou lenda e inspirou a criação do Dia da Consciência Negra.



"Miss Davis" é a biografia em HQ de Angela Davis, escrita por Sybille Titeux de la Croix ― acompanhada pelos brilhantes traços de Amazing Ameziane ― que refaz sua jornada desde a infância no Alabama, marcada pela segregação racial e pelos ataques da Ku Klux Klan, até sua saída da prisão em 1972, na Califórnia, após uma enorme mobilização mundial pela sua libertação.