segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

10 anos de Ufanisi!

Em meio a pandemia, genocídios e governos ditatoriais, este blog completa 10 anos! No dia 14 de dezembro de 2010, alguns meses depois do fim da primeira Copa do Mundo de futebol realizada em solo africano, comecei o Ufanisi ("Prosperidade", no idioma Swahilli) como uma maneira de canalizar, mesmo que despretensiosamente, notícias, músicas, poesias ou qualquer outra coisa que servisse como inspiração às pessoas Negras. Algo diferente do que a mídia tradicional sempre fala aqui, nos EUA, no continente africano ou em qualquer outro lugar.
 Através do Ufanisi, conheci muita gente, aprendi bastante, inspirei e fui inspirado. Nem sempre me dediquei como gostaria, mas levo este veículo sem pressa e sem pressão. Gosto de seguir o velho provérbio africano: "Até que os leões tenham suas próprias histórias, os contos de caça glorificarão sempre o caçador".
Nunca imaginei que isso fosse durar tanto tempo! 
Enfim... só me resta agradecer e torcer por dias melhores do que estes que ainda estamos vivendo em 2020.

Gill Nguni



O fato histórico que conta

 

Abdias Nascimento 

"A maliciosa artificialidade do argumento, apresentando a estratificação social como oposta à racial, não resiste à mais superficial análise, já que era o fator racial que determinava a posição social. Foram escravizados os africanos (Negros), e não os europeus (brancos). Este é o fato histórico que conta." 

(Abdias Nascimento, "O Genocídio do Negro Brasileiro - Processo de um Racismo Mascarado", p. 66).

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Sugestão de leitura: "Entre o Mundo e Eu", de Ta-Nehisi Coates

 



Quando eu soube que Ta-Nehisi Coates seria o novo roteirista das HQ do Pantera Negra, fui procurar saber um pouco mais sobre ele e conheci este livro. Ironicamente, Ta-Nehisi  é filho de um veterano de guerra e ex-membro do Partido dos Panteras Negras, William Coates. 

Em "Entre o Mundo e Eu", Coates escreve como se fosse uma carta para o filho, que tinha acabado de completar 15 anos. Relembra sua infância em Baltimore e discute as grandes tensões raciais dos EUA.

Questiona o que é estar em um corpo Negro que, no passado, foi explorado pela escravidão e pela segregação e, nos dias atuais, é ameaçado, encarcerado e assassinado.

Meu filho só tem 3 anos, mas acho que todo pai ou mãe de uma criança Negra se pergunta sobre como tratar de questões tão vitais e, ao mesmo tempo tão complexas. Todos nos preocupamos com o futuro deles nesse mundo brankkko e abertamente racista, independentemente do espectro político no poder. Sabemos que existe "a pele alva e a pele alvo", como diz Emicida e como os jornais nos lembram diariamente.

No fim das contas, desejamos que nossos filhos tenham uma vida melhor e menos complicada que a nossa, por isso, como todo bom professor, apontamos caminhos, ao invés de oferecer respostas prontas.

domingo, 15 de novembro de 2020

Lewis Hamilton é heptacampeão mundial de Fórmula 1!

 


Assisto Fórmula 1 desde criança. Lembro até hoje do vácuo que senti depois da morte de Ayrton Senna. Lembro também da primeira vez que vi aquele menino Negro estreando na mesma McLaren que me fazia acordar cedo todo domingo, alguns anos antes. 

Foi a chegada de Hamilton que me trouxe a alegria de torcer e me identificar de verdade com alguém nesse esporte totalmente branco e elitista. 

Hoje ele, que já era o maior vencedor da história, também se tornou o maior campeão do mundo,  igualando o recorde de Schumacher. 


The world is yours, Lewis Hamilton! 🏆🏆🏆🏆🏆🏆🏆

domingo, 8 de novembro de 2020

O feito histórico de Kamala Harris

 


A eleição de Kamala Harris é tão importante quanto foi a de Barack Obama, 8 anos atrás. Simbólica e com uma carga maior de responsabilidade que a do próprio Joe Biden.

Primeira mulher, primeira Negra e primeira descendente de imigrantes a se tornar vice-presidente em um país que se diz "a maior democracia do mundo", mas é tão preconceituoso e genocida quanto o nosso. 

 Sempre se espera (e se cobra) mais de uma pessoa Negra. E mesmo que ela a seja melhor do mundo, sempre tem alguém pra colocar um asterisco (olha o exemplo de Lewis Hamilton aí). Sua eleição em meio a uma intensa polarização, no mesmo momento em que Argentina, Chile e Bolívia expurgaram a extrema-direita golpista de seus quadros, nos dá esperança de que esses ventos cheguem até o Brasil o mais rápido possível. 

Desejo-lhe sorte, força e prosperidade pra encarar os desafios, derrubar as barreiras de raça e de gênero e pavimentar o caminho pra escrever uma nova página na história em 2024, já que Biden não tem intenção de concorrer à reeleição.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Dica de filme: Harriet

 



"Libertei mil escravos. Teria libertado outros mil, se eles soubessem que eram escravos".

Harriet Tubman era uma mulher escravizada que, em 1849, conseguiu fugir para a Filadélfia, onde arrumou emprego e moradia. Harriet trocaria a segurança da liberdade no Norte para voltar a Maryland uma dezena de vezes para libertar outros escravizados. 


Operando na Underground Railroad (Rota Subterrânea) – como ficou conhecido o conjunto de estradas, caminhos e esconderijos secretos usados por escravos e abolicionistas para libertação de pessoas – Harriet comandou missões a seu estado natal para libertar cerca de 70 escravos, entre parentes e amigos. Ela disse que “nunca perdeu nenhum passageiro”, o que lhe rendeu o título de “a mais hábil condutora” das Rotas Subterrâneas. 


  Nos Estados Unidos, ela se tornou mais conhecida por sua participação durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), atuando  como professora, cozinheira e espiã, conectando as tropas da União com redes de informações de escravos. Harriet contribuiu diretamente para a libertação de mais de 700 pessoas, além de ajudar na derrota dos Confederados, o que fez a escravidão ser abolida no país. 


Por meio de votação popular, durante o governo Obama, Harriet Tubman foi escolhida pra estampar as notas de 20 dólares, em substituição ao ex-presidente racista Andrew Jackson, mas sua execução não ocorreu em tempo hábil e Donald Trump, grande admirador dele (zero surpresas), adiou a decisão até 2028.

 "Harriet" está em cartaz no Telecine e também é possível achar pra download. 



domingo, 25 de outubro de 2020

Todos os recordes de Lewis Hamilton (até agora)


25 de outubro de 2020 é um dia histórico na Fórmula 1. O dia em que Lewis Carl Davidson Hamilton ultrapassou a marca "inalcançável" de Michael Schumacher e conquistou sua 92ª vitória, assim se tornando o maior vencedor de todos os tempos. O único grande recorde que ainda falta para Hamilton deve ser alcançado ainda este ano, com o heptacampeonato mundial de pilotos, feito que só o alemão detém, por enquanto.


Veja os outros recordes já batidos por Lewis Hamilton:

Melhor estreante da história (9 pódios nas 9 primeiras corridas, sendo 6 poles e 4 vitórias)

Único piloto a vencer pelo menos uma corrida em todas as temporadas que disputou.

Maior número de vitórias (92)

Maior número de pole positions (97)

Maior número de vitórias largando da pole (57)

Maior número de pódios (161)

Maior número de "resultados perfeitos" em uma temporada (pole position, volta mais rápida e vitória "de ponta a ponta") 3 vezes

Maior número de triunfos em um único GP (8 vezes vencedor do GP da Hungria)

Maior número de triunfos em casa (7 vezes vencedor do GP da Grã-Bretanha)

Venceu no maior número de pistas diferentes (ao todo, foram 28 pistas)

Pole positions no maior número de circuitos diferentes (29 no total)

Maior número de largadas na primeira fila (156)

Maior número de corridas lideradas (158)

Maior número de corridas lideradas do princípio ao fim (22)

Além dos diversos recordes de pista e de maior média de velocidade da história.

Lewis Hamilton levou o automobilismo a outro nível e escreveu seu nome na história de forma definitiva, mesmo que todas estas marcas sejam alcançadas algum dia.