terça-feira, 6 de novembro de 2018

Bélgica cogita devolver patrimônio saqueado da África durante período colonial


Frente do Museu Real da África Central, em Tervuren, na Bélgica.

O que fazer com objetos saqueados durante a era colonial e considerados obras de arte nos museus da Europa? Na Bélgica, o debate precede a reabertura em dezembro do Museu Real da África Central, e abrange objetos, arquivos e restos humanos.

Por Sabine Sessou
A questão não é discutida apenas na França, onde um relatório deve ser entregue em novembro pelo ensaísta senegalês Felwine Sarr, e pelo historiador de arte Bénédicte Savoy, ao presidente francês, Emmanuel Macron.
Em uma carta aberta publicada em 25 de setembro, 36 personalidades do mundo artístico, de universidades e associações, em sua maioria afrodescendentes, denunciaram "o atraso da Bélgica na restituição dos tesouros coloniais", em comparação com a França, a Alemanha e o Canadá.
Bruxelas tem uma posição sobre o assunto? Segundo agências de notícias locais, o atual ministro da Cooperação, Alexander De Croo, disse que estava pronto para discutir a devolução deste patrimônio com as autoridades e diretores de museus, mas também com especialistas dos países envolvidos.
Um primeiro marco foi também definido com o "retorno" aos arquivos de Ruanda do período colonial, anunciado no final de setembro. Um envelope de € 400 mil foi reservado pelo Ministério da Cooperação para um projeto de digitalização dos arquivos reais e do Museu Real da África Central, relativo a esta antiga colônia belga. O processo começará em 2019 com a visita de uma delegação de arquivistas ruandeses à Bélgica, que definirão suas prioridades.
Um assunto que ganha espaço
Em outro editorial, publicado em 17 de outubro na imprensa local, cerca de trinta cientistas, alguns dos quais funcionários do Museu Real da África Central, pediram um diálogo transparente que "prevaleça sobre o paternalismo".  Eles se recusam a abafar o caso: "Devemos admitir que essa devolução diz respeito principalmente à restituição física dos objetos do museu. Digitalização, empréstimos e exibições itinerantes também são importantes, mas não devem desviar a atenção do centro do debate".
Outra novidade na Bélgica: um debate "participativo" inédito, intitulado "Restituição de bens culturais africanos: questão moral ou legal? realizou-se no dia 16 de outubro no Parlamento de Bruxelas de língua francesa, sob a dupla liderança dos presidentes desta assembleia e do Comitê Belga dos Afro-Descendentes Muntu (BAMKO-CRAN).
O debate, organizado pelos 72 representantes eleitos de língua francesa da região de Bruxelas-Capital, deverá ter continuidade: está prevista a constituição de um grupo de especialistas, bem como uma resolução que visa ser compartilhada com os outros parlamentos do país. Será uma questão de propor emendas à lei, para avançar em direção a restituições concretas.
Campanha Voluntária de Retorno
Enquanto espera que este processo siga seu caminho, BAMKO-CRAN convida os cidadãos a devolverem objetos africanos que estejam em sua posse, mesmo que sejam velhos tambores ou lanças trazidas por seus familiares do Congo. Esta campanha de retorno voluntário, que "permitirá às famílias dar o exemplo para os museus", poderá levar os objetos para o Fórum Internacional de Soberanos e Líderes Africanos Tradicionais, responsável ​​por encontrar aldeias e famílias, identificando de onde vêm os objetos e, quando isso é impossível, devolver o material aos museus africanos.
As discussões na Bélgica concentram-se em três tópicos muito diferentes, mas interligados: arquivos coloniais, restos humanos e objetos. Michel Bouffioux, jornalista da revista Paris-MatchBélgica, revelou em maio passado a presença de 300 crânios, ossos e fetos preservados em formaldeído, principalmente do Congo, no Instituto Real Belga de Ciências Naturais. O jornalista denuncia os crimes cometidos pelos militares belgas Emile Storms, como a decapitação do chefe Lusinga, em 1884, cujo crânio levado para a Bélgica como troféu não foi devolvido ao Congo.
O debate sobre este tipo de restituição se inscreve, como na França, em um contexto mais amplo de "descolonização" de ex-potências coloniais, e da denúncia das expressões mais flagrantes de racismo que resultaram do processo colonial.
Fonte: RFI

sábado, 3 de novembro de 2018

Bahia usará uniformes em alusão ao Novembro Negro

A lista de relacionados para o jogo contra a Chapecoense foi modificada como homenagem a diversas personalidades Negras.

Ao longo de 2018 o Bahia já realizou ações em homenagem à luta dos povos indígenas (jogo contra o Atlético-PR), das pessoas com deficiência (Palmeiras) e das mães com filhos desaparecidos (São Paulo), assim como iniciativas contra intolerância religiosamachismo e homofobia, entre outros temas.
Desta vez, o Esquadrão aproveitará a partida deste domingo (4), diante da Chapecoense, pelo Campeonato Brasileiro, para destacar o início do Novembro Negro, o mês nacional da Consciência Negra.
O período é dedicado à reflexão sobre a inserção do povo negro na sociedade brasileira e a data exata (20/11) foi escolhida por coincidir com a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.
Confira os 20 homenageados nas camisas dos atletas do principal clube da capital mais negra do país:
ZUMBI (1655-1695)
Conhecido como Zumbi dos Palmares, foi um dos pioneiros da resistência contra a escravidão e o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial.

MILTON SANTOS (1926-2001)
Primeiro e único latino-americano a ganhar o “prêmio Nobel” da geografia mundial. Baiano, destacou-se pelos estudos sobre globalização e urbanização no Terceiro Mundo.

DANDARA (?-1694)
Guereira negra do período colonial do Brasil. Após ser presa, suicidou-se para não retornar à condição de escrava. Foi esposa de Zumbi, com quem teve três filhos.

MOA (1954-2018)
Considerado um dos maiores mestres de capoeira de Angola da Bahia, Moa do Katendê também foi fundador do bloco afoxé Badauê.

LUIZA BAIRROS (1953-2016)
Gaúcha radicada na Bahia, onde construiu seu histórico de militância negra. Doutora em Sociologia pela Universidade de Michigan, foi ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

GANGA ZUMBA (1630-1678)
Primeiro líder do Quilombo dos Palmares e antecessor de seu sobrinho, Zumbi.

MARIA FELIPA (?-1873)
Marisqueira, pescadora e trabalhadora braçal, liderou um grupo de 200 pessoas, entre mulheres e índios, contra os portugueses que atacavam a Ilha de Itaparica, em 1822. É considerada uma das heroínas da luta da Independência da Bahia.

MÃE MENININHA (1894-1986)
Mais famosa ialorixá da Bahia e uma das mais admiradas mães-de-santo do Brasil. Foi responsável por abrir as portas do Terreiro do Gantois, em Salvador, aos brancos e católicos.

LUIS GAMA (1830-1882)
Baiano, é considerado o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos negros.

BATATINHA (1924-1997)
Um dos maiores nomes do samba da Bahia, foi homenageado por artistas como Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia.

EDERALDO GENTIL (1947-2012)
Cantor e compositor da geração mais talentosa do samba baiano, ao lado de Batatinha. Foi gravado por nomes como Clara Nunes.

NEGUINHO DO SAMBA (1954-2009)
Músico baiano, criador do estilo samba-reggae e fundador do grupo Olodum e da banda Didá, ambos com sede no Pelourinho

MESTRE BIMBA (1900-1974)
Criador da Luta Regional Baiana, mais tarde chamada de capoeira regional. Foi o responsável por tirar a capoeira da marginalidade.

LUÍSA MAHIN (Séc. XIX)
Mãe de Luis Gama e africana radicada no Brasil, liderou as principais revoltas e levantes de escravos que sacudiram a Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX.

JONATAS CONCEIÇÃO (1952-2009)
Poeta e professor da UNEB, foi um dos fundadores do Movimento Negro Unificado na Bahia. Era diretor do bloco Ilê Aiyê, onde coordenava o projeto pedagógico.

TEODORO SAMPAIO (1855-1937)
Filho de escrava, foi um dos maiores pensadores brasileiros de seu tempo. Nascido na Bahia e engenheiro por profissão, escreveu obras de vasta erudição geográfica e histórica.

BIRIBA (1938-2006)
Um dos maiores ídolos da história tricolor, campeão brasileiro de 1959.  Nascido no bairro de Itapuã, preferia jogar na ponta direita, mas aceitou mudar de lado para formar dupla infernal com Marito, outro expoente do Esquadrão.

CARLITO (1927-1980)
Maior artilheiro do Bahia em todos os tempos, com 253 gols em 13 anos de clube, de 1946 a 59. É também o maior goleador tricolor na história dos Ba-Vis, com 21 tentos marcados.

MANOEL QUERINO (1851-1923)
Fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, foi pintor, escritor, abolicionista e pioneiro nos registros antropológicos e na valorização da cultura africana na Bahia.

EDISON CARNEIRO (1912-1972)
Escritor nascido em Salvador, foi também um dos maiores etnólogos brasileiros a estudar a cultura afro-brasileira. Jornalista, professor e folclorista, é autor da obra “Quilombo dos Palmares”.

Fonte: Site Oficial do Esporte Clube Bahia

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Etiópia elege primeira mulher presidente de sua história

A diplomata Sahle-Work Zewde, de 68 anos, entrou para a história nesta quinta-feira (25), ao ser eleita a primeira presidente mulher da Etiópia, se tornando também a única chefe de Estado do sexo feminino em todo o continente africano neste momento.
A eleição de Zewde foi confirmada em uma sessão conjunta das duas câmaras do Parlamento do país, após seu antecessor, Mulatu Teshome, ter renunciado ao cargo, que ele ocupava desde 2013.
"Precisamos nos tornar uma sociedade que rejeita a opressão das mulheres", declarou a recém-eleita presidente da Etiópia. Zewde foi escolhida em meio a uma reforma no gabinete do primeiro-ministro Abiy Ahmed, que estabeleceu que metade de seu ministério será chefiado por mulheres.
"É um movimento histórico a eleição da embaixadora Sahle-Work Zewde como nova presidente da Etiópia, trazendo consigo as habilidades e a experiência certa", escreveu o chefe de gabinete do premier etíope, Fitsum Arega.
No país africano, o presidente é eleito pelo Parlamento e exerce a chefia do Estado, mas não a do governo, tendo uma função mais cerimonial.
Antes de ser nomeada, Zewde foi representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, para a União Africana (UA). Além disso, ocupou o cargo de diretora-geral da ONU em Nairóbi, capital do Quênia.
O ex-presidente Teshome tinha mandato até 2019, porém renunciou sem dar muitas explicações. A mídia local aponta que sua saída foi para equilibrar a composição das etnias entre os altos cargos do governo. Teshome, assim como Ahmed e o ministro das Relações Exteriores Workneh Gebeyehu, é da etnia Oromo, enquanto a recém-eleita presidente é da etnia Amhara.
Ahmed assumiu o governo no primeiro semestre e vem implantando uma agenda reformista que inclui até uma inesperada paz com a Eritreia, com quem o país estava em estado de guerra havia 20 anos.
Fonte: R7.com


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Racionais MC's - Racistas Otários


Racistas otários, nos deixem em paz
Pois as famílias pobres não aguentam mais
Pois todos sabem e elas temem
A indiferença por gente carente que se tem
E eles veem
Por toda autoridade o preconceito eterno
E de repente o nosso espaço se transforma
Num verdadeiro inferno e reclamar direitos
De que forma?
Se somos meros cidadãos
E eles o sistema
E a nossa desinformação é o maior problema
Mas mesmo assim enfim
Queremos ser iguais
Racistas otários, nos deixem em paz
Racistas otários, nos deixem em paz!
Justiça
Em nome disso, eles são pagos
Mas a noção que se tem
É limitada e eu sei
Que a lei
É implacável com os oprimidos
Tornam bandidos os que eram pessoas de bem
Pois já é tão claro que é mais fácil dizer
Que eles são os certos e o culpado é você
Se existe ou não a culpa
Ninguém se preocupa
Pois em todo caso haverá sempre uma desculpa
O abuso é demais
Pra eles tanto faz
Não passará de simples fotos nos jornais
Pois gente negra e carente
Não muito influente
E pouco frequente nas colunas sociais


Então eu digo meu rapaz
Esteja constante ou abrirão o seu bolso
E jogarão um flagrante num presídio qualquer
Será um irmão a mais
Racistas otários, nos deixem em paz



Racistas otários, nos deixem em paz!
Então a velha história outra vez se repete
Por um sistema falido
Como marionetes, nós somos movidos
E há muito tempo tem sido assim
Nos empurram à incerteza e ao crime enfim
Porque aí sim, certamente estão se preparando
Com carros e armas nos esperando
E os poderosos me seguram observando
O rotineiro Holocausto urbano

O sistema é racista, cruel
Levam cada vez mais
Irmãos aos bancos dos réus
Os sociólogos preferem ser imparciais
E dizem ser financeiro o nosso dilema
Mas se analisarmos bem mais, você descobre
Que negro e branco pobre se parecem
Mas não são iguais
Crianças vão nascendo
Em condições bem precárias
Se desenvolvendo sem a paz necessária

São filhos de pais sofridos
E por esse mesmo motivo
Nível de informação é um tanto reduzido
Não...
É um absurdo
São pessoas assim que se fodem com tudo
E que no dia a dia vive tensa e insegura
E sofre as covardias, humilhações, torturas
A conclusão é sua... KL Jay

Porém direi para vocês irmãos
Nossos motivos pra lutar ainda são os mesmos
O preconceito e desprezo ainda são iguais
Nós somos negros também temos nossos ideais
Racistas otários, nos deixem em paz
Racistas otários, nos deixem em paz!
Os poderosos são covardes, desleais
Espancam negros nas ruas por motivos banais
E nossos ancestrais
Por igualdade lutaram
Se rebelaram, morreram
E hoje o que fazemos?
Assistimos a tudo de braços cruzados
Até parece que nem somos nós os prejudicados
Enquanto você, sossegado, foge da questão
Eles circulam na rua com uma descrição
Que é parecida com a sua
Cabelo, cor e feição
Será que eles veem em nós um marginal padrão?

50 anos agora se completam
Da lei antirracismo na Constituição
Infalível na teoria
Inútil no dia a dia
Então que fodam-se eles com sua demagogia
No meu pais o preconceito é eficaz
Te cumprimentam na frente
E te dão um tiro por trás
"O Brasil é um pais de clima tropical
Onde as raças se misturam naturalmente
E não há preconceito racial..."
Nossos motivos pra lutar ainda são os mesmos
O preconceito e o desprezo ainda são iguais
Nós somos negros, também temos nossos ideais
Racistas otários, nos deixem em paz!


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Colin Kaepernick renova contrato com a Nike e volta a causar "polêmica"

"Acredite em algo. Mesmo que isso signifique sacrificar tudo."
Por Gill Nguni

É incrível como as mesmas pessoas que menosprezam constantemente a luta antirracista, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, escondendo-se na falácia do "somos todos iguais", passam a sentir na pele quando não se veem representadas. Deve ser muito difícil ver uma grande empresa lançar uma peça publicitária sem um personagem branco como centro das atenções, né?

Colin Kaepernick voltou a ser assunto (para os brancos, pelo menos) após a Nike o anunciar como garoto-propaganda da sua famosa campanha "Just Do It", que está completando 30 anos. Desde o anúncio extraoficial, celebridades como LeBron James e Alicia Keys, por exemplo, manifestaram apoio em suas redes sociais, mas, no sentido oposto, surgiram inúmeras reações raivosas de consumidores brancos, revoltados com a escolha da empresa.

Pra quem não lembra, Colin Kaepernick foi jogador do San Francisco 49ers, time da NFL - principal liga de futebol americano, que se ajoelhou durante a execução do Hino Nacional dos EUA antes das partidas, protestando contra os constantes assassinatos de Negros pela polícia, fato que também é bastante comum aqui no Brasil, embora nenhum atleta tenha coragem suficiente pra se posicionar de maneira tão incisiva (Veja AQUI). 
“Eu não vou me levantar e mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime os negros e pessoas de cor. Para mim, isso é mais importante que futebol e seria egoísta da minha parte virar a cara. Há corpos na rua enquanto os responsáveis recebem licença remunerada e ficam impunes por assassinatos.”


Os protestos de Kaepernick lhe custaram sua permanência na NFL, já que muitos times o evitaram, por medo de receberem as polêmicas no mesmo pacote ou por mero boicote mesmo. Inclusive, o ex-jogador do 49ers está processando a liga pelo que aparenta ser uma represália, pois sua manifestação solitária foi recebendo cada vez mais adesão, até entre os jogadores adversários, chegando também a outros esportes, como a NBA (principal liga de basquete), no atletismo e no futebol dentro e fora do país.

Ao renovar o contrato com Colin Kaerpernick, assinado desde 2011 e que já estava próximo do fim, a Nike entrou forte na briga midiática e resolveu encarar a forte onda "conservadora" (um bom eufemismo pra racista) no país, representada pelo próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sempre se manifesta no Twitter contra qualquer atleta Negro que mostre algo além do mero entretenimento. Tal postura, inclusive, o deixou numa saia justa ao final da NBA na temporada 2017-2018, quando ambos os times finalistas - o Cleveland Cavaliers de LeBron James e o Golden State Warriors de Stephen Curry - recusaram a tradicional visita à Casa Branca após o título, independentemente de quem vencesse o campeonato. Trump representa uma legião de doentes que está cada vez maior no mundo. Pessoas postaram vídeos queimando roupas e tênis da Nike, em represália à escolha da empresa, e as ações caíram cerca de 3% nesta terça pós-anúncio.

O sistema tenta se proteger de todas as formas, fazendo o possível para que nada mude. Não que a Nike seja uma empresa virtuosa, solidária e defensora dos direitos humanos, longe disso, mas nada justifica reações tão simbolicamente violentas quanto a que estamos vendo nestes anos de radicalização das relações interpessoais. Manifestar uma opinião  tornou-se algo muito perigoso, e sair do "padrão" típico - homem, branco, cristão, heterossexual - na mídia é um ato de coragem. É um trabalho que todxs nós temos de fazer, cada umx à sua maneira. Mesmo que isto signifique sacrificar tudo.

sábado, 18 de agosto de 2018

Ex-Secretário-Geral da ONU e Nobel da Paz, Kofi Annan morre aos 80 anos



Kofi Annan, em Nova York em 2012.


O ex-secretário geral da ONU Kofi Annan (Kumasi, Gana, 1938), que ocupou o cargo entre 1997 e 2006, morreu neste sábado, 18, em Berna aos 80 anos, segundo informação da Organização Internacional das Migrações (OIM) em publicação no Twitter. “Hoje lamentamos a perda de um líder, um líder e um visionário: ex-secretário geral da ONU. Uma vida bem vivida. Uma vida digna de ser comemorada”, escreveu o órgão. Annan ganhou o Nobel da Paz em 2001 “por seu trabalho por um mundo melhor organizado e mais pacífico”. Em 2012 também recebeu o Prêmio Confúcio da Paz por “sua enorme contribuição à reforma e ressurgimento das Nações Unidas e como enviado especial da ONU e da Liga Árabe na Síria”.

A família de Kofi Annan e sua fundação também confirmaram seu falecimento. “Morreu em paz nesse sábado 18 de agosto após uma breve doença”, diz uma publicação no Twitter na conta oficial de Annan, em que colocaram um comunicado lamentando sua perda. O diplomata ganês, confirmou a família, adoeceu quando voltava da África do Sul após comparecer à comemoração do aniversário do nascimento do líder sul-africano Nelson Mandela. Annan foi hospitalizado em Genebra e depois levado de avião a um hospital da capital, Berna, onde morreu.

“Sua mulher Nane e seus filhos Ama, Kojo e Nina estiveram com ele nesses últimos dias”, relata o comunicado, que também diz que o ganhador do Nobel foi “um internacionalista profundamente comprometido que lutou durante toda sua vida por um mundo mais justo e pacífico”. A família também pediu privacidade nesse momento de luto.
Diplomata nascido em Gana, Annan foi o primeiro negro a comandar a ONU. Ele morreu na cidade suíça de Genebra, onde viveu por vários anos. Subiu de um começo humilde à secretaria geral da ONU. Seu maior fracasso na liderança do órgão, segundo ele mesmo reconheceu, foi não conseguir deter a guerra no Iraque, e pediu durante sua entrevista coletiva de despedida realizada na sede da organização em Nova York para não ser julgado unicamente pelo escândalo “Petróleo por Alimentos” nesse país, uma fraude que envolveu pelo menos 2.400 empresas no pagamento ilegal de comissões e propinas ao entorno do ditador iraquiano Saddam Hussein enquanto evitavam os controles das Nações Unidas.
O programa, que começou em dezembro de 1996 e acabou em 2003, nasceu como a mais ambiciosa operação realizada nos 60 anos de existência da ONU. O plano de ajuda contemplava o auxílio à população iraquiana com alimentos e remédios nos anos do embargo econômico contra o regime de Saddam Hussein. Dessa forma, se permitiu que petróleo saísse do Iraque no valor de 64,2 bilhões de dólares (251 bilhões de reais) e entrassem no país bens no valor de 34,5 bilhões de dólares (135 bilhões de dólares). Mas o programa se transformou em uma fonte de renda extra ao entorno de Saddam Hussein, que de acordo com os cálculos recebeu propinas e comissões de 1,8 bilhão de dólares (7 bilhões de reais).
Annan afirmou ter feito todo o possível para deter a guerra no Iraque e que apesar de se tratar de seu pior fracasso não deve apagar outras conquistas como os esforços da ONU em prol dos direitos humanos, a luta contra a desigualdade, em favor do desenvolvimento, cujo maior expoente são os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O ex-secretário geral expressou seu desejo de que seu mandato fosse lembrado como o da luta contra o desastre do tsunami no Oceano Índico e o terremoto na Caxemira, entre outros.
Além da guerra no Iraque, Annan disse diversas vezes que o atentado contra a sede da ONU em Bagdá em agosto de 2003, em que o enviado especial Sergio Vieira de Mello morreu, foi outro dos piores momentos vividos na secretaria. Ele se manteve ativo até seus últimos dias, liderando a delegação da ONU The Elders, fundada por Nelson Mandela, que visitou o Zimbábue durante as eleições no final de julho.
O secretário geral da ONU, Antonio Guterres, lamentou a morte de Annan, afirmando que seu legado será sempre uma inspiração para todos. “Nesses tempos turbulentos, Annan nunca deixou de trabalhar para manter vivos os valores da Carta das Nações Unidas. Seu legado será sempre uma inspiração para todos”, disse Guterres em um comunicado. O líder português acrescentou que “foi uma referência e um guia”: “Em muitos sentidos, ele era as Nações Unidas”. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, também lamentou sua perda em sua conta do Twitter: “Hoje perdemos um grande humanista. Kofi Annan nos deixa, ex-secretário geral da #ONU e Nobel da Paz, mas seu legado fica para continuar trabalhando a favor da paz, da segurança e para reforçar a defesa dos #DireitosHumanos”
Fontes: El País/UOL

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Morre Aretha Franklin, aos 76 anos

Aretha Franklin morreu aos 76 anos, informou o empresário da cantora. Diagnosticada com câncer em 2010, ela estava “gravemente doente”.
A causa da morte foi “câncer de pâncreas em estágio avançado”, segundo comunicado divulgado para a imprensa, citando o médico de Aretha. Ela deixa quatro filhos.
“Em um dos piores momentos das nossas vidas, não conseguimos encontrar as palavras certas para expressar a dor em nosso coração. Perdemos nossa matriarca e a sustentação da nossa família. O amor que ela tinha por seus filhos, netos, sobrinhos e primos não tinha limites”, disse a família da cantora por meio de comunicado.
“Estamos emocionados com todo o amor e apoio que recebemos de amigos e fãs. Obrigado pela compaixão e orações. Sentimos o amor de vocês por Aretha e ele nos trouxe conforto para entender que o legado dela vai permanecer. Em nosso luto, pedimos respeito e privacidade nessa hora difícil”. Ainda não há informações sobre funeral.
A história da rainha do soul
Aretha Louise Franklin nasceu em Memphis, no estado americano do Tennessee, em 25 de março de 1942.
Ela gravou seus primeiros discos aos 14 anos na igreja de seu pai, Clarence LaVaughn Franklin, um pastor batista.
Começou como estrela gospel adolescente, mas em menos de uma década se tornou um grande nome do R&B americano, o rhythm and blues surgido nos anos 40 com influências como jazz e corais de igreja.
A “rainha do soul” ficou famosa com “Respect” (1967), sua única canção a chegar ao topo da principal parada de sucessos dos Estados Unidos.
“Respect” resume o poder de Aretha. Composta e gravada originalmente por Ottis Redding, ídolo do soul, a cantora acelerou o arranjo, acrescentou vocais de apoio e a famosa parte em que soletra “R-e-s-p-e-c-t”.
18 prêmios Grammy e muitos hits
Ao longo de sua carreira, Aretha Franklin recebeu 18 prêmios Grammy, incluindo um pelo conjunto da obra.
Outros de seus maiores hits foram “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman” (1968), “Day Dreaming” (1972), “Jump to It” (1982), “Freeway of Love” (1985) e “A Rose Is Still A Rose” (1998).
Aretha Franklin se apresenta em cerimônia da fundação no combate à AIDS do cantor Elton John, na Catedral de São João, O Divino, em Nova York, em novembro de 2017 (Foto: Dimitrios Kambouris/Getty Images via AFP)
Em 1987, ela se tornou a primeira mulher a entrar no Hall da Fama do Rock and Roll.
Em 2005, Aretha recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade – a maior condecoração para um civil americano – das mãos do então presidente George W. Bush.
Ela também cantou em janeiro de 2009 na posse do presidente americano Barack Obama.
Diagnosticada com câncer em 2010, ela se apresentou em novembro de 2017 em um evento da Fundação Elton John contra a Aids em Nova York. Seu último show solo aconteceu na Filadélfia, em agosto de 2017.
No mesmo ano, ela anunciou sua aposentadoria dos palcos. O anúncio foi “amargo e doce ao mesmo tempo”, disse a cantora. “A música é tudo o que fiz toda minha vida”, completou.
Fontes: G1/ Portal Geledés